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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Como foi o 2015 e como será 2016

Olá, queridos leitores!

Como foi seu 2015?

Tenho ouvido tanto relato de alívio desse ano estar acabando, que, confesso que me sinto meio "peixe fora d'água", pois 2015 foi um ano incrível para mim!

O mundo sempre terá seus desastres, suas decepções e isso inclui as pessoas ao seu redor e você mesmo. Você mesmo desaponta pessoas e a si mesmo. Mas e daí? Estamos aí para viver e crescer, até completarmos nosso ciclo de vida.

O que aconteceu em 2015 para mim:

- Recebi o convite de dar aula regular de Dabke no Espaço Hanan Kamel e em 2016, vou abrir uma turma de Dabke Regular no Espaço Mosaico, além de continuar com o dabke na Hanan em 2016
- Abri uma turma de nível intermediário no Espaço Chandra & Surya, além de manter minha turma de iniciantes
- Fiz o curso de formação em Folclore Árabe com a Melinda James e Luciana Midlej, o que me permitiu realizar novas descobertas e me reafirmar como bailarina. Além disso, receber o convite para dar aula regular em Folclore Árabe no Espaço Hanan Kamel em 2016
- Voltei a fazer aulas regulares em Dança de Ventre
- Proferi minha primeira palestra
- Fui professora, pela segunda vez, do curso profissionalizante do Sindicato de Dança no RJ (CAP)
- Realizei 2 grandes eventos: "Esmeralda de volta ao RJ!" e a 7a. edição consecutiva do Zahra Sharq, além de participar como bailarina e jurada de outros eventos
- Minha primeira aluna consegue tirar seu DRT
- Continuo ouvindo de bailarinas e alunas de diversos lugares do Brasil que o blog continua sendo referência de estudo na Dança do Ventre

Ou seja, que ano maravilhoso!
Claro que, particularmente, algumas coisas ruins aconteceram e ainda outras deixaram de acontecer (e que poderiam ter acontecido). Mas o saldo final foi e ainda está sendo positivo!

Vou deixar aqui para vocês, o meu vídeo mais visto de 2015:


Boas festas!
Me acompanhem em 2016!
Bauce kabir,
Hanna Aisha

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ana Bastanak

"Eu te espero"

Intérprete: Najat Essaghira (1943-2002)
Letra: Morsi Gameel Aziz
Música: Baligh Hamdi (1931-1993)

Essa música já foi muito, muito dançada aqui no Brasil e pelo mundo. É bem comum o uso de gestuais para a interpretação da letra.

Essa intérprete, nada mais nada menos, foi apadrinhada por Mohamed Abel Wahab, o que abriu muitas portas para ela. Segundo ela mesma, passou metade de sua vida tentando imitar Oum Khoulsoum e por isso, foi a época em que mais aprendeu. Morsi Gameel Aziz foi bastante solicitado entre os cantores e escreveu mais de mil letras de música, entre elas, a famosa "Alf Leyla al Leyla".

Aqui, tem a letra e tradução para acompanhar a música (Obrigada, Lalitha!):


Bom, sou fã da Marta e, como seria de esperar, ela arrasou nesse vídeo:


Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 20

Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sobre shows de Dança do Ventre

Já me perguntei várias vezes por quê eventos que oferecem apenas o show não enchem tanto o quanto se espera e concluí que: primeiro, quase tudo vai pro Youtube e segundo, as pessoas estão mais interessadas em dançar na mostra ou no concurso do que assistir a bailarinas e grupos profissionais.

Felizmente, há exceções, ou seja, existe gente interessada em ver somente esse tipo de show, mas, como disse, são exceções. Mesmo que exista um convidado especial, muitas vezes, não é o suficiente para atrair muito público. Dessas minhas reflexões, criei algumas teorias que se aplicam à maioria (repetindo, há exceções), depois de ouvir e conversar com várias pessoas sobre o assunto:

- Alunas só vão em shows se forem dançar; nem sempre a presença da professora as mobilizam
- As professoras não divulgam os shows das colegas de profissão entre as alunas
- Existem shows muito mal feitos e desorganizados
- Não há dinheiro pra fazer tudo
- Tudo vai para o Youtube

Claro, surgem perguntas que nunca consegui achar resposta:

- Se você é uma aluna, sem intenções de profissionalização, por que não participar dos eventos, por puro prazer de assistir? Os ingressos são tão caros assim? [Acho que não, particularmente]
- Se você é uma aluna que quer profissionalizar, deveria participar mais dos eventos não apenas dançando, mas assistindo produções e danças diferentes. Inclusive, já soube que tem faculdade de dança, onde exige-se um número mínimo de presença em espetáculos de dança, pois faz parte da formação do bailarino.
- Se você é uma profissional de dança, por que não prestigiar o trabalho de outras profissionais e contribuir para fortalecer o próprio mercado? Depois, você fica ouvindo que o meio é desunido. Desunido, por quê e por quem?

AMO Youtube pois, através dele, conheço o trabalho de pessoas que estão longe de mim e divulgo o meu, além de rever danças que eu assisti ao vivo. Mas ele NÃO substitui e NUNCA substituirá uma dança realizada ao vivo.

Dá uma olhada nesse post aqui.

Por uma dança mais unida e forte.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Para dar uma estudada... literalmente (10)

O que dizer dessa leitura, energia, beleza e simpatia? Nada. Primeiro a gente admira; depois a gente para e estuda cada momento.


Bauce kabir,
Hanna Aisha

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

7a. edição do Zahra Sharq realizada com primor e elegância!

Nos dias 22 e 23 de agosto de 2015, no Teatro Marista São José, no bairro da Tijuca, cidade do Rio de Janeiro, a 7a. edição consecutiva do Zahra Sharq - Flores do Oriente foi realizada! E com primor! A convidada especial da vez, como sempre, de fora da cidade do Rio, foi, nada mais nada menos que Elis Pinheiro (SP), bailarina que passou os últimos 4 anos morando na Inglaterra e trabalhando pela Europa. Elis sempre foi uma das grandes bailarinas no Brasil, apresentando um estilo moderno e de muita personalidade, grande referência técnica e artística.

Agradecimentos especialíssimos
Berna Fayed, por fazer a minha maquiagem caprichada e por ter realizado o sorteio de um mega kit com produtos Mary Kay;
- Roberto Eizemberg e Lisa Scarlett, pela filmagem e apoio incondicional;
- Leonardo Martins, pelas fotos e carinho de sempre;
- Studio Nefertari, pelo espaço para o workshop;
- Art Hair, por fazer meu cabelo e ser ponto de venda de ingressos;
- Estúdio Ayouni, Jamal Dança do Ventre, Sol y Luna Danzas, Espaço Chandra & Surya, Studio Mahira Safie, Estúdio Aischa Hortale por cederem brindes para sorteio e serem ponto de venda de ingressos;
- Espaço Mosaico, Espaço Bastet, Espaço Lótus, Oriental Studio, Espaço Hanan Kamel, Escola Kelimaski, Espaço Hátor, Espaço de Danças Jessie Raidah, Studio El Said por serem ponto de venda de ingresso;
- Intercolor Sign, Blog Nilza Leão, Hórus Festival, Inteliportal, Samara El Said Costumes e Selo Nabak pela divulgação;
- Aos bailarinos convidados, sempre escolhidos a dedo: Studio Mahira Safie, Hannan, Grupo Hátor, Nadja El Balady, Dahab Chaim, Grupo Mandala, Alexei Henriques, Elaine Rollemberg, Nilza Leão, Smirna, El Ghazy Dance Troupe e Jhale Jamal.

Da esquerda para direita em pé: Studio Mahira Safie, Hannan, Grupo Hátor, Nadja El Balady, Dahab Chaim, Grupo Mandala. Da esquerda para direita embaixo: Alexei Henriques, Hanna Aisha, Elis Pinheiro, Elaine Rollemberg, Nilza Leão, Smirna, El Ghazy Dance Troupe, Jhale Jamal.

Todo ano eu digo que a edição foi especial. Me sinto muito privilegiada pois sempre acho que as bailarinas convidadas resolvem caprichar, porque as apresentações são sempre maravilhosas! E esse ano, consegui variar a programação ainda mais! Foi Tribal Brasil, Rotina, Moderna, Derbacke, Taqsim, Golden Era, etc etc etc, até sapateado! Não poderia deixar de agradecê-los imensamente mais uma vez, pois são eles quem realizam o show e encantam a plateia.

Resolvi dançar um folclore novo para mim e pouco visto pelo público carioca, o mambouty. Acho que funcionou bem:


Minha apresentação preferida da Elis foi seu taqsim; fiquei hipnotizada, assistindo da coxia:


Além do corriqueiro enorme sorteio de brindes no final do show, novamente a produção ofereceu cafezinho com bolo na porta do teatro, feitos por minha querida mammy! Não há como não se sentir acolhido nesse evento, além de ocorrer sempre de forma pontual.

Como sempre digo e sempre direi, não há foto ou vídeo na internet que substitua o momento de ver tudo ao vivo; logo, quem não foi, perdeu, de novo!

Mas, se quiser ver as fotos, dá um pulo na página do evento e aproveita e e dá um like, pois a página é ativa o ano todo! Para ver os vídeos, vai no meu canal do YouTube. Lá também estão os vídeos de 2013 e 2014 e linkados no canal, os de 2012. Aproveita, se inscreve lá e acompanha meus vídeos!

Ainda não sabemos se a edição de 2016 será realizada por conta das Olimpíadas Rio 2016 e por conta de outros motivos técnicos e pessoais. De qualquer maneira, as pessoas serão avisadas por aqui e por outras mídias sociais.
Bauce kabir,
Hanna Aisha

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Charles Darwin e a Dança

Olá!

Livros sobre ciência estão sempre sendo lidos por mim, dentro do esperado. Mas minha mente não conseguiu se desvincular da dança ao ler "A expressão das emoções no homem e nos animais", de Charles Darwin (1872).

Não entendo de psicologia nem de neurobiologia, mas imagino que o conteúdo do livro deve estar bastante defasado. De qualquer maneira, consegui extrair dele algumas coisas interessantes para discutirmos aqui, em um blog de dança.

Uma das coisas que ele aborda é que "algumas ações, normalmente, associadas pelo hábito com certos estados de espírito, podem ser parcialmente reprimidas pela vontade, e nesses casos, os músculos que estão menos submetidos ao controle separado da vontade são os que mais tendem a agir, causando movimentos que reconhecemos como expressivos".

O que eu traduzi desse trecho, a partir do entendimento do livro como um todo, é de que as nossas expressões atuais resultam de muitas gerações associando um estado de espírito e uma forma de expressá-la. Por exemplo: se sentimos alegria, os músculos ao redor da boca se arqueiam para cima.

Não vim aqui discutir o certo ou o errado dessa afirmação, mas definitivamente, essa ideia me fez pensar no que acredito muito e sempre ensino às minhas alunas: para executarmos um movimento novo dentro da dança, precisamos raciocinar em cima dele, gerar uma intenção, entender a técnica e não simplesmente, copiarmos sem saber o que se está fazendo. Já tentou de, em vez de só copiar sua professora, pensar sobre o que está fazendo? Ter essa intenção ajuda a gerar memória muscular e treinando, pensando sobre ele, em breve, ele sairá de forma automática; você só dará o comando e não mais pensará durante o movimento, preocupada em como executá-lo.

"De todos os fatos que apresentei, resulta que os sentidos, a imaginação e mesmo o pensamento, por mais elevado e abstrato que o consideremos, não podem ser exercidos sem despertar um sentimento correlativo; esse sentimento se traduz diretamente, simpaticamente, simbolicamente ou metaforicamente em todas as esferas dos órgãos exteriores, que o exprimem segundo seus modos próprios de ação, como se cada um deles tivesse sido diretamente afetado". Pierre Gratiolet.

Concordo com ele, mas acho que essa ideia pode ficar restrita apenas à sua vida pessoal. O mesmo raciocínio do Darwin pode ser utilizado para o treinamento da expressão no geral. Expressão também se treina e fica menos à mercê do seu sentimento no momento.

O que eu entendo de "dançar com a alma" é dançar por prazer e por escolha. Não precisamos dançar e deixar o sentimento do momento transparecer durante sua dança pois nem sempre ele será de alegria ou satisfação. Ou todo mundo aqui nunca dançou triste, nervosa ou preocupada? Se sim, conseguiu disfarçar isso? Como?

Sugestão de leitura:

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 29 de agosto de 2015

Musica Árabe e Brasileira - algumas relações e semelhanças

O presente e breve artigo partiu de algumas conjecturas e pensamentos que vim tecendo ao longo desses anos junto à minha vivência da música oriental como um todo e, mais especificamente, da musica árabe.

A partir de um dado momento passei a tentar estabelecer conexões entre os pólos de matriz musical brasileira e suas cargas hereditárias.

A música brasileira possui, para além de sua diversidade de expressões, uma matriz multifacetada que gira em torno de várias origens. Poderíamos citar algumas delas como a portuguesa e africana – as mais conhecidas e mais popularmente debatidas.

Porém, outras fontes foram importantes para a construção do que hoje entendemos, escutamos e executamos como música brasileira. Poderíamos citar, rapidamente, a influência europeia de origem italiana, alemã que, no sul, trouxe importantes contribuições criando, ao longo dos anos, tradições e festividades típicas na região.

Além delas, outras como as indígenas nativas, os holandeses, os franceses, os judeus e ciganos... todos, de certa forma, têm sua parcela no que diz respeito à musica em território nacional.

Um importante grupo são os povos árabes que, desde tempos remotos, para aqui vieram. Sua maior leva de imigração ocorreu de fato no século XIX e hoje existem, segundo fontes, mais de dois milhões de descendentes.

No Nordeste, foram responsáveis inclusive por fundações de cidades, afirmando uma posição mais incisiva do que em outras regiões. 

Principalmente, devido às conquistas árabes que levou a tradição islâmica e seus costumes aos países da África, consequentemente, muitos dos escravos aqui no Brasil possuíam essa origem, como os Males na Bahia, por sua vez vindos das regiões sudanesas da áfrica. Pelo ioruba, Imales – muçulmanos, geralmente eram um grupo letrado e bilíngue. Aqui, insatisfeitos pela pressão católica sobre sua fé, rebelaram-se. Após a revolta dos Males, os que não foram deportados para o Benin, permaneceram em Salvador ou migraram para o Rio de Janeiro.

A influência cultural e, portanto, a música nesse sentido, de origem africana-árabe, já entrava dando seus primeiros passos antes mesmo da grande leva de imigração árabe do século XIX. Vale mencionar também que, em Portugal, antes da colonização brasileira em 1500, os árabes lá estiveram até 1249, totalizando oito séculos de presença com sua música, arquitetura, ciência, artes, língua e culinária, onde vemos registros até os dias atuais. Obra literária capital nesse sentido e o do autor português Adalberto Alves que em seu livro "Arabesco da música árabe e da música portuguesa" (Lisboa, Assírio & Alvim), remonta a gênese e as influências de toda ordem sobre grande parte da musica folclórica e popular lusitana. Em seu ponto de vista, hoje o que se entende por música portuguesa, desde há muito tempo, deita suas raízes, e não somente, bem como suas expressões estéticas, melódicas e rítmicas na tradição árabe.

O Brasil, obviamente, recebeu de forma direta essa influência como já mencionado, desde os primórdios de sua existência enquanto colônia.

Muitos instrumentos típicos árabes como o Rabab, o Tabl, o Oud, o Daf, aqui foram evoluídos para outros fins que não a musica árabe somente.

O Rabab, uma espécie de violino primitivo árabe, aqui se tornou a Rabeca. O Tabl, um tambor de dimensões em torno de 20 ou 22 polegadas utilizando-se baquetas, tornou-se a zabumba, muito utilizado no nordeste, para a execução de baião, xote, forro, quadrilha etc. O Daf, ou Tar, ou mesmo Bendir, nomes diferentes para um mesmo tipo de pandeiro, que pode ser encontrado em diferentes padrões de tamanho, espalhados por todo o oriente médio e norte da África, tem sua expressão artística musical nos pandeirões de São Luiz do Maranhão. Sobre essa linha de instrumentos específicos, em Portugal, o adufe seria um intermediário evolutivo dos pandeiros orientais. De formato ora Hexagonal ora quadrada, ainda hoje desempenha sua função em festividades e músicas regionais e folclóricas portuguesas e romarias.

Nesse sentido, a rítmica árabe também entra no jogo de miscigenações, de criações e fusões que encerram a música nacional. Ritmos árabes como Malfuf, Saudi podem, em suas estruturas rítmicas, serem facilmente identificáveis num típico Baião. Possuem a mesma fórmula de compasso e os mesmos tempos, fortes e fracos. O Ijexa, ritmo de dois tempos, possui muita semelhança com o Karatchi tocado, principalmente, no norte da África em toda extensão do Marrocos ao Egito. 

São muitas as nuances de riqueza em detalhes quem fazem dessa tradição musical no Brasil, uma das mais influentes em nosso repertório.

Espero que, com esse breve artigo, possamos criar cada vez mais curiosidade sobre nossa cultura em termos de atribuí-la seu valor exato e que a música oriental árabe, ao invés de um objeto longínquo e permeado de mitos alegóricos, possa ser visto em sua relação real com a nossa arte, cultura e vida.

Arthur Kauffmann
a.kauffmann@yahoo.com.br

Arthur Kauffmann é especializado pelo Rimon School of Jazz and Contemporary Music (Israel). Atua como Free lance/professor de Bateria e Percussão oriental. Alguns dos nomes com que já tocou e gravou incluem: Big Gilson, Guto Goffi (Barão Vermelho), Yair Dalal (Israel) e Gwyn Ashton (Australia/Reino Unido). Já lecionou e deu diversos workshops em escolas de música como Espaço de Música Gifoni Dantas, Bateras Beat e Maracatu Brasil.

sábado, 15 de agosto de 2015

Folclore tem que ter moeda?

NÃO.

Se você achava que sim, você precisa URGENTEMENTE estudar folclore árabe.

Algumas bailarinas famosas optaram por não trabalhar com folclore por diversas razões. Eu, particularmente, acho a estratégia maravilhosa, pois assim, fica mais difícil de você cometer gafes.

Porém, assim como eu, várias outras bailarinas trabalham com folclore e acham isso importante para que sua Dança do Ventre tenha mais embasamento. Mas, dentro desse universo, existem bailarinas que, ainda assim, cometem muitas gafes e não parecem estar muito preocupadas porque, quando recebem a crítica, a vaidade as ensurdece. Uma pena.

Como a Melinda James já escreveu em um artigo maravilhoso, "o traje de cada povo, a forma de usá-lo e as ocasiões demonstram influências culturais importantes. Os acessórios e trajes preparam a pessoa para o clima, vegetação e solo local, além de demonstrar os padrões de beleza e a forma como cada povo reage a isso". [adaptado do texto original]

Voltando às moedas (as pastilhas podem representar as moedas, ok?)

O material das moedas vai variar de acordo com a região. Exemplo: Na Dança Siwa, os adornos são de prata e na Dança Ghawazee, elas são de ouro. Logo, combinar as "moedinhas" deve seguir uma lógica dentro do seu figurino.

Aliás, vamos usar, como exemplo, os árabes da região do Alto Egito (sul), ou seja, em direção ao continente. São os povos que representamos através da Dança Said e Ghawazee. As Ghawazee costumam ser representadas com moedas pelo corpo porque elas eram pagas com moedas de ouro pelos transeúntes e quanto mais moedas elas penduravam em si mesmas, mas elas demonstravam o quanto eram admiradas. Aliás, é muito fácil confundir algumas músicas ghawazee com músicas said pois uma parte delas mora na região Said.


Já Dança Fallahi quase nunca é representada com moedas ou pastilhas. Nem teria porque, afinal, é uma parte pobre do Egito, onde haveria tantas moedas de ouro/prata para exibir?


E o palco?
Sim, ele continua nos dando licença poética logo, os figurinos podem ser modificados, contanto que não descaracterize a dança que você propôs representar. Um exemplo super comum: vou dançar Dabke! Mas como não quero investir numa roupa de Dabke, vou pegar aquela galabia de said e colocar um lenço de moedas, meu sapatinho de flamenco e... pronto, #arrasei, ninguém vai notar.

Vai notar sim. Bom, vai notar quem estudou, minimamente, a diferença entre said e dabke. Vamos de Dabke primeiro:


Aqui a Lucy está representando uma ghawazee dentro do contexto said.

Todos nós já erramos dançando folclore, principalmente, pra lá de 15 anos atrás, em que não tínhamos tanta facilidade para viajar, ver vídeos e fazer workshops. Hoje em dia, você continua tendo o direito de não saber sobre determinada coisa (afinal, a gente dá aula de Dança do Ventre e continua aprendendo, certo?). Mas esse direito já começa a ser questionado caso você queira fazer uma performance "diferente" e não a estuda direito.

Conclusão
- Nem todo folclore tem moeda: 
- Nem todo acessório é moeda dourada
- Nem todo folclore tem faixa de cabelo

Com quem vou estudar? Você pode continuar estudando com quem você quiser; a grande diferença é: PENSE. O que a pessoa disse tem sentido, o que isso significa? Pense se o que o professor disse conecta com outras coisas que você aprendeu ou viu, tenha senso crítico. Não é só porque a pessoa é famosa (ou não) que ela sabe o que está dizendo ou fazendo.

Os exemplos de má representação? São inúmeros! Mas, não posso colocar aqui no blog...

Bauce kabir,
Hanna Aisha

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Emta Omri

"Você é minha vida"

Intérprete: Oum Khoulsoum (1904?-1975)
Letra: Ahmed Shafic Kamel
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)

"Emta Omri" é o primeiro trabalho da Oum Khoulsoum junto de Mohamed Abdel Wahab e de Ahmed Shafic Kamel. Algumas expressões foram mudadas da letra original a pedido da Oum, porém, a contragosto de Ahmed que, finalmente, cedeu, pensando na repercussão futura. Ela foi lançada em 6 de fevereiro de 1964 e foi extremamente aclamada pelo público.

Aqui, tem a letra e tradução (em inglês) para acompanhar a música.


Essa música sempre emociona quem dança e tem um grande potencial de emocionar a plateia. Quem não fica estremecido ao ouvir o final da música: "Emta omri, lli-btada binurak sabahu" [Você é minha vida que começou, com tua luz, seu amanhecer].

Eu já dancei essa música algumas vezes e ela é, sem dúvida, minha preferida. Aqui, uma dessas vezes:


Curto muito essa performance da Aida Bogomolova:


Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 19

Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Esmeralda volta ao RJ causando, de novo

Dias 20 e 21 de junho, realizei, em parceria com a bailarina Mahira Safie, o evento "Esmeralda volta ao Rio" e, por incrível que pareça, na atual conjuntura brasileira, o evento foi muito mais que um sucesso. Ainda não consegui entender perfeitamente o por quê desse sucesso, mas arrisco que um dos motivos é a bailarina Esmeralda por si só, que era imperdível.

Em 2013, quando eu a trouxe como convidada do Zahra Sharq, já tinha ficado satisfeita com a repercussão. Dois anos depois, ela consegue "causar" muito, mas muito mais. Sem dúvida, seu vlog "Fala Esme" contribui em muito para a criação desse público fiel e tão apaixonado por ela. Mas, gente, quem já viu a Esmeralda ao vivo não consegue não se apaixonar!!! Aliás, você viu o "Fala Esme" que ela fez sobre sua volta pra cá? Imperdível, está super divertido!


Preciso agradecer à Mahira Safie pela parceria desde o início e por confiar em mim o tempo todo, já que era seu primeiro evento trazendo alguém de fora; ao incrível público sorridente, animado, nervoso e cheio de expectativas... sem vocês, aquele salão não teria graça; às 42 (veja bem, 42!) meninas que se inscreveram no workshop: obrigada pela confiança, pelo sorriso domingo de manhã, pela animação e pela força de vontade; às corajosas que quiseram ser avaliadas pela Esmeralda; ao querido staff que ajudou a preparar o show: Ana Beatriz na bilheteria, Octavio e Rodrigo preparando o salão todo, Hannan ajudando no som e Ayla Mansur, com o camarins; ao Leonardo Martins, pela fotografia; à mãe da Mahira, pelos deliciosos bolos oferecidos no workshop; às queridas e dedicadas bailarinas que se apresentaram no show: Aisha Hadarah, Alessandra Ryoko, Nilza Leão, Gabriela Al Amira, Mayara Rajal, Elaine Rollemberg, Natalia Trigo, Ayla Mansur e aos participantes do El Ghazy Dance Troupe, Grupo Hátor e Alunas do Studio de Dança Mahira Safie; à minha querida amiga Esmeralda Colabone pela confiança novamente, pela companhia, pela paciência, por me ouvir tanto e, claro, pelo excelente trabalho realizado aqui.

Aqui, minha entrada, que abriu o show:


Aqui, a segunda performance da Esmeralda, que fechou o show:



Gostaria de ressaltar, novamente, o enorme número de inscrições e o show lotado. Satisfação, apenas, NÃO DEFINE. Também gostaria de registrar que fiquei muito feliz com o retorno, tanto do público quanto das meninas que participaram do workshop. Recebemos muitos elogios e agradecimentos por termos trazido a Esmeralda pro Rio, pelo show, pela qualidade do workshop... Que alívio, né?! Parece que valeu a pena todo o trabalho!

OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, mais uma vez!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 5 de julho de 2015

Livros sobre dança - parte 5

Finalmente, li um dos livros da bailarina Patricia Bencardini, os quais eu ouço falar, há bastante tempo, de serem uma boa referência no nosso meio. Dessa vez, li e recomendo "Dança do Ventre - Ciência e Arte". É um livro bastante abrangente, que vai tratar, de forma superficial (com sentido), diversos aspectos que envolvem a Dança do Ventre, desde História da cultura árabe até didática em sala de aula, passando por filosofia oriental, modalidades da dança, anatomia e fisiologia.

Eu, particularmente, não curto muito a ideia da Dança do Ventre estar ligada a rituais, Deusa-mãe e arquétipos e ela fala bastante disso no início do livro. Passo a gostar mais do livro quando chega a parte de anatomia e fisiologia, pois ela dá boas orientações quanto à postura e alongamento. Além disso, ela orienta quanto à parte emocional das praticantes e o quanto isso está ligada ao aprimoramento técnico, coisa que concordo totalmente.

O outro livro, que recomendo muitíssimo, é o do Klauss Vianna, "A Dança". Fui apresentada a ele com o podcast do Sala de Dança e me simpatizei imediatamente.

A primeira parte é sua autobiografia e a segunda parte, ele fala de forma bem livre, quase espontânea, sobre seu método. Klauss foi o pioneiro no estudo do movimento e na conceituação de um trabalho corporal que exprime o universo interior dos praticantes.

Ele defende que a técnica sozinha é apenas, reprodução de formas e que o que dá autenticidade a um movimento é o poder que alguém tem de expressar uma emoção por conseguir vivê-lo intensamente. Logo, ele defende que a busca pelo autoconhecimento é fundamental para tentar dançar de forma plena.

O livro é pequeno, mas lotado de conteúdo e reflexão. A questão mais importante não é o método dele em si, mas como ele criou o próprio método de dançar e dar aulas a partir da sua crítica com relação à maneira como a dança era trabalhada na época.

Enfim, curti muito esses dois livros e são candidatos para serem relidos, eventualmente. Super recomendo!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 30 de maio de 2015

Para dar uma estudada... literalmente (9)

Como a própria Aysha Almeé diz, "o dia que deixarmos de estudar o quadril, deixaremos de estudar Dança do Ventre". Delícia de quadril, de vídeo, de tudo.


Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 16 de maio de 2015

7a. edição do Zahra Sharq - Flores do Oriente 2015

E a sétima edição do Zahra Sharq está sendo organizada! E está INCRÍVEL! Por quê está incrível? Porque dessa vez quem vem como convidada especial é Elis Pinheiro (SP), uma das bailarinas mais consagradas do país, com grande personalidade artística, e que está voltando, depois de mais de 3 anos na Inglaterra! Estamos morrendo de saudades, Elis!


O show será no dia 22 de agosto (sábado) no Teatro Marista São José (onde eu faço o evento desde 2012) e começará às 20h. No dia seguinte, dia 23 de agosto (domingo), dessa vez, serão realizados dois workshops com a Elis Pinheiro (dá uma olhada no final do post para mais detalhes).

Você já viu os vídeos das edições passadas? Vai nesse canal e nesse canal e depois me conta o que achou.

Os ingressos antecipados custarão apenas R$ 30,00 (na hora será R$ 40,00) para assistir a um show pontual e com bailarinas profissionais de grande qualidade técnica e artística. Você pode reservar o seu diretamente com a produção (através do email zahrasharq@gmail.com) ou adquirir nos seguintes pontos de venda:

Estúdio Aischa Hortale (Niterói)
Espaço Mosaico (Laranjeiras)
Studio El Said (Realengo)
Estúdio Ayouni (Copacabana)
Espaço Hátor (Vila da Penha)
Amanda Murad (Campo Grande)
Studio de Danças Ra'idah (Colégio e Madureira)

E como toda edição, foi feita a seleção cuidadosa de bailarinos convidados da cidade do Rio de Janeiro.

Alexei Henriques - Dahab Chaim


El Ghazy Dance Troupe - Elaine Rollemberg

Grupo Hátor

Grupo Mandala

Hannan - Jhale Jamal

Nilza Leão - Nadja El Balady
Studio Mahira Safie - Smirna

 Gente, NÃO DÁ PARA PERDER NENHUM WORKSHOP COM A ELIS! Quem já fez aula com a Elis sabe o quanto ela é séria, profissional e didática. Não é só uma excelente aula técnica para as inscritas como também é uma aula sobre como dar aula!

Confira aqui no blog mesmo as edições passadas para se animar, caso ainda não tenha ido a nenhuma edição!

Se você ainda não curtiu a FanPage do evento, vai lá também! Na página, sempre colocamos vídeos de edições passadas e damos informações novas em primeira mão!

Escreva para zahrasharq@gmail.com e receba as informações completas. E, se liga porque já tem inscrição rolando há muito tempo!

Tá em dúvida ainda? Dá uma pesquisada entre a galera que já foi e depois me conta aqui!

Te vejo lá!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sexta-feira, 1 de maio de 2015

(De novo) Sobre profissionalismo em Dança

Oi, pessoas!

Quem me conhece ou acompanha meu blog, sabe o quanto falo sobre a necessidade de melhorarmos nosso querido mercado saturado em Dança do Ventre (porque de Folclore Árabe não acho que esteja ainda).

Não consigo entender por quê tanta dificuldade de enxergar a Dança do Ventre/Folclore Árabe como uma profissão. Veja bem, profissão. Só porque é um hobby para você, não significa que os envolvidos estão também em um hobby. E não importa se a Dança é uma segunda profissão, como é meu caso; levo tão a sério quanto à minha primeira profissão, só que divido o meu tempo de dedicação de forma desigual porque eu escolhi não viver de dança. Tudo que produzo, realizo, oriento é feito de forma profissional e cuidadosa, o qual eu tento aperfeiçoar o tempo todo, principalmente, quando me vejo frente a desafios ou críticas novos. Pensei em escrever um post grande e mais detalhado, mas decidi ser objetiva. Vamos lá.

O post não é sobre mim, mas sobre a necessidade URGENTE de diminuirmos o amadorismo que cerca (talvez, inunda) nosso mercado. Logo, vou fazer perguntas básicas e tentar dar respostas a elas em forma de outras perguntas:

- Por que você acha que deve pagar a mensalidade da aula regular que você frequenta o dia que você quiser?
- Por que você acha que não devia pagar multa se você atrasar o págamento da mensalidade?
- Por que você acha que deve pagar workshops em quantas vezes você achar conveniente para você e/ou quando você quiser?
- Por que você acha que deve haver desconto em tudo relacionado à dança?
- Por que você acha que não deve pagar a mensalidade de janeiro da escola que você frequenta?
- Por que você acha que determinada roupa/aula está cara em relação ao da outra grife/bailarina?

Respostas em forma de pergunta:

- Por que você não pergunta pro curso de inglês que você tá fazendo se você pode pagar depois?
- Por que você não pergunta ao fornecedor de luz da sua cidade se eles podem te abater a multa, já que você preferiu viajar à pagar sua conta com eles?
- Por que você não pergunta pra aviação que uma produtora vai usar para trazer sua bailarina preferida à sua cidade se eles podem dar um desconto?
- Por que você não pergunta pro teatro que você vai dançar no fim de ano se sua professora pode pagar quando ela receber dinheiro suficiente para pagar tudo, inclusive a blusinha que você ganhou?
- Por que você não pergunta ao síndico do seu prédio por que você deve pagar condomínio se você vai ficar o mês todo fora do país?
- Por que você não pergunta para a MAC por que sua maquiagem é tão mais cara que a marca que vende na farmácia?

Ah, Hanna Aisha, você está culpando as praticantes de alguma coisa? Não. A culpa do mercado estar assim é de todos os envolvidos.

- Por que quase tudo que é produzido em Dança do Ventre é feito no boca a boca?
- Por que contratantes e contratados têm medo do contrato propriamente dito?
- Por que as bailarinas ainda se submetem a condições precárias para dançar ou dar aula?
- Por que não realizar eventos de real qualidade para público e bailarinos?
- Por que "lançar" para o mercado meninas imaturas e despreparadas emocionalmente só por que elas dançam bem?
- Por que a aluna pode pagar quando puder ou quiser?

Todos os envolvidos em Dança já cometeram erros semelhantes, inclusive eu. E, com certeza, existem vários outros que não citei aqui. Por isso, tanta gente continua reclamando que nossa profissão é amadora e a consequência mais grave que eu vejo disso é o público leigo (ou outros profissionais de dança) não respeitar a profissão. Ou vocês acham que um conjunto de erros como esse não é percebido de alguma forma?

Como de praxe, não vim aqui colocar o dedo na cara de ninguém e nem dizer que nossa profissão é lixo. Pelo contrário. Sou super otimista com relação à melhora dessa profissão porque em apenas em 15 anos praticando-a, vi melhoras substanciais. Queria tentar ajudar a sacudir as pessoas de algum jeito, até porque eu fui sacudida em momentos importantes e foi fundamental para o aperfeiçoamento do meu trabalho como bailarina, professora, aluna ou produtora. Deixo aqui duas perguntas para reflexão:

- Por que é tão difícil se colocar no lugar um do outro?
- Por que o profissionalismo não se desenvolve na mesma velocidade que a técnica/conhecimento?

Vou deixar aqui embaixo os links de alguns posts que escrevi aqui no blog sobre o mesmo assunto:


Bauce kabir,
Hanna Aisha

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dança com a Espada

Existem muitas lendas envolvendo espada ou punhal. Não é muito difícil imaginar o por quê, pois é uma das armas de defesa dos árabes e é bastante associada aos ciganos.

Patricia Bencardini conta em seu livro "Dança do Ventre - Ciência e Arte" que uma das histórias remete à época de guerra entre turcos e gregos. Os otomanos teriam contratado algumas bailarinas para levarem vinho e dançarem para os soldados inimigos. Quando estivessem embriagados, elas deveriam pegar suas espadas e outras armas para dançar, facilitando o ataque do grupo inimigo. Outra lenda diz que grupos de beduínos atacavam viajantes que passassem perto de seus territórios, no deserto, durante a noite, para roubar as mercadorias que transportavam. Os mercadores eram mortos e as mulheres beduínas ficavam com suas espadas e para comemorar a vitória da tribo, elas dançavam, exibindo-as como troféus.

O vídeo abaixo, para mim, ilustra mais esse clima "tribal":



Já a bailarina Shalimar Mattar (SP), diz que as mulheres passaram a manusear a espada para comemorar a vitória dos homens do deserto em guerras ou que elas limpavam as armas e passaram a brincar com elas. Em 1980, a bailarina norte americana Dalal fez uma apresentação com a espada, a qual a bailarina Gisele Bomentre aprendeu, levando pro Líbano e fazendo "ressurgir" essa dança no Oriente Médio.


A espada é como qualquer acessório em dança do ventre: é preciso estar segura e à vontade com ele para diminuir a chance de deslizes e os movimentos saírem bonitos. Logo, se está mais ou menos, não o faça, é melhor treinar mais um pouco.


Eu, particularmente, acho que espada é um elemento muito performático e não consigo associá-lo a nada muito árabe não. Talvez, até, me sugira um pouco de sensualidade. E as músicas, quais usar? "Com tanta música moderna por aí, por que usar taqsim balady?", já diria Nadja el Balady. Concordo. Acho que as músicas modernas combinam mais, apesar de não haver regra de música para uso com a espada.



Logo, por quê não, duas espadas, dentro da rotina clássica?


Você sabe mais alguma coisa sobre esse tema ou quer dar sua opinião? Escreve aqui!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Esmeralda volta ao Rio de Janeiro!

Tive a honra de trazê-la, pela primeira vez ao RJ, em 2013 e agora, tenho o grande prazer de trazê-la pela segunda vez, em parceria com a querida Mahira Safie.

Pouco a ser dito: é só olhar os cartazes e ver quanta coisa boa junta em dois dias na cidade do Rio de Janeiro! Preços absolutamente incríveis e grande oportunidade de ver de perto a bailoca mais pin-up do Brasil e excelentes profissionais da cidade!


Quer estudar com ela? TEMA INÉDITO, que ela vai estrear conosco!  


Quer ser avaliada pela Esme? A hora é essa!


Vamos relembrá-la no Zahra Sharq de 2013?


Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 22 de março de 2015

Leylet Hob

"Noite de amor"

Intérprete: Oum Khoulsoum (1904?-1975)
Letra: Ahmad Shafic Kamel
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)

Essa letra é de 1973 e o letrista Ahmad era conhecido por "poeta das duas pirâmides" por ter feito o primeiro trabalho de muitos outros, juntando Oum Khoulsoum e Mohamed.

Aqui, tem a letra e tradução (em inglês) para acompanhar a música. Enjoy it!


Eu, particularmente, adoro essa música. Aqui, um exemplo de um vídeo meu de "Leylet hob" com uma versão animada. Nessa versão, dancei apenas a introdução da música:


Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 24

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 8 de março de 2015

Para dar uma estudada... literalmente (8)

Delicadeza, um lindo trabalho de quadril e expressão harmonizada com essa versão maravilhosa de "Lissa Faker". Não consegui tirar os olhos:


Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 21 de fevereiro de 2015

7ª Night Mix Arabic Brasil – Expressão & Arte em cena

O evento 7ª Night Mix Arabic Brasil – Expressão & Arte em cena visa promover apresentações de mostras, concursos e workshops de altíssimo nível, com participantes das academias de dança da cidade do Rio de Janeiro e de todo o Brasil.

Apresentamos, pela primeira vez no Rio de Janeiro, Deborah Valério (SP) e Natália Piassi (ES)!

E ainda os profissionais cariocas: Darah Hamad, Khalida Zareen, Paula Gelailete, Aisha Zareen, Simone Gonçalves, Claudia Moppe, Mahira Safie, Hannan Bellydance, Aline Mucci, Luciana Midlej, Maiah Suad, Samra Sanches, Natalia Trigo, Samara el Said, Elaine Rollemberg, Silvia Marques, Shaira Sayaad, Jhade Sharif, Ranna Al Jalilas, Raphaella Petting (EUA), Amir Ferreira, Virginia Chaves, Izlene Cristina, Raphaela Barreto e Samyr Hazid.

Direção:
Darah Hamad

Apoios:
Revista Shimmie, Asmahan Escola de Artes Orientais, Samara el Said Costumes, Amaren Internacional Festival e Hanna Aisha

Patrocínio do local onde realizará workshop:
Studio Nefertari Dança do Ventre

Informações e Inscrições:

Cronograma do evento:
Sábado - 30 de maio
Abertura às 14:00h
Inicio – 14:30h às 18:30h
Gala Stars Show - 19:00h às 22:00h

Local:
Teatro Marista São Jose
Rua Conde de Bonfim, 1067 – Tijuca

Domingo - 31 de Maio 
Workshop com Natália Piassi
Tema: "Técnicas de elementos surpresa: para enriquecer seu repertório em dança do ventre de uma forma que impressione o público"
10h às 13h

Workshop com Deborah Valério
Tema: "Em cena - quem sou no palco? Vamos construir a atitude e a motivação necessária para que a bailarina entre em cena dominando, não só técnica, mas a atitude e segurança para entreter o publico. O que é entretenimento na dança árabe? Como montar sua playlist: escolhendo a música correta para o show correto! Como sei meu estilo? Identidades,  desenvolvimento de segurança e aptidão para lidar com improvisos e diferentes plateias.  A bailarina numa visão mais artística e ampla: saindo do lugar comum para tornar se única. O salto alto e sua diferença na dança árabe - como e quanto utilizar (sequências e atividades práticas durante o work)
14h às 17h

Local:
Studio Nefertari – Unidade Copacabana 
R. Siqueira Campos, 43 sala 203 – Copacabana

Pontos de Venda dos ingressos:

Studio Nefertari Dança do Ventre - Unidade Barra da Tijuca 
Av. das Américas, 555 / cob. 303
Tel: (21) 2493-7200
Studio Nefertari Dança do Ventre - Unidade Copacabana 
Rua Siqueira Campos, 43 / 203
Tel: (21) 2548-6389
Espaço Mosaico
Rua Gago Coutinho, 66 / loja F - Laranjeiras 
Tel (21) 2557-6922 / (21) 2225-7623
Studio de Dança Jalilah´s - Unidade Olaria 
Rua Leopoldina Rêgo, 542 / salas 101
Tel: (21) 3868-3806
Studio El Said
Rua Prof. Vitor da Silva, 32 - Realengo
Tel: (21) 2143-8083
Espaço Turquesa - Stúdio de Danças Maiah Suad 
Av. Ministro Lafaete de Andrade, 221 - Comendador Soares (Nova Iguaçu)
Tel: (21) 3103-6201
Escola de Danças Kelimaski
Rua Marechal Trompowski, 103 - Muda - Tijuca – RJ
Tels.: 55 21 2268 0450 / 55 21 3286 5208
Espaço de Artes Khalida Zareen
Rua Jornalista Mario Galvão,56 – Vila Kosmos

Se preferir pagar por cartão de crédito ou deposito bancário, por favor solicite via email - starmixdancer@gmail.com

Acessem:
http://www.darahhamad.com.br

Meu primeiro contato com a Dança do Ventre foi em 2002. Em 2005, consegui o registro no sindicato dos profissionais da dança do ventre (SPDRJ: Reg.Mtb 36.457 – 26/07/05). Para ampliar meus conhecimentos, participei de cursos e workshops com renomados nomes da Dança. Fui atuante por 10 anos como dançarina dentre os seguintes estabelecimentos: Restaurante Amir (Copacabana), Restaurante Al Khayam (Centro), Habib's (Vila Valqueire), Restaurante Beduino (Centro), Clube Monte Líbano (Lagoa), Empresa Infraero (Galeão) e outros eventos comerciais particulares. Produtora do evento Night Mix Arabic Brasil desde 2010, apresentando as profissionais top da cidade maravilhosa Rio de Janeiro e convidadas especiais. Possuo diversos prêmios e o selo de qualidade Khan el Khalili conquistado em 2008. Atualmente, ministro aulas na "Asmahan Escola de Dança do Ventre" desde 2006, realizo workshops, aulões, bancas de avaliação, shows em eventos empresariais e familiares no Rio de Janeiro e adjacências. Contatos:

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Estágio em Dança do Ventre

Shaira Sayaad, minha única professora regular
eu, como aluna em 2006
Você é médica, bióloga, administradora, enfermeira, professora de português? Não importa; se você tem ou teve outra profissão, provavelmente, teve de fazer um estágio supervisionado antes de se formar. Seria estranho se não fizesse isso, certo? Por quê, então, o mesmo não pode ocorrer dentro da profissão de bailarina de Dança do Ventre? Por quê a pressa em profissionalizar?

Eu tive a oportunidade de acompanhar por dois anos as aulas de iniciantes da minha professora antes de ir dar aulas e tenho certeza que foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha preparação como profissional. Porque não cheguei tão crua ou intimidada na sala de aula. Comecei dando apenas alongamento, eventualmente, dando um ou outro passinho, até substitui-la em sua ausência.

Hoje não dou aulas da maneira que comecei (que bom evoluir!) e a cada ano, me sinto mais madura na hora de programar desde a matéria anual até aulas particulares. Nada como a experiência própria! Mas, isso não me impede, até hoje, de tirar dúvidas com minha antiga professora com relação à comportamento e tomada de decisão envolvendo minhas alunas.

Ayla Mansur: semente e futura professora
Se você é aluna e quer tirar o DRT, sonda sua professora com relação à disponibilidade de estagiar sob sua supervisão. O tempo que você vai precisar estagiar, vai depender bastante de você, mas diria que acompanhar um ano, pelo menos, é legal, pois você pode participar, por exemplo, na elaboração de coreografia para a festa de final de ano. Lembre-se que técnica, noções estéticas e didática são os elementos básicos que uma aspirante a professora em Dança do Ventre deve ter. Você tem os 3?

Se você é professora e tem alguma aluna que está querendo profissionalizar, por que não pensar em um estágio supervisionado por você? Assim, você terá a oportunidade de dividir experiência, tirar dúvidas e ficar mais segura com seu fruto, afinal, ela provavelmente, te terá como exemplo de professora e aula durante os primeiros anos como profissional.

Não existe nenhum tipo de "perda de tempo" nisso tudo, para ambos os lados. A aluna vai testar se tem jeito/paciência para dar aulas e a professora ganha experiência, revendo seu próprio jeito de dar aulas. A não ser que ocorra algum tipo de briga de ego... mas aí é um pouco de azar, não?

Aqui, o vídeo da Ayla Mansur, como meu primeiro convite à ela para dançar profissionalmente no Zahra Sharq, depois de tantos anos como minha aluna:


Boa sorte!
E me conta suas experiências aqui, seja como traineé ou professora!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 31 de janeiro de 2015

Oásis Siwa

Siwa é um oásis que fica na parte oeste do Egito, a 67 quilômetros da borda com a Líbia e a 10 horas de ônibus a partir do Cairo e, até pouco tempo, ninguém entrava sem uma permissão especial. Levou mais de mil anos para que o oásis ficasse sob o controle do governo do Egito, o que ocorreu em 1819. Os siwans, são os únicos nativos berbéres que se mantiveram independentes após o declínio do Oráculo do Amun.
A cultura de azeitona e tâmara é a sobrevivência principal desse povoado há centenas de anos e a abundância de água atraiu muitos estrangeiros. Hoje, o turismo e o artesanato também contribuem para a economia local. Palmeiras de tâmaras e construções de lama são a principal paisagem desse oásis.

O povoado original de Siwa são bérberes cuja língua nativa não é o árabe. Bérberes são pessoas que moraram no norte da África antes da chegada dos árabes e do Islam. Suas tradições e estilo de vida são diferentes da maioria dos egípcios, mais parecidos com a cultura líbia. Eles falam Siwi, que está relacionado a línguas bérberes como as da Líbia, Algéria e Marrocos. Hoje, a língua possui influência do árabe e alguns falam inglês por conta do turismo.
Os siwans são divididos em sete tribos e cada grupo possui seu próprio shaikh, que media disputa de terras e assuntos legais, com punições que incluem de espancamento a banimento da tribo.

Da infância até o casamento, as meninas usam longos vestidos de tecidos duros com babados nas mangas e abaixo da cintura e bordados com lantejoulas. As mulheres casadas precisam pedir permissão para sair de casa e quando saem, usam o tarfotet, cobrindo desde a cabeça aos pés. Os homens usam galabeyas acima dos joelhos, pisando na areia, manejando os quadris pra frente e para trás. É uma dança típica de Siwa, incluindo variedades feitas em grupo para a colheita. Eles realizam movimentos pélvicos pegando suas mãos e pés, imitando posições sexuais.

Em Siwa, há uma longa história de relações homossexuais legalizadas até que o Rei Fouad os baniu em 1928. Porém, as relações se mantiveram secretas até 1950 e eram aceitas porque ajudava a reforçar a proteção das mulheres e mantinha a juventude isolada. Antes do casamento, as mulheres siwan não estão disponíveis, logo, historicamente os homens passaram a procurar-se, trocando para mulheres após o casamento. Trabalhadores chamados zagallah trabalhavam nos campos, coletando tâmaras e eram pagos com comida. Eles não podiam casar antes dos 40 e frequentemente não tinham dinheiro para casar, logo, eles ficavam juntos. Os zagallah ficavam fora do Shali, um antiga fortaleza onde a maioria das pessoas morava e tinham a tradição de beber vinho de tâmara e festejar até horas adentro. Agora, o álcool é ilegal no oásis.

Em 1937, o antropólogo Walter Cline escreveu a primeira etnografia detalhada dos Siwans em que ele observou: "Todos os homens e meninos normais Siwan praticar sodomia... entre si, os nativos não se envergonham disso; eles falam sobre isso abertamente como eles falam sobre o amor das mulheres, e muitos, senão a maioria de suas lutas, surgem da competição .... homens proeminentes emprestar seus filhos para o outro. A maioria dos meninos usados na sodomia têm entre doze e dezoito anos de idade".

Infelizmente, por conta da história sobre homossexualidade, muitos turistas vão até Siwa para praticar pedofilia.



Bauce kabir,
Hanna Aisha
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