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domingo, 30 de novembro de 2014

O que significa produzir eventos de Dança do Ventre

Sim, eu sei o que significa organizar um evento (festival nunca organizei, só ajudei no dia): teatro, reunião de todas as músicas, filmagem, som, iluminação, preocupação com público, camarim, divulgação, staff... Quando existe um convidado de fora da cidade, acaba sendo pior pois ainda existe hotel, alimentação, passagem, transporte, local pra workshop (se houver), o que aumenta bastante os custos. Planejamento e organização são fundamentais na preparação de qualquer evento que pretende ser bem feito.

Eu já escrevi sobre isso no blog mas diante do crescente número de eventos no Brasil, resolvi retomar o assunto porque tenho ouvido bastante coisa negativa sobre esse tópico, misturado com minhas indagações e experiências. Só que dessa vez, resolvi falar sobre o DURANTE.

Pergunta para quem organiza um evento: qual seu objetivo? Ganhar dinheiro, se divulgar, divulgar outros trabalhos, dar oportunidade para as pessoas dançarem, realizar um sonho de ter um show só seu? A partir dessa resposta, você pensa em como irá organizá-lo.

Pergunta para quem frequenta um evento: por que você quer dançar naquele evento? Se divulgar, conhecer ou rever pessoas, se divertir, dançar pros amigos? Você quer se distrair? Porque isso vai fazer diferença na sua reação e conforto dentro do evento escolhido.

Agora, existem coisas muito, muito básicas e universais em qualquer evento, que o organizador deve pensar com bastante cuidado:

1) Pontualidade: a coisa mais difícil de ver acontecer. Isso atrai/mantém público fiel sim e se você tem o costume de atrasar seus eventos, a chance de você perder público ao longo do tempo é bem grande. E olha, perde mesmo, viu? Não se iluda. 1 hora de atraso é desrespeitoso com quem chegou na hora e se planejou, quem dirá 2 ou 3 horas... é abrir brecha para alguém pedir o dinheiro de volta, com razão.

2) Staff preparado: em festival, faz TODA a diferença pois é essa galera quem vai ajudar a direcionar as bailarinas e público pro camarim, banheiro, horário de apresentação, cantina, ficha de concurso, som, luz. Qualquer informação que o pagante ou participante esteja precisando. Um staff despreparado é um dos grandes responsáveis pelos atrasos.

3) Cuidado com as participantes: elas podem retornar (ou não) para seus eventos. Água é o mínimo, não? Levante a mão quem já participou como convidada de show e não ganhou nem água! o/

Como eu já disse e tenho cumprido com a palavra, tem evento que eu nunca mais pisarei. E ponto. E sei que não sou a única. A não ser que voltem a falar bem dele. Já parou para pensar por que seu evento em vez de crescer, tem se mantido igual ou diminuído? Não culpe as pessoas! E não, não é arrogância ou estrelismo: é se sentir desrespeitado por ter investido em um evento, perdido tempo e não ter tido nenhum tipo de retorno como dançar na hora combinada, ter um chão seco no camarim ou ser ignorada por staff. Que história é essa, minha gente? Quem fica confortável e dança bem em um ambiente desse?

Existe um problema na Dança do Ventre que é o desconhecimento do conceito de pagante e serviço prestado. A partir do momento que alguém compra um serviço (seja workshop, ingresso ou inscrição de concurso/mostra), ele tem o direito sim de não se sentir satisfeito (claro, pensando em motivos concretos e não da cabeça dele) e de reclamar. O mercado da dança não deveria ser casa de comadre e o pagante NÃO ESTÁ FAZENDO FAVOR para você que está organizando o evento o qual ele está participando! Logo, repense MUITO bem no seu produto que você ofereceu antes de ficar chateado com a reclamação concreta e correta de alguém.

É seu primeiro evento como organizador? Tudo bem, a chance de dar tudo certo não é muito grande pois existem muitos detalhes que só percebemos quando realizamos o evento pela primeira vez. Dá para passar. Repetir o erro, jamais! De qualquer maneira, começar nessa área de forma ruim não é mais desculpa. Felizmente, hoje em dia, temos bons eventos acontecendo em todo o Brasil e eles podem sim, ser sua referência de boa qualidade. Depois, você organiza do seu jeito.

E você que é público ou até expositor, repensem também que eventos vocês realmente estão a fim de participar. Você precisa sair com a sensação de que valeu a pena e não com o pensamento "O que tô fazendo aqui?"

Isso é assunto sério e mais corriqueiro do que imaginamos pois uma parcela bem grande do nosso público é leigo e fazê-los participar de eventos ruins só deixa má impressão para nosso segmento profissional. Pensem com carinho.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 15 de novembro de 2014

Desconstruindo leituras (17)

O que me fez colocar esse vídeo da Kiania (SP) nessa coluna do blog, primeiramente, foi sua roupa "nada"; enquanto as bailarinas procuram colocar cada vez mais strass e cristais para ostentar #luxo!, ela tem ido contra a corrente, investindo em figurinos criativos e seguindo uma tendência neutra. Nada como ter o estilo próprio! O manejo do véu e os giros foram magníficos!


Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 1 de novembro de 2014

O que é folclore árabe?

Querida bellydancer,

É impossível resistir; em algum momento, você vai esbarrar com o folclore árabe. Estudar Folclore Árabe é uma das coisas mais difíceis dentro da nossa dança. pois a nossa principal referência é o trabalho de Mahmoud Reda, grande bailarino e coreógrafo responsável durante décadas pelo Reda Troupe, uma companhia de balé egípcio que existe até hoje. Como o próprio nome diz, é uma companhia de balé e por conta disso, tem licença poética para levar aos palcos vários tipos de folclore que o próprio Reda pesquisou em campo, no Egito. Então, fica a pergunta: o que é folclore árabe? Apenas o que o Reda desenvolveu? Como aprofundar? Não há como saber/estudar outras nuances?


Existem alguns tipos de folclores que podem ser levados aos palcos com mais autenticidade pois são ainda muito vivos e presentes no cotidiano de povos que temos acesso mais fácil, como o Dabke Libanês:


Quais seriam as modalidades que se encaixariam no quesito "Folclore Árabe"? É, existem algumas polêmicas com relação a isso pois algumas são consideradas dança popular por algumas bailarinas enquanto outras, categorizam como folclore, como o balady. E outras não existem como manifestação folclórica como o meleah-laff:


Já a Dança Said é um exemplo de folclore em que as mulheres se apropriaram para os palcos, apesar da inspiração ser uma dança masculina:


Munira Magharib diz em seu DVD de Balady que para você dançar bem uma dança, é preciso entender a fundo o seu povo, senão você acaba fazendo uma encenação, uma representação. E até aí, tudo bem. A Dança Fallahi é um exemplo claro de representação/encenação e a minha, não seria muito diferente, principalmente, se ela está sendo executada em um palco:


Qual seria o problema que algumas bailarinas com quem conversei já detectaram? Temos visto um excesso de licença poética que estão dando aos folclores, principalmente em concursos. E também é muita responsabilidade dizer que sua performance folclórica é legítima, mas isso não deveria te impedir de dançá-la, contanto que tenha sido bem estudado e embasado. Você também pode colocar um excesso de licença poética no seu folclore, contanto que isso fique bem explícito na sua proposta. O trabalho da Nagla Yacoub é um exemplo muito claro do que acabei de explicar:


O que está ERRADO e está ERRADO MESMO é dizer que você pode fazer o que quiser e colocar suas impressões/sentimentos/gostos pessoais na sua performance folclórica. Por exemplo, existe código de figurino folclórico SIM, assim como de estrutura musical! E quem diz que não existe código de figurino para funk ou samba não sabe o que está falando. Você não consegue identificar imediatamente uma funkeira ou uma mulata na feijoada na quadra de escola de samba? [por favor, não vamos nos remeter às exceções]. Como a Nilza Leão mesma diz, o que nos parece fantasia de palco, para os árabes não é!

Voltando à pergunta inicial: o que é folclore árabe? Apenas o que o Reda desenvolveu? Não há como saber/estudar outras nuances? Na minha opinião:

- Folclore árabe são as manifestações específicas de regiões que pertencem aos países árabes, que exigem determinados figurinos e músicas e que expressam alguma parte do seu cotidiano. Exemplos: Said, Fallahi, Núbia, Dabke, Mambouti/Semsemeya, Hagalla, Zaffe, Dança da Tunísia, etc. Para nós, que vemos de fora, tudo parece manifestação específica mas na realidade, existem detalhes que qualificam uma manifestação como popular, ou seja, manifestação que faz parte do cotidiano dessas pessoas mas que não representa nada além de alegria e confraternização como, por exemplo, Shaabi, Balady, Khaliji, Ghawazee. Mas isso não é consensual, ok?

- Não, o Reda não pode ser sua única referência de folclore porque o que ele desenvolveu é bastante refinado perto do que é "real". Mas é um ponto de vista que apareceu a partir de suas pesquisas de campo.

- Sim, há como saber/estudar outros "pontos de vista" sobre folclore, já que alguns são bem difíceis de acessar. Cada vez mais existem profissionais qualificados em folclore porque essas pessoas vão na fonte estudar nos locais de referência e isso facilita bastante entender/captar esse "espírito" que, comumente é difícil de entender, pois não é nossa realidade. Pesquise/procure por esses profissionais, não se prenda ao senso comum pois você pode (irá) se surpreender!

Por mais ousadia e menos medo porém, por mais estudo!


Para completar sua reflexão: Sala de Dança.

Bauce kabir,
Hanna Aisha
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