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sábado, 15 de agosto de 2015

Folclore tem que ter moeda?

NÃO.

Se você achava que sim, você precisa URGENTEMENTE estudar folclore árabe.

Algumas bailarinas famosas optaram por não trabalhar com folclore por diversas razões. Eu, particularmente, acho a estratégia maravilhosa, pois assim, fica mais difícil de você cometer gafes.

Porém, assim como eu, várias outras bailarinas trabalham com folclore e acham isso importante para que sua Dança do Ventre tenha mais embasamento. Mas, dentro desse universo, existem bailarinas que, ainda assim, cometem muitas gafes e não parecem estar muito preocupadas porque, quando recebem a crítica, a vaidade as ensurdece. Uma pena.

Como a Melinda James já escreveu em um artigo maravilhoso, "o traje de cada povo, a forma de usá-lo e as ocasiões demonstram influências culturais importantes. Os acessórios e trajes preparam a pessoa para o clima, vegetação e solo local, além de demonstrar os padrões de beleza e a forma como cada povo reage a isso". [adaptado do texto original]

Voltando às moedas (as pastilhas podem representar as moedas, ok?)

O material das moedas vai variar de acordo com a região. Exemplo: Na Dança Siwa, os adornos são de prata e na Dança Ghawazee, elas são de ouro. Logo, combinar as "moedinhas" deve seguir uma lógica dentro do seu figurino.

Aliás, vamos usar, como exemplo, os árabes da região do Alto Egito (sul), ou seja, em direção ao continente. São os povos que representamos através da Dança Said e Ghawazee. As Ghawazee costumam ser representadas com moedas pelo corpo porque elas eram pagas com moedas de ouro pelos transeúntes e quanto mais moedas elas penduravam em si mesmas, mas elas demonstravam o quanto eram admiradas. Aliás, é muito fácil confundir algumas músicas ghawazee com músicas said pois uma parte delas mora na região Said.


Já Dança Fallahi quase nunca é representada com moedas ou pastilhas. Nem teria porque, afinal, é uma parte pobre do Egito, onde haveria tantas moedas de ouro/prata para exibir?


E o palco?
Sim, ele continua nos dando licença poética logo, os figurinos podem ser modificados, contanto que não descaracterize a dança que você propôs representar. Um exemplo super comum: vou dançar Dabke! Mas como não quero investir numa roupa de Dabke, vou pegar aquela galabia de said e colocar um lenço de moedas, meu sapatinho de flamenco e... pronto, #arrasei, ninguém vai notar.

Vai notar sim. Bom, vai notar quem estudou, minimamente, a diferença entre said e dabke. Vamos de Dabke primeiro:


Aqui a Lucy está representando uma ghawazee dentro do contexto said.

Todos nós já erramos dançando folclore, principalmente, pra lá de 15 anos atrás, em que não tínhamos tanta facilidade para viajar, ver vídeos e fazer workshops. Hoje em dia, você continua tendo o direito de não saber sobre determinada coisa (afinal, a gente dá aula de Dança do Ventre e continua aprendendo, certo?). Mas esse direito já começa a ser questionado caso você queira fazer uma performance "diferente" e não a estuda direito.

Conclusão
- Nem todo folclore tem moeda: 
- Nem todo acessório é moeda dourada
- Nem todo folclore tem faixa de cabelo

Com quem vou estudar? Você pode continuar estudando com quem você quiser; a grande diferença é: PENSE. O que a pessoa disse tem sentido, o que isso significa? Pense se o que o professor disse conecta com outras coisas que você aprendeu ou viu, tenha senso crítico. Não é só porque a pessoa é famosa (ou não) que ela sabe o que está dizendo ou fazendo.

Os exemplos de má representação? São inúmeros! Mas, não posso colocar aqui no blog...

Bauce kabir,
Hanna Aisha

Um comentário:

  1. Nossa, não consigo imaginar dabke com moeda! Adorei o post! Moeda tem seu lugar!

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