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sexta-feira, 1 de maio de 2015

(De novo) Sobre profissionalismo em Dança

Oi, pessoas!

Quem me conhece ou acompanha meu blog, sabe o quanto falo sobre a necessidade de melhorarmos nosso querido mercado saturado em Dança do Ventre (porque de Folclore Árabe não acho que esteja ainda).

Não consigo entender por quê tanta dificuldade de enxergar a Dança do Ventre/Folclore Árabe como uma profissão. Veja bem, profissão. Só porque é um hobby para você, não significa que os envolvidos estão também em um hobby. E não importa se a Dança é uma segunda profissão, como é meu caso; levo tão a sério quanto à minha primeira profissão, só que divido o meu tempo de dedicação de forma desigual porque eu escolhi não viver de dança. Tudo que produzo, realizo, oriento é feito de forma profissional e cuidadosa, o qual eu tento aperfeiçoar o tempo todo, principalmente, quando me vejo frente a desafios ou críticas novos. Pensei em escrever um post grande e mais detalhado, mas decidi ser objetiva. Vamos lá.

O post não é sobre mim, mas sobre a necessidade URGENTE de diminuirmos o amadorismo que cerca (talvez, inunda) nosso mercado. Logo, vou fazer perguntas básicas e tentar dar respostas a elas em forma de outras perguntas:

- Por que você acha que deve pagar a mensalidade da aula regular que você frequenta o dia que você quiser?
- Por que você acha que não devia pagar multa se você atrasar o págamento da mensalidade?
- Por que você acha que deve pagar workshops em quantas vezes você achar conveniente para você e/ou quando você quiser?
- Por que você acha que deve haver desconto em tudo relacionado à dança?
- Por que você acha que não deve pagar a mensalidade de janeiro da escola que você frequenta?
- Por que você acha que determinada roupa/aula está cara em relação ao da outra grife/bailarina?

Respostas em forma de pergunta:

- Por que você não pergunta pro curso de inglês que você tá fazendo se você pode pagar depois?
- Por que você não pergunta ao fornecedor de luz da sua cidade se eles podem te abater a multa, já que você preferiu viajar à pagar sua conta com eles?
- Por que você não pergunta pra aviação que uma produtora vai usar para trazer sua bailarina preferida à sua cidade se eles podem dar um desconto?
- Por que você não pergunta pro teatro que você vai dançar no fim de ano se sua professora pode pagar quando ela receber dinheiro suficiente para pagar tudo, inclusive a blusinha que você ganhou?
- Por que você não pergunta ao síndico do seu prédio por que você deve pagar condomínio se você vai ficar o mês todo fora do país?
- Por que você não pergunta para a MAC por que sua maquiagem é tão mais cara que a marca que vende na farmácia?

Ah, Hanna Aisha, você está culpando as praticantes de alguma coisa? Não. A culpa do mercado estar assim é de todos os envolvidos.

- Por que quase tudo que é produzido em Dança do Ventre é feito no boca a boca?
- Por que contratantes e contratados têm medo do contrato propriamente dito?
- Por que as bailarinas ainda se submetem a condições precárias para dançar ou dar aula?
- Por que não realizar eventos de real qualidade para público e bailarinos?
- Por que "lançar" para o mercado meninas imaturas e despreparadas emocionalmente só por que elas dançam bem?
- Por que a aluna pode pagar quando puder ou quiser?

Todos os envolvidos em Dança já cometeram erros semelhantes, inclusive eu. E, com certeza, existem vários outros que não citei aqui. Por isso, tanta gente continua reclamando que nossa profissão é amadora e a consequência mais grave que eu vejo disso é o público leigo (ou outros profissionais de dança) não respeitar a profissão. Ou vocês acham que um conjunto de erros como esse não é percebido de alguma forma?

Como de praxe, não vim aqui colocar o dedo na cara de ninguém e nem dizer que nossa profissão é lixo. Pelo contrário. Sou super otimista com relação à melhora dessa profissão porque em apenas em 15 anos praticando-a, vi melhoras substanciais. Queria tentar ajudar a sacudir as pessoas de algum jeito, até porque eu fui sacudida em momentos importantes e foi fundamental para o aperfeiçoamento do meu trabalho como bailarina, professora, aluna ou produtora. Deixo aqui duas perguntas para reflexão:

- Por que é tão difícil se colocar no lugar um do outro?
- Por que o profissionalismo não se desenvolve na mesma velocidade que a técnica/conhecimento?

Vou deixar aqui embaixo os links de alguns posts que escrevi aqui no blog sobre o mesmo assunto:


Bauce kabir,
Hanna Aisha

Um comentário:

  1. Que texto fantástico! Acho que a dança de maneira geral é encarada como pura diversão. É mais ou menos assim: você dança e faz isso com prazer, logo as pessoas acham que o prazer de dançar é o pagamento. E se esquecem que a dança custa caro, que pessoas vivem dessa arte. Resumindo, falta empatia. Concordo muito com tudo dito por vc! Beijos e parabéns pelo post!!!

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