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domingo, 23 de março de 2014

Ter ou não ter DRT

Post a pedido de Izza

"O nome dela é Flatulah Khadufa.
Faz aulas de Dança do Ventre desde tempos imemoriais, então se auto-intitula bailarina.
...
Assim, penso: será que os leigos serão enganados para sempre?
Não, a moça não pode correr esse risco! Ela vai, com certeza, buscar algum tipo de certificação - no caso, o DRT (que para quem não sabe, é um documento que "capacita" artistas a exercerem sua profissão).
Sim, ela vai conseguir.
...
Afinal, se uma atriz global é capacitada como bailarina profissional, por que não ela, pobre Flatulah?
Ela, no fundo, sabe que o DRT não atesta sua capacidade como Belly Dancer.
...
E que, no fim, a única pessoa quem ela vai enganar com um título qualquer é ela mesma".

Para a história completa, ir no Blah do Fallahi.

Em qualquer emprego decente que eu arranjar,
meu CRBio será exigido para trabalhar como
bióloga.
Ter um DRT significa ter um registro perante ao Ministério do Trabalho como artista/bailarina e uma filiação em um sindicato de Dança. Como qualquer outra profissão reconhecida pelo MT, o registro é sua permissão para exercer a profissão, como todos os "CRs" que conhecemos. Como não existe nenhum Conselho da Dança, não temos "CRD - Conselho Regional de Dança" como os médicos possuem CRM e sim, o DRT, emitido pelos Sindicatos.

Lá no site do Sindicato de Dança do Profissionais do RJ (SPDRJ) eles dizem que o papel dele como instituição é (resumido por mim): "representar e defender os seus interesses junto à sociedade, portanto, concretiza a união dos trabalhadores de uma categoria profissional. Nós somos uma categoria diferenciada, especial e precisamos estar sempre atentos ao cumprimento das leis e normas que conseguimos, após longos anos de luta, conquistar. Você adquire o poder de voz e voto em Assembléias para definir os novos rumos do nosso Sindicato. A sua entidade de classe discute e busca soluções para a situação do seu emprego, o desenvolvimento do setor, as perspectivas da profissão. Incentiva e cria cursos que visam o seu desenvolvimento profissional e crescimento pessoal. Sem luta não haverá conquistas e nada nos será concedido".

Logo, dependendo do Estado brasileiro que você mora e do sindicato que tem (caso ele tenha um), se você quer fazer parte desta luta pela classe ou requerer financiamento público para seus espetáculos, você obrigatoriamente precisa do DRT. Mas, se você não se encaixa em nenhum desses requisitos, o DRT não serve para nada, pois não conheço nenhuma academia de dança (tomara que exista) que exija de suas professoras, o DRT.

Se eu entendi, o DRT é uma licença para trabalhar como bailarina?
Sim.

Então, eu não preciso de DRT para dar aulas? *
Não.

Conclusão da história: do jeito que trabalhamos com a dança no momento, o DRT é absolutamente inútil, apesar de culturalmente, isso representar o "profissionalismo" de alguém [não farei aqui a discussão do que é profissionalismo, pois o tema é longo]. Mas se você quer fazer parte do crescimento dessa classe artística perante a sociedade, sim, você precisa ter o DRT para "entrar na roda" de alguma maneira oficial.

Caso eu tenha falado alguma coisa errada, POR FAVOR, me corrijam!

Bom trabalho!
Bauce kabir,
Hanna Aisha

Dicas:

- Lá no blog da Lu Arruda, ela fala sobre ética e profissionalismo e ela diz que ser profissional na dança engloba ao menos três fatores: Conduta ética, Nível técnico e Tempo de carreira e/ou shows realizados.
- Lá no podcast, elas também falam sobre ética!
- O SPDRJ sugerem uma tabela de cachês mínimos, dê uma olhada.

* No RJ, o SPDRJ oferece agora os cursos do CQID, Curso de Qualificação para Instrutores de Dança. Isso significa que você, no fim do curso, recebe uma licença para dar aulas "sob a benção" do SPDRJ. Quem comanda essa parte é a Samra Sanches e ainda está no começo. Informe-se com ela!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Para dar uma estudada... literalmente (6)

Talentos "desconhecidos" pela maioria do público de DV no Brasil é muito mais comum que a gente pensa. E o Rio de Janeiro, tem provado isso para mim, cada vez mais. Natalia Trigo já é uma "velha" conhecida nossa e sempre, sempre arranca suspiros da gente. Mas, dessa vez, ela deu uma verdadeira aula de entrega e técnica. E de esperança (sim, esperança!) pois provou que sim, é possível ter estilo próprio!


Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 9 de março de 2014

Nacionalidade na Dança do Ventre

Olá!
Já ouviu esse podcast? Ouve antes de ler o post!

Nessa semana que passou, algumas pessoas compartilharam esse texto, em que a autora diz que "não aguentar bellydancers brancas" (não no sentido racista de cor, mas de país) porque, resumindo, a Dança do Ventre é do Egito e bailarinas não egípcias não sabem o que dançam ou como devem se vestir, são estereotipadas. Isso causou bastante desconforto entre as profissionais não egípcias, tanto que escreveram um outro texto contestando bastante o original. Vale dar uma olhada!

Apesar de parecer um consenso de que a origem da Dança do Ventre é na África (O Egito fica no norte), ela alcançou o mundo inteiro e hoje, é basicamente impossível engolirmos esse movimento "possessivo", que tenta mantê-la como propriedade única do Egito:


"Não há nacionalidade para a arte". Hoje, temos muitas bailarinas não-egípcias que são conhecidas mundialmente; por quê? Porque elas têm talento e uma história de busca e determinação. Quem imaginou uma latina (no caso abaixo, argentina) fazendo sucesso no Egito?



Temos a Jillina, também americana, trabalhando muito pelo mundo:



Alguns documentários já relataram a dificuldade de se formar novas bailarinas egípcias por conta desse novo conservadorismo religioso. Então, como manter a tradição da Dança do Ventre no Egito, que é um importante movimentador de dinheiro no país? Exportando bailarinas! A Nour, bailarina citada no podcast, é asiática (russa), casada com um sírio e morando no Cairo, há muitos anos. E eles percorrem o mundo dando show. Alguém tem dúvidas de que ela merece estar onde está?



Consideramos os europeus como um povo frio e introspectivo. E o sentimento, por que não podemos compartilhá-lo? Afinal, todos nós somos seres humanos! E não estamos falando de expressão folclórica, porque essa, eu acho que deve ser trabalhada de uma forma especial. Mas sentimento de amor, alegria, satisfação, tristeza, são universais! Se não fosse, por que uma holandesa como a Anusch, consegue dançar tão bonito?



Importante não confundir Dança do Ventre com Dança Oriental (Raqs Sharqi), como a autora do primeiro texto não conseguiu distinguir pro leitor (e talvez pra ela mesma). Dá uma olhada nesse post aqui.

A Dança do Ventre atravessou muitas águas e agora divide espaço com cangurus e surf na Austrália! Por que não?



Não poderíamos deixar de citar nosso orgulho brasileiro: Soraia Zaied, que arrasa lá no Egito!



Nós, não-egípcias, criamos, adaptamos, reinventamos a DV, tudo baseado na nossa cultura e história pessoal [Pensando alto: ainda bem que podemos fazer isso, não?]. Ah, então, não precisamos mais das egípcias? Claro que não! Sempre esperaremos por novos talentos de lá, nós precisamos delas, afinal, a raiz da nossa arte se encontra lá. Precisamos dessas referências para nos colocar "de volta no chão" e nos fazer refletir sobre o que é Dança do Ventre e por que a escolhemos.

Mas, admitamos: o que seria da Dança do Ventre mundial sem a Lulu, Orit Maftsir, Saida, Daria Mitskevich?

Tem mais gente falando sobre isso, dá uma olhada: Amar El Binnaz, Dança do Ventre Brasil, Dunya. Também sugiro esse post da Nadja el Balady.

Bauce kabir,
Hanna Aisha
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