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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Estética na dança (e na vida)

Ficou muito claro para mim, com o vlog polêmico da Esmeralda, que as mulheres (também os homens, claro, mas vou me focar nas mulheres) têm uma preocupação com o corpo muito maior do que a gente dimensiona. Eu entendi os dois lados: o dela e de quem a defendeu, dizendo que imagem/estética é importante para se trabalhar com dança e o outro lado, de quem foi contra, afirmando que isso é um grande preconceito e que existem muitas bailarinas acima do peso trabalhando muito por aí.

O objetivo desse post não é defender ou ser contra, mas adicionar elementos para essa questão, coisa que a Lalitah já fez há um tempinho atrás (aliás, vai lá ler!). Mas quis escrever sobre isso também, porque outro dia, voltando da academia, tive um insight sobre esse assunto e achei que valeria a pena dividi-lo com os leitores.

Na verdade, não tive exatamente um insight, mas me senti mal por estar tão desesperada em emagrecer (ano passado, eu passei de 42 para 44. Sim, 42 é meu normal!). "Por que eu demoro a emagrecer? Por que estou tão desesperada? Por que, às vezes, eu me irrito quando vejo as capas de revista?"

Daí, pensei em muitas coisas que talvez respondam os meus próprios questionamentos. Vamos considerar uma mulher de 30 a 35 anos, que não mora com os pais e que trabalha 40 horas por semana:

- O que a Angélica, 40 anos, 3 filhos e com um corpo invejável tem e ela não tem? (...) Não precisamos pensar muito: dinheiro. E dinheiro, baby, compra muita coisa: faxineira, babá, cozinheira, nutricionista, dermatologista, comida boa, personal, tratamento estético... E você ainda quer dinheiro para comprar figurino de R$ 1.000,00 e fazer todos os workshops?
- Como dentro da rotina de trabalho dessa mulher (bom, não sei exatamente como é a rotina das bailarinas), ela pode desenvolver um programa saudável? Claro que é possível, mas sabemos que é bem mais difícil do que imaginamos, pois precisamos encaixar exercício físico aeróbico regular, dieta (isso implica em tempo para cozinhar e ir ao mercado com mais frequência, muitas vezes) e boa noite de sono em um só dia. E nem vamos tentar encaixar o seu tratamento estético. Fora todos os nossos afazeres do lar e do dia-a-dia.
- Uma coisa é ter um corpo de 20 anos, outra é ter um corpo de 30 e outra é ter um corpo de 40. Metabolismos completamente diferentes.
- Ela não tem filhos. Imagina quando tiver.

"Ai, que post pessimista!" Não, não é pessimista, é realista! É CLARO que é possível ter uma vida atribulada e ter um corpão, mas não é qualquer uma meeeeeesmo que consegue tudo isso junto e sempre desconfio de que existe alguma coisa que a facilite, tipo fatores genéticos "da porra". Quanto mais branquinha você é, mais difícil é para ficar "durinha".

E percebendo que eu (e eu apenas) estava sofrendo com isso, resolvi acalmar meus nervos e dar uma relaxada nessa cobrança minha. Se eu perdi trabalho porque eu estava acima do meu peso e eu não sei, sorry. Uma pena para quem não me quis, pois ainda acho que posso fazer um bom trabalho, mesmo um pouco acima do peso.

[Aqui entra a questão da importância ou não de estar acima do peso, que a Esme lançou. Qual seu objetivo na dança? Ganhar dinheiro, dar aulas, se divertir? Porque aqui, seu peso fará diferença para a maioria das pessoas. Não é questão de justiça ou não, é o que é. Claro que podemos mudar esse quadro com nossas ações, mas é um obstáculo parecido que você encontrará ao tentar mostrar para as pessoas que a cor da pele ou sua religião - se é que você tem uma! - não te tornam melhores ou piores pessoas. É uma questão social].

Mas sei o quanto as pessoas (isso significa todos nós) valorizam o corpo e, às vezes (quase sempre) se esquecem de que o preço que se paga para manter um corpão em dia é alto, financeira e emocionalmente. Nem vou comentar sobre o Photoshop, pois é meio óbvio. Tem esse vídeo aqui também.

Vou sugerir de coração, que vocês assistam esse bate-papo, que inclusive ganhou um post aqui no blog.

Acho que para ser feliz é preciso ser, ao mesmo tempo, sincero consigo mesma. Porque só a gente (e só a gente mesmo, viu?) sabe o que realmente importa para a gente, não interessa o que os outros dizem.

Bauce kabir,
Hanna Aisha

3 comentários:

  1. compartilho da mesma conclusão .
    excelente texto.

    Kely

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  2. É impressionante como não adianta a gente saber sobre o Photoshop, sobre make e grana d@s globais, é um império de marketing dizendo que "compre!" fará vc feliz. As mulheres falam em concorrência quando falam em homens! Gente, relacionamento é afeto, como se pode falar em afeto e concorrência!(meu teclado nao tem interrogação mas aqui tem uma pergunta). Tenho 41 anos e o mesmo peso de 10 anos atrás mas antes eu era magra e agora todo mundo me pergunta porque estou "desleixada" e engordei rsrsrs. Tive uma filha e acho meu corpo bem mais bonito do que antes, mas o mundo mudou - bem mais do que o meu corpo! Acho uma droga mostrarem aquelas modelos "plus size" (nem a palavra gorda é admissível falar) sem celulite, sem barriga e com o umbigo 2 cm abaixo dos seios e com isso as marcas de roupas e etc querem dizer que são democráticas. Pelamordedeus, pura hipocrisia! Kate Winslet, a do Titanic, exige com cláusula contratual e tudo, que suas fotos não sejam photoshopadas; é um movimento entre as estrelas, muito pequeno ainda, mas existe e acho super-válido. Não podemos deixr de pensar e conversar sobre o assunto, não podemos nos deixar aprisionar por nada nem ninguém - nunca mais! Amei este post (A propósito, eu sou a Nalini Amber do face rsrs)

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  3. Adorei esse texto. Extremamente pertinente pro meu momento. Pari, sai do manequim 42 pro 44 e, não, obrigada, não estou desesperada pra emagrecer. Não tenho tempo. Meu tempo agora é pra meu filho. Minha pancinha denuncia que, sim, virei mãe. Faz parte. Mais adiante eu perco, se der. Senão paciência. Não vivo financeiramente da dança. Ela é meu hobby. Era. Nem sei se vai continuar sendo tão importante assim. Filho muda nossas prioridades. Entre passar uma manhã fazendo um super workshop ou uma manhã trocando fralda, pondo pra dormir e brincando, fico com a segunda opção. Com filho, pança e feliz.

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