quinta-feira, 8 de março de 2012

Desconstruindo leituras (8)

Já tem um tempo que acompanho a Jamilah, da Polônia, no seu canal do youtube e digo que não me arrependi até hoje. Ela demonstra sempre muita calma, precisão, leveza e elegância. Inclusive, ela ganhou um post aqui há um tempo atrás.

Mas nesse vídeo, aproveitando que já falamos sobre taqsim de cordas, ela faz uma leitura de Lissa Fakir que não fica muito tradicional, pequenininha e nem balética como estamos acostumadas a ver. Acho que ela encontrou um ótimo equílibrio, o qual eu admiro bastante:


Não ficou vidrado? Pena que durou pouco...

Bauce kabir,
Hanna Aisha

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Trabalho de braços na DV

Como já escreveu a Dunia (SP), parece que as bailarinas combinaram ou estudaram juntas; dançar e não fazer os braços de natação da Randa Kamel é quase não saber utilizar os braços na DV atualmente. Mas, inteligentes que somos, sabemos que não é bem assim que a banda toca para sermos consideradas boas profissionais.

O trabalho de braços, antes de mais nada, necessita de isolamento das partes: ombro, cotovelo e punho. Sabendo isolá-los, o que resta é você trabalhar sua criatividade com isso. Usá-los, por exemplo, como uma extensão dos movimentos ou num contínuo é uma boa dica.

O que tem sido muito comum aqui no Brasil é a utilização dos braços como moldura. Ok, é uma ótima ideia, mas pensando numa DV um pouco menos performática e com mais essência egípcia, estar com os braços sempre como moldura ou sendo utilizados todo o tempo, não é uma ideia tão legal assim, não combina. Egípcias não utilizam tanto os braços e sim o quadril.

Para quem gosta desse estilo atual, sugiro prestar atenção no trabalho de braços da Susanna (Coréia); impecável, não teve um momento de deslize:


Acho que insegurança faz parte em atrapalhar esse processo de trabalho de braços. A insegurança atrapalha a postura de uma forma geral e isso reflete nos braços também. Ou insegurança de ousar na leitura, talvez, ou preocupação com o que os outros irão achar.

Uma outra dica legal para soltá-los e perder vergonha é trabalhar com taças. Com elas, não há opção, os braços devem ser trabalhados todo o tempo.

Aqui nesse vídeo, Nur trabalha os braços nesse estilo "natação", mas os braços estão muito mais relaxados do que como normalmente vemos, talvez seja um reflexo do seu jeito mais sapeca de dançar:


A ideia aqui de maneira alguma é criticar negativamente os braços, digamos, "do momento"; cada um na sua, com seu estilo, admiração e público. Mas sim, divulgar a ideia de que é muito mais legal trabalhar os braços da maneira que você se sinta mais confortável em fazer e não do jeito que as pessoas acham melhor para que você passe na prova da KK. Outra coisa é você estudar e tentar aprimorar. Entende a diferença?

E sim, uma hora enche o saco de ver tantas bailarinas diferentes, com potenciais diferentes fazendo the same shit. Mas essa discussão é velha, já tá chata e não vou fazer aqui.

Bom, de maneira alguma eu poderia deixar de citar a bailarina que me parece ter os braços mais admirados aqui no Brasil (merecidamente), Elis Pinheiro:


Bauce kabir,
Hanna Aisha

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Instrumentos mais comuns na DV para taqsim - parte 2

Continuando o post anterior sobre instrumentos, vamos falar sobre a Família do Qanoun e Alaúde, instrumentos de corda muito importantes na música árabe!

O qanun é o mais sensível de todos os instrumentos e acredita-se que tenha sido inventado por um muçulmano chamado Al Farabi.

Movimentos sugeridos: shimmie à vontade, aliado aos acentos e variações de velocidade.

Aqui, o bailarino colocou uns elementos modernos que muita gente pode não gostar, mas quando ele foca no taqsim de qanun, ele faz bem, utilizando também os braços e pequenos deslocamentos, o que torna o shimmie menos monótono:



O alaúde ("al-ud") possui origem muito antiga e desconhecida e é o único capaz de seguir todas as melodias, pois foi construído inspirando-se nos quatro elementos da natureza.

Movimentos sugeridos: Os mesmos para qanun, mas acho que ele ainda é um pouco mais flexível, permitindo mais movimentações. E diria que a expressão pode ser outra pois a intensidade dos dois instrumentos são diferentes.



Mais sobre qanun e alaúde.

Bauce kabir,
Hanna Aisha