Translate this blog!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Como não se perder sendo aluna iniciante de Dança do Ventre

Olá, queridos leitores!

Ao sermos apresentados ao mundo paralelo da Dança do Ventre e do Folclore Árabe (vai me dizer que não é paralelo à nossa realidade?), corremos o enorme risco de nos deslumbrarmos diante de tanta música, brilho, maquiagem, figurino e belas bailarinas e belas danças. Eu já fui aluna e sei muito bem o que estou dizendo! Queria poder comprar milhões de brincos, maquiagens, CDs, DVDs, figurinos, acessórios... não aconteceu o mesmo com vocês?

Se você está sendo orientado por uma profissional séria e honesta e se você permitir que ela emita opinião, ela te orientará sobre o que você precisa investir no momento: aulas, DVDs, figurinos... Caso ela te repreenda carinhosamente, dizendo que você não precisa comprar tal coisa mas outra (ou nada!), não fique triste: tudo tem seu tempo! E sim, quem vos fala é uma pessoa muito ansiosa, eu te entendo! Não adianta querer fazer o workshop com a Kahina se você não consegue se sustentar por 15 segundos em uma meia ponta ou fazer o workshop com a Nur se você nem acertou seu básico egípcio! Muito menos gastar R$ 1.000,00 em um figurino, se você nem tem perspectiva de dançar.

Não, não quero arruinar o mercado da DV. Pelo contrário. Mas, acho que vale a pena tentar redirecionar a clientela e ajudar as meninas que estão meio perdidas a não perderem dinheiro à toa. Porque tem cliente e vendedor para tudo, eles só precisam se encontrar!

Particularmente, para meninas iniciantes, eu acredito que existam temas na DV que precisam ser ensinados assim que elas adquirirem aquele mínimo de dissociação corporal para que se comece um trabalho mais direcionado. E nunca, nunca mesmo subestime-as. Eu nunca fiz isso, acredite nelas! Por exemplo, folclore, meia ponta e ritmos não são temas de nível intermediário para cima. Acho, inclusive, que são trabalho de base, assim como os oitos e shimmie. Vou explicar.

Ninguém precisa colocar as meninas que estão começando agora para deslocarem como bailarinas clássicas, dançarem Zaar ou discutir quais os ritmos presentes no Dabke. Não! Mas não há motivo para não ensinar sustentação aliado a trabalho de core, a apresentar a Dança Baladi ou "a pisar no dum" durante o maqsoum (que costuma ser o primeiro ritmo dado e que você nem precisa fazê-las gravar esse nome inicialmente).

Aprender a usar o abdômen ajuda a dar equilíbrio, entender a Dança Baladi é entender uma parte da origem da Dança do Ventre (e a dançá-la!) e "pisar no dum" ajuda a ganhar ritmo e coordenação motora. O que vem depois disso, é apenas uma questão de aprofundamento.

Eu acredito que certas etapas deveriam ser dadas o mais rápido possível (quase obrigatoriamente) para que a base delas se estabeleça e se desenvolva com qualidade. Porque o resto que virá depois será apenas a cereja do bolo!

Quer saber mais sobre isso?

Espero ver você conectada comigo!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 5 de março de 2018

Livros de dança - parte 6

Olá, bellynerds!

Quanto tempo que não escrevo um artigo sobre livros de dança! O motivo é simples; eu estava sem livros de dança para ler! 

Bom, o primeiro que li foi o livro "Círculo Mulher" da Shalimar Mattar (SP), que comprei pessoalmente com ela em um evento no RJ e que ela autografou. Ele me pareceu um livro introdutório à Dança do Ventre pois, através de uma linguagem bem leve, fala sobre aspectos diversos que a Dança possui e pode proporcionar às suas praticantes, passando por um pouco de história até espiritualidade. No fim do livro, existem diversos relatos positivos de pessoas envolvidas com arte, em especial, com a Dança do Ventre. Eu acho que esse livro é um instrumento bastante interessante, pois pode ser lido tranquilamente por não-praticantes da Dança do Ventre e, com isso, talvez, atrair possíveis novos interessados.

O segundo livro é "Música Árabe" da Marcia Dib (SP). Ao contrário do livro da Shalimar, esse é extremamente técnico e denso e não é sobre dança em si. É um livro para músicos, mas as praticantes de Dança do Ventre também podem lê-lo e aproveitá-lo de alguma maneira. A temática me interessava bastante, mas teve trechos que eu simplesmente não entendi porque não tenho nenhuma formação nem experiência com música de nenhuma cultura (só sei tocar um pouco de snujs!). Ele é um grande repositório de informações que você pode consultar sempre que tiver uma dúvida pois é extremamente organizado e cheio de referências sérias (aspecto que toda pessoa que fez pós-graduação carrega em si). Porém, apesar de ser de difícil entendimento, eu não deixo de recomendá-lo, pois contém informações preciosas que me ajudou a ligar os pontos com relação ao tema e à própria dança.

Espero que tenha ajudado vocês com seus estudos!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Raks al seniyya

Fazer e servir chá de menta são parte da hospitalidade marroquina. A Dança da Bandeja (Raks Al Seniyya) é tradicional, em vez de folclórica. Não se baseia em uma cerimônia ou ritual histórico, nem é uma conseqüência natural do dia-a-dia do povo. Foi criado por um animador para acrescentar emoção à performance. À medida que a popularidade foi aumentando, tornou-se uma dança tradicional.

Conhecer mais sobre a história por trás da Dança da Bandeja é importante, assim como a compreensão da diferença entre o folclore e a tradição, que é uma distinção importante a fazer quando se pensa em Raqs al-Seniyya.

De acordo com Scarlet Lux - a dança folclórica é algo que representa o tecido social da cultura de que provém, seja uma representação da religião (embora as danças rituais sejam consideradas religiosas, em vez de folclore), casamento, moralidade, comunidade ou sobrevivência. Os encontros marroquinos de Ahwach para a comunidade, o namoro e, eventualmente, o noivado, são um excelente exemplo disso. A tradição, por outro lado, é simplesmente associada ou mesmo esperada em certas ocasiões ou em certas danças, mas essa tradição pode não ter o mesmo significado, história ou peso cultural das danças folclóricas.

Outras fontes dizem que sua origem se deu origem nos cafés no Marrocos no século 19, onde os garçons além de servirem, dançavam e faziam estripulias com a bandeja na cabeça. A dança é executada por homens e mulheres, mas é mais comum por homens. 

Os marroquinos usam velas, copos de chá e um bule de prata no centro. O piso está envolvido - praticamente todos os movimentos que você pode fazer com a bandeja são no chão. A dança começa, com o dançarino demonstrando firmeza, equilíbrio e habilidade usando movimentos de quadril, torso e braços. A dança pode ser lenta ou rápida.

A chave para equilibrar uma bandeja é manter a cabeça imóvel e nivelada.

Se você viajar para Marrocos e tiver a sorte de encontrar um restaurante ou hotel com shows de dança, ou participar de um encontro onde haja performance, você tem uma ótima possibilidade de ver Raqs Al Seniyya.

Dicas práticas para a bandeja de velas:

- Pratique o equilíbrio.

- Pratique na frente de um espelho para que você possa ver a bandeja na sua cabeça, enquanto seu corpo memoriza o sentimento. Mais tarde, é importante praticar longe de um espelho!

- Certifique-se de que você pode fazer cada movimento pelo menos 10 vezes no espelho e sem deixar cair ou inclinar a bandeja antes de tentar em frente ao público.

- Pratique até sentir-se realmente confortável, não temendo que a bandeja caia. 

É melhor estar preparado e coreografar, ao invés de improvisar, uma vez que a adrenalina pode fazer com que você arrisque e experimente movimentos que você não esteja preparado para fazer.






Fontes: 
Moroccan Tea Tray Dance: Raqs Al Seniyya
Tray Dancing
Candle Tray Dance Tips
Bandeja de chá / Raks al Seniyya
Raqs al seniyya – tray dance

Iniciou seus estudos com Dança do Ventre em 2004. Começou a dançar profissionalmente no ano de 2011 no restaurante Kib's Cozinha Árabe em Joiville e Bagdad Café em Curitiba. Atualmente, faz parte da equipe artística Oriente Árabe. Obteve o selo da Khan el Khalili em 2014 e faz parte do quadro de Novos Talentos. Em 2016, obteve seu SATED-PR (DRT 0030950-PR). Ministra workshops e shows em várias cidades do Brasil.

dayannaoeiras@gmail.com
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...