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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Fakkarouni

"Eles me lembraram"

Intérprete: Oum Khoulsoum (1898/1904?-1975)
Letra: Abdel Wahab Mohamed
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)

Essa música foi lançada em 1966 e não consegui encontrar a história por trás dela. Aqui, tem a letra e tradução (em inglês) para acompanhar a música:


"Para variar", costumamos dançar as introduções das músicas da Oum Khoulsoum. Hoje, corrigiria diversas questões técnicas nesse meu vídeo, mas curto muito a leitura musical que fiz dessa versão:


Aqui, minha rainha Souhair Zaki dançou outro pedaço dessa música, a qual somos pouco familiarizadas:


E aqui, uma outra leitura dessa música, feita pela Elis Pinheiro:



Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Quem foi Tufic Nabak

O bailarino libanês Tufic Nabak, de 45 anos, faleceu no dia 28 de abril de 2019, vítima de um câncer de boca reincidente. Resolvi fazer esse post para deixar minha homenagem a ele e contar, brevemente, como foi nossa amizade de 11 anos.

Vida no Líbano 

Tufic Kamel Nabak nasceu em Ras Baalbek, norte do Líbano, terra do dabke, na divisa com a Síria. Por conta do frio excessivo, sua família se mudou para a capital Beirute, onde ele passou sua infância. Mas, a família Nabak acabou se mudando para Juiz de Fora - MG em 1990, quando ele tinha 17 anos, onde já tinham família instalada desde o século 19, por conta da guerra civil. 

Início na dança 
Ele fez teatro e dança durante sua infância em Beirute e a dança árabe, aprendeu com a própria família, nos casamentos e nas festas tradicionais. 


Dança como profissão 
Ele acabou iniciando sua carreira artística em 1998, quando ele foi selecionado em um teste de elenco para o filme “Lavoura Arcaica”, de Luiz Fernando Carvalho. Como o diretor o colocou para dar aulas, além de compor o elenco de apoio, acabou envolvendo-se de vez com os estudos sobre o folclore árabe. A partir daí, resolveu fazer teatro profissional e fundou, em 2001, um grupo de dança - o grupo Baladi - que deu origem, posteriormente, ao Grupo Nabak - no Clube Sírio e Libanês. O grupo teve, como objetivo, representar e divulgar a arte da dança e da cultura árabes e acabou recebendo, do Consulado Geral do Líbano no Rio de Janeiro, o reconhecimento pelo trabalho de divulgação e preservação da cultura libanesa no Brasil.


Pontos importantes da sua carreira 
Em 2002, Tufic Nabak participou da novela "O Clone", da Rede Globo. 
Em 2006, ganhou o primeiro lugar na Categoria Dupla Nacional, no Mercado Persa. 
Em 2009, foi entrevistado pelo jornalista Jô Soares.


Em 2012, Tufic Nabak foi convidado pela famosa bailarina libanesa Amani para ser um dos ministrantes de workshop, júri e bailarino do show de gala do seu evento.


Em 2013, Tufic publicou um livro chamado "Um Líbano inesquecível". Ele disse que a vontade de escrever o livro srurgiu com a conclusão do seu trabalho final na Faculdade de Turismo.
Em 2016, Tufic também fundou o Studio Tablado Árabe Nabak (STAN), com sua parceira, sócia e amiga há mais de 20 anos, Cíntia Prado, ainda em funcionamento.
Em 2017, ministrou um curso de cultura árabe para os atores da série “Dois irmãos”, também dirigida por Luiz Fernando Carvalho, na TV Globo.
Em 2019, em seu mais recente trabalho, foi preparador e coreógrafo do elenco da novela "Órfãos da Terra", também da TV Globo. Após seu falecimento, Shaira Sayaad passou a substitui-lo nessa tarefa, por sua indicação ainda durante seu tratamento. 

Em 20 anos de carreira, Tufic viajou pelo Brasil dando palestras, dançando com diversas bailarinas e ministrando cursos de dança e cultura árabes. Tufic deixou sua mãe Hassnate e dois irmãos, Claude e Tony.

Eu e Tufic
Vi o Tufic, pela primeira vez, no Mercado Persa de 2006, dançando com a Bárbara na categoria dupla. Mas, só em 2008, que fomos apresentados pessoalmente. Eu comentei com um namorado meu da época que tinha visto no Orkut, um cartaz falando sobre um show internacional em Juiz de Fora, com o Tufic e a Fabiana Tolomelli, recém-chegada dos países árabes. Por conta do meu interesse, ele me incentivou a ir ver o show e, a partir daí, minha relação com a rodoviária passou a ser bem intensa. Nessa noite do show, Tufic comentou que ele daria, no mesmo ano de 2008, junto da Fabiana, um curso profissionalizante, com foco no estilo libanês - e eu, que sempre adorei as bailarinas libanesas - disse: "Tô dentro!".

Fiz todo o curso por vários meses (dormi duas vezes na sua casa, quando perdi os ônibus de volta), aprendi horrores (tinha acabado de tirar meu DRT), passei a dançar de sapato e fiquei próxima dele.

Participei, pela primeira vez, em 2009, da Feira Cultural Árabe - evento organizado por ele por muitos anos em Juiz de Fora - e, no mesmo ano, nos encontramos em um evento em Petrópolis - RJ, onde ganhei o primeiro lugar do concurso profissional. Ele foi um dos jurados e, no fim do evento, me confidenciou que ele iria criar o Selo Nabak no ano seguinte e me convidou para tentar. Então, em 2010, junto da Nanci Rocha, fomos as primeiras a ganhar seu selo de qualidade, após seleção por vídeo, prova teórica e prática (DV e folclore libaneses) presenciais.

Por conta do Selo e da nossa proximidade cada vez maior, acabei participando todos os anos (menos em 2012, por conta de uma viagem minha a trabalho) da FCA, ele foi meu consultor de diversos temas relacionados à dança, dançamos juntos, trocamos conselhos profissionais (e pessoais), ele fez tradução de graça de músicas para mim... e sim, viramos amigos.

Em janeiro de 2018, às vésperas da minha vinda aos EUA, eu liguei para ele para me despedir. Ele me disse que eu faria falta no Brasil, mas que era para eu ir atrás dos meus sonhos. Não esperava nada diferente dele.

Obrigada, Tufic. Sentirei sua falta também.

Fontes: Acessa, Central DV, Tribuna de Minas, meus relatos pessoais. 

Bauce kabira, 
Hanna Aisha

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Tahia Karioca: pra estudar

Rushdy Said Bughdady Abaza nasceu dia 22 de fevereiro de 1919 em Ismaília, no Egito e morreu de ataque cardíaco no dia 20 de setembro de 1999, aos 80 anos.

Sua história não é muito diferente das bailarinas da época: foi desencorajada por sua família para trabalhar como bailarina e mudou-se para o Cairo. Lá, estudou dança na Ivanova Belly Dancing School e conheceu sua vizinha Badia Masabni, que lhe ofereceu a chance de trabalhar em sua trupe, após começar a trabalhar em seu cabaré vendendo frutas. Taheyya Mohamed, seu nome artístico inicial, ganhou popularidade rapidamente e foi no cassino onde ela conheceu o Samba (que era chamado de Carioca pelos egípcios) e pelo qual se apaixonou, sendo inserido em suas apresentações, posteriormente. Taheyya Karioka (ela trocou seu nome por conta disso) estrelou, em torno de, 120 filmes, além de ter trabalhado na televisão e no teatro. Samia Gamal era sua rival no cassino, mesmo que seus estilos de dançar fossem muito diferentes.

Tahia Carioca era muito meiga, delicada e graciosa, onde utilizava passos pequenos, com muitos oitos, redondos, camelos e sem marcações fortes. Ela fazia muito o redondo grande de quadril, deixando-o um pouco lento na frente. Os braços ficavam em, basicamente, 3 posições: meio alongados acima da cabeça ou do quadril ou posicionados na altura do rosto e busto:


Possuía uma técnica bastante sofisticada e fluida, cheia de emendas e explorando muito variações de altura, com o recurso de flexão dos joelhos. Mais tarde, ela incorporaria passos de danças latinas em suas performances. Tahia foi uma das bailarinas que ficaram conhecidas por elevar o nível técnico da dança oriental no Egito. Tanto que foi chamada pela revista "New York Times" como uma "pioneira da dança oriental moderna", isto é, como ela é dançada hoje.

Uma curiosidade: ela chegou a ser chamada para trabalhar em Hollywood, mas como seus braços eram considerados pouco elaborados, exigiu-se que ela fizesse aulas de ballet. Ela recusou, pois ela se considerava uma bailarina profissional e que não precisava de ajuda para dançar. Adivinha que foi trabalhar em seu lugar? Samia Gamal.


Tahia teve uma vida política ativa e era famosa por conseguir ser "sedutora sem ser vulgar", como o famoso autor Edward Said citou em um dos seus livros. Ela se aposentou da dança em 1963, mas continuou a carreira de atriz. Mais velha, converteu-se ao Islã, fez a peregrinação à Meca e passou a usar véu. Apesar de ela ter se casado 14 vezes, Tahia foi incapaz de conceber filhos.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

George Abdo

Olá, povo curioso como eu!

Vamos falar hoje de um cantor e músico libanês, filho de pais egípcio e norte-americano, chamado George Abdo (1937-2002). Acredito que eu, por ter estudado Dança do Ventre um pouco antes das BellyDance SuperStars estourarem no Brasil, pude ter mais contato com as músicas desse cara incrível. A geração anos 90 pode dizer, muito mais do que eu, como suas músicas foram importantes para sua formação.

Eu, desde aluna, sempre AMEI AMEI AMEI as músicas dele. Sempre me soaram muito mágicas, mas sempre tive dificuldade de "classificá-las". Hoje eu entendo o porquê.

Na verdade, um dos motivos dele ter sido um sucesso foi ter criado um repertório para performances bellydance, misturando sonoridades orientais com ocidentais (pop e jazz). O resultado final é uma sonoridade mediterrânea, ou seja, é uma influência de músicas turcas, gregas, armênias, sírio-libanesas e egípcias. Na maioria das músicas, ele canta em árabe, mas ele tem algumas músicas cantadas em grego. Um dos exemplos mais famosos dessa sonoridade misturada é a música grega "Misirlou" que ele gravou em maqam árabe:


Ele fez muito sucesso nos anos 70, gravou cinco álbuns e tocou muito na cidade de Boston, MA, EUA. Ele ficou conhecido como "Rei da música bellydance" e seu álbum "Flames of Araby Orchestra" apresenta uma rotina bellydance completa. Por ter vivido nos EUA, ele trouxe para a platéia norte americana, um pouco da música oriental, em que misturou violino, oboé, alaúde, qanun, derbacke, bouzoki, guitarra, piano, baixo e bateria.

Algumas pessoas acreditam que ele estabeleceu um trabalho de base para os artistas de música oriental nos EUA. Ele também acabou ajudando a "elevar" a profissão de bellydancer (até, então, marginalizada) pois, criou músicas que deixavam as bailarinas como um peça importante dentro do quadro completo do show e, não deixando-as, apenas, como meros ornamentos decorativos. A música se comunicava e se movia com a bailarina como uma parceira.

Hoje, eu diria que muita gente acharia sua música brega, mas eu não consigo achar isso, de verdade. Ela possui essa magia orientalista, que consegue manter a plateia envolvida, talvez hipnotizada, dependendo da bailarina que estiver dançando. Sua música pode ser considerada uma fusão (e não tradicional como, normalmente, se considera), mas que não está muito longe das raízes musicais, rítmicas e estruturas nativas. Por isso, minha dificuldade em classificá-la por tanto tempo.

Tive dificuldade de achar vídeos interessantes de profissionais dançando George Abdo; creio que por ele estar fora de moda há um bom tempo. Mas, ficam aqui, para apreciação, um vídeo da Cristina Antoniadis (de origem grega) e um meu:



Fontes: Geocities, informações trocadas com Cristina Antoniadis, Marcia Dib e Pedro Rebello.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Batwanes bik

"Te contemplo"

Intérprete: Warda Al-Jazira (1939-2012)
Letra: Omar Batisha
Música: Salah El Sharnoubi

A "princesa do tarab árabe" e mesma intéprete de "Fi youm wa leyla", Warda foi a segunda maior cantora egípcia, atrás de Oum Khoulsoum.

Omar foi um importante radialista e compôs mais de 700 letras e Salah foi um autodidata e inovou a música oriental, introduzindo nela ritmos atuais.

Além de "Fi youm we leila", a música de hoje também é super famosa e com inúmeras versões. Warda faleceu há pouco tempo, em 2012. Não há como não ficar arrepiado com ela cantando:


Aqui, você pode acompanhar a letra em português. A Nancy Ajram é ótima e não deixou por menos na interpretação:


Nesse vídeo, Elis Pinheiro faz uma interpretação com seu jeito mais moderno de dançar, cantado por Tony Mouzayek:


Fonte: Revista Shimmie ano 05, no. 30

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 6 de março de 2017

Zay el hawa

"Parece com o amor"
Intérprete: Abdel Halim Hafez
Música: Baligh Hamdi
Letra: Mohamad Hamzi

"Zay el hawa" pode ser traduzido como "Como o vento" ou "Como o amor", tem duplo sentido. Mas quando você lê a letra, entende as duas palavras acabam se encaixando, apesar de "amor" caber mais na interpretação.

Abdel Halim era conhecido como "el andaleeb al asmar", o rouxinol moreno. Suas músicas influenciaram muito a vida e revolução egípcias e foi apadrinhado por Mohamed Abdel. Uma curiosidade: ele tinha esquistossome, uma doença negligenciada, muito comum aqui no Brasil também. Uma das inúmeras coisas que Abdel também era, uma delas, era maestro.


Aqui, uma interpretação feita pela cantora egípcia Dina Hayek:


Existem muitas versões dessa música; você, com certeza, já cruzou com alguma delas. Costumamos dançar apenas a introdução e o início da letra. Aqui, a tradução dela para o inglês. Aqui, uma interpretação dançada da música por Anisah (RS):



Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 21

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dança do Ventre na mídia

Olá, gente!

Iremos tratar aqui de um post, mais ou menos, polêmico: DV na mídia.

Qual bailarina profissional de DV não quer uma chance, que seja de segundos, de aparecer na telinha, em uma novela ou programa famoso? Uma legião de bailarinas tiveram a oportunidade de dançar na novela "O Clone", da Rede Globo, no ano de 2001. Aliás, é INEGÁVEL que a DV tem o nível e o mercado que tem hoje por conta dessa novela. Eu era aluna há um ano e fiquei impressionada com o furor que a novela causou na profissão, de forma irreversível.

Depois disso, outras inúmeras aparições de bailarinas profissionais foram realizadas, em diversos canais diferentes de TV, com ou sem entrevista (aqui nesse link do Central da DV, tem uma série de programas em que a DV foi destaque em programas de TV no Brasil. Vale dar uma olhada!). Eu mesma, tive a oportunidade de aparecer em dois programas: o primeiro em 2008, no "Fantástico" da Rede Globo, onde falamos sobre barriga em DV (!):


A outra aparição foi em 2012, na Rede Record, com a nadadora Daynara de Paula, classificada para as Olimpíadas de Londres e que já tinha feito DV:


Há alguns anos atrás, rolou uma polêmica sobre a aparição de bailarinas de DV em uma despedida de solteiro na novela "Avenida Brasil" da Rede Globo e foi fofoca no Facebook por alguns dias, gerando posts em blogs:



Eu tenho que concordar com esse trecho que a Amar El Binnaz escreveu no post dela:

"O fato é que o estereótipo vende. O jogador de futebol ingênuo e burro, a personal trainer que sobe a calcinha até o cérebro antes de dar aulas, a mulher que pratica dança do ventre pra "pegar homem", a enfermeira particular que mata o patrão pra ficar com o dinheiro, o policial corrupto, o professor pegador, enfim... o estoque de atrocidades que a TV pode praticar com as mais diversas profissões é infinito"

Infelizmente, todas nós já nos submetemos em situações ruins, justamente por conta desse estereótipo. A recém-extinta "Sala de Dança" fez um podcast sobre isso chamado "Micos na Dança".

Então, onde ficamos nessa história? Apesar de, ainda, os contratantes/produtores insistirem em nos colocar em papéis um pouco fora da realidade, hoje em dia, ainda existe uma parcela deles que procura olhar nosso trabalho com valor. O ideal é, tentarmos saber, por antecipação, qual será a situação exata de trabalho, para decidir se você aceitará participar ou não.

Em 2012, fui contactada pela Rede Globo, para coordenar a Dança do Ventre na novela "Salve Jorge" por conta do meu post "Dança do Ventre Turca", mas a carioca Clara Sussekind, que dança na Turquia há muitos anos, acabou coordenando-a com maestria.

Recentemente, duas aparições na TV foram interessantes: a coordenação da cultura árabe da minissérie "Dois Irmãos" da Rede Globo por Cristina Antoniadis (SP) e Tufic Nabak (MG), com ajuda da Elaine Rollemberg (RJ) e a participação, com prêmio, das bailarinas cariocas Zahra Li e Priscila Samah no programa "Legendários" da Rede Record:


Parabéns a todas nós, profissionais da DV no Brasil, que ganhamos com a popularização dessa dança que tanto amamos! Vamos ajudar a construir uma imagem dela cada vez melhor!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Ya msefer wahdak

"Oh viajante"

Intérprete: Mohamed Abdel Wahab, Warda, Najat El-Saghira
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)
Letra: Hassen El Saed (1921-1983)

Mohamed foi um grande personagem árabe e foi considerado o Beethoven árabe, seguindo a estrutura clássica da música árabe durante a década de 20. A partir de 1930, introduziu instrumentos (como o baixo, a castanhola e o violoncelo) e ritmos ocidentais (como rumba, tango, valsa e samba), além de criar músicas menores (em torno de 10 minutos), o que lhe rendeu muitas críticas. A música do post de hoje representa muito bem essa sua fase "ocidental".


Em seu primeiro encontro com Oum Khoulsoum, Mohamed lhe ofereceu uma música, a qual ela recusou e os manteve afastados por 40 anos. Seu dueto de "Imta Omri" nasceu a partir de um pedido do presidente egípcio da época, Gamal Abdel Nasser.

Aqui, a música interpretada pela querida Warda:


E aqui, a música interpretada pela Nagat El-Saguira:


Para finalizar o post, uma interpretação dançada da música, por Aysha Almeé:


Fonte: Revista Shimmie, ano 04, no. 23.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 28 de março de 2016

Samia Gamal: pra estudar

Samia Gamal é uma das grandes referências da Dança do Ventre. Ela fez parte da Golden Era, época que tanta bailarina admira e considera a "essência" da DV. Não importa se você concorda com isso ou não; o fato é que ela foi muito importante para o que hoje chamamos de Dança do Ventre.

Zeinab Ali Khalil Ibrahim Mahfouz nasceu no Egito, em 1924 e, ao mudar-se para o Cairo, teve a oportunidade de conhecer Badia Masabni, a qual lhe deu seu nome artístico, Samia Gamal.

Ela teve um caso, nunca oficializado, por 11 anos, com Farid El Atrache, famoso cantor e ator, que também trabalho no Casino da Badia:


Uma coisa interessante que ela declarou, por introduzir elementos ocidentais em sua dança é de que "Não há mais mudança na dança oriental. Ela se repete em todo filme". Ela redesenhou os figurinos de Dança do Ventre e trouxe energia às performances.


Em 1949, o rei egípcio Farouk proclamou Samia Gamal “A Bailarina Nacional do Egito”, que trouxe atenção dos EUA para a bailarina. Possui um estilo charmoso, gracioso e sedutor ao dançar, além de ser muito expressiva e simpática.


Samia Gamal deixou a dança mais expressiva, introduzindo o balé clássico e danças latinas em suas performances. Sua professora de balé sugeriu o uso do véu, para melhorar seu trabalho de braços, o que tornou seu uso muito popular. Difundiu-se por aí que ela foi a primeira bailarina a usar salto alto , mas isso não é verdade. Shafiqah El Copta já usava sapatos durante a dança no início do século 20. Ela também participou de dezenas de filmes.


Ela utiliza muitos giros (de braços abertos ou segurando a saia, inclusive) e deslocamentos, com arabesques ou camelos pequenos. Ela usa os oitos em quase toda a dança, além de abusar dos braços na frente e ombros, os quais ela utiliza muito para fazer acentos. Ela, porém, faz poucos shimmies.


Ela é uma ótima referência de estudo, caso você queira mais dinamismo e "desfocar" um pouco do quadril. Ela não é minha preferida mas, sem dúvida, tenho um profundo respeito.

Aqui, uma maravilhosa estrevista com ela.


Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ana Bastanak

"Eu te espero"

Intérprete: Najat Essaghira (1943-2002)
Letra: Morsi Gameel Aziz
Música: Baligh Hamdi (1931-1993)

Essa música já foi muito, muito dançada aqui no Brasil e pelo mundo. É bem comum o uso de gestuais para a interpretação da letra.

Essa intérprete, nada mais nada menos, foi apadrinhada por Mohamed Abel Wahab, o que abriu muitas portas para ela. Segundo ela mesma, passou metade de sua vida tentando imitar Oum Khoulsoum e por isso, foi a época em que mais aprendeu. Morsi Gameel Aziz foi bastante solicitado entre os cantores e escreveu mais de mil letras de música, entre elas, a famosa "Alf Leyla al Leyla".

Aqui, tem a letra e tradução para acompanhar a música (Obrigada, Lalitha!):


Bom, sou fã da Marta e, como seria de esperar, ela arrasou nesse vídeo:


Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 20

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Emta Omri

"Você é minha vida"

Intérprete: Oum Khoulsoum  (1898/1904?-1975)
Letra: Ahmed Shafic Kamel
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)

"Emta Omri" é o primeiro trabalho da Oum Khoulsoum junto de Mohamed Abdel Wahab e de Ahmed Shafic Kamel. Algumas expressões foram mudadas da letra original a pedido da Oum, porém, a contragosto de Ahmed que, finalmente, cedeu, pensando na repercussão futura. Ela foi lançada em 6 de fevereiro de 1964 e foi extremamente aclamada pelo público.

Aqui, tem a letra e tradução (em inglês) para acompanhar a música:


Essa música sempre emociona quem dança e tem um grande potencial de emocionar a plateia. Quem não fica estremecido ao ouvir o final da música: "Emta omri, lli-btada binurak sabahu" [Você é minha vida que começou, com tua luz, seu amanhecer].

Eu já dancei essa música algumas vezes e ela é, sem dúvida, minha música árabe preferida. Aqui, uma dessas vezes em que a dancei:


Curto muito essa performance da Aida Bogomolova:


Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 19

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 22 de março de 2015

Leylet Hob

"Noite de amor"

Intérprete: Oum Khoulsoum  (1898/1904?-1975)
Letra: Ahmad Shafic Kamel
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)

Essa letra é de 1973 e o letrista Ahmad era conhecido por "poeta das duas pirâmides" por ter feito o primeiro trabalho de muitos outros, juntando Oum Khoulsoum e Mohamed.

Aqui, tem a letra e tradução (em inglês) para acompanhar a música. Enjoy it!


Eu, particularmente, adoro essa música. Aqui, um exemplo de um vídeo meu de "Leylet hob" com uma versão bem conhecida, que é apenas a introdução da música:



E aqui, o vídeo clássico da minha rainha Suhair Zaki:


Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 24

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 14 de dezembro de 2014

Fi youm we leyla

"Um dia e uma noite"

Intérprete: Warda Al-Jazairia (1939-2012)
Letra: Hassen El-Saed (1921-1983)
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)

Mohamad estava selecionando novos talentos para trabalhar no cinema. Hassen fez o teste e ganhou um pequeno papel. Um dia, Hassen ouviu que a produção estava procurando uma letra para a música do filme e se ofereceu para escrevê-la. Apesar de não ter acreditado muito nele, quando ouviu a letra de Hassen, gostou muito e a partir daí, Mohamad e Hassen tornaram-se grandes amigos e parceiros.

Aqui, tem a letra e tradução (em inglês) para acompanhar a música. Enjoy it!


Aqui, um exemplo de "Fi youm we leyla" dançado:


Fonte: Revista Shimmie ano 04, no. 22.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 9 de março de 2014

Nacionalidade na Dança do Ventre

Post revisado e reescrito em 19/09/2020

Nessa semana que passou, algumas pessoas compartilharam esse texto, em que a autora diz que "não aguentar bellydancers brancas" (não no sentido racista de cor, mas de país) porque, resumindo, a Dança do Ventre é do Egito e bailarinas não egípcias não sabem o que dançam ou como devem se vestir, são estereotipadas. Isso causou bastante desconforto entre as profissionais não egípcias, tanto que escreveram um outro texto contestando bastante o original. Vale dar uma olhada!

Apesar de parecer um consenso de que a origem da Dança do Ventre é na África (O Egito fica no norte), ela alcançou o mundo inteiro e hoje, é basicamente impossível engolirmos esse movimento "possessivo", que tenta mantê-la como propriedade única do Egito.

"Não há nacionalidade para a arte". Tratando-se de danças étnicas, como a Dança do Ventre, essa frase pode não caber, dependendo do contexto. Mas, foi inevitável; temos muitas bailarinas não-egípcias que são conhecidas mundialmente porque elas têm talento e uma história de busca e determinação. Quem imaginou uma latina (no caso abaixo, argentina) fazendo sucesso no Egito?



Temos a Jillina, também americana, trabalhando muito pelo mundo:



Alguns documentários já relataram a dificuldade de se formar novas bailarinas egípcias por conta desse novo conservadorismo religioso. Então, como manter a tradição da Dança do Ventre no Egito, que é um importante movimentador de dinheiro no país? Uma das soluções encontradas foi importando bailarinas! A Nour, bailarina citada no podcast, é asiática (russa), casada com um sírio e morando no Cairo, há muitos anos. E eles percorrem o mundo dando show. Alguém tem dúvidas de que ela merece estar onde está?



Os brasileiros costumam considerar os europeus como um povo frio e introspectivo. E o sentimento, por que não podemos compartilhá-lo? Afinal, todos nós somos seres humanos! Amor, alegria, satisfação, tristeza, são universais! Se não fosse, por que uma holandesa como a Anusch, consegue dançar tão bonito?



A Dança do Ventre atravessou muitas águas e agora divide espaço com cangurus e surf na Austrália! Por que não?



Não poderíamos deixar de citar nosso orgulho brasileiro: Soraia Zaied, que arrasa lá no Egito!



Nós, não-egípcias, criamos, adaptamos, reinventamos a DV, tudo baseado na nossa cultura e história pessoal. Tem problema isso? Sim, pode ser perigoso, por conta da apropriação cultural (que merece um post só dele). Reconhecer as egípcias como a fonte primária dessa dança é o primeiro passo para diminuirmos esse problema. Além disso, precisamos dessas referências para nos colocar "de volta no chão" e nos fazer refletir sobre o que é Dança do Ventre e por que a escolhemos.

Tem mais gente falando sobre isso, dá uma olhada: Amar El Binnaz, Dança do Ventre Brasil, Dunya. Também sugiro esse post da Nadja el Balady.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 11 de agosto de 2013

Souhair Zaki: pra estudar

Vamos a mais uma bailarina marcante e minha preferida, junto da Fifi Abdo: Suhair Zaki. Creio que muita gente já ouviu falar que ela foi a primeira bailarina a "cometer a ousadia" de dançar Oum Khoulsoum. Importante lembrar que, apesar de hoje ser muito comum, Oum Khoulsoum não era música para se dançar, apenas para se ouvir. Mas ela foi lá e fez, com aprovação da própria cantora:


Elegância, delicadeza, feminilidade, suavidade; para mim, ela representa a ideia tradicional da mulher. Muito egípcia, sem nenhum toque ocidental óbvio. Dança comumente taqsim balady, véu e snujs. Não me lembro de ter visto algum vídeo seu dançando folclore ou apenas percussão (se virem algum, coloquem nos comentários, por favor!). 

Notoriamente, ela tem um estilo diferente das outras bailarinas da época ou mais antigas: ela é mais contida, com uma "timidez" confundida com mistério: uma "moça de família", nada balady. Ela parece emanar uma sensualidade quase ingênua. Segundo ela mesma, aprendeu a dançar em casa sozinha, sem professores. Acho que ela foi a única bailarina a ter se casado apenas uma vez e chegar a ter filhos.

Eu achava que o soldadinho (aprendi como cavalo) era criação dela, praticamente exclusivo. Mas se você olhar a dança da Nagwa Fouad (dizem que era sua inimiga, não sei), ele também aparece bastante. Ela faz esse movimento de 0:13 a 0:30:


O figurino dela é bem repetitivo: saia godê, com duas grandes aberturas para as pernas, barrigueira e top, tudo com a mais variadas cores. Ela ainda é viva e se aposentou no ponto alto da carreira. Samia Gamal e Tahya Karioka eram suas inspirações e seu padrasto quem a incentivou a ter carreira como bailarina desde muito cedo, sendo também seu empresário. Ela participou de inúmeros filmes; já percebeu que a maioria dos vídeos dela estão ambientados?


Ela é um exemplo de que "menos é mais". Um dos fortes dela é fazer emendas de sinuosos com excelência e sempre preferiu improvisar. Além disso, ela trabalha os movimentos sempre de forma pequena, nunca expansiva. Vale a pena estudá-la, caso você precise trabalhar suavidade, calma, além dos lentos.


O auge de sua carreira foi nos anos 70 e ela se aposentou nos anos 90. Quer saber mais sobre ela? Vá aqui, aqui, e aqui. Essa performance foi minha tentativa de representá-la, a pedido da bailarina Shaira Sayaad - foi um processo delicioso, confesso:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Fifi Abdo: para estudar


Uma das minhas bailarinas preferidas e referência de dança. Alegria, espontaneidade, presença, carisma e um quadril poderoso. O melhor quadril de todas. Esse vídeo é um clássico por sua linda leitura do alaúde:


De origem humilde e autodidata, foi descoberta por um músico, trabalhando como empregada doméstica e teve carreira meteórica. Extremamente cativante, ela é considerada a quarta pirâmide do Egito. E de onde você acha que vem essa história de galabia branca para o baladi com lacinho na cabeça?


Aliás, o vídeo acima ilustra como ela influenciou e continua influenciando as bailarinas. Percebeu quantos trejeitos dela são copiados? Assim como a Nagwa Fouad, ela participou de muitos filmes:


Muito shimmie de quadril, shimmie de ombro, oitos variados, básico egípcio, redondo grande, camelos... ou seja, a essência da dança árabe feminina. E voltando ao seu quadril poderoso; para mim, o mais solto de todas. Aqui, nesse vídeo, curiosamente, ela dança um tarab:


Fifi Abdo é a prova viva de que uma bailarina pode dançar "simples" e conquistar o público se aliar uma expressão carismática e natural em vez de piruetas, arabesques e giros em excesso:


Veja mais aqui e um lindo texto escrito pela Joana Saahirah.


Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 26 de janeiro de 2013

A importância dos vídeos antigos

Post revisto e reescrito em 19/08/2018

Quase todo mundo diz que suas referências são as bailarinas egípcias ou que, por exemplo, Souhair Zaki e Samia Gamal são suas fontes de inspiração. Mas quem será que realmente as estuda, assim como várias outras bailarinas da "Era de Ouro"?

A ideia desse post não é enaltecer uma ou outra bailarina, que já estamos carecas de vê-las sendo idolatradas. Mas, discutir a importância de se estudar vídeos antigos para nos inspirarmos e entendermos a Dança que praticamos hoje. Existem vários canais no YouTube que postam filmes antigos, bailarinas, etc. Vamos entender o porquê de estudá-los:

- É bem constante esses vídeos se passarem em ambientes que "reproduzem" a realidade árabe. Isso inclui figurino, música, comportamento, expressão. Torna-os excelente fonte de inspiração para cenários e vestimenta, como um casamento egípcio:


- Oportunidade de tentar entender mais os folclores. Não que os filmes os representarão fielmente (até porque o Reda coreografou alguns), mas, pelo menos, temos acesso a leituras diferentes:


- Por mais que algumas estudantes/bailarinas de DV ainda não apreciem as bailarinas antigas, elas tiveram importância fundamental, não apenas na divulgação da dança árabe, mas foram pioneiras e criadoras de muitos movimentos que utilizamos hoje, sem dúvida. Fora que podemos tentar entender a expressão, captar poses. Quem nunca aprendeu o soldadinho (ou cavalo) da Suhair Zaki (0:42-0:46)?


- Descobrir que aquela música "nova" da moda, na verdade, é mais antiga que você pensava! Ou você achava que "Emta Omri" era apenas instrumental? Nesse vídeo, um exemplo de um balady muito conhecido nosso, chamado "Habibi ya aini", dançado por, óbvio, Fifi Abdo:


- Por mais que você as ache brega ou exageradas, por que você acha o máximo o clip "Dark Horse" da Kate Perry ou quando a Lady Gaga entra com um cavalo no palco? Todas elas tiveram uma importância enorme, principalmente política e econômica, com suas estéticas e forma de dançar. Por que você acha brega a Nagwa Fouad entrar carregada por homens em uma tenda dourada?


Agora, vamos às coisas ruins desses vídeos, NA MINHA OPINIÃO:

- Geralmente, não curto o trabalho de braços destas bailarinas mais antigas. No workshop que fiz com o Gamal Seif, ao discutir braços dentro da DV, eu perguntei a ele porque as egípcias não usavam tanto os mesmos e ele respondeu: "Quem disse que elas trabalhavam braços?". Não posso confirmar a veracidade dessa resposta que ele deu, mas tenho essa sensação também. Particularmente, eu não curto o braços da Samia Gamal:


- Homens babando e o destaque a peitos, pernas, caras e bocas de forma meio apelativa aparece, às vezes, mesmo entre as famosas (mas, entendo que somos de épocas bem diferentes):


A ideia desse post é fazer vocês tentarem buscar o que há de bom nesse vídeos, tentando filtrar o que você pode achar estranho ou o que você acha que não cabe na sua dança. Consulte profissionais, caso haja dúvidas sobre qualquer um desses tópicos! Aqui, meu vídeo mostrando uma performance em que usei uma dança da Suhair Zaki (minha preferida da Golden Era) para me inspirar e poder homenageá-la:


Bons estudos!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 4 de novembro de 2012

Nagwa Fouad: pra estudar

Exuberância. Glamour. Presença. Sensualidade. Isso é Nagwa Fouad.

Ela foi bastante popular nos anos 70 e 80, participou de inúmeros filmes, teve músicas criadas para ela e foi capa de inúmeras revistas. Particularmente, ela não é minha preferida, mas não há um vídeo dela que eu fique sem ver. Sei lá, eles me prendem porque acho que ela sempre poderá me surpreender. Ela participou como jurada do reality show libanês sobre Dança do Ventre "Hezzy ya nawahem".

Simpática e sorridente como ninguém, ela nasceu para estar no palco, nos filmes, nos brilhos. Não é qualquer bailarina que dá conta de ter um show com uma orquestra enorme só para ela:


Nem sempre acho sua leitura interessante, ela fica trabalhando em excesso a altura, agachando e ficando na meia ponta muitas vezes, o que acho que acaba sua elegância, como se fizesse tudo apenas baseada no instinto. Aliás, instinto e espontaneidade estão muito presentes na dança dela. O que podemos extrair dela, por que estudá-la, ver seus vídeos? Justamente por conta do que disse no início do post; ela tem presença, uma expressão grandiosa e muita exuberância. Características bem diferentes da languidez egípcia que costumamos aprender a reproduzir:


Nagwa Fuad foi um marco como bailarina e produtora, pois inseriu a Dança do Ventre nos hotéis 5 estrelas e inovou em termos de figurino, cenário e orquestra, transformando o show de dança em espetáculo grandioso, a Las Vegas:



Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 17 de junho de 2012

DVDs de Dança do Ventre - parte 2

"The Bellydancers of Cairo" é um DVD produzido em 2005 pela bailarina estadunidense Natasha Senkovich e ela foi ao Cairo para se aprimorar e descobrir diferentes opiniões sobre a Dança do Ventre. Ela realiza entrevistas com diversas bailarinas, perguntando principalmente sobre a situação de uma bailarina profissional no Cairo. Farei um resumo sobre os principais comentários e desde já recomendo fortemente esse DVD. Não sei se existe alguma cópia que possua legenda em português...

As entrevistadas foram Samasen, Lucy, Dina, Khayyreya Mazin, Rabab, Eman Zaki, Nagwa Sultan, Aida Nour, Doaa Hegazy, Zahra Zuhair, Katia, Marwa, Soraya Zaeid e Diana. Ainda entrevista Gigi De Manais, etinóloga de dança e dois homens, parentes seus.

A Dança do Ventre ainda é muito popular e é utilizada em casamentos para entretenimento e abençoar com fertilidade. Porém ainda existe muito preconceito e as roupas são um motivo, que mudou por conta da influência ocidental e de Hollywood, já que as ghawazee eram mais cobertas. A atriz Maud Allan, atuando como Salomé, também foi uma grande influência. Eman Zaki é uma atual estilista e disse que a Badia Masabni exigia de suas bailarinas treinos diários e que respeitava-se mais as bailarinas da Golden Era porque elas não mostravam tanto o corpo como hoje. E o Corão não permite que a mulher "decente" dance e elas nunca casam com alguém de família "decente", não se aceita [Observação minha: o que entendo por não mostrar tanto o corpo era a barriga, porque as pernocas, babies, apareciam e muito!]. Nagwa Fouad mudou o show de DV, com um tom a Las Vegas e foi a primeira bailarina a produzir suas músicas e, para ela, atuar dava mais dinheiro.

Para ser uma bailarina de sucesso no Cairo, segundo:

Samasen: é preciso um ano para se fazer nome, senão você não ganha respeito. Acha que a DV vai voltar a ser melhor porque está sendo sustentada pelos outros países e ela está feliz com isso [Viva nóis!]. Nenhuma estrangeira vira estrela no Cairo (!).

Aida Nour: não adianta ter habilidade física apenas, mas entender árabe, sentir a música, amar dançar e amar ser bailarina.

Nagwa Sultan: deve-se amar a música árabe e saber se mexer no oriental way. É preciso amor, talento e inteligência. Ela diz que o Egito está ficando cada vez mais conservador e as bailarinas aparecem cada vez menos nos casamentos.

Katia: é preciso criar novos movimentos, ter roupas bonitas e boa orquestra (o que é difícil). A economia está ruim e a influência da religião está maior, assim como a nova geração quer ser mais europeia. Os casamentos não têm DV e sim DJ para dançar. [Observação minha: em uma das vezes que dancei em SP, nessas casas com árabe, escutei isso de alguém com relação ao dabke. Para a nova geração, dabke é coisa de velho. E aí?]

Lucy ainda dança, tem um restaurante e diz que dança com sentimento e faz as pessoas olharem para seu lado feminino e não o sensual. Ela não gosta do cinema com DV porque ela acha que eles colocam a DV de maneira ruim. Samasem concorda e diz que esses filmes passam todo dia na TV e por isso o povo tem uma visão errada [Achei esse comentário particularmente interessante].

Além disso...
Dizem que para ser famosa é necessário dinheiro para investir e ter um produtor. E se você não é famosa, os empresários vão te usar por razões políticas. Todo manager quer saber se você quer se prostituir, não importa o nível. Hani Sabet, que é produtor, diz que prostituição e DV sempre andavam juntas e acredita estar diminuindo hoje em dia [Comentário interessante para as bailarinas mais puritanas].

Nos cabarés atuais...
É bem diferente: elas não têm troca de roupa e ganham dinheiro fácil. Muitas vão para fazer dinheiro rápido, mas não querem ficar ali para sempre.

No geral, elas demonstraram nas entrevistas muita confiança em si e em sua qualidade como bailarina. Mas ainda fica a dúvida se eles preferem fama e dinheiro ou segurança?

Ainda rola um extra com performances de várias entrevistadas assim como o comentário da diretora Natasha e do cameraman. Não encontrei no YouTube algum trailer sobre o DVD, mas achei essa parte em que ela filma a Soraia dançando e que está no DVD:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Naima Akef: para estudar

Texto revisto e reescrito em 30/12/12.

Debulês, giros simples, arabesques, giros "borboleta", oitos, cambrês, trabalho de braços, expressão e grande utilização de espaços com marcações simples, porém bonitas de quadril. Esta é a bailarina egípcia Naima Akef.

Criada dentro do circo, foi uma das bailarinas do Casino Opera, tinha boa musicalidade e participou de inúmeros filmes também como atriz. Ela morreu de câncer mas ninguém sabe direito com que idade (com 37 ou 64 anos?). O ballet influenciou muito sua dança; não é à toa que vemos uma leveza e uma postura sempre presentes, além de vários movimentos típicos. Não era uma bailarina de representar folclores, porém os snujs eram bem comuns em suas performances:


Aqui, Naima em uma performance "balética":


Com o clássico "Aziza":


Aqui, alguns blogs que exploraram sua biografia e/ou vídeos:


Aqui, a bailarina Dunia, faz a leitura dela com muitos detalhes...

Bauce kabira,
Hanna Aisha