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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A neurociência da dança - parte 2

Terminei de ler o livro "O cérebro e o homem", de António Damásio, um neurocientista muito importante que estuda os fenônenos relacionados à consciência humana e sua origem. No fim do livro, tem um texto que eu modifiquei e resolvi postar porque tratam de cérebro, cultura e arte.

Biologia e cultura são totalmente interativas porque a construção de um cérebro consciente de cultura é moldada pelo funcionamento de muitas mentes que foram construídas sob a orientação de genomas específicos e existem evidências de que avanços culturais podem conduzir a profundas modificações no genoma humano. Por exemplo, a disponibilidade de leite através da cultura de vacas favoreceu mudanças nos genes que permitem a tolerância à lactose.

Freud via na arte um antídoto para neuroses causadas pela religião. Se a necessidade de gerir a vida foi uma das razões do surgimento da música, dança, pintura e escultura, então a capacidade de melhorar a comunicação e organizar a vida social foram duas outras fortes razões e deram às artes um poder adicional de permanência.

Imagine seres humanos em tempos remotos, já dotados de mente e consciência, com emoções e sentimentos e cientes do que é estar alegre ou triste, com ou sem dor. Como eles poderiam se expressar? Gritar, cantar, bater no peito, soprar um osso eram atividades possíveis de serem feitas pois essas características eram inerentes ao corpo humano.

O nascimento das artes como música e dança veio a partir dessas necessidades de comunicação; e qual seria a compensação disso, como prevaleceram? A reação emocional de prazer com a visão de certas formas e pigmentos, presentes em objetos naturais ou na decoração do próprio corpo; com sons e seus timbres, tons e ritmos; com certos tipos de organização espacial e a paisagens é a compensação final!

A arte passou a ser um meio privilegiado de trocar informações, induzir emoções e sentimentos, explorar a própria mente e a mente dos outros, ensaiar aspectos da vida e exercitar juízos e ações morais.

As artes possuem raízes profundas na biologia mas podem elevar a níveis superiores de pensamento e sentimento e prevaleceram na evolução por terem valor para a sobrevivência, contribuírem para o desenvolvimento da noção do bem-estar, darem coesão aos grupos sociais, auxiliarem na comunicação, compensarem desequilíbrios emocionais e criarem registros externos da vida cultural. A arte sobreviveria só por seu valor terapêutico, mas alguns acreditam que o artista se tornava mais atraente para o sexo oposto.

As artes foram uma compensação perfeita para o sofrimento humano, para a felicidade não alcançada, para a inocência perdida, mas ainda assim alguma compensação elas trouxeram e ainda trazem, como um consolo diante das calamidades provocadas pela natureza e do mal causado pelos homens. Elas são uma das maravilhosas dádivas da consciência ao ser humano.

Então, vamos reforçar essa característica cerebral? hehehehe Eventos em outubro que estarei presente:





Até lá!
Bauce kabir,
Hanna Aisha

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