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sábado, 27 de abril de 2013

Tontura e giros: tudo a ver?

O que a Kahina e você, provavelmente, têm em comum?


A chance é grande de que ela não tenha mais, mas ela, com certeza, já teve cinetose, assim como você. E o que é cinetose? Nada mais é que a tontura que se sente após girar ou em movimento, erroneamente chamado de labirintite. Isso lhe soa familiar? ;-)

Tontura é o termo que representa genericamente todas as manifestações de desequilíbrio. As tonturas estão entre os sintomas mais frequentes em todo o mundo e são de origem labiríntica em 85% dos casos. Mais raramente, as tonturas podem ser de origem visual, neurológica, metabólica ou psíquica. O labirinto, também conhecido como ouvido interno, congrega as funções da audição e do equilíbrio. Fica encrustado no osso temporal, um dos ossos do nosso crânio.

A sensação de enjoo ou desconforto provocada pelo movimento é um tipo de desequilíbrio corporal. Essa intolerância ao movimento é chamada de cinetose, e surge frequentemente durante a locomoção passiva em veículos, como lanchas, automóveis, ônibus, trens, aviões ou naves espaciais (aerocinetose). Resulta de um conflito entre as informações sensoriais vestíbulo-visuais (aparelho vestibular é o conjunto de órgãos da orelha interna responsáveis pela manutenção do equilíbrio). Ou seja, a visão e o aparelho vestibular ficam com dificuldade de conversar, ocorrendo um conflito entre o que é visto e o que é sentido.

O tipo de cinetose mais comum é ter o labirinto mais sensível que o normal e não tem uma causa específica, mas pode ser simplesmente genético. O labirinto possui cílios, que enviarão impulsos elétricos para o sistema vestibular codificar. Estes cílios estão imersos em um líquido e se eles são mais sensíveis ao movimento desse líquido, a tendência é você sentir enjoo enquanto uma pessoa normal, não.


Como o equilíbrio é mantido? A manutenção do equilíbrio corporal envolve diversos órgãos e sistemas: labirinto, olhos, pele, músculos e articulações. O labirinto informa sobre a direção dos movimentos da cabeça e do corpo; os olhos informam sobre a posição do corpo no espaço; a pele informa sobre qual parte do corpo que está em contato com uma superfície e os músculos e articulações (sistema proprioceptivo) informam sobre os movimentos e quais as partes do corpo que estão envolvidas com eles. O sistema labiríntico é a central de informações, que recolhe os impulsos de todos os sensores e o sistema nervoso central as recebe para serem analisadas.

Existe predisposição individual e o paciente pode apresentar palidez, sudorese, aumento da salivação e náusea. E, caso se mantenha a exposição ao movimento, podem ocorrer náuseas intensas. O paciente deve procurar um médico otorrinolaringologista, que avaliará cada caso individualmente e prescreverá o tratamento indicado, caso as tonturas sejam frequentes. Um deles pode ser a reabilitação vestibular, que trata de um conjunto de exercícios físicos repetitivos associados a mudanças de hábitos, cuja base terapêutica está ligada à plasticidade vestibular. Os exercícios devem ser indicados por fonoaudiólogos especialistas na área.

Tontura não é doença, e sim um sintoma que pode surgir em numerosas patologias. Tontura é um sinal de alerta, de alarme de que algo não está bem no organismo.

Algumas orientações que podem amenizar a cinetose: sentar-se em posição onde os olhos possam fixar um campo visual mais distante (no automóvel, sentar-se no banco dianteiro, e, no avião, na janela); crianças, devem sentar-se em assentos mais altos no banco traseiro do automóvel, de forma a que possam olhar para frente na janela dianteira; nunca deve-se ler em movimento nem fixar o olhar em nada dentro do automóvel; evitar alimentação prévia a viagens.

Dá uma lida no post da Flora Pitta! Abaixo, um videozinho sugerindo como fazer pirueta, para a gente já ir se acostumando:



Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 21 de abril de 2013

Escolha da música para dançar - parte 1

Quando evento está chegando e minhas alunas irão realizar seus solos, fico pensando no que passa na cabeça delas para que escolham suas músicas. Normalmente, temos apenas limitação de tempo e nos pedem que se dance até 5 minutos. Apesar de eu não limitar o tempo das músicas no meu show Zahra Sharq para minhas convidadas, eu entendo, de certa forma, quando o organizador me pede algo do tipo. Nosso público ainda não foi educado para assistir a apresentações de 10, 15 minutos. Que sejam 8. [Fica a dúvida: é por que o público não tem paciência ou as bailarinas não aprenderam a desenvolver uma dança que seja realmente cativante e que "prenda" o espectador?] 

A ideia desse post é tentar ajudar bailarinas, alunas ou profissionais, como melhor escolher suas músicas para o eventos que irão participar e ficarem mais satisfeitas com o retorno (isso nem sempre acontece, mesmo quando nos preparamos muito bem e não entendemos por quê). Não é um guia ou imposição de regras; isso não deve existir nunca! Porém, uma orientação que obtive com minha experiência e de observações ao longo desses anos e espero que vocês possam dividir as suas aqui comigo! Vamos às diversas situações que podemos encontrar:

Restaurante
Normalmente, é composta por um público leigo e que tem a Jade da novela ou a Shakira como referências de bailarinas. Costumam prestar muita atenção ao corpo e à beleza da bailarina e o quadril é o que lhes chama mais a atenção. Acho um pouco besteira você gastar todo seu repertório de movimentos dançando Oum Khousoum ou rotinas de 8 minutos; provavelmente irão achar chato. A ideia é levar percussão e acessórios (pandeiro, snujs, véu, etc), sempre com músicas animadas e curtas. Se você vai dançar entre 3 a 6 músicas (dependendo do esquema), dá para colocar um baladi ou algo mais tranquilo pra intercalar. Interagir com o público é uma ótima pedida e shaabi cai muito bem pra isso. Aqui a Michele Mahasin interage bem:


Show
Aqui, a arte impera. Se não existe restrição de tempo, ótimo! Pode dançar o que quiser, de Oum Khousoum a fusões. O público é bem mais crítico pois costuma ser da própria dança. Então, aqui é o momento de tentar dar o seu melhor e coreografia é uma boa dica para garantir qualidade:


Festa da escola
Também é uma boa hora de demonstrar o que sabe, pois assim você pode manter ou ganhar mais alunas na escola em que você dá aulas. O público não é tão crítico quanto ao de um show, porque família e amigos costumam ir presenciar, mas ainda sim, eles pagaram pra ver um show de dança do ventre, então, impressione! Quem sabe uma prima da sua aluna não entra na turma de iniciantes?


Particular
Isso varia de acordo com o pedido do contratante e da festa (casamento, aniversário, empresa), mas a ideia é parecida com a do restaurante, quando não, pior ainda. Vão querer espada, percussão, nem sonhe com Oum Khousoum de novo! Não cai bem... ninguém tem paciência... e as pessoas querem diversão e não arte! :-(


Festa árabe
Folclore como said, dabke ou khaliji, dependendo do árabe que te contratou, vai cair bem. Músicas animadas e com interação são obrigação! Alegria e descontração devem estar presentes o tempo todo na sua dança. E esteja preparada para te pedirem para dançar a música que eles quiserem. Aqui, de repente, pode cair bem a Oum Khoulsoum... mas eu não a colocaria como primeira opção, a não ser que fosse numa versão mais alegre.


Concurso
Tendo um tema, é mais fácil direcionar a escolha da música. Para profissionais, rotinas orientais sempre caem bem porque jurados e público gostam, no geral. Um tarab, talvez. Fora isso, arrisca-se, no máximo, um said. :-( Eu só sugiro deixar um pouco a ousadia de lado, pois corre-se o risco de não ganhar pela ousadia mesmo. Ela deve ser muito bem feita para ser aceita num concurso. Para alunas e grupos, em geral, músicas alegres e não repetitivas também caem bem porque animam o público. Público ainda influencia alguns jurados:


Talvez algumas pessoas fiquem chateadas com esse post, principalmente em relação a restaurantes e festas particulares, em que o público não está tão interessado na arte. Mas essa é a realidade. O que talvez possamos fazer para dar mais "credibilidade" à dança do ventre é justamente elevar a qualidade técnica e, aos poucos, inserirmos coisas mais sofisticadas. A partir disso, eu acredito que a gente possa ganhar reais admiradores do nosso trabalho e não apenas admiradores do quadril.

Aqui, a Ju dá dicas sobre escolhas de música também.
Em um próximo post sobre o tema, vamos discutir a escolha das músicas em si.

Bauce kabir,
Hanna Aisha 

domingo, 14 de abril de 2013

Idealização na DV

Povo, gostei muito do artigo da Juliana Camilo, psicóloga, que saiu na edição no. 14 da Revista Shimmie e resolvi postar para a gente refletir um pouquinho (os grifos são meus):

"Falamos muito sobre os benefícios da prática da dança do ventre: condicionamento físico, trabalho em equipe, autoestima, etc. No entanto, em alguns momentos, esta prática parece ocupar lugares perigosos no psiquismo das praticantes, desenvolvendo sofrimentos psicológicos que podem ser muito constrangedores, dolorosos e desorganizadores.
A psicanálise nos auxilia a pensar nestes sofrimentos, partindo de alguns conceitos básicos, como o desejo. Para Freud, o objeto de desejo nunca é real. Isso porque, nunca desejamos o objeto real, mas aquilo que esperávamos que fosse, o ideal. Na prática da dança do ventre, isso significa que para muitas, a busca da perfeição na dança, na coreografia e postura são, na realidade, reflexos do seu imaginário e da sua fantasia.
O que nos leva a esta linha de pensamento é o fato de que, na maioria do tempo, somos impulsionados por paixões, ou seja, idealizamos o "Outro" (a professora, a bailarina X ou Y, a dança em si), e passamos a percebê-la somente com características positivas. Deste modo, a idealização é uma forma de perceber e quem se admira de forma parcial, incompleta, irreal e (talvez) imatura. Forma perigosa de se conduzir, já que a pessoa apaixonada, prisioneira da idealização, supervaloriza o seu objeto de desejo, e se desvaloriza.
Quantas e quantas alunas e professoras não gastam mais do que podem em roupas, acessórios, concursos, festivais, workshops, CDs, DVDs, viagens, etc. Tudo para perseguir o seu ideal. Um dos grandes problemas neste percurso, depois de investir estes sacrifícios, é olhar para todo o caminho percorrido e se perguntar: "será que valeu a pena?"; "qual foi o sentido disso?": e sentir a tão dolorosa sensação de vazio.
Assim como numa relação amorosa, na medida em que conhecemos mais o "Outro", e a nós mesmos na sua companhia, descobrimos aspectos que não são tão perfeitos como esperávamos. Daí, o que se vê é uma série de alunas "pulando" de escola em escola, buscando algo que não se sabe bem o que é, como é e por que é. Então, o grande desafio é conseguirmos manter nosso amor (e não paixão) pelo outro em contato com suas contradições e falhas. Só podendo vivenciar sentimentos contraditórios pela mesma pessoa é que conseguiremos evoluir nossa capacidade de sentir. Portanto, quanto maior for a capacidade para tolerar as frustrações e aceitar que as outras alunas, outras professoras, outros estilos de dança, outras metodologias, são constituídos de elementos positivos e negativos, de aspectos bons e maus, mais madura a pessoa estará e, consequentemente, necessitará de menos idealizações".

Estou dividindo um momento muito particular meu na dança (talvez na vida): admitir e buscar por objetivos reais, concretos. Não falo aqui exatamente de sonhos, mas de objetivos mais breves e palpáveis e acredito que a idealização atrapalha, inclusive, esses planejamentos de curto prazo. Porque sonhar, a gente pode sonhar o que quiser. A questão é se você consegue se enxergar dando os primeiros passos. Enxergou, realizou os primeiros passos? Agora, você deve enxergar como se manter caminhando sem cair. Caiu? Agora, você deve enxergar como levantar. E assim vai...

É muito clichê o que vou dizer agora, mas direi porque é realidade: o tempo é o melhor remédio, sempre, para aqueles que batalham todos os dias por seus objetivos. Claro, que uma dose de "simancol" é necessária para algumas pessoas que não conseguem enxergar que aquele trabalho ou pessoa não lhes servem. Mas, no geral, ser afoito não é a melhor solução. E acredito que a confiança em si mesmo e no próprio potencial e princípios ajudam esses caminhos a ficarem claros mais rapidamente. Além da presença de pessoas que sabem nos orientar.

Considerando que você sabe o que quer da dança do ventre, ainda não chegou aonde você gostaria de estar? Então, faça a si mesma algumas perguntas antes:

- Eu estudo, treino, invisto o suficiente para atingir o objetivo que eu determinei?
- Sou aberta sinceramente a críticas?
- Me relaciono com as pessoas certas?
- Minha postura é considerada adequada ao meio?

Se sim, amiga, RELAXA. Seu momento vai chegar!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 7 de abril de 2013

Encontre sua arte!

Recebi o vídeo abaixo para apreciação e fiquei abismada com tamanha criatividade (nem estou me referindo à qualidade da dança em si). Acho que foi um dos melhores que já vi na vida:


Daí, dias depois, eu leio o texto da Jacqueline Braga na edição no. 15 da Revista Shimmie e um trecho meu chamou a atenção (grifo meu): "Vivemos num mundo em que é mais fácil criticar do que aplaudir! Eu gosto de acreditar que aplausos trazem aplausos e, quanto mais aplaudimos o outro, mais seremos aplaudidos, porque cada pessoa tem seu brilho próprio, como uma estrela que não pode ser copiada, e que não vai tirar o lugar de nenhuma outra estrela".

Não me importo muito com a definição de Dança do Ventre: se é Raks Sharq, Bellydance, Dança Oriental... assim como o nome dos movimentos. Hoje, depois de considerar meu olhar mais maduro, me importa a expressão artística em si. Logo, vem a pergunta para vocês: isso é ou não é Dança do Ventre?


Não tenha medo de tentar fazer aquela aula que você tanto gostaria ou de colocar suas ideias em ação; sempre haverá alguém para criticar negativamente. Não estamos aqui discutindo bom gosto ou qualidade técnica mas sim, ousadia.

Dança é vida! Arte é vida! Encontre a sua!
Bauce kabir,
Hanna Aisha
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