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sexta-feira, 29 de março de 2013

Dabke


Post revisto e reescrito em 16/04/16

Olá, bellynerds!

Dabke = "bater o pé" em árabe.

Todo mundo já ouviu falar em dabke ou, pelo menos, já se deparou com uma roda inesperada! Se não, em algum momento, isso vai acontecer. E o que se faz nessa hora? Certamente, não é ficar parado pois é possível aprender na hora o passo básico e seguir!


O Dabke é conhecido como tradicionalmente libanês, mas também está presente na Síria, Palestina, Iraque, Norte da Arábia Saudita, Hatay (Turquia) e Jordânia. É uma dança originalmente masculina, característica dos povos das montanhas mas sua origem exata não se sabe. Dizem que surgiu no Líbano, na região de  Baalbeck.

No Líbano, o dabke é muito importante, faz parte da vida diária deles e muitas letras são nacionalistas. Há um caráter político associado ao dabke, além do seu papel socializador.

Dabke da Síria (não tenho ideia de quem seja a mulher!):


As casas das montanhas desses países eram feitas de madeira e cobertas de barro (argila), que servia como isolante térmico. Com a mudança de temperatura, rachaduras apareciam nesse barro e a solução era bater o barro fresco com os pés. Com isso, cada pessoa da aldeia ou vilarejo, junto com seus vizinhos subia na casa e começava a pisar no barro para preencher as rachaduras… Para passar o tempo, vinham mulheres com frutas e bolos e alguns músicos com instrumentos.

Dabke do Iraque:


A roda é puxada pela ponta direita por um "líder" (ras) que guia o grupo girando um lenço branco, terço, espada ou bengala. Ele dá pulos, giros, se ajoelha e faz outros passos enquanto o grupo o acompanha com batidas muito fortes dos pés. Há uma base, mas a combinação e a variedade de sequências de passos são grandes, principalmente porque alguns são específicos para rodas e outros para palco.

Dabke da Palestina:


O Dabke é dançado em filas laterais, ombro a ombro, andando da esquerda para a direita, batendo o pé esquerdo. Geralmente, os mais velhos e experientes tomam a ponta e eles dançam de forma diferente a dos demais, saltando, pulando, girando e em seguida, voltando para o ritmo da música, ditando qual será o próximo passo.

Dabke da Arábia Saudita:


As músicas podem conter dois, quatro, seis, oito ou dez tempos e os ritmos mais utilizados são o Jabalee,  Nawari, Said, Malfuf, Ayoub e o Soudi (saudita).

Dabke da Jordânia (que homens bonitos! hahahaha):


Hoje em dia, apesar do sentido de coletividade não existir, é possível sim, em termos de show, realizar um dabke solo, por que não? E parece que o dabke foi "redescoberto" pelas bailarinas, pois workshops e performances têm aparecido muito por aí. Aliás, sugiro que toda bailarina, aluna ou professora, faça, pelo menos, um workshop de dabke na vida, acho que acrescenta muito!


E aqui, dois exemplos de dabke moderno:



Fica uma pergunta que eu não sei responder: como distinguir as diferentes músicas de dabke para dançá-lo corretamente, de acordo com o país?

Aqui, um texto interessantíssimo sobre dabke libanês e machismo!

Texto adaptado e enriquecido de aulas com diversos professores (Nagla Yacoub, Nasser Mohamed, Tufic Nabak) e das fontes: HarémWikipedia, edições 1 e 2 da revista Shimmie, Almanack.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 24 de março de 2013

Escolha de workshops

Post a pedido de Grazi Veneravel

Cada vez mais vemos a oferta de workshops e creio que por dois motivos: aumentou o número de profissionais e o interesse de se aprender mais sobre a dança. Que bom! Mas o número crescente desses cursos, assim como os de formação, pode virar uma armadilha, já que muitas bailarinas vão buscá-los por conta da bailarina da moda. As aulas regulares são e sempre foram a melhor opção para manter um estudo constante e evoluir. Então, para quê servem os workshops e como melhor aproveitá-los?

Os workshops são uma ótima oportunidade de se aproximar da bailarina que se admira e aprender o que ela oferece de melhor como profissional. Mas quase ninguém aprende 100% de um workshop porque eles oferecem muito conteúdo dentro, em média, de 2 horas. É possível se decepcionar com um workshop por três motivos: a bailarina não é boa professora, você esperou muito dela ou você fez uma escolha errada por impulso.

Podemos saber se a bailarina é boa professora perguntando a outras pessoas que já estudaram com ela; confie, isso direciona MUITO! Confie no que as pessoas dizem, principalmente se elas não forem tietes.

Se você esperou muito dela, não há muito o que fazer; expectativa é expectativa.

Como saber escolher um curso/bailarina? Você pode fazer algumas perguntas gerais a si mesma antes de comprar um:

- Você a admira como bailarina?
- O assunto abordado é um tema que ela domina como bailarina?
- O assunto abordado é algum desconhecido ou que você está estudando no momento?

Se ainda assim, você insiste em fazer o curso, faça outras perguntas:

- Você precisa desse curso realmente nesse momento?
- Ela tem fama de ser boa professora?
- Ela só trabalha com sequências e eu não gosto disso?
- Eu quero fazer só porque minha professora está organizando ou porque minhas amigas vão fazer?
- Eu tenho esse dinheiro sobrando para investir nisso?
- Vou rever o que aprendi em sala em breve?

Provavelmente, organizadoras de workshops (como eu) devem estar odiando esse post achando que vou repelir possíveis compradoras. Mas não é verdade. A ideia é tornar os workshops um lugar de maior aproveitamento de aprendizado e aproximar mais alunas. Por quê? Porque existem ainda outras perguntas que não foram feitas:

- Ela não é uma bailarina famosa, quem é? Vou procurar saber através de vídeos, sites e pessoas que a conhecem.
- Vou fazer o curso sozinha, sem minhas amigas? Sim, provavelmente, ficarei menos envergonhada de realizar os movimentos, fazer perguntas e tirar dúvidas.
- Não sei quem a bailarina, mas quem está organizando é de confiança? Se a organizadora que eu confio por seu trabalho conhecidamente honesto está trazendo, deve haver algum motivo.

Vou dividir minha experiência na escolha e compra de workshops, que está funcionando perfeitamente para mim nos ultimos anos:

- Todo ano, eu escolho 2 a 4 temas que irei estudar para mim ou minhas alunas. Logo, os workshops que forem oferecidos durante o ano com assuntos parecidos, já têm grande chance de eu fazer; mas a bailarina que irá ministrar que determinará minha decisão. O preço, nesse caso, não me fará muita diferença.

- Se vem alguma  bailarina que admiro, provavelmente eu farei o workshop, independente do tema. Aí, o preço vai determinar. Obviamente, nesse caso, eu acho que tenho bom senso quanto à qualidade artística dela e isso, será de cada um mesmo.

- Se aparecer algum workshop de algum tema que estou sempre estudando, provavelmente eu farei e quem vai determinar isso será a ministrante. Nunca liguei muito para quem organiza porque nunca passei por nenhum problema; mas o local/bairro, infelizmente ainda é uma barreira pois nem sempre é fácil de chegar.

Os workshops nunca devem ser vistos como substituidores das aulas regulares e eu posso dizer isso de primeira fila porque sou uma que não faz aulas regulares por falta de tempo e opção. Sinto muita falta de uma orientadora profissional e isso ficou muito claro com a palestra que a Jade el Jabel deu aqui no Rio em janeiro. Dá uma olhada no post todo da Nadja; vou pegar um trechinho, em que na verdade ela disserta sobre cursos de formação e, não workshops:

"Na verdade, vejo este tipo de prática como um grande apoio à formação principal. É onde o professor vai dispôr de um conteúdo programático que exponha sua metodologia de formação, seu ponto de vista e seu material. Pode ser muito bom. Mas a verdade é que este tipo de curso nunca ocupará o lugar da aula regular. A verdadeira preparação corporal é diária. É preciso que a aluna tenha a bagagem da aula regular, sua formação principal. As questões essenciais do ato de dançar não podem ser plenamente desenvolvidas em poucas horas. Não existe milagre. É preciso que a aluna tenha a força de vontade de treinar por conta própria, se não, não vai alcançar o seu objetivo técnico na dança. Acho que o justo seria chamar de curso complementar à formação".

Aproveitem o máximo todos os workshops que vocês fizerem e não façam um por mês, a não ser que você garanta que tudo que você aprendeu foi absorvido pela mente e pelo corpo. Daí, se joga. Mas o ideal é que os workshops sejam complementadores, trocadores, orientadores e principalmente, que abram suas mentes quanto à diversidade de estilos e didática.

Valorize também quem é da sua cidade! Nem tudo que reluz é ouro, principalmente o ouro de fora. Assim, a gente desenvolve respeito pelo trabalho alheio e aprende a admirar não só sua professora, amigas e bailarina do momento.

Quem ganha com isso é a Dança do Ventre.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 16 de março de 2013

2 convites!

Agradecendo ao convite feito pela querida Mercedes Chavarria, bailarina de data aqui na cidade do Rio de Janeiro, chamo vocês para conhecer esse estilo alegre e impactante, com movimentos característicos que podem dar um toque a mais na sua dança! Além de aprendermos a usar os sapatos!


E para quem não ia fazer nada esse ano...


Nos vemos por aí!
Bauce kabir,
Hanna Aisha

domingo, 10 de março de 2013

Estudo dos ritmos em DV

Post a pedido de Simone Mattioda

Bailocas,

Eu e Raqia! Amei o work dela!
de acordo com Raqia Hasan, "quem deve se preocupar com o ritmo que está sendo tocado numa música, é o músico. Ela (Raqia) revela que em nenhum momento se preocupa com o ritmo, demonstrando não valorizar esse tipo de conhecimento na formação de uma boa bailarina de Dança do Ventre". Concordo com a Nilza, quem escreveu esse trecho em seu blog; para ela, é muito fácil perceber sotaques na música árabe e dançar da forma mais autêntica, ela é de lá! Nós, ocidentais que não falamos árabe e estamos acostumadas com outra escala musical, penamos para tentar entrar em harmonia com a música, quanto mais expressá-la!

A Esmeralda (SP), que possui um estilo muito particular de dançar, escreveu um artigo na  edição no. 09 da revista Shimmie falando algo parecido com o que a Raqia disse e quase enlouqueci com isso. Pensei: "Gente, o que as alunas vão pensar?" Daí, pensei com calma e acabei entendendo o que ela quis dizer! Mas daí o Pedro Françolin vem, na edição seguinte da Shimmie e fala o contrário, de que saber ritmo é fundamental para uma bailarina. Suspiro de alívio.

Concordo com o Pedro também. O estudo dos ritmos árabes básicos (em torno de 25 - parece muito, mas nem é tanto) ajuda e muito uma bailarina a ter harmonia em sua performance e criar coreografias, além de identificar folclores. E nem estou falando de khaliji! Assim como a identificação dos instrumentos também dá um plus na leitura.

"Ah, então, existem regras para se dançar?" NÃO! Não é isso! Esse é o ponto. E eu preferi interpretar, da maneira que irei explicar agora, o que a Esmeralda escreveu na revista. Não existem regras de leitura de um ritmo ou outro; mas o entendimento de tempos e contratempos, por exemplo, ajudam você a tornar sua dança menos aleatória e mais organizada. Quando essa movimentação básica em cima de um ritmo se torna mais estruturada, você poderá tornar sua dança mais variada e dinâmica. Mas isso é apenas questão de escolha. Sempre. O Gamal Seif prefere trabalhar mais em cima da melodia, é outra visão de leitura. Acho que o ideal é misturar os dois! Não negligenciar nem um nem outro.

No mesmo artigo que referi acima, a Esme fala que as bailarinas precisam "ouvir com os olhos", ou seja, ter "visão de espaço, de harmonia, de interpretação, de estética, de linha corporal". Sim, pois como ainda ela completa, "é isso que faz uma dança ser diferente da outra". Mas continuo achando que o estudo dos ritmos não deve ser negligenciado para que se siga apenas a melodia.

Aqui, um exemplo de bailarina muito didática, que equilibra bem a leitura dos ritmos assim como da melodia, resultando numa linda leitura musical:


Logo, queridas, nunca fiquem desesperadas ou relaxadas demais com o estudo, seja de ritmos ou melodia (os instrumentos entram aí). A Dança do Ventre, acima de tudo, é sempre um momento de felicidade e satisfação. Se você ainda se sente insegura quanto ao ritmos, vá com calma e não tente aprender tudo de uma vez. Se você nunca ouviu falar disso, tá na hora de você perguntar à sua professora! Bons estudos!

Bauce kabir,
Hanna Aisha

sábado, 2 de março de 2013

Dança Ghawazee

Post revisto e reescrito em 22/03/2015

Ghawazee = bailarinas. Ghazia = bailarina. A pronúncia correta em árabe de "gh" não é um "gu" (como em guerra) e sim um som gutural que mistura o "g" e o "r". Vai parecer um "r" bem forte, fechado e "entalado".

Já vimos que as ghawazee podem participar bastante do cotidiano dos egípcios, sendo contratadas para dançar em festas no geral, principalmente casamentos. Mas quem são elas?

As ghawazee tocam diversos instrumentos além de dançarem, pois vivem de shows e outras atividades. A dança é caracterizada por ter movimentos grandes, soltos, cadenciados e marcados dos quadris, aliado à ginga do corpo, sem ponta alta. Batidas fortes e pé no chão (pode haver a presença de guizos indianos) devem estar presentes e o uso do cabelo é bem-vindo. Os trajes mais antigos compreendem saias sobrepostas e moedas pois era o local onde guardavam seu dinheiro e jóias. A música sempre tem mizmar e rebab tocando, com letras repetitivas e os ritmos comuns são maqsoum (variação somboti), laff, fallahi e said (com um andamento diferente, geralmente, com apenas um mizmar tocando).

Um pouco de história: Descendentes de ciganos de diferentes castas oriundas da Índia, foram banidas por Mohamed Ali para o Alto Egito (sul) em 1834 (mesmo após terem se estabelecido há tempos no Egito) por não usarem véu, mesmo sendo muçulmanos e "usarem o corpo" para ganhar dinheiro. Lá, incorporaram elementos sulistas, como bastão (o que, provavelmente, originou o Raks Assaya) e o pandeiro, e a roupa com corpete. As ghawazee do norte usam a galabya com lenço de quadril. Em 1866, elas voltam para o Cairo, sob a condição de pagarem impostos.

Quer mais história? Vai aqui e aqui. No site Gilded Serpent, tem uma série de artigos sobre Ghawazee e o primeiro é este.

Podemos identificar dois tipos mais comuns e estudados de dança ghawazee, já que a tradição tem se perdido dentro do próprio Egito devido à sua marginalização social: sombouti e maazin. É importante entender que a dança ghawazee não tem refinamento técnico, mas ao pensar palco, lembre-se que a performance passa a ganhar o caráter de show, logo, um pouco de refinamento cai bem.




Nos anos 70, Aisha Ali foi a primeira bailarina norte-americana a ir estudar no Egito e foi ela quem levou as danças folclóricas, inclusive ghawazee no estilo Maazin, para conhecimento das bailarinas profissionais da época. Ela ainda dá aulas e tem um série de vídeos à venda:


Como mencionado, o somboti também é um ritmo e as ghawazee dessa região possuem um estilo mais "rude" de dança e inspirado nas tribos beduínas próximas. Já, as ghawazee maazin tem um estilo mais delicado, adaptado à ocidentalização para shows, que foi criado pela família Maazin, que trabalha até hoje:

Aqui no Brasil, a Aysha Almeé diz que seu ghawazee é sombouti:


A dança das ghawazee é a base da Dança do Ventre contemporânea e do ATS. Por quê? Isso vem do contexto histórico em que Napoleão invade o Egito e toda sua tripulação fica chocada com as ghawazee. Nunca ouviu falar de que é por conta dele que a danse du ventre chega na Europa e ganha o mundo? Não sei é verdade, ainda não me deparei com nenhum registro escrito (alguém sabe?), mas tem sentido.


Toda base das ghawazee são utilizadas pela Dança do Ventre no início do século 20, quando as nightclubs surgem no Cairo. Várias tentaram seguir o caminho do estrelato sendo bailarinas de Dança do Ventre, autodenominando-se, inicialmente, como awaleen (isso dá pra ser outro post).

Bauce kabir,
Hanna Aisha
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