Translate this blog!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dança com Snujs

Snujs são címbalos de metal, muito presentes nas músicas árabes. É um acessório comumente tocado pelas bailarinas e item quase obrigatório na dança das ghawazee.

Eu, particularmente, super curto dançar com os snujs, mas confesso que ele tem estado de lado um pouquinho por estar mais focada em outras coisas na dança.

Tenho dois pares: um menor, para restaurantes e outro maior, para palco. As sonoridades são bem diferentes e sim, existem qualidades diferentes de snujs. Logo, se você quer comprar um de boa qualidade para sair um som legal, informe-se com quem comprar! Para treinar, você pode ter um menor e mais barato.

Existem duas maneiras de tocá-los:
1) Batendo no DUM com sua mão mais firme (costuma ser a que você escreve)
2) Batendo no DUM com as duas mãos

Os TAKA são marcados na sua mão menos firme.

A melhor maneira de aprender a tocar snujs é acompanhando um ritmo puro, ou seja, somente um ou dois derbackes, com, no máximo, um snujs ou rif para acompanhar. Assim, fica mais claro para você entender e fixar a estrutura do ritmo. Já viu meu post sobre ritmos?

Após você conseguir a segurança de tocar, durante um bom tempo, o ritmo puro, você começa a associar os movimentos junto dele. Depois disso, você começa a estudar uma música completa mesmo. No blog Cadernos de Dança, tem muitos ritmos para você estudar.

Aqui, um vídeo da Carlla Sillveira, com uns exercícios bem legais para você acostumar com o toque, antes de você pegar nos ritmos em si:


Você não precisa dançar a música toda tocando os snujs! Você pode tocá-lo eventualmente durante a música. Agora, o tchan da coisa não é ficar fazendo TAKA o tempo todo e sim, tocar no ritmo da música, preenchendo ou não o ritmo e com floreios. Aí sim, você vai demonstrar habilidade!

Não é exatamente simples, requer um treino longo e contínuo. Mas vale a pena porque você ainda consegue aprender diversos ritmos e, com isso, você nunca mais ouvirá as músicas árabes da mesma maneira!

Aqui nesse vídeo, eu fiz uma dupla com o super bailarino de sapateado, Alexei Henriques, onde criamos a música com base no seu sapato e nos meus snujs. O resultado ficou ótimo!


Bom treino!
Bauce kabir,
Hanna Aisha

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Ya msefer wahdak

"Oh viajante"

Intérprete: Mohamed Abdel Wahab, Warda, Najat El-Saghira
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)
Letra: Hassen El Saed (1921-1983)

Mohamed foi um grande personagem árabe e foi considerado o Beethoven árabe, seguindo a estrutura clássica da música árabe durante a década de 20. A partir de 1930, introduziu instrumentos (como o baixo, a castanhola e o violoncelo) e ritmos ocidentais (como rumba, tango, valsa e samba), além de criar músicas menores (em torno de 10 minutos), o que lhe rendeu muitas críticas. A música do post de hoje representa muito bem essa sua fase "ocidental".


Em seu primeiro encontro com Oum Khoulsoum, Mohamed lhe ofereceu uma música, a qual ela recusou e os manteve afastados por 40 anos. Seu dueto de "Imta Omri" nasceu a partir de um pedido do presidente egípcio da época, Gamal Abdel Nasser.

Aqui, a música interpretada pela querida Warda:


E aqui, a música interpretada pela Nagat El-Saguira:


Para finalizar o post, uma interpretação dançada da música, por Dina:


Fonte: Revista Shimmie, ano 04, no. 23.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 27 de junho de 2016

The Tribal Style Belly Dance - O Estilo Tribal de Dança do Ventre

Resumindo: Tribal é um estilo de Dança do Ventre contemporânea, assim denominado na década de 80, nos Estados Unidos. Uma Dança do Ventre descomprometida com a estética cultural árabe, mas aberta a influências multiétnicas, tendo, porém, posturas e vocabulário gestual base bastante específico e determinado.

O Tribal é como uma criança índigo, superdotada. Um estilo tão recente e já tão espalhado mundo afora, multifacetado, com dezenas de ramificações e sub-estilos.

Tudo tem um início e nada surge do nada. Claro que o Tribal teve suas influências históricas que embasaram sua filosofia estética, mesmo antes de ganhar este nome.

Chegando em São Francisco, Califórnia (EUA), é bem fácil perceber por que o Tribal surgiu ali. Rapidamente, encaixamos as peças do quebra-cabeça. Respirando o ar libertário e multiétnico de São Francisco, percebendo o peso de sua história hippie, passeando pelas ruas do bairro gay, comendo em restaurantes de diferentes nacionalidades, ouvindo as mais diferentes músicas e apresentações artísticas na rua, comprando no supermercado vegetariano.... É fácil entender que ali, a arte não será facilmente rotulada, o conhecimento não será colocado em caixas para ser repassado sem se transformar, sem ser reinventado, questionado, desconstruído e acrescentado da essência de quem o utiliza. 

Para se aprofundar no tema, e entender como as coisas se desenrolaram, acho que vale a pena pensar em toda a trajetória de evolução da dança do ventre nos Estados Unidos, desde a primeira apresentação de dança do ventre na Feira Mundial de Chicago em 1893, passando pela história da imigração dos povos árabes, o surgimento dos cabarés, a glamourização do estilo por Hollywood, o movimento hippie... A capacidade que tem o povo americano em transformar qualquer coisa em produto, de explorar o aspecto comercial de cada coisa existente. A dança do ventre se encaixa e se adapta aos tempos, às circunstâncias, ao gosto de quem faz e de quem assiste e por isso ela atravessa os milênios e continua a evoluir, porque tem em si a tradição e a modernidade, o ancestral e o visionário.

O Estilo Tribal se diferencia em diversos aspectos da dança do ventre considerada tradicional ou clássica. Pensando na evolução da modalidade ao longo do século 20, a dança do ventre tradicional/clássica se desenvolveu no ambiente urbano, seja no Egito ou nos Estados Unidos, nas apresentações de cabaré ou em teatro, em ambiente fechado, sofrendo refinamento estético para a tela do cinema, correspondendo às expectativas de um público majoritariamente masculino e de classe alta. O Tribal retoma o feeling das danças em praça pública, dos mercados, do céu aberto, da dançarina cigana, selvagem, de pés descalços. Buscando uma ancestralidade e uma beleza oriental existente no imaginário coletivo das mil e uma noites. Mesmo que em teatro ou ambiente fechado, existe a evocação deste conceito através dos elementos estéticos de cena, figurino e música. Contrapomos os arquétipos da dançarina elitizada X selvagem; Refinamento X Instinto; Strass X Moedas; Urbano X Deserto; Eva X Lilith.

Carolena Nericcio, “creditada como codificadora do primeiro estilo de dança e formato a levar o nome de dança do ventre tribal” (wikipedia.org), foi aluna de Masha Archer, que foi aluna de Jamila Salimpour. Esta árvore genealógica, demonstra, através da obra de cada uma destas artistas, a evolução da dança do ventre californiana, desde a década de 70. Elementos estéticos que se mantiveram, apesar de modificados, e que acabaram por fundamentar o estilo: A concepção cênica de grupo, inspirada no contexto cênico dos povos do deserto do Norte da África e Oriente Médio (Ciganos, Beduínos e Berberes); A utilização de figurinos inspirados na estética exuberante destes povos nômades; O vocabulário gestual que, aos poucos, foi sendo codificado, revisto e ampliado em suas posturas e movimentos. A criação de uma linguagem corporal única, funcional para improvisos em grupo, apresentações impactantes, alegres, coloridas e ricas em dinâmicas e elementos cênicos. Eis o porquê de o estilo ganhar o nome de “Tribal”.

Bal Anat


SF Classic Dance Troupe


FatChance BellyDance


Num seguinte momento, Rachel Brice foi aluna de Jill Parker, que foi aluna de Carolena Nericcio. Na contra mão da dança coletiva, trazendo de volta à cena a dançarina solista, coreografada e permitindo que outras modalidades de dança permeassem suas novas criações, embasadas já nos princípios técnicos da Dança do Ventre Tribal. Experimentar e fundir novos elementos. Trazer de volta a dança cabaré, o arquétipo da encantadora de serpente, a dançarina misteriosa, exótica e tecnicamente minuciosa. Assim surgiu a “Fusão Tribal”, ou “Tribal Fusion” em inglês. Estilo que explodiu mundo afora através da imagem de Rachel Brice na internacionalmente difundida cia de dança BellyDance SuperStars. A partir daí, muitas outras grandes dançarinas se projetaram e muitas fusões foram experimentadas, desde com danças étnicas como indiana e afro, como com outros conceitos cênicos como Vintage ou Dark Fusion.

Ultra Gipsy


Rachel Brice


Ariellah


Aqui no Brasil, eu, Nadja El Balady, estudo o Estilo Tribal desde 2005. Naquela época, conseguíamos captar a essência filosófica da estética Tribal, mas não tínhamos absolutamente nenhum direcionamento técnico para isso. Ainda hoje, muita gente estuda pelo youtube e não tem acesso a uma professora com uma formação consistente no Estilo. Eu lembro que a vontade de criar e de conhecer outras pessoas no Brasil que se interessassem por isso era muito grande. Todas nós que fomos pioneiras e nos esforçamos bastante para ir aos eventos umas das outras em todo o país, nos esforçamos por compartilhar conhecimento, nos esforçamos por criar uma cena. Acho que posso considerar que este esforço tenha dado frutos. Hoje em dia, muitas de nós conseguiram uma boa formação e desenvolvemos estilo próprio, debatendo escolhas e direcionamentos estéticos, cada uma com seu núcleo e trabalho em evolução. Novos festivais, novos grupos, diferentes profissionais despontam no mercado, indicando que mais gente procura o estilo, que ainda temos muito trabalho a fazer e que não tem mais volta. 

Nadja El Balady


O Tribal é um fenômeno mundial. Por manter a essência do feminino arquetípico universal da dança do ventre. Por sua amplitude, por suas infinitas possibilidades de criação. Pela beleza estética e pela excelência técnica a que exige dedicação. Cabe à dançarina neófita buscar suas raízes, sua história. Seu embasamento técnico respeitando a evolução do seu estilo. Mergulhar de coração no estudo para dominar sua linguagem e com isso, poder melhor se expressar sua individualidade na arte, de maneira consistente e única.

Loko Kamel Tribal Dance


Nadja El Balady
nadjaelbalady@gmail.com


Nadja é professora graduada em Dança e se dedica há 19 anos a estudar danças orientais. Trabalha com Tribal desde 2005 e organizou por 4 anos, no Rio de Janeiro, o primeiro festival de Dança Tribal do Brasil: “Tribes Brasil” (2008 – 2011). Nadja é FatChance BellyDance® Sister Studio, tendo feito a formação de ATS® (American Tribal Style®) em São Franciso, Califórnia em 2012. Fez imersão completa com Rachel Brice no Shaman’s Fest em 2014. Estudou com outros grandes nomes do Tribal Fusion como Rose Harden, Zoe Jakes e Sharon Kihara. Dirigiu o primeiro grupo de ATS® do Brasil: a “Tribo Mozuna” (2009 – 2012). Dirigiu a “Cia Caballeras” (2009 – 2011) e coreografou os espetáculos “Tribal Gênese” e “Carpe Noctem”. Nadja é pioneira na fusão do Tribal com Danças Brasileiras como Maracatu, Afoxé, Coco de Roda, Jongo, Cavalo Marinho e Frevo. Hoje, dirige o Oriental Studio de Dança, mantém Cursos de Formação em Dança do Ventre tanto tradicional quanto tribal, e dirige o grupo “Loko Kamel Tribal Dance” de ATS® e Fusão no Rio de Janeiro.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...