Translate this blog!

sábado, 2 de novembro de 2013

Quanto vale nosso trabalho? Sobre cachês

Nesse restaurante em SP, aceitei um cachê
baixíssimo porque na minha cabeça na época,
era interessante pra eu me divulgar e ganhar
experiência. Hoje, não só não faria isso como
não recomendo fazer isso nem para quem está
começando.
A valorização deve ocorrer desde
o início da carreira
.
Depois de ler o post da Nilza Leão sobre cachê e de passar o Festival Shimmie, fiquei pensando sobre isso. Nunca quis escrever sobre esse assunto aqui no blog e muito já se falou sobre valorização do profissional de Dança do Ventre. Me parece até um assunto razoavelmente esgotado, porque ninguém discorda de que não é ético cobrar preços muito baixos, pois desvaloriza o trabalho das bailarinas que cobram um valor justo (ou um valor alto, dependendo do que ela representa pro mercado). Vim nesse post para discutir o pagamento ou não de cachê.

Em qual situação você abriria mão do seu cachê, sem contar com eventos beneficentes? Nenhum? Você já pensou o quão comumente isso acontece? Vou explicar melhor:

Vemos muitos "shows de gala" por aí e as bailarinas profissionais que são convidadas, normalmente, não recebem cachê (você não sabia?). Os motivos são variados, razoáveis ou não: a produção não consegue incluir isso no orçamento sem ter prejuízo, pois sabe o quão difícil é pagar toda a produção de um show; não tem interesse em pagar pois acha que o convite por si só já é uma honra; nunca pensaram sobre o assunto por ser simplesmente, cultural. Entre outros.

A questão é: todo mundo acha que o certo é pagar cachê e um cachê justo. Ou não? Vamos considerar que sim: todo mundo quer ganhar um cachê que considera justo. Fazemos esse discurso por acharmos que isso é o certo (e não vou discutir aqui se é ou não certo) e negamos convites para shows caso o valor seja baixo ou não exista cachê. Maaaaaaaaaaas... se recebemos convite para dançarmos:

- num grande festival de Dança, em que sabemos que vamos aparecer, mesmo que seja fora da sua cidade e ninguém vai pagar sua estadia e passagem
- numa casa de chá famosa
- numa feira da providência qualquer
- no Big Brother Brasil
- no Copacabana Palace
- no Faustão

sim, aceitamos dançar de graça. E ponto final.

E aí, onde entra o discurso do cachê, pois, afinal, "dançar faz parte do nosso trabalho, existem inúmeros custos e eu vivo só disso"?

O que eu quero dizer com esse post? Que eu estou defendendo que devemos sempre aceitar dançar de graça nos eventos, senão estaremos sendo arrogantes? NÃO! Mil vezes não! O que eu quero sugerir é que devemos ter mais cuidado com as opiniões que divulgamos por aí e lembrar que todas nós agimos de acordo com nossos interesses SIM e se achamos que não vale a pena dançar de graça num evento X, mas vale dançar de graça no evento Y, NÓS FAREMOS SIM, e daí? Isso é desvalorizar nosso trabalho? Não acho. Existem outras coisas muito mais fáceis de serem resolvidas para melhorar substancialmente o mercado da Dança do Ventre como, por exemplo, retirar do circuito professoras despreparadas dando aula e bailarinas de qualidade duvidosa dançando por aí, em restaurantes, por exemplo.

Cachê é importante? Sim, mas pagar um cachê justo às bailarinas, dentro de um evento de dança de QUALIDADE, é bem difícil. Não impossível. Todas as produtoras de evento devem tentar incluir o cachê nos seus orçamentos, mesmo que isso diminua seu lucro (heim? lucro?) ou criar maneiras alternativas de pagamento. Assim, iniciaremos uma nova "cultura". Mas, por favor, sem hipocrisia nos discursos!

E antes da mania de perseguição: não criei esse post pensando em ninguém, mas já ouvi muito do discurso acima por aí! Somos adultas, maduras, profissionais e podemos falar sobre qualquer coisa com ética e profissionalismo e não jogando indiretas no Facebook. Me poupe.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

6 comentários:

  1. Ao seu blog, seus posts sao sempre muito esclareccedores, parabens e obrigada pelas dicas e orientaçoes!!!bjs

    ResponderExcluir
  2. Li todo o seu texto e acabei ficando perdida, não entendi qual foi a sua conclusão sobre o assunto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ana, tudo bem?
      Obrigada pelo retorno!
      Vou reler meu texto e ver se realmente ficou confuso em algum ponto.
      O que posso te dizer é que, no fim, quem decide se trabalha ou não de graça, é a própria bailarina, baseado no que ela julga ser importante ou não pra ela. Mas, ao mesmo tempo, existe uma cultura de não-pagamento de cachê que deve ser mudado ao longo do tempo.
      Me fiz mais clara?
      Beijos!

      Excluir
    2. Sim, obrigada por esclarecer! É que no início você fala sobre a questão de não ser considerado ético cobrar um valor muito baixo, por prejudicar as bailarinas que definem para si um valor "justo", então imaginei que viria uma linha de raciocínio com base nisso.

      Excluir
  3. Eu concordo com vc Hanna, eu, por exemplo, declinei diversos e diversos convites para gala, juri, etc, só vou mesmo se o contratante me pagar a viagem, hospedagem, alimentação e que o workshop compense financeiramente pelo trabalho do work e do show à noite. Já o serviço de júri eu acredito que deve ser pago à parte, é extremamente exaustivo e suga toda a nossa energia,depois tem as discussões com os descontentes e talz. Como disse, mais recusei do que fui a eventos, justamente por acreditar nisso e sim, concordo que quem produz o evento não tem dinheiro para bancar 3, 4, 5 profissionais... então, na minha opinião, a luta deve ser para que haja um olhar para os eventos culturais, o que acontece é que os empresários e grandes marcas patrocinam tudo quanto é evento besta (digo besta, não menosprezando, mas é que existem coisas muito pequenas e mal feitas e que recebem apoio) ligado à cerveja, a sertanejo, a carnaval, rave, garota verão, etc... porém, às vezes fazemos eventos que movimentam toda uma cidade com ocupação de restaurantes, hotéis, shoppings, ou seja, são divisas para a cidade, e nem o empresariado e nem o governo se lixam... já ouvi que é uma arte elitista (só pq nossas roupas são caras), que hip hop sim, precisa de patrocínio - tudo bem, nada contra - fora, infelizmente, os que ainda, no século 21, tem preconceito e pensam que a gente vai lá fazer uma dancinha rebolante e que nada disso custa nada nem dá trabalho...Enfim, conclusão do pato: é claro que é mto difícil para o produtor, apenas com a venda de ingressos pagar toda a produção e mais cachês, viagens, etc, o que precisamos é de apoio cultural! Por isso temos que lutar! Desculpe se falei muito, bjs (vou por a resp no face tb)

    ResponderExcluir
  4. Ótima colocação, perfeito tbém penso assim.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...