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sábado, 5 de junho de 2010

Taqsim

Post revisto e reescrito em 30/09/18.

Taqsim é o momento da música árabe em que um instrumento vai realizar uma improvisação melódica, podendo ter uma base percussiva por trás dela ou não. É um momento muito comum em rotinas orientais e faz parte da música balady.

O taqsim não acompanha a melodia da música em que está inserido e nem sempre o que você ouve ou reconhece como música lenta é música no "estilo taqsim". O taqsim sempre existe em um contexto de improvisação, com base na música árabe e não na ocidental. Nesse vídeo, por exemplo, eu dancei uma música lenta ocidental, inspirada em música árabe e não um taqsim propriamente dito:


Os instrumentos mais tradicionais utilizados em taqsim são a nay, alaúde, kanoon e o acordeon. O rabab também podem aparecer solando. A nay é uma flauta de bambu. O kanoon é um instrumento de corda, semelhante a uma cítara, em que fica apoiado sobre o colo do músico, que o dedilha com as duas mãos. O acordeon é um instrumento francês e não se sabe como chegou ao Egito e se tornou seu instrumento mais importante dentro da música baladi. O alaúde é considerado o primeiro instrumento de cordas do mundo:


O violino, teclado, guitarra e o saxofone também podem ser utilizados nas músicas mais contemporâneas, como nesse vídeo de 1973, com a Nadia Gamal dançando um taqsim balady:


A voz também é um instrumento que pode realizar um solo. O maual é a introdução vocal que o árabe faz e que descende de um canto religioso, segundo alguns estudiosos. São momentos em que o cantor é dominado por seus sentimentos, geralmente relatando histórias de amor ou desilusões. O maual é muito presente nas músicas balady como Tahtil Sheebak, uma das minha preferidas (0:45-1:28):


No taqsim, a bailarina precisa se deixar dominar pela música, em que os outros instrumentos, sem ser o que está solando, ficam bastante, quando não totalmente, reduzidos. Os movimentos ondulatórios e sinuosos são os mais intuitivos no taqsim (com exceção do kanoon e do alaúde que sugerem tremidos). A grande dificuldade de se realizar um belo momento taqsim é fazer as emendas parecerem fluidas, naturais e os movimentos pouco repetitivos, associados à uma expressão adequada ao humor do taqsim. E essa música que a Elis dançou: é ou não é um taqsim?


O taqsim é uma das performances mais difíceis dentro da Dança do Ventre, porém um dos mais emocionantes quando bem realizados. Hoje, eu me identifico muito com músicas com algum momento taqsim, quando não inteiros. Aqui, é uma das minhas tentativas mais recentes de se dançar uma música com essa pegada mais forte:


Fontes: Anotações pessoais de aulas com Luciana Midlej, Maira Magno, Marcia Dib; DVD Ventreoteca "Baladi" da Munira Magharib.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dança Baladi

Post revisto e reescrito em 19/04/18

Há mais de 50 anos, houve um grande êxodo rural de fallahim para a cidade do Cairo, no Egito. Em árabe, baladi/balady significa, literalmente, "minha terra". Dentro das cidades, pode significar "caipira" e refere-se a esses fallahim e à sua cultura, envolvendo comida, comportamento, roupa, música, dança, etc.

É uma dança popular de cárater solo, por mulheres e homens dentro de casa. Não é uma dança folclórica, que costuma se limitar a determinado grupo étnico. É a dança do dia-a-dia no Egito. E ela foi uma das danças que a dança do ventre se inspirou.

A roupa que melhor representa uma dança baladi é a galabia, com lenço ou faixa (mais moderno) na cabeça e no quadril. Mas a roupa de Dança do Ventre pode ser utilizada, assim como qualquer roupa do corpo, no caso do shaabi ou em um baladi moderno. A escolha das roupas sempre depende do contexto que você estará e da música: show, festa da colônia árabe, teatro, restaurante. Os snujs podem complementar a dança, mas não é obrigatório.

A improvisação vocal (maual) ou instrumental (taksim) está quase sempre presente na dança baladi. O maual é a introdução vocal que o árabe faz; descende de um canto religioso, segundo alguns estudiosos. São momentos em que o cantor é dominado por seus sentimentos, geralmente relatando histórias de amor ou desilusões. Costuma aparecer no início das músicas, mas pode vir no meio também:


Na dança baladi, os instrumentos mais presentes são a nay, alaúde, kanoon e o acordeon. O acordeon tem origem na China e não se sabe como chegou ao Egito e se tornou seu instrumento mais importante. Ele é o instrumento mais utilizado nas músicas balady, como no inicio, na forma de taksim, onde a percussão entrará depois. Particularmente, é meu instrumento favorito. Porém, nas músicas mais modernas, o saxofone e o teclado também podem aparecer em seu lugar.

A bailarina brasileira Maira Magno (SE) considera 3 tipos de baladi: Alexandria (Meleah-laff), Sul do Egito (Said e Ghawazee) e Norte do Egito (Taqsim Balady e Shaabi). Mas há quem considere o Fallahi como dança Baladi também.

As Ghawazee usam a nay e o rabab com a estrutura do baladi, incorporando o acordeon dos turcos, em torno de 1700. Elas, atualmente, se concentram mais no sul do Egito, como em Luxor. A bailarina egípcia Fifi Abdo costuma representar a personagem "bint-el-balady" ou a Maalena, que o bailarino egípcio Mahmoud Reda levou aos palcos com a dança meleah laff:


A bailarina egípcia Souhair Zaki é do norte do Egito e é uma grande representante da dança baladi (da forma mais conhecida aqui no Brasil, o taqsim balady). Ela tem uma dança mais doce, mais introspectiva:


Caso você queira coreografar um taqsim balady, a dança deve parecer uma improvisação, porque ela é improvisada culturalmente! As egípcias usam tanto as mãos quanto o quadril, com pouco braço e tronco. Oitos, camelos e redondos são muito usados e costumam ser pequenos, quando feitos por egípcias. Aqui, nesse vídeo, eu danço uma progressão balady ou taqsim balady (não coreografado):


Quando o baladi é cantado, dependendo da letra, pode ser chamado de Shaabi, que é uma palavra árabe para "folclore" no Marrocos, porém no Egito, é uma dança urbana das classes D e E. São músicas que falam sobre o cotidiano dessas classes, às vezes, sobre temáticas pejorativas. Para tentar representar um shaabi mais "autêntico", não se deve estar preocupado em seguir a música, apenas dançar, não se preocupando em ser complexo, permitir-se. Existem muitos cantores no Egito; entre os mais famosos está Saad el Soghayer. E sim, é a Dina quem está nesse clip dele:


Os baladys mais modernos (alguns chamam de new baladi ou balady moderno), como os do Armen Kusikian, permitem uma leitura mais moderna da dança, refletindo inclusive nos figurinos. A ucraniana Marta Korzun é ótima nesse estilo:


Fontes: Anotações pessoais de aulas com professores variados (Khaled Seif, Jade el Jabel, Luciana Midlej, Luciana Nogueira, Maira Magno, Marta Korzun, Melinda James, Nour, Orit Maftsir, Raqia Hassan); Blog Yallah!, Greenstone Bellydance, Livro "Folclore Árabe" de Luciana Midlej e Melinda James.

Bauce kabira,
Hanna Aisha