Translate this blog!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Minha experiência com bellydance nos EUA - parte 2

Olá, povo que continua curioso!

Na parte 1, eu dividi minha experiência como bailarina aqui nos EUA. Vocês já foram lá ver?

Nessa segunda parte, vou dividir as impressões que eu tenho da  prática da Dança do Ventre aqui na região de Baltimore/DC, onde moro, atualmente. Logo, não sei se posso estender isso para outras regiões dos EUA.

1) É impressionante o quanto o Estilo Tribal Fusion e o ATS estão presentes na dança delas. Vi muitas apresentações só de Tribal Fusion e muitas bellydancers (as bailarinas que dançam Dança do Ventre) dão um "tempero" em suas danças com as posturas e/ou trejeitos ATS. Aliás, fusão com Dança do Ventre é bem comum. Vi fusões com cigana, tribal, japonesa, flamenco, burlesco, música ocidental...

2) Elas também fazem muita edição nas músicas, misturando-as. Por exemplo, começar com uma zaffe e terminar numa percussão ou começar com "Aziza" editada e fechar com percussão. Aliás, elas adoram percussão (e a influência da Sadie sobre a forma como elas dançam percussão é bastante forte) e músicas para Tribal Fusion (música New Age também). Elas não costumam dançar músicas que chamaríamos aqui de "tradicionais".

3) Os figurinos me soam um pouco anos 2000. Não lembro de ter visto figurino egípcio atual ou um vestido ou com strass. Isso significa que vejo muitas franjas, faixas de cabelo, braceletes, moedas, flores. Eu diria que também é influência do ATS.

4) Enquanto gastamos muito tempo nos maquiando, eu não vejo investimento delas em maquiagens elaboradas; elas fazem maquiagens beeeeeeeeem básicas, comparadas às nossas.

5) O público costuma ser muito receptivo e simpático, quando não, generoso, dando gorjeta.

6) A leitura musical é muito diferente; tenho a sensação de que elas se preocupam muito em ler a música de uma forma geral, com pouca ênfase nos instrumentos solistas e com mais atenção à melodia como um todo.

7) Elas AMAM acessórios! Véu de seda, wings, fanveil, espada, bastão, snujs, candelabro ou bandeja com velas são os mais usados.

8) Não é incomum uma bailarina profissional também realizar outras danças como indiana, ATS, Tribal, danças latinas ou persa.

9) Já disse que elas adoram fazer fusões temáticas? Então, adoram: Halloween, unicórnio, gótico, terror, sereia, burlesco. Elas não parecem se preocupar muito com o que dirão sobre a criação delas...

10) Eu diria que aqui, onde estou, a Dança do Ventre é mais democrática: vejo mais mulheres mais velhas, bem acima do peso e/ou negras dançando em eventos e haflas ou profissionalmente. Pode ter a ver com a região, apenas, eu não sei [sabemos que, no fundo, os contratantes e as pessoas querem ver bailarinas jovens, brancas e com corpo bonito, não importando sua qualidade técnica e/ou experiência].

11) Elas oferecem workshops com nomes divertidos para temas já conhecidos: "Saucy said" (said atrevido), "Badass baladi" (baladi foda), "Liquid Silver" (líquido prateado). Eu fiz dois workshops sobre Teoria musical e posso dizer que, elas ARRASAM. Imagino que seja por conta da escola, que oferece artes em geral, muitas delas têm base musical forte e os dois cursos foram excelentes, como nunca vi nada próximo no Brasil.

12) Sobre aulas regulares: elas vendem as aulas em combos temáticos, ou seja, você comprar 2 ou 3 meses de aula, em que você estudará uma coreografia de alguma modalidade. Não é comum ter turmas regulares, com as mesmas alunas e tal... ainda não sei como ocorre o processo de profissionalização de uma bailarina, mas eu chutaria que ela ocorre de forma totalmente autônoma e sem fiscalização (ou seja, não rola sindicato - apesar de já ter ouvido mais de uma vez que existem as bailarinas "polícia").

13) Aqui, esse lance de você tirar foto ou filmar alguém para publicar nas redes sociais, principalmente, pode dar problema se você não tiver o consentimento da pessoa. O uso da imagem sem licença é sério e aqui é o país dos processos judiciais, se processa por qualquer coisa. Logo, sugiro que, antes de filmar e colocar no Instagram, pergunte às bailarinas filmadas se pode fazer isso.

Aqui, outro vídeo meu, dançando na hafla "All Seasons", organizada pela bailarina da região Mariza Matel:



Você já dançou nos EUA? Ou outro país? Não quer dividir sua experiência conosco aqui no blog?
Espero que tenham gostado!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 4 de março de 2019

Minha experiência com bellydance nos EUA - parte 1

Olá, pessoas curiosas!

Algumas pessoas me pediram para falar sobre como é a Dança do Ventre aqui nos EUA. Mas, é importante ter na cabeça que só posso falar da área na qual estou morando, que é Baltimore/DC. Logo, não dá para generalizar para todos os EUA.

Nessa primeira parte, vou dividir minha experiência como bailarina. No próximo post, vou dividir as impressões que tenho, por enquanto, das bailarinas e da dança, no geral, porque estou aqui há um pouco mais de um ano, apenas.

Eu comecei a contactar as bailarinas da região antes de vir pra cá e continuei nesse networking depois que cheguei. E nessa busca por contatos, conheci a Mariza Matel, bailarina da cidade, que tem uma trupe chamada Lazuli e ela promove eventos regularmente, como haflas, shows e workshops. Ela me recebeu muito bem imediatamente e já dancei duas vezes em sua hafla chamada "All Seasons". Abaixo, é o vídeo da primeira vez que dancei aqui:



Através da Mariza, nesse mesmo dia da hafla, em março, acabei sendo apresentada à sua amiga Aliceanna (também bailarina e professora em Baltimore), que foi headliner da hafla (ou seja, ela foi a convidada especial). Hoje em dia, eu e Aliceanna acabamos virando amigas pessoais [eu achei que não faria amigas aqui tão rápido porque somos culturalmente diferentes - mas a dança tem essa mágica, né?]. Nesse dia, também dançou a Kaela, bailarina da região e fotógrafa (minha foto inicial do post é dela). Na foto ao lado, temos a Kaela, Mariza, eu e Aliceanna num pub, comemorando o aniversário da Kaela.

Por conta do contato que mantivemos ao longo do ano, Mariza me convidou para dançar em grupo em um evento particular para uma empresa. Tivemos uns 6-7 ensaios para treinarmos a música que abriria e outra que fecharia o set de uma hora de show, intercalando com solos e duos. As músicas foram todas no estilo Bellydance SuperStars ou turcas. Foi uma experiência incrível para mim: a leitura delas é diferente da nossa (como as músicas utilizadas) e entender a lógica dos passos delas, assim como aplicar as emendas no meu corpo, foi um grande desafio. Fora decorar duas coreografias em menos de 2 meses e treinar dois solos. Foi um mês bem intenso! Não tivemos como filmar, mas aqui tem uma foto da gente, que tentou combinar as roupas para ficar mais bonito.


Eu dancei uma vez só no melhor restaurante "árabe" da cidade e foi ótimo. Consegui dançar lá por intermédio da bailarina Samira Shuruk, uma das profissionais mais antigas e conceituadas da área. Como tem dois andares, eu e mais uma bailarina dançamos naquela noite de sábado, trocando de andar no meio do set de 5 músicas. O público foi muito simpático e é bem comum ele dar gorjeta para as bailarinas no meio da sua dança. Porém, a escolha das nossas performances depende do gosto do dono, que é turco: ele não curte música egípcia, não pode usar bastão, tem usar acessórios como véu, bandeja, espada e snujs (aqui elas só chamam de zills). Como eu só trouxe véu e snujs, comprei taças e dancei com velas (a outra bailarina dançou com espada), coisa que não vi ainda aqui. Não tirei foto e filmei alguns segundos nos stories do Instagram. Quem sabe, numa próxima?

Também participei de um festival, o Dangerous Curves Bellydance Convention. Foram 3 dias de show, workshops e palestras, com uma headliner e convidadas especiais (em 2019, a headliner será a Cassandra Fox!). Fiz vários stories no meu Instagram nesse dia (me segue lá! @hanna_aisha), onde mostrei algumas danças e o espaço em que ocorreu o festival. Fiz 3 workshops e dancei em um dos shows:



O festival mais famoso da área (The Art of the Belly) rola sempre em março e eu estava recém-chegada e sem dinheiro. A Jillina foi uma das headliners e esse ano será a Zoe Jakes e Aziza. Mas, perdi completamente a inscrição para 2019 e já tem lista de espera. Fica para 2020...

Na mesma hafla de março, também conheci a Carolina Hernandez, colombiana e bailarina da área. Ela me convidou para dançar em um festival cultural em Silver Spring, cidade próxima a Baltimore, ainda em Maryland. Ventava muito e fazia muito calor: foi um desafio lidar com cabelo voando e maquiagem derretendo, mas o público foi muito caloroso e o fotógrafo tirou fotos incríveis!

2018 não foi um ano super produtivo na dança, comparado ao que tenho no Brasil: não dei workshop nem aula presencial (só dei aulas online), dancei em um festival de dança e outro cutlural, em duas haflas, em um restaurante e em um evento particular, além de ter feito 5 workshops. Mas, olhando assim, até que não foi tão ruim para um primeiro ano morando fora do Brasil. Poderia ter sido mais agitado? Sem dúvida, mas a prioridade não era (e ainda não é) essa. Agora é esperar ver como 2019 vai se apresentar!

Espero que tenham gostado! E se você já morou nos EUA (ou em outro país) e quer dividir sua experiência, comenta aqui!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Tahia Karioca: pra estudar

Rushdy Said Bughdady Abaza nasceu dia 22 de fevereiro de 1919 em Ismaília, no Egito e morreu de ataque cardíaco no dia 20 de setembro de 1999, aos 80 anos.

Sua história não é muito diferente das bailarinas da época: foi desencorajada por sua família para trabalhar como bailarina e mudou-se para o Cairo. Lá, estudou dança na Ivanova Belly Dancing School e conheceu sua vizinha Badia Masabni, que lhe ofereceu a chance de trabalhar em sua trupe, após começar a trabalhar em seu cabaré vendendo frutas. Taheyya Mohamed, seu nome artístico inicial, ganhou popularidade rapidamente e foi no cassino onde ela conheceu o Samba (que era chamado de Carioca pelos egípcios) e pelo qual se apaixonou, sendo inserido em suas apresentações, posteriormente. Taheyya Karioka (ela trocou seu nome por conta disso) estrelou, em torno de, 120 filmes, além de ter trabalhado na televisão e no teatro. Samia Gamal era sua rival no cassino, mesmo que seus estilos de dançar fossem muito diferentes.

Tahia Carioca era muito meiga, delicada e graciosa, onde utilizava passos pequenos, com muitos oitos, redondos, camelos e sem marcações fortes. Ela fazia muito o redondo grande de quadril, deixando-o um pouco lento na frente. Os braços ficavam em, basicamente, 3 posições: meio alongados acima da cabeça ou do quadril ou posicionados na altura do rosto e busto:


Possuía uma técnica bastante sofisticada e fluida, cheia de emendas e explorando muito variações de altura, com o recurso de flexão dos joelhos. Mais tarde, ela incorporaria passos de danças latinas em suas performances. Tahia foi uma das bailarinas que ficaram conhecidas por elevar o nível técnico da dança oriental no Egito. Tanto que foi chamada pela revista "New York Times" como uma "pioneira da dança oriental moderna", isto é, como ela é dançada hoje.

Uma curiosidade: ela chegou a ser chamada para trabalhar em Hollywood, mas como seus braços eram considerados pouco elaborados, exigiu-se que ela fizesse aulas de ballet. Ela recusou, pois ela se considerava uma bailarina profissional e que não precisava de ajuda para dançar. Adivinha que foi trabalhar em seu lugar? Samia Gamal.


Tahia teve uma vida política ativa e era famosa por conseguir ser "sedutora sem ser vulgar", como o famoso autor Edward Said citou em um dos seus livros. Ela se aposentou da dança em 1963, mas continuou a carreira de atriz. Mais velha, converteu-se ao Islã, fez a peregrinação à Meca e passou a usar véu. Apesar de ela ter se casado 14 vezes, Tahia foi incapaz de conceber filhos.

Bauce kabira,
Hanna Aisha
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...