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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quem disse que não posso ensinar folclore?

"Se alguém lê um livro sobre leões ferozes e encontra um leão feroz, o leitor passará a ler mais livros do autor. E se o autor ainda ensina como domar o leão feroz e o leitor consegue, o autor passará a ser digno de confiança. Daí, os autores passam a escrever sobre temas um tanto definidos com o sucesso do seu primeiro livro e será impelido a começar a escrever sobre temas que circundam "leão feroz". Estudar um objeto isolado não traz conhecimento amplo. Estudá-lo no seu próprio contexto permite entendê-lo melhor".

Esse trecho é do livro "Orientalismo" do Edward Said, o qual já comentei aqui no blog, e ele resume bem o que é o Orientalismo. 

Também dizem que você só aprende uma língua de verdade quando você passa um tempo no país de origem.

Sabe o que é pior? Concordo com tudo isso. Mas, então, por que eu defendo que o folclore árabe pode ser ensinado por pessoas que nunca foram nos países de origem?

Porque acho que o conhecimento deve ser partilhado e as pessoas podem, pelo menos, serem apresentadas ao assunto.

Eu sou um pessoa muito estudiosa e se eu decido começar a estudar um tema por quaisquer motivos, em algum momento, eu vou parar para me aprofundar, seja lendo ou fazendo aula com alguém que me pareça referência no assunto. E com conteúdo, experimentação e crítica, eu crio e desenvolvo minha percepção sobre o mesmo. Ainda que eu não tenha ido, infelizmente, a nenhum país árabe, me sinto apta a falar sobre o assunto por conta do processo que eu acabei de descrever acima.

Quem já fez aula de folclore comigo sabe que eu não vendo nada como verdade, mas que repasso algumas visões de pessoas que já vivenciaram a dança de mais perto e minha conclusão do momento (do momento sim, porque eventualmente, a visão sobre determinado folclore muda). Sempre digo que aquela aula que estou dando é uma introdução/apresentação do assunto e que, se elas desenvolveram empatia por ele, eu as estimulo a procurarem saber mais, indicando, inclusive, minhas referências no assunto.

Se a gente usar o mesmo raciocínio, quase ninguém poderia dar aula de Dança do Ventre, pois a dança veio de lá, não é?

Aliás, outra questão para reflexão: só porque você foi para Alexandria e fez aula com o próprio Mohamed El Hosseny, não te torna boa professora ou boa bailarina em Mambouty, certo?

Aqui, indicando esse vídeo da Nilza, sobre a mesma questão:


Logo, quem disse que não posso ensinar folclore?

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Desconstruindo leituras (19)

Oi, queridos e queridas!

A Dança do Ventre é tão maravilhosa, que ela pode ser repensada, reinventada, recriada e gerar excelentes produtos. Já vimos muitas fusões mal feitas (assunto que, eventualmente, volta a ser discutido), mas quantas apresentações diferentes e incríveis já presenciamos? Mas, para realizar uma apresentação diferente, usando a Dança do Ventre como principal linguagem, vai depender quase exclusivamente de você; sua criatividade, referências, técnica e, um pouquinho de orientação, claro.

Adrielli é uma bailarina que, desde sempre, usa uma linguagem mais moderna em suas performances. Mas, dessa vez, ela foi plena, segura e inspiradora:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 6 de março de 2017

Zay el hawa

"Parece com o amor"
Intérprete: Abdel Halim Hafez
Música: Baligh Hamdi
Letra: Mohamad Hamzi

"Zay el hawa" pode ser traduzido como "Como o vento" ou "Como o amor", tem duplo sentido. Mas quando você lê a letra, entende as duas palavras acabam se encaixando, apesar de "amor" caber mais na interpretação.

Abdel Halim era conhecido como  "el andaleeb al asmar", o rouxinol moreno. Suas músicas influenciaram muito a vida e revolução egípcias e foi apadrinhado por Mohamed Abdel. Uma curiosidade: ele tinha esquistossome, uma doença negligenciada, muito comum aqui no Brasil também.


Uma das inúmeras coisas que Abdel era, uma delas, era maestro. Isso fica claro nesse vídeo dele, onde ele comanda a introdução da música:


Aqui, uma interpretação feita pela cantora egípcia Dina Hayek:


Existem muitas versões dessa música; você, com certeza, já cruzou com alguma delas. Costumamos dançar apenas a introdução e o início da letra. Aqui, a tradução dela para o inglês. Aqui, uma interpretação dançada da música por Luna of Cairo (em 6:43, o vídeo se repete):

Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 21

Bauce kabira,
Hanna Aisha
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