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domingo, 5 de junho de 2011

A injustiça dos concursos (2)

Texto revisado e reescrito dia 17/06/2012

Flores orientais,

Como a Verinha escreveu na Revista Shimmie, quer assunto polêmico para seu blog? Um dos assuntos é concurso em Dança do Ventre. Já escrevi sobre isso aqui mesmo e na Central de Dança do Ventre.

Nesta última edição do Rio Orient, fui convocada para ser jurada de 2 categorias (Infanto-juvenil e Grupo Dança do Ventre) e acabei sendo de 4 (comentários sobre isso, apenas pessoalmente). Neste momento, devo estar sendo xingada ou crucificada, pois nunca todas as pessoas ficam satisfeitas com seus resultados de avaliação seja porque não aceitam bem as críticas ou porque foi injusto mesmo. Gente, já participei de vários concursos e continuo participando com aluna, eu entendo PERFEITAMENTE, principalmente depois de 4 concursos no MP (quem foi sabe!).

Já fui jurada algumas vezes (inclusive uma vez no MP) e toda vez que sou jurada, procuro evitar todos os erros que acho primordiais: atenção ao edital, homogeneidade entre os jurados e idoneidade. Sobre eles:

- Atenção ao edital: esse para mim é o erro mais comum. Primeiro, não sou eu quem cria o edital, mas se estou ali para julgar, independente de qualquer coisa, irei respeitar o edital. Por quê? Por respeito às pessoas que obedeceram as regras, simples assim. Por mais que doa (e acontece), pontos serão tirados caso não se respeite as regras. Já tive problemas com isso e me senti uma palhaça.

- Homogeneidade entre os jurados: funciona muito bem quando os jurados se conhecem e estão ali para serem justos, mas pode acontecer de haver incompetência técnica e o "gosto" entrar na jogada ("Não gosto de punhal", já ouvi falarem para mim...). Daí cabe ao organizador prestar atenção na escolha dos jurados. Acho FUNDAMENTAL os jurados conversarem o tempo todo para evitar plágios e injustiças, assim como concordarem com o resultado final. Deixa de ser sorte e um monte de numerozinho.

- Idoneidade: xi... esse é difícil de controlar e novamente, o organizador deve prestar atenção na escolha dos jurados e os próprios jurados devem procurar negar o convite, caso haja aluna na jogada. Não só já vi professora julgando aluna, como já aconteceu comigo: "Se eu soubesse que era você no palco, tinha dado 10" ou algo como "Se você estivesse usado minha roupa, ficaria melhor", etc etc etc.

Me preocupo com a repercussão negativa que meus comentários em competição podem gerar por conta de falta de bom senso, crítica, maturidade ou até de justiça mesmo. Porque sim, DÁ para ser injusto de várias maneiras: escolha dos quesitos, notas quebradas, soma das notas, pouco tempo de conversa entre os jurados.

Mas uma coisa eu não abro mão: se você foi para concorrer e ser avaliado, você deve estar preparado para ouvir críticas, que quase 100% das vezes são construtivas. E, gente, figurino, faz diferença sim. Afinal, você faz Dança do Ventre para apresentar boas performances ou despertar a Deusa Interior? Se for esta última, ótimo, mas só não perca a cabeça em um concurso porque as coisas são e devem ser diferentes.

Esse post não é direcionado a ninguém, não recebi email, reclamação, nada disso. Mas sei que existem os sentimentos pós-concurso. Aliás, adoraria ter um retorno (já fiz isso!), seria bom para mim também, afinal, eu posso ser a non-sense e não perceber.

Continuo apoiando e incentivando todos a participarem de concurso. Eu, particularmente, enjoei um pouco. De qualquer maneira, foi visível o aumento de qualidade técnica, estudo e produção no evento de ontem. 

Agora, sabemos que, infelizmente, nem todos sabem ser jurados e nem possuem competência para isso. Fora as coisas sem sentido que podem aparecer mesmo na sua avaliação. Uma boa dica, é evitar sair muito do tradicional, caso você tenha interesse em ganhar algum concurso. Mas, os videos abaixo mostram que você pode ousar e fazer bonito mesmo em concurso!

Grupo Letícia Soares (MG):

Grupo Rá (SP):


Grupo Dança do Ventre Brasil (SP):


Parabéns a todas nós que ganhamos com isso!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

2 comentários:

  1. Oi Hanna! Parabéns pela sua clareza e sua lucidez em tocar em um assunto tão complexo e cheio de margens para interpretações de todos os tipos!
    Para quem almeja uma carreira profissional na DV, uma boa colocação em um concurso representativo pode ser um bom cartão de visitas... Mas está longe de ser algo indispensável no curriculum de uma bailarina, a meu ver.

    CLARO que eu estou em uma posição muuuuito confortável, uma vez que carreira profissional na DV saiu dos meus planos há uns três anos atrás. A primeira, única, e última vez que eu participei de um concurso foi deveras dramática pra minha pessoa - não esperava ganhar, óbvio. Mas o meu objetivo era saber outras opiniões sobre a minha dança, algumas sugestões de melhoria, outra visão do que podia ser melhorado. Dois meses depois, recebo as avaliações - tudo resumiu-se a cinco frases, uma de cada jurado. Duas válidas, uma inócua, e duas totalmente ridículas.
    Nessa hora agradeci a Deus a prática comum de não identificar o autor de cada comentário - dois profissionais perderiam totalmente o meu respeito se eu os identificasse como os autores de tamanha imbecilidade, mas como não se pode ter 100% de certeza, todos ganham com o benefício de dúvida.
    Entenda, não estou aqui fazendo crítica aos jurados. Já participei em N eventos como apoio, e vejo que, por força de uma programação extensa, os jurados são obrigados a avaliar em escala industrial, o q obviamente compromete a qualidade. Voce tem que olhar e escrever ao mesmo tempo, e se for falar com o colega do lado pode perder aquele passo. E quando a concorrente acaba de dançar já tem aquela mala do apoio atrás já querendo recolher a sua folha!!!!
    Com o tempo, vi que a errada era eu. Concurso se participa pra ganhar. Para o que eu tinha em mente, o certo é se inscrever nesses selos de qualidade (KK, Lulu, etc...). Paga-se caro, mas a avaliação é séria e garantida!

    Parabéns pelo seu blog, tenho vontade em comentar em tudo.. mas quem disse que eu tenho tempo?
    Beijos, Samantha

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  2. É verdade, erros podem ser fatais, já estive dos dois lados da moeda, julgando e sendo julgada, e ambos os lados são complicados demais.

    Quando estamos julgando tudo é muito corrido, a quantidade de meninas que entram em cena, informações de edital que nem sempre são passadas claramente aos jurados, as fichas das concorrentes nem sempre estão organizadas e com o nome delas, cada detalhe pode sim comprometer o resultado de um concurso.

    Eu por exemplo, já fui injustiçada com meu grupo em um concurso por terem escrito errado o título da coreografia na ficha dos avaliadores, estavamos apresentando um número clássico e colocaram como moderna, é lógico que isso comprometeu até a seriedade do meu trabalho, imagina o que os jurados pensaram sobre meu trabalho como professora e coreógrafa, isso para mim foi até pior do que não ganhar nada, compromete meu profissionalismo.

    Esta na hora de mudar as regras e melhorarmos em geral os concursos nos eventos que participamos, hoje eu não curto participar de concursos, mas ainda levo minhas alunas quando elas querem competir, mas sinceramente, da maneira como a coisa anda eu acho que logo, logo nem isso vou topar mais!!!

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