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domingo, 6 de junho de 2010

Zahra Sharq 2010 com Fabiana Tolomelli no RJ

Vai rolar aqui na cidade do Rio de Janeiro, um workshop de Khaliji dos Emirados com Fabiana Tolomelli, bailarina Internacional credenciada com o padrão Bellydance® de Omar Naboulsi. O workshop será na Escola Kelimaski, de 10 às 12h no dia 07 de agosto e custa R$ 90,00.

E à noite, às 19h, no espaço das Artes de A a Z (Rua Araújo Pena, 88, |Tijuca) vai acontecer o show Zahra Sharq 2010 comigo, com a Fabiana e bailarinas convidadas da cidade. Os ingressos custam R$ 20,00, mas quem fizer o workshop, sairá R$ 100,00 show + workshop. Imperdível!


O Zahra Sharq esse ano contará com os apoios da Escola Kelimaski e da Bellydance® de Omar Naboulsi.

Mais informações: hannaaisha00@gmail.com - (21) 9152-2389 - (21) 2275-6635

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 5 de junho de 2010

Taqsim

Post revisto e reescrito em 30/09/18.

Taqsim é o momento da música árabe em que um instrumento vai realizar uma improvisação melódica, podendo ter uma base percussiva por trás dela ou não. É um momento muito comum em rotinas orientais e faz parte da música balady.

O taqsim não acompanha a melodia da música em que está inserido e nem sempre o que você ouve ou reconhece como música lenta é música no "estilo taqsim". O taqsim sempre existe em um contexto de improvisação, com base na música árabe e não na ocidental. Nesse vídeo, por exemplo, eu dancei uma música lenta ocidental, inspirada em música árabe e não um taqsim propriamente dito:


Os instrumentos mais tradicionais utilizados em taqsim são a nay, alaúde, kanoon e o acordeon. O rabab também podem aparecer solando. A nay é uma flauta de bambu. O kanoon é um instrumento de corda, semelhante a uma cítara, em que fica apoiado sobre o colo do músico, que o dedilha com as duas mãos. O acordeon é um instrumento francês e não se sabe como chegou ao Egito e se tornou seu instrumento mais importante dentro da música baladi. O alaúde é considerado o primeiro instrumento de cordas do mundo:


O violino, teclado, guitarra e o saxofone também podem ser utilizados nas músicas mais contemporâneas, como nesse vídeo de 1973, com a Nadia Gamal dançando um taqsim balady:


A voz também é um instrumento que pode realizar um solo. O maual é a introdução vocal que o árabe faz e que descende de um canto religioso, segundo alguns estudiosos. São momentos em que o cantor é dominado por seus sentimentos, geralmente relatando histórias de amor ou desilusões. O maual é muito presente nas músicas balady como Tahtil Sheebak, uma das minha preferidas (0:45-1:28):


No taqsim, a bailarina precisa se deixar dominar pela música, em que os outros instrumentos, sem ser o que está solando, ficam bastante, quando não totalmente, reduzidos. Os movimentos ondulatórios e sinuosos são os mais intuitivos no taqsim (com exceção do kanoon e do alaúde que sugerem tremidos). A grande dificuldade de se realizar um belo momento taqsim é fazer as emendas parecerem fluidas, naturais e os movimentos pouco repetitivos, associados à uma expressão adequada ao humor do taqsim. E essa música que a Elis dançou: é ou não é um taqsim?


O taqsim é uma das performances mais difíceis dentro da Dança do Ventre, porém um dos mais emocionantes quando bem realizados. Hoje, eu me identifico muito com músicas com algum momento taqsim, quando não inteiros. Aqui, é uma das minhas tentativas mais recentes de se dançar uma música com essa pegada mais forte:


Fontes: Anotações pessoais de aulas com Luciana Midlej, Maira Magno, Marcia Dib; DVD Ventreoteca "Baladi" da Munira Magharib.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Organização de eventos - aff!

Enquanto somos alunas, não temos ideia do quão trabalhoso é organizar shows e festivais de Dança Árabe. As bailarinas profissionais que já se aventuraram com isso entendem perfeitamente o que digo: a busca para local pra workshop e teatro, reunião de todas as músicas, filmagem, som, iluminação, preocupação com público, divulgação, staff, etc etc etc. cada item a ser constantemente revisto até que chegue o dia.

Já organizei dois shows com convidados de fora da cidade: isso multiplica os custos e o trabalho. Passagens, estadia, alimentação, transporte e cachê. Por isso, é preciso muita certeza, paciência e garantia financeira de que você vai pagar tudo, mesmo com prejuízo. O QUE É COMUM, não importa o tamanho do evento.

O sofrimento sempre se inicia com a escolha do local do show; você não pode fazer NADA sem isso. O máximo que você tem em mente é uma data prevista para marcar o local. E tudo está para hora da morte, pelo menos, aqui na cidade do Rio de Janeiro. Preço, segurança, disponibilidade de data: são coisas difíceis de combinar do jeito que você quer. E, às vezes, você deve abrir mão de algo para realizar seu projeto.

Uma vez combinado o local, começa a busca por atrações - essa é a parte mais divertida para mim. Montar o show, escolher as músicas, fazer o cartaz. Pronta sua programação, hora de divulgar! Daí também vem a parte de distribuição de cartazes, confecção dos ingressos, divulgação por internet... boa hora para aumentar ou estreitar contatos!

Obviamente, nem vou comentar como segue o dia do show: ADRENALINA PURA, para que tudo dê certo. Ah sim, também não é comum tudo sair 100%, ter jogo de cintura é absolutamente fundamental. O cara da filmagem esqueceu do evento, você esqueceu o CD do show, não limparam o teatro... essas coisas.

Dicas de quem organiza e também frequenta shows:
- Sugiro fortemente que os cartazes sejam feitos por bons designers: para mim, isso qualifica muito a organização. Cartazes mal feitos sugerem desleixo.
- Seja pontual: As pessoas cansam de esperar, desanimam.
- Evite que o público saiba dos problemas dos bastidores: ninguém precisa saber que você está muito chateada com o atraso de alguém.
- Cuide das convidadas do show com carinho: elas podem retornar (ou não) para seus eventos. Comidinha gostosa, água, suco e camarim confortável.
- Contrate um staff, uma ou duas pessoas para te ajudarem no dia: nossa, COMO faz diferença!!! Nem que seja aquele seu amigo, camarada!
- Caso você faça um DVD, escolha alguém que faça boa edição: seu evento não terá terminado no dia, já que você irá propagá-lo por aí. Edições mal feitas (às vezes, não é culpa nossa) queimam um pouco nosso filme.

Tem evento que eu nunca mais pisarei. Como eu não quero que isso ocorra comigo, prefiro organizar algo o mais bonito possível, mesmo que isso custe mais do que eu previ. As impressões são as que mais importam, não importa o quanto você gastou. São elas que vão fazer você aumentar seu público, ganhar alunas novas e ficar bem dentro da classe artística. CLARO, que a satisfação do evento ter acontecido é sempre grande. Todos se orgulham dos projetos criados e cumpridos.

  Muito feliz no encerramento do "Zahra Sharq" 2009, com Maira Magno.

Boa sorte a todas que já organizaram evento e às que ainda irão se aventurar!

Bauce kabira,
Hanna Aisha