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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Etiqueta com bailarinos convidados

Olá!

Feliz 2016, que chegou cheio de novidades!

Começo a dar aulas em um espaço que respeito e frequento há tempos aqui na cidade, o Espaço Mosaico. Terei uma turma de DV intermedário e de Dabke regular! Além disso, ministrarei lá um curso de verão de Dabke no final de janeiro e vou dançar no Al Khayam novamente, a convite da Aisha Hadarah! 2016 começou bem!

Bom, mas como o título do post sugere, o assunto principal será outro e já pensei em um post com um tema bem direcionado, para ser refletido com calma por todos nós.

Há anos atrás, falei aqui no blog sobre a responsabilidade de organizar evento, assunto recorrente no nosso meio. Depois, voltei a falar sobre isso com um pouco mais de detalhes, sendo mais direta mesmo. Por fim, pensei e escrevi sobre o que pode estar acontecendo para que algum evento não tenha dado muito certo.

Dessa vez, o post se dirige a todos aqueles que desejam organizar ou já organizam eventos, porém chamarei atenção sobre o tópico: convidados especiais!

... aí você vê as fotos das bailarinas da sua cidade trazendo alguém famoso e se pergunta: "Por quê não eu?"

Até aí, tudo bem, pessoas têm que dar a cara a tapa para fazer o mercado movimentar. Mas o desejo de realizar quase nunca conversa bem com a realidade. Qual a realidade? A sua mesmo, por motivos variados.

Como já organizo eventos desde 2008 e sempre com bailarinos de fora do RJ, acabei trocando muita, muita informação de como outras pessoas no Brasil realizam seus eventos. E gente, o meu pensamento, com exceções (felizmente), sempre é o mesmo: "Nossa, vergonha alheia!"

Não somos "globais" e, na boa, nunca seremos. Nunca ganharemos, como classe trabalhadora, o que atores "globais" ganham. Então, vamos falar de coisas realmente palpáveis e perfeitamente realizáveis, que irão garantir um mínimo de profissionalismo e qualidade ao seu evento:

- Faça um contrato real entre ambas as partes. Isso torna o mercado cada vez mais profissional porque vai exigir uma postura profissional de ambas as partes; um contrato com assinatura reconhecida no cartório pode gerar processo. O contratado NÃO é seu amigo.
- Compre a passagem assim que os contratos estiverem em mãos. Não deixe para cima da hora e o consulte sobre o dia que ele prefere ir e voltar. Não se esqueça que ele não está à sua disposição, pois possui outros compromissos em sua própria cidade. Ah sim, VOCÊ é quem paga a passagem dele, afinal, o convite foi seu.
- Ofereça um hotel para a estadia do contratado. Ele não tem obrigação de ficar na sua casa e não, não é frescura da parte dele. O contratado NÃO é seu amigo.
- Você é obrigado a cuidar do transporte e da alimentação do seu convidado em todos os momentos. Ele não é obrigado a conhecer e a andar sozinho na sua cidade, mesmo que ele já tenha ido uma ou mais vezes. O contratado NÃO é seu amigo.
- Ofereça um camarim decente e, se puder, reservado. Ok, nem sempre é possível, mas limpo, arejado e bem iluminado é importante. E não o coloque com quaisquer pessoas para trocar de figurino e para esperar sua vez de entrar. Nem todas as bailarinas, alunas ou profissionais, sabem se comportar nos bastidores (infelizmente).
- Não há problema em fazer uma contra-proposta, caso tenha achado o cachê alto. Mas, uma vez combinado, honre o compromisso! Assim como o contratado deve honrar com o dele! Daí a importância do contrato!
- Considerando que você vai utilizar cartazes com um design decente, peça ao seu contratado lhe enviar as imagens ele quer divulgar de si mesmo. Não escolha a foto que você quer para colocar no cartaz. Comumente, elas ficam em baixa resolução ou são antigas. Ah sim, contratados: exijam o mesmo do contratante.

Não quer ter um bailarino famoso falando mal do seu evento para outra pessoa, contratante ou não (caso, ele seja um bom contratante)? Então, vamos a outras dicas da tia Hanna:

- Você não é obrigado a fazer turismo nem dar presentes para o contratado; é uma escolha sua que, no geral, cai bem. Mas, se não vai rolar ou não tem chance de acontecer por algum motivo, ok; não faça. Sem neura.
- Dê atenção ao seu convidado, ou seja, procure saber se ele está bem, se precisa de água ou qualquer outra coisa. Alguém do staff pode fazer isso por você, não precisa ser você fazendo tudo. Mas não o abandone. Nunca. Em nenhum lugar e em nenhuma situação.
- Não conseguiu o número mínimo de alunos ou do valor de cachê combinado? Problema seu. Todo negócio tem seu risco. Gente, POR FAVOR: NÃO TENTE RENEGOCIAR O VALOR APÓS O EVENTO! Daí a importância do contrato!
- Não existe um compromisso moral, de ambas as partes, de se tornarem amigos. Amizades podem ser iniciadas sim, a partir de uma contratação despretensiosa, mas não é obrigatório. Logo, não force a barra, nem antes nem depois.

Já ouvi e continuo ouvindo coisas horríveis sobre como convidadas especiais são tratadas, em diversos lugares do Brasil. Repetindo: ser bem tratada não significa ter luxo "global". A gente está falando do mínimo de respeito profissional mesmo.

Você não pode organizar um evento de qualquer maneira para, apenas, exibir a bailarina no seu Facebook, como se fosse um troféu. É só se colocar no lugar do outro.

"Mas, Hanna, você nunca errou organizando eventos?"
Claro que sim, principalmente, no início. Mas, o erro, uma vez cometido, não se repete.

Se você quer começar a organizar evento de qualidade, pergunte a alguém que já fez um e você gostou, faça parceria com alguém com experiência ou contrate alguém para produzi-lo em seu lugar. Daí, as chances de cometer gafes diminuem.

Não preciso dizer que existe exceção para tudo na vida, né?

Para pensar: Como você gostaria de ser tratado, caso você fosse o bailarino contratado?

Sugiro assistir aos vídeos da Nilza Leão sobre etiqueta:
Parte 1:
https://www.youtube.com/watch?v=9ktxLUgbXOc&index=2&list=LLiVijrFPEJ3ukVY5cjHidCw

Parte 2:
https://www.youtube.com/watch?v=feyGpfwJkN8&index=1&list=LLiVijrFPEJ3ukVY5cjHidCw

Por um mercado mais forte.
Bauce kabir,
Hanna Aisha

2 comentários:

  1. Fantástico esse texto. Oportuno, bem colocado. Obrigada por compartilhar esse conhecimento.

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