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sábado, 4 de maio de 2013

Zaffe Libanês

Diante da minha ignorância com relação à recente coreografia que o Grupo Hátor apresentou no concurso de grupo folclore no MP desse ano, pedi para que a Elaine Rollemberg, minha amiga e coordenadora do grupo, criasse um texto sobre Zaffe Libanês para eu colocar aqui no blog. Apreciem!

Créditos da foto: Leonardo Martins
"A primeira vez que ouvi falar sobre o Zaffe Libanês, já há uns quatro anos, foi através do bailarino e professor Tufic Nabak em um workshop sobre folclore libanês. Ano passado, em 2012, quando estive no Líbano participando do Amani Oriental Festival ao lado de Tufic, pude presenciar apresentações de Zaffe feitas no teatro durante o festival. E eram muitas! Percebi que era algo muito comum, trabalhado performaticamente. Fiquei fascinada com a força e alegria contagiante das coreografias. O figurino e movimentações bem peculiares me instigaram a investir no estudo deste folclore tão pouco difundido no Brasil:


Conversei sobre o assunto ainda no Líbano não só com o professor Tufic, mas também com profissionais disponíveis nesse festival. Com as informações que então obtive, somadas à minha pesquisa sobre grupos de dança libaneses importantes no Líbano e representantes da cultura no mundo (como Caracalla e Ahlam Group), cheguei a uma breve explicação para os interessados em aprender sobre o estilo. Minha principal fonte, o Ahlam Group:

Clipe musical:


Teaser de espetáculo no Teatro:


O Zaffe, famoso cortejo feito aos noivos nos casamentos árabes, especificamente no Líbano, é realizado com muita alegria e exaltação, com muita música e dança. Há sempre um grupo de bailarinos contratado para fazer a apresentação dos noivos. Essa apresentação é sempre muito performática e teatral. Aqui cabe uma ressalva: "O folclore Libanês é muito teatral!"

Os noivos representam papéis majestosos perante a festa. É como se fossem o rei e a rainha. Os bailarinos representam seus súditos, soldados da guarda real a proteger, saudar e homenagear a realeza. Por isso elementos de lutas – com lanças, espadas e cimitarras – são sempre utilizados nos zaffes. A movimentação é forte, brutal e impactante, mas feita com muita alegria e exaltação. A representação de uma Corte remete ao período medieval; por isso, a vestimenta se refere de uma forma mais específica ao retrato da época.

Créditos da foto: Leonardo Martins
As músicas utilizadas para o Zaffe libanês são dabkes fortes, alegres e muito populares no Líbano. Por essa razão, encontramos no Zaffe muitos passos de Dabke. Tradicionalmente os grupos de performance eram formados por homens; só depois as mulheres foram entrando.

Esses grupos podem apresentar os noivos de variadas maneiras. Os homens vêm sempre à frente, dançando; ao final trazem o noivo e em seguida vêm as mulheres dançando e trazendo a noiva. Entra o grupo todo e depois segue-se a apresentação dos noivos. Vários pontos podem ser diferentemente trabalhados a partir da criatividade do coreógrafo. Na participação feminina, cabem utilizações de véus (simples, sem rebuscamentos, no caso de elas dançarem junto dos homens). Pode haver apresentações mais específicas femininas, mas aí é feito adendo da programação musical, a título de enriquecer ainda mais a performance. É possível ainda aparecer candelabros (dançados com o ritmo zaffe que conhecemos), bailarinas de ventre e mais.

Apresentações libanesas em casamento:


Nos teatros, o Zaffe mantém essa representatividade de "Súditos e Guarda Real". Apesar de terem o dabke como base musical e alguns movimentos semelhantes ao dabke, se diferem na forma da apresentação e sua representatividade:


Como um resultado do estudo, montei junto ao meu grupo de alunos, o Grupo Hátor de Danças Árabes, uma coreografia sobre o estilo, que foi apresentada no Mercado Persa neste ano de 2013. Acho que fomos o primeiro grupo no Brasil a apresentar este estilo. Espero que gostem!"

Grupo Hátor de Danças Árabes


Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 29 de março de 2013

Dabke

Post revisto e reescrito em 16/04/16

Olá, bellynerds!

Dabke = "bater o pé" em árabe.

Todo mundo já ouviu falar em dabke ou, pelo menos, já se deparou com uma roda inesperada! Se não, em algum momento, isso vai acontecer. E o que se faz nessa hora? Certamente, não é ficar parado, pois é possível aprender na hora o passo básico e segui-lo!


O Dabke é conhecido como tradicionalmente libanês, mas também está presente na Síria, Palestina, Iraque, Norte da Arábia Saudita, Hatay (Turquia) e Jordânia. É uma dança originalmente masculina, característica dos povos das montanhas, mas não se sabe sua origem exata. Dizem que surgiu no Líbano, na região de  Baalbeck.

No Líbano, o dabke é muito importante, faz parte da vida diária deles e muitas letras são nacionalistas. Há um caráter político associado ao dabke, além do seu papel socializador.

Dabke da Síria (não tenho ideia de quem seja a mulher!):


As casas das montanhas desses países eram feitas de madeira e cobertas de barro (argila), que servia como isolante térmico. Com a mudança de temperatura, rachaduras apareciam nesse barro e a solução era bater o barro fresco com os pés. Com isso, cada pessoa da aldeia ou vilarejo, junto com seus vizinhos subia na casa e começava a pisar no barro para preencher as rachaduras… Para passar o tempo, vinham mulheres com frutas e bolos e alguns músicos com instrumentos.

Dabke do Iraque:


A roda é puxada pela ponta direita por um "líder" (ras) que guia o grupo girando um lenço branco, terço, espada ou bengala. Ele dá pulos, giros, se ajoelha e faz outros passos enquanto o grupo o acompanha com batidas muito fortes dos pés. Há uma base, mas a combinação e a variedade de sequências de passos são grandes, principalmente, porque alguns são específicos para rodas e outros para palco.

Dabke da Palestina:


O Dabke é dançado em filas laterais, ombro a ombro, andando da esquerda para a direita, batendo o pé esquerdo. Geralmente, os mais velhos e experientes tomam a ponta e eles dançam de forma diferente a dos demais, saltando, pulando, girando e, em seguida, voltando para o ritmo da música, ditando qual será o próximo passo.

Dabke da Arábia Saudita:


As músicas podem conter dois, quatro, seis, oito ou dez tempos e os ritmos mais utilizados são o Jabalee,  Nawari, Said, Malfuf, Ayoub e o Soudi (saudita).

Dabke da Jordânia:


Hoje em dia, apesar do sentido de coletividade não existir, é possível sim, em termos de show, realizar um dabke solo, por quê não? E parece que o dabke foi "redescoberto" pelas bailarinas, pois workshops e performances têm aparecido muito por aí. Aliás, sugiro que toda bailarina, aluna ou professora, faça, pelo menos, um workshop de dabke na vida, acho que acrescenta muito! E aqui, dois exemplos de dabke moderno:



Fica uma pergunta que eu não sei responder: como distinguir as diferentes músicas de dabke para dançá-lo corretamente, de acordo com o país?

Aqui, um texto interessantíssimo sobre dabke libanês e machismo!

Fonte: Texto adaptado e enriquecido de aulas com diversos professores (Nagla Yacoub, Nasser Mohamed, Tufic Nabak) e das fontes: HarémWikipedia, edições 1 e 2 da revista Shimmie, Almanack.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Estilo Libanês de Dança do Ventre

Post revisto e reescrito em 16/04/16.

Aqui no Brasil, o estilo libanês de Dança do Ventre ainda é bem pouco conhecido e muito menos praticado. À primeira vista, eles são bem parecidos, mas existem certas características que o diferencia do estilo egípcio, que é o mais comum entre as bailarinas, além do estadunindense e argentino, que utilizam muito o jazz. As músicas com leitura libanesa costumam ser mais impactantes, com um Dabke, comumente em algum momento da música.

As bailarinas costumam ser muito mais interativas com o público, os movimentos de quadril são mais fortes e o sapato alto é, basicamente, obrigatório. Não sei por quê (alguém me explica?). Mas vejamos a eterna Samara:


A leitura musical é diferente e o espaço é mais utilizado também, com muitos giros, camelos, tranquinhos e twists. Nossa inconfundível Amani com seu famoso "oito de corpo todo":


As roupas são menos discretas e/ou mais ousadas. Aqui, temos a famosa Howaida El Hashem:


Mais contemporânea que as de cima, temos a Sahara:


Cambrês enormes e movimentos no chão também fazem parte. A famosa Dina Jamal:


Hoje, as bailarinas brasileiras que trabalham para o empresário Omar Naboulsi representam esse estilo lá fora e as que voltaram pro Brasil, têm procurado difundir esse estilo (como Esmeralda, Warda Maravilha, Fabiana Tolomelli).

Estilo libanês é alegria e entretenimento! É uma opção para quem não se identifica muito com a introspecção do estilo egípcio, tão bonito quanto. Ninguém é obrigado a gostar, mas que ele existe e tem crescido aqui, é inegável. Mesmo que você não tenha a formação ou experiência dançando esse estilo, você pode se inspirar nele e criar uma performance, usando uma música libanesa, claro (o ideal é você procurar uma professora que possa te guiar nisso antes). Aqui, escolhi uma música pop libanesa e me inspirei nesse estilo para fazer essa performance:


Olha que vídeo legal sobre o estilo:


Vai lá na Dunia e no Almanack para saber um pouco mais!

Bauce kabira,
Hanna Aisha