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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Em 2012...

Por esses dias, relendo minhas velhas revistas de DV (haviam revistas que a KK e Luxor produziram para banca de jornal muuuuuito antes da Shimmie aparecer), encontrei o famoso texto de Jorge Sabongi sobre as "Fases da DV". Lendo aquilo, me parece que ele conta os anos de dança e não de carreira. Anyway, não é que me identifiquei certinho?

*
10 anos (faço 12 anos de DV em 2012 - não de carreira, veja bem)

Amadurecimento e respeito pela arte
É o momento em que se atinge o primeiro platô de sabedoria. Percebe que ainda não aprendeu absolutamente nada do que existe neste manancial de cultura e começa a respeitar mais seu corpo e seu aprendizado. Percebe que a estrada é mais longa do que imaginava e agora a incorpora para sempre. Já faz parte do seu sangue conviver com o aprendizado da dança. A humildade começa a aparecer e fica difícil a convivência com as iniciantes que se encontram na fase do desequílibrio com o ego.

Procura incessante por novas fontes e maneiras de dançar
O prazer agora, mais do que nunca, está na descoberta do que durante tantos anos esteve oculto: o conhecimento. Encontra as respostas para muitas atitudes de antes e com tudo que toma contato percebe um sentido melhor, pois já teve oportunidade de sentir e compartilhar pessoalmente no passado.

Equilíbrio artístico e definição de métodos de ensino
Já não faz tanta diferença como os outros pensam ou como o mercado reage às suas investidas. Desenvolve seu trabalho procurando sempre ferramentas para aprimorar seus métodos para ensinar, passar a frente tudo o que aprendeu. O aprendizado e o aperfeiçoamento agora importam demais para si.
*

Obrigada à todas as oportunidades que apareceram para mim em 2011! Às bailarinas que me convidaram para seus eventos, ao público que foi no Zahra Sharq ou que foi me ver dançar em outro lugar, avaliações, prêmios, aulas particulares, workshops e principalmente às minhas atuais alunas (Liliane, Selena, Vanessa e Jeanne e, agora, Kamilla e Morgana que retorna em breve - são poucas mesmo!) que me permitem continuar estudando com regularidade e desenvolvendo minha criatividade.


Espero ser uma pessoa e uma bailarina melhor em todos os sentidos ano que vem e que eu possa continuar tentando contribuir com alguma coisa nesse nosso pequeno mundo de lantejoulas.

Abrindo turma nova para INICIANTES

OBS.: Já repararam no layout novo? Agora do lado esquerdo superior, existem abas com as parcerias, selos, eventos que eu indico e meu perfil do blog. De vez em quando, passa lá também!

Bauce kabir e feliz 2012!
Hanna Aisha

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Desconstruindo leituras (6)

Divulgado no blog da Adrielli Brites, eu roubei descaradamente porque esse video merece ser divulgado por ser um PRIMOR em harmonia. Olhando esses videos, eu fico pensando em como falta tanto para chegarmos lá como classe artística de respeito, hein? Mas acho que isso é assunto para um post só.


Bauce kabir,
Hanna Aisha

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Eu também vou reclamar!

Segundo meu amigo Raul...

"Mas é que se agora pra fazer sucesso
Pra vender disco De protesto
Todo mundo tem que reclamar
Eu vou tirar Meu pé da estrada
E vou entrar também Nessa jogada
E vamos ver agora quem é que vai guentar"

Cansei das panelinhas de DV.
Cansei da falta de união e de mistura das bailarinas da própria cidade.
Cansei de eventos ruins e desorganizados.
Cansei de bailarinas "profissionais" despreparadas.
Cansei dessas mesmas bailarinas "roubarem" nossas alunas.
Cansei de bailarinas estrelas. 
Cansei de fusões.
Cansei de modismos.
Cansei da cegueira com relação à casa de chá.
Cansei das mesmas bailarinas.
Cansei até dos arabesques. 
Cansei de mim mesma pensando nisso e reclamando... parei.

Em 2012 veremos um blog um pouco menos pessoal pois já cansei também de dar minha opinião para tudo, não ver retorno nenhum e ainda ser prejudicada por isso.

Posso voltar a dançar "Tahtil sheebak" sem ninguém torcer o nariz porque a música é "velha" e eu não vou fazer "grand battement"?

Toca Rauuuuuuuuuuuul!













Bauce kabira (amadurecendo cada vez mais),
Hanna Aisha

domingo, 4 de dezembro de 2011

A pressa da profissionalização em DV

Profissionalizar para quê? Para dar um workshop com os movimentos da Randa Kamel e os giros da Lulu? Até onde isso é contribuição original?

Eu como aluna ainda... tinha 5 anos de dança
Levei 7 anos para ter coragem e assumir a responsabilidade de ter um DRT e me responsabilizar por mim mesma, sem ninguém me apoiando e coordenando diretamente por trás (como existe né, a gente sabe). Eu fico impressionada com a pressa que as meninas têm de profissionalizar em DV.

Não que eu não ache isso importante; é sim e nem acho que sejam necessários 7 anos, depende de cada uma. Fazer uma faculdade de dança, sindicalizar, fazer cursos sérios de profissionalização, aula regular... deve ser buscado!

Reforço o tema do post: por quê a pressa? Para ganhar R$ 50,00 em um restaurante e colocar suas fotos no Facebook?

Só porque sua mãe, amigas e amigos, parentes ou qualquer pessoa diz que você está dançando muito bem (o que pode muito bem ser verdade, não estou questionando isso) NÃO QUER DIZER que você esteja preparada para nosso tão amigável mercado de dança do ventre.



De preferência, após a supervisão de uma profissional e um estágio razoável na presença da mesma. Por que não estágio? Se médico leva dois anos de residência para ganhar a especialização por que você, bailoca, não pode se preparar melhor? Ou você acha que é só ensinar as mãos, oitos e montar coreografia?

A responsabilidade de ter corpos em suas mãos é tão grande quanto sua atenção ao psicológico das alunas.

Fooooooooooooooora, a questão do que chamo enrolation society. Sem enrolação, please, dê aulas com "sustância".

Apresentações

Geralmente, se começa por elas e costuma ser um bom indicativo: festivais, concursos, festa da escola... até se chegar nos restaurantes, shows e apresentações particulares. Essa é a parte que nosso ego é mais massageado, pois quase todas as pessoas irão te elogiar. O que não quer dizer muuuuuuuuita coisa assim, principalmente de onde vierem os elogios.

Workshops

É bem diferente de aula pois você tem um tempo limitado para explorar assuntos pontuais. Ninguém te prepara para isso, apenas a experiência de participar de workshops/cursos e de prepará-los. Eu, particularmente, me sinto novata nesse aspecto mas não tem por onde ir a não ser fazendo com bastante cautela, carinho, atenção e ESTUDO.

Relações sociais com suas colegas de profissão

...

A pior parte; é a que dá mais trabalho em cultivar. Por quê?

Porque nem todas querem receber críticas.
Porque algumas têm medo de perder alunas para você.
Porque algumas se acham mesmo, é da personalidade.
Porque só chamo para dançar quem me chama para dançar, independente da qualidade técnica.
Porque ela tem selo e você não.
Porque seu figurino não é de uma grife legal.
Porque se fofoca demais sem necessidade.
Porque as escolas não se misturam.
Porque sua aluna falou mal da outra professora.
Porque nunca sou chamada para nada.

...

Quantos bafos você escuta regularmente?

Boas professoras nem sempre são boas bailarinas ou coreógrafas e essa relação é um grande vice-versa. 

Quando decidir se profissionalizar, pense em todas essas responsabilidades que você automaticamente irá receber com ou sem DRT, mesmo não sendo minimamente qualificada em alguma delas (temporariamente, se espera).

Eu já errei como aluna e continuo errando, mesmo sendo hoje profissional. Como quase todas nós. Todas cometem deslizes. Até para quem escolhe uma posição mais reservada, existem consequências. Mas, repetir erros, não dá.

A questão aqui é procurar refletir sobre que objetivos você tem ao ser bailarina profissional ou ao se projetar como uma. Pois a partir do momento que escolher a profissionalização, a cômoda posição de aluna deixa de existir e você passa a se responsabilizar por tudo que fala e faz. Até por ouvir e decidir esquecer ou não.

Quer ler mais sobre isso?

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 26 de novembro de 2011

Instrumentos mais comuns na DV para taqsim - parte 1

Inspirada pelo curso de Taqsim que ministrei na Escola Kelimaski em outubro, resolvi fazer um post mais detalhado sobre os instrumentos mais comuns encontrados em momentos de taqsim.

O momento de taqsim, como eu já disse, é o momento que um instrumento sola. Você, como bailarina, deve procurar traduzir o melhor que puder, o que aquele instrumento está te sugerindo, porém sem grandes deslocamentos (isso fica para a parte orquestrada da música, o lazmah).

Para começar, que tal lermos o que o tio Hossam diz para a gente (sorry, está em inglês)?

Resumindo um pouco a história, vamos dividir em 4 partes:

Família da Nay
Família do Qanoun e Alaúde
Família das Percussões
E Outros

Família da Nay

Instrumento egípcio fabricado a partir de talos de cana, está presente em todos os países árabes, comum para acompanhamento no recitar de poesias.

Movimentos fluidos, oitos, ondulações e expressão mais suave ou profunda combinam bem com os variados tipos de flauta nay. É um instrumento flexível. Geralmente, o som da nay é longo mas ele pode ser rápido, permitindo seu deslocamento, por exemplo. Shimmies podem ser bem-vindos, mas devem ser muito bem colocados na música.

Vamos ver a Aysha Almeé, que consegue traduzir de forma hipnótica a nay:


Mais sobre nay, aqui.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 19 de novembro de 2011

Solo de percussão - parte 2

Vamos continuar falando sobre percussão?

Em quem eu penso quando alguém menciona percussão? Henry Netto. Quem já o viu dançando ao vivo, sabe o que quero dizer... vídeos não mostram o que ele é no palco:


Bailarina e percussionista ao vivo

Quem já teve a oportunidade de dançar derbacke ao vivo, sabe que uma das principais coisas que se necessita ter é calma. Uma vez passado o nervosismo, interaja! Assim, é possível que o derbackista perceba seus pontos fortes e fracos e improvise uma música que te favoreça (imaginando que ele seja bom). Kahina e Pedro Françolin já trabalharam juntos algumas vezes:


Apesar de sabermos que não é improvisado, Jillina sempre é uma boa referência de segurança, calma e limpeza em derbacke:


No rol das gracinhas bem feitas e sem exagero, novamente, Esmeralda:


Quer saber mais sobre como dançar percussão? Dá uma olhada nas dicas do Hossam:

Dica preciosa: se não se garanta tanto, não invente de dançar aquela percussão longa que você acha maravilhosa; faça simples, mas faça bonito!

OBS.: Tem mais um post sobre percussão vindo!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 13 de novembro de 2011

Desconstruindo leituras (5)

Mais um deleite, a meu ver... vocês provavelmente já viram esse video no blog da Amar e/ou no meu twitter, mas não resisti em publicá-lo aqui também.

Eu já dancei e, particularmente, gosto muito dessa música "Alf Leyla" e nunca imaginaria uma performance como esta elaborada pela bailarina Flora Pitta. Parece que está na moda a DV teatralizada mesmo...


Bauce kabir,
Hanna Aisha

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Exposição na internet

Qual é o limite para se expor na internet?

Nem vou discutir aqui sobre redes sociais em geral, mas sim sobre nosso mundo bellydance, claro.

Quando a gente está com tempo e começa a passear pela internet em busca de informação, estudo, vídeos, etc, constantemente nos deparamos com excessos de fotos, videos e cartazes.

Eu sou totalmente adepta da utilização de emails, redes sociais, blogs e qualquer coisa para divulgar a minha pessoa, mas eu procuro medir bastante a quantidade de tudo isso porque sei o quão enfadonho é receber milhares de emails sobre a mesma coisa. Por partes:

- Fotos: Por que colocar TODAS as fotos que você tirou em TODOS os eventos? A partir de certo momento, as pessoas deixam de visitar seu perfil porque não vê mais novidade. Bom, falo por mim mesma. Eu deixo de visitar gente assim.

- Eventos: Importantíssimo divulgar os eventos em que você estará presente, mas TODO dia, não. Quem quer te ver mesmo, vai agendar e quem não quer, vai ficar de saco cheio da divulgação e começa a achar que você está desesperada. Logo, não precisa relembrar sempre. Relembre quando estiver mais perto.

- Vídeos: Por que colocar TODO e QUALQUER vídeo que você filma? Você realmente acha que dançou bem em todos eles? Se sim, que bom para você! Caso não, os vídeos podem mais te atrapalhar que ajudar na sua própria divulgação. Selecione melhor o que você quer vender. Aliás, mostrar sempre o que faz tira um pouco do encanto e as pessoas não ficam tão curiosas em te ver ao vivo, pois existe um mundo de vídeos seus no youtube...

Pontos positivos (claro que existem!), eu mesma tenho vários exemplos da internet:

- Conhecer gente e aumentar contatos: foi assim que conheci a Maira Magno e a trouxe para o Rio em 2009
- Ganhar adeptos e alunas: já ganhei aluna e "fãs"
- Divulgar seus eventos: sou grata à internet por ter público no meu show "Zahra Sharq"
- Avaliar sua popularidade pelo youtube

Pequena homenagem à Jessica que ficou feliz em me conhecer pessoalmente em Juiz de Fora - MG e disse ser "muito minha fã" (estranho esse negócio de fã, hehehehe) no evento do Tufic esse ano e à Vanessa, que se tornou minha aluna (aliás, superpremiada por aí!) após assistir meu show "A nujum al araabia" em 2008.

Quem quiser saber mais, pode procurar algumas dicas no blog da Vanessa.

Aproveitando a exposição... estarei lá!



Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 30 de outubro de 2011

Desconstruindo leituras (4)

Par quem leu sobre o post de percussão e quer ver alguma leitura diferente, veja este video super fofo!

Shahdana e os gêmeos Lombard: "derbacke" = sapateado. Sensacional!



Quer saber mais? Vá no site da bailarina e no Cadernos.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 23 de outubro de 2011

Solo de Percussão - Parte 1

Vamos falar um pouco sobre percussão! Para se dançar ou, principalmente, improvisar um solo de percussão, antes de tudo é importante ouvir bastante as músicas, pois a gente vai percebendo que existem várias coisas em comum nelas:

- Geralmente, as frases se repetem de 2 em 2 ou 4 em 4. Exemplo: dtk dtk tt/ dtk dtk tt.
- A segunda coisa, é saber ritmos árabes (não adianta fugir). Por quê? Porque existem alguns característicos, como soudi, que te permitem variar mais os movimentos de forma mais "contextualizada" e/ou mais harmoniosa.
- O maqsoum é bem comum como ritmo base.
- O rush (trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr) costuma vir mais no meio ou no final da música.

Sem nunca parecer cansada, Carlla Sillveira:


Nur e seu quadril com vida própria:


A Sadie, norte-americana tem um incrível refinamento de movimentos percussivos. Ainda sim, eu acho que ela foca muito somente no quadril:


Não curto muito a Didem também, mas sabemos que ela é muito limpa, calma e lê muito bem a percussão, com boa dissociação das partes do corpo:


E mais recentemente, Esmeralda, ar-ra-san-do com sua espontaneidade!


No blog da Dunia, ela fala um pouco sobre tremido. Dá uma olhada! E a visão do percussionista sobre o solo de percussão aqui.

Para se dançar percussão tem que ter talento (e quadril) e muito gosto pela coisa senão é um troço muito chato de se assistir. Eu mesma não sou muito fã e quase não danço. Mas é legal se aventurar pelas modalidades que não curtimos de vez em quando para que possamos ampliar nossas percepções musical e técnica.

Bauce Kabir,
Hanna Aisha

terça-feira, 11 de outubro de 2011

No mês de outubro...

Passando rapidamente para divulgar 3 eventos em outubro:

16 de outubro - domingo
Ministrarei uma oficina de taqsim, em que apresentarei os instrumentos mais comuns que são utilizados em solos de taqsim e algumas sugestões de como lê-los com o corpo.


22 de outubro - sábado
Festa das alunas e professoras da Escola Kelimaski, gratuita!

29 e 30 de outubro - sábado e domingo
Organizado pela Shaira Sayaad, com mostra, concurso, show de gala e workshops, estarei lá dançando!


Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 11 de setembro de 2011

A diferença entre interpretação e expressão - por Cássia Pires

Quando estávamos perto de um concurso que minha aluna participaria, ela me enviou o link desse artigo maravilhoso por email... porque eu dizia a ela que deveria relaxar mais a expressão e "sentir mais a música", se preocupando um pouco menos com a técnica, até porque estava boa. Ela estava com dificuldade em entender o tal "sentir".

"É comum ouvirmos que determinada bailarina interpretou muito bem tal personagem. Na verdade, ela simplesmente soube expressar as características de tal protagonista. São coisas bem diferentes, nem sempre perceptíveis para quem desconhece como cada arte funciona.

Não existe o “entrar no personagem”. Isso é bonito, romântico e poético, mas interpretação é técnica. Estuda-se muito para isso. “Ah, então, por que nem todos que estudam teatro são bons atores?” Pelo mesmo motivo que nem todos que estudam ballet são bons bailarinos.

Há diversos teóricos sobre o assunto (por exemplo, Brecht, Artaud, Grotowski, Boal), mas um dos mais importantes e estudados é Stanislavski. A base do seu método consta em três livros: A preparação do ator, A construção da personagem e A criação de um papel.

Bailarinos precisam conhecê-lo? Não. Mas precisam saber que não são atores. Não vou me aprofundar no assunto, porque os livros existem para isso. Passarei brevemente por uma parte do processo de composição de personagem, para vocês entenderem a diferença citada no título.

Quando um ator recebe um personagem, a primeira parte de seu trabalho é compô-lo. Ele terá de transformar uma ideia em praticamente uma pessoa, para que os espectadores assistam e acreditem que aquele ser existe. Sim, sabemos que é tudo ficção, mas se não nos envolvêssemos, ninguém se emocionaria em uma peça, filme ou novela.

Como construir alguém que não existe? O ator tem apenas o básico: a história do personagem inserida em uma história maior. Pensemos em Marguerite, personagem de A dama das camélias, romance de Alexandre Dumas Filho, que virou peça, vários filmes, a ópera La Traviata e o ballet de John Neumeier. Prostituta de luxo, sustentada por seus amantes, ela se apaixona por um rapaz mais jovem, Armand. O pai do rapaz faz de tudo para separá-los, chegando praticamente a chantageá-la. Além disso, ela está morrendo por conta da tuberculose. O que ela faz? Renuncia esse amor, sem dizer a ele o verdadeiro motivo do abandono. O final? Não vou estragar a graça de ninguém.

Com isso em mãos, uma atriz só sabe coisas básicas: Marguerite é prostituta, sustentada pela burguesia, é refinada, está doente, é mais velha que seu amante, conhece bem os meandros da sociedade da época, guarda o real motivo de sua separação. Ou seja, não é ingênua, é sagaz, experiente e sabe onde está pisando.

Agora, é hora de dar vida a essa mulher. Há várias maneiras, mas uma delas é se abastecer de referências. A atriz lerá romances de mulheres que tiveram de renunciar ao amor, assistirá a filmes de cortesãs do século XIX, pesquisará sobre os sintomas que caracterizam uma tuberculose, lerá poemas sobre amores trágicos, ouvirá canções que remeterão à renúncia e infortúnio, estudará sobre os modos burgueses da época em que se passa a história, pesquisará imagens de mulheres refinadas daquele período, enfim, ela mergulhará nesse mundo. Além disso, poderá reconstruir as lacunas dessa personagem: Ela se apaixonou antes? Por que começou a se prostituir? Ela tem família? O que aconteceu em sua vida até o momento em que conhece Armand?

O espectador precisa saber disso? Não. Isso é importante para a atriz em questão. Antes que os outros acreditem, ela precisa enxergar essa personagem como um ser verossímil.

O próximo passo do trabalho é o processo de montagem, específico demais para quem não é da área.

Uma bailarina não precisa fazer a mesma coisa, não precisa construir a Marguerite. Mesmo assim, ela tem de entender essa mulher. Entender o que está acontecendo: uma mulher apaixonada que terá de renunciar ao seu amor por conta das pressões sociais da época.

No momento do espetáculo que corresponde à separação dos dois, a bailarina não poderá entrar sorridente no palco, mas nem por isso deverá fazer caras e bocas para demonstrar o sofrimento de Marguerite. Aliás, erro básico que, por favor, jamais cometam. Nada de retorcer seu rosto para demonstrar sentimento; ele começa do lado de dentro. Simplesmente, sinta. Emocione-se com a dança, com a história, com a música. Dance com o corpo e com o coração. No pas de deux negro, entre Marguerite e Armand, sinta a angústia desse casal que se ama e não poderá ficar junto. Naturalmente, o rosto e o corpo expressarão tristeza e resignação.

Expressar tristeza e resignação. Só isso que a bailarina precisa. Entendendo essa questão, fica fácil perceber a vivacidade de Kitri, a angústia de Odette, a ingenuidade de Giselle, a doçura de Lise… O próprio ballet traz a emoção à tona. Esse é o limite. Quem quer ir além, exagera e fica falso, e ninguém é tocado pela falsidade.

Deu para entender? Por isso, se expressem da melhor maneira possível e deixem a interpretação para o teatro. Cada coisa lindamente no seu lugar".

Para ler o artigo completo, ir aqui.

Quer saber mais sobre expressão? Vá aqui e aqui!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Marrocos e Dança do Ventre

Texto revisto e reescrito em 20/11/12.

Olá, bellynerds!

Quando a gente aprende ou ouve falar sobre shaabi, a gente vai no youtube procurar por videos e pode acabar se confundindo. O shaabi egípcio já foi explicado aqui, mas também existe o chaabi marroquino que é completamente diferente.

Infelizmente, nunca fui no Marrocos, mas ao longo desses anos lidando com Dança do Ventre, algumas vezes me deparei com uma música "diferente" da que eu costumava ouvir e aprendi, sem querer que era música marroquina! Aaaaah, agora sim!


Existem muitos tipos de música marroquina como árabe, berbere, popular... e costuma ser tocado em diversos momentos de celebração. Esse ritmo chamado chaabi também tem a conotação de "popular" e nada mais é que música popular com diversas influências da música árabe, africana e berbére com elementos ocidentais como pop, reggae e rap. Chalf Hassan é o que mais encontrava por aí... mas existem diversos outros artistas!


Essa música teve sua origem nas ruas nos anos 70 para competir com o shaabi egípcio e a música libanesa. Também podem possuir letras politizadas e os pioneiros foram Lemchaheb, Nass El Ghiwane e Jil Jilala. O surgimento desse estilo fortaleceu a estima do próprio país, que sempre ficou à margem dos países vizinhos.

E a dança do ventre, ela existe no Marrocos? Claro que existe, como não?



Maaaaas, como o país é um dos mais conservadores do lado de lá, bailarinas profissionais são consideradas prostitutas (e o são na maioria, shikhat) e eu achava que basicamente não havia dança do ventre por lá, do jeito que a gente gosta que seja, como profissão. Confirmado pela minha tia, que não viu nada. A única coisa que ela me trouxe foi uma fita cassete de música. Mas, conversando recentemente com a bailarina carioca Luciana Midlej, ela disse que existe sim, inclusive acontecem lá importantes festivais. Gente, alguém sabe dizer mais sobre isso???

Esse site aqui é legal... mas quer ver mulher marroquina dançando?



Vamos treinar nossos ouvidos mais um pouco? Tem mais aqui!
Fonte principal: Travel to Morocco

Bauce kabir,
Hanna Aisha

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sobre Zahra Sharq 2011

Olá!


Os agradecimentos começam com público do show e do workshop. Obrigada pela confiança em acreditar no meu evento que esteve em sua terceira edição!


Em seguida, agradeço imensamente às bailarinas participantes a disponibilidade e interesse. Mais o que apenas dançar, eu espero que todas recebam o retorno merecido por cada trabalho apresentado. E eu sei que existe um retorno.


Obrigada Jannah El Havanery, pelo contato inicial e a posterior confiança em vir para o Rio dançar e agradeça suas meninas por mim. Todas são muito simpáticas e educadas.


Obrigada à minhas alunas Vanessa, Jeanne, Liliane e Cecília que por meio de CDs, flores, presentes, olhares, abraços e paciência me ofereceram seu carinho e apoio.










No workshop...





Não vi quase nenhuma apresentação, mas o pouco que ouvi das pessoas foi de que esse foi meu melhor e de mais alto nível. Isso é resultado do trabalho de vocês mesmas. Espero ver logo os vídeos!

E a todos, desculpem qualquer falta de atenção e espero que eu tenha oferecido conforto suficiente para que se sentissem bem.


Infelizmente, a Hadara Nur não pôde estar presente no evento por problemas de saúde. O que tinha de ser resolvido já foi resolvido entre as partes interessadas e o que fica é um pouco de vazio pela expectativa criada por todos. De qualquer maneira, agradeço também à Hadara pelo interesse em vir para terras cariocas.


Sobre o DVD, eu ainda estou pensando se farei a edição. Para isso, preciso saber quem são as reais interessadas em comprá-lo, sairá por R$ 20,00 cada um. Por favor, enviem um email para hannaaisha00@gmail.com. A programação foi a seguinte:


Jannah El Havanery – Clássica
Adrielli Brites – Salsa Árabe
Hanna Aisha – Zaar moderno 
Jaqueline Campos - Tribal Fusion

Grupo Osíris – Fitas
Natália Trigo - Clássica
Hanna Aisha - Taqsim Balady
Luciana Midlej – Oum Khoulsoum
Jannah El Havanery - Derbacke
Cia Zahra Sharq – Said com bengala
Nadja El Balady – Tribal Brasil
Shaira Sayaad – Dança com Espada
Jannah El Havanery - Wings
Hanna Aisha – Tarab 


Entrarei de férias dia 31 de agosto e emendarei em um congresso, voltando ao Brasil dia 08 de outubro. Certamente, minha presença na net diminuirá bastante, mas tentarei manter os posts atualizados.


Bauce kabir, 
Hanna Aisha

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Agradecimento!

Olá!

Eu e Hadarinha no MP 2009

Acho que o mínimo que eu devo fazer é agradecer publicamente através do meu blog duas publicações sobre minha pessoa nos dois maiores blogs de Dança do Ventre do Brasil:



Ninguém comprou ou pediu nada, foram postagens independentes. E foi isso que me deixou feliz. Obrigada Vera e Celia (e Livia!) pela oportunidade!

Sei que tenho participado menos dos blogs nos últimos 3 meses, mas certamente não estou à toa, é só muito trabalho mesmo.

Como estamos quaaaase na véspera do show de sábado, vou deixar uma parte dos bastidores do show passado, que está no DVD, com a Fabiana Tolomelli em que meu amigo e assistente de produção Fabricio Janssen (está comigo desde a primeira edição), me entrevista e eu falo um pouquinho do evento:


Bauce kabir cheeeeeio de ansiedade!
Hanna Aisha

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Resultado do 2o. sorteio!

Há um ano atrás, Fabiana Tolomelli dançava no Zahra Sharq...



...e esse ano, quem dança no Zahra Sharq será a Hadara Nur e as contempladas do 2o. sorteio o blog estão aqui embaixo:



Parabéns a todas! Entrem em contato comigo o mais rápido possível: hannaaisha00@gmail.com

As inscrições para os workshops vão até dia 19/08 e a venda de ingressos é somente antecipada. Os pontos de venda, além de mim diretamente, são:

Studio Nefertari 21 2548-6389

Escola Kelimaski 21 3286 5208

Espaço Chandra e Surya 21 2576 7374

Espaço Hátor 21 3458 2460

Por enquanto, não há mais sorteios previstos a curto prazo, mas aceito doações para divulgação de produtos para que o sorteio se dê aqui.

Nos vemos no Zahra Sharq!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

terça-feira, 2 de agosto de 2011

2o. sorteio do blog!

Olá, povo dançante!

Entrando já no frenesi do evento, como eu disse, farei mais um sorteio perto do Zahra Sharq. E dessa vez, serão 4 ganhadoras! Vamos lá, então:

QUALQUER PESSOA PODE PARTICIPAR DO SORTEIO (não precisa ser seguidora, mas que tal dar uma olhada no blog?), sugerir bailarinas para o Zahra Sharq 2012 com um email válido para futuro contato e esperar pelo resultado.

- A primeira levará a promoção: compre um workshop de Fusão com DV da Jannah El Havanery dia 21 de agosto e leve mais um que você pode dividir com uma amiga! (pois só uma vencedora do primeiro sorteio me contactou e achei que seria um desperdício)
- A segunda levará um ingresso para o show dia 20 de agosto às 19:30h.
- A terceira levará um ingresso para o show dia 20 de agosto às 19:30h.
- A quarta ganha um DVD Zahra Sharq 2009 com Maira Magno e convidadas.


Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 23 de julho de 2011

Outra profissão além da DV

Você tem outra profissão que não a Dança do Ventre? Aliás, essa outra profissão é realmente seu pão de cada dia?

Durante o mês de junho, eu estive absolutamente atolada e imersa para realizar meu exame de qualificação do doutorado (para quem não sabe ainda, faço Doutorado em Bioquímica na UFRJ), o que me custou parar com experimentos de bancada e ler, ler muuuuuito artigo e montar a apresentação. E mesmo com o doutorado tomando mais de 40 horas da minha semana (meu real ganha-pão), ainda assim sou bailarina e professora de Dança do Ventre (com DRT, viu?! heeheheh)

Escolhi a Biologia para minha vida como atividade principal e acho que falar sobre por que não escolhi a Dança renderia outro post.

Meu local de trabalho diário

O que quero dizer neste post é que, apesar de a DV estar loooooonge de ser minha atividade principal, eu procuro desesperadamente me manter com um bom nível técnico e didático através de videos, aulas particulares, workshops, blogs e criações. Porque minhas alunas e o público que me assistem não tem nada a ver com minha vida além da dança. Se eu me propus a estar ali, então, baby, do your job

Vamos saber mais um pouco sobre o que é ser amador e profissional no blog da Aisha Jalilah?

Abaixo ao amadorismo e às "profissionais" que estão por aí enfeiando os eventos e ensinando errado às nossas alunas!

E só para relaxar... heheheh... uma paródia da Lady Gaga e a vida de cientista:


Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 17 de julho de 2011

Trecho Folclórico na rotina oriental

Então, a rotina oriental sempre será tópico de qualquer blog e deve ser tópico de estudo para qualquer bailarina que queira sempre melhorar. As rotinas são perfeitas para isso pois oferecem uma maior variedade de ritmos e movimentos para se trabalhar em uma só música.

Neste post, falaremos sobre a parte folclórica das rotinas. Ela costuma aparecer, geralmente, após o taqsim, mas pode ser que apareça antes. Mas, não me lembro de nenhuma música em que essa parte ocorra logo após a introdução.

Todas sabemos que o said é o mais comum de aparecer, mas outros ritmos podem entrar e assim como o said, os passos correspondentes devem ser lembrados. Aqui, Natália Trigo (para mim, uma das poucas bailarinas que dançam de forma belíssima qualquer rotina) fez o said de forma muuuuuito discreta, a ponto de não se perceber (a partir de 8:06), mas o said em "Joumana" não é uma das partes mais fortes:


Aqui vemos um said mais marcado dentro da rotina com a Samara Nyla (0:19), emendando com um soudi (1:45) e depois em um fallahi (2:45):


Falahi e soudi, por exemplo, são os outros ritmos que podem aparecer e ficaria mais rico se fossem obedecidos. O soudi, da Dança Khaliji, é um ritmo bem característico que pode ser confundido com o ayub e com o laff, mas se prestar atenção, principalmente no contexto da rotina, dá para ser pescado rapidamente. E o que fazer quando o soudi aparece? Ué, soltar alguns dos passinhos do khaliji mesmo, porém de forma não tão marcada e mais suave, afinal, você está dançando uma rotina! Mas se quiser fazer mais forte, beleza, ficando bonito, estamos aí para bater palmas!

Aqui, eu, Elaine Rollemberg e Nilza Leão, dançamos a mesma música acima e também marcamos o said, o soudi e o fallahi:


E o baladi e o fallahi? Geralmente, é o maqsoum acelerado quem entrará na rotina e dará um tom mais sapeca à performance.

Aqui, Mayara Al Jamila dança lindamente "Nelly" que a partir de 3:58 começa com um fallahi, emenda em um soudi (5:02) e em um said (6:15):


Bons estudos e bons treinos!
Bauce kabir,
Hanna Aisha

Resultado do 1o. sorteio

Oláaa

Primeiro, queria agradecer as 19 meninas que se inscreveram para o sorteio, sugerindo nomes para o Zahra Sharq 2012. Confesso que não esperava tantas inscritas! Mas, infelizmente, tive que retirar 9 nomes porque não eram seguidoras do blog e isso eu coloquei como pré-requisito... Vai lá ver!

Bom, fiz tudo isso pelo Contest Machine e o resultado é esse aí abaixo:


Parabéns, Thalita e Daiane!
Vocês receberão um email ainda hoje e conversaremos!

Farei um próximo sorteio perto do evento que será super aberto ao público, fiquem ligadas!

Obrigada pela atenção!
Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 9 de julho de 2011

1o. sorteio do Blog!


Fiz uma enquete no blog que durou 2 dois meses perguntando se seria legal fazer sorteio por aqui e eis os resultados:


É legal, mas não precisa
  6 (12%)
 
Seria legal!
  36 (76%)
 
Não acho legal
  1 (2%)
 
Pode ser bom para ganhar seguidor
  4 (8%)
 




Então, ok, faremos um sorteio. :-)

Você precisa ser seguidor do blog, fazer um comentário com seu email e com sugestões de bailarinas para o Zahra Sharq 2012 aqui nesse post e se inscrever aqui ó:






Se você quiser, pode ser meu seguidor do Twitter também (@hannaaisha), mas pra esse sorteio não precisa não, ok?

Serão duas promoções na verdade; as duas ganhadoras, caso se inscrevam para o workshop da Jannah el Havanery (R$ 75,00), pode levar mais uma amiga para o mesmo workshop, de graçaOu seja, você paga o valor de um workshop e ganha outro que você pode dar para quem quiser! Daí, vocês podem dividir o valor, não ficando pesado para ninguém...

Farei um novo sorteio, mais próximo do evento. O que vocês sugerem? O resultado sai daqui a uma semana e as ganhadoras serão divulgadas e contactadas por email.

Bauce kabir wa Hathan saaidan!
Hanna Aisha
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