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terça-feira, 1 de junho de 2021

Por que você produz conteúdos de dança?

Oi.

Olha a loucura; no meu último post, eu digo que acabei produzindo à beça, apesar da pandemia. Ontem, publico no meu Instagram que tenho tentado "passar alguma normalidade constante diante do genocídio no Brasil e de ver meu país sendo destruído, diariamente, por dentro, desde 2016". E estou numa posição privilegiada, pois estou vacinada e com a vida voltando "ao normal" (não deveríamos, mas vou deixar as questões políticas estadunidenses de lado, nesse momento).

Como eu escrevi lá, o que me renova as energias são boas notícias eventuais, bons momentos, consumo de boa arte. Mas, tenho tropeçado na produção de conteúdo de dança, seja escrever no blog, gravar vídeos, postar textos, etc. Mas esse post é para trazer a pergunta: por que você produz conteúdos de dança? Para quem? O que você ganha com isso?

Quando eu comecei meu blog em 2009, eu criei com o intuito de juntar as informações que eu conseguia e disponibiliza-las porque o acesso a conteúdo de DV era esparso, mais difícil, sem fontes, baseado em muito achismo. Com o tempo, as coisas foram se organizando cada vez mais e hoje, vejo o quanto tudo na DV brasileira melhorou. Hoje, temos diversas profissionais qualificadas, especializadas, fontes acadêmicas ou organizadas em artigos e livros, maior clareza e crítica por parte das praticantes, maior consciência social. Apesar de ainda vermos mitos e preconceitos sendo proliferados, também vejo que existe um movimento constante, prezando por conteúdo de qualidade e desmistificação.

A produção de conteúdo é uma preocupação constante para quem quer "estar presente" na internet, só que criar conteúdo de qualidade e com uma frequência alta não é nada fácil, pois é preciso planejamento, estratégia, metodologias. Não importa se é foto, texto, vídeo, live, podcast. O ideal é que esse conteúdo esteja alinhado com seus propósitos e também com as expectativas e necessidades do seu público-alvo. Esse papo todo aí é de marketing digital, existe um número infinito de "coaches" oferecendo orientação para isso e o post não é sobre isso.

O post é para trazer a reflexão sobre a pressão que profissionais autônomos, como os profissionais de dança, sofrem para isso. Temos que postar todas as aulas particulares que damos, ensaios que fazemos, trabalhos que participamos, roupas que compramos, livros que lemos, aliados a frases de impacto, ditas por personalidades importantes, fora a lacração com as hashtags do momento. E a ideia de que só porque você não está vendo, não significa que não esteja acontecendo não cabe mais nesse mundo colorido, feliz, produtivo, imediato, de delivery de conhecimento.

Não é nova a discussão de que nós mesmos somos produtos que geram lucros bilionários para essas empresas que gerenciam redes sociais como Facebook e Google, incluindo esse blog que vocês estão visitando (Blogspot é do Google). E não estou propondo que todos nós abandonemos essas redes de contato, que oferecem muitas vantagens. Minha preocupação aparece quando nós começamos a ficar extremamente preocupados em produzir sem parar porque desse jeito, "meu-número-de-seguidoras-vai-aumentar-e-com-isso-vou-conseguir-mais-alunas".

Essa mentalidade "empreendedora" e de positividade tóxica que o sistema atual nos vende diariamente nos faz acreditar em meritocracia, no american dream de que o estagiário vira o presidente da empresa, de que é só esforçar que você vai conseguir, de que é só manter o pensamento positivo que as coisas irão acontecer, ignorando que machismo, racismo, gordofobia, desigualdade social existem e continuam firmes, obrigada.

Não compreender o conceito de orientalismo; o que significa ser árabe no mundo; a origem da dança do ventre e suas implicações; o neoliberalismo; o quanto seu país é machista, racista, gordofobico e elitista; o que significa ser profissional de danças árabes no mundo e no país que você mora vai dificultar sua compreensão do seu papel nas redes sociais e o que ele irá te trazer de retorno real, apesar de TODO SEU ESFORÇO EM AUMENTAR SEU NÚMERO DE SEGUIDORES E, COM ISSO, AUMENTAR SUA RENDA, de alguma forma.

Não basta pagar rios de dinheiro com coach que promete que vai te trazer dinheiro, curso de marketing digital ou até mesmo, coaching artístico. Ferramenta só funciona se usada da forma correta.

A maioria de nós está no meio do oceano em um barco com remos apenas e, não num transatlântico, como 0.25% da população mundial.

Diminua. Reflita. Por sua saúde física e mental.
Essa reportagem está em inglês, mas vale ler, coloca no tradutor.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

É possível separar arte de política?

Olá! Primeiro, veja o video abaixo:



Em uma entrevista para o jornal "Nexo", Paola Carosella, que é chef de cozinha, disse que toda escolha é um ato político. De quem e o que compramos são discursos mudos e que o verdadeiro valor da escolha é quando você sabe o que você tá escolhendo e quando você tem a possibilidade de escolha.

Cada vez mais se fala e se discute o reaparecimento de autocracias e da extrema direita no mundo e a fragilidade e falhas da democracia moderna. E a história já nos mostrou que uma das classes mais rapidamente afetadas em um quadro desse, é a artística porque é uma classe que costuma tratar de qualquer tema e da forma que lhe achar mais interessante - e é aí que quero criar o link com a Dança do Ventre.

Quando as bailarinas falam sobre identidade e estilo em DV, elas se referem à identidade que você quer construir e ao produto que você quer vender junto disso. Ou seja, você precisa definir que público você quer atender, que imagem você quer passar e o que você pode oferecer. A bailarina que construímos não necessariamente somos nós mesmas, aquelas do CPF. As qualidades e defeitos que temos enquanto pessoas físicas não precisam ser repassadas para a pessoa jurídica (artística).

Quando vamos para o palco ou para a sala de aula, sempre assumimos uma posição política - mesmo que você ache que não. Neutralidade é uma posição política e as pessoas tendem a achar que política diz respeito só ao que se passa no âmbito legislativo, executivo e judiciário. Nós fazemos política o tempo inteiro. Existe uma palavra em inglês - policy, a qual podemos traduzir para diretriz: diretrizes do prédio em que moramos, da empresa que trabalhamos, da faculdade que estudamos são decisões políticas também. Política diz respeito a como as sociedades humanas de organizam.

Nessa construção da definição da bailarina, uma das ideias é definir e construir uma mensagem que iremos passar. Pouca gente discute isso, mas o maior exemplo disso é a bailarina egípcia Dina, que com sua roupas ousadas, revolucionou os figurinos na Dança do Ventre como uma forma de protesto à moralidade religiosa do povo egípcio e da sua profissão como bailarina de Dança do Ventre - que não é levada a sério até hoje no Egito.

Fica aqui a dica desse episódio do podcast "Trabalho de Mesa" que acho que será um ótimo exemplo para complementar essa reflexão e essa live que realizei na minha conta no Instagram.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Qual sua referência?

Olá, queridas e queridos!

Após assistir a essa palestra (grande, eu sei, vê aos poucos) do historiador Leandro Karnal, me inspirei para escrever esse post sobre referências:


Logo no início da palestra, ele diz que o estudante de História deve ler e saber determinadas obras clássicas, gostando ou não das suas ideias porque elas foram revolucionárias e mudaram o rumo da história.

O raciocínio se aplica exatamente à nossa profissão de bailarina de Dança do Ventre. Não importa se você só gosta de dançar derbacke e com espada, wings e rotina, baladi e pop. Se você quer ser uma boa professora e bailarina, você deve estudar, pelo menos, uma vez, todos os temas que circundam a Dança do Ventre, INCLUSIVE, os folclores árabes.

Assim, você ganha um olhar maior sobre sua profissão e te permite ESCOLHER que caminhos seguir com mais consciência, segurança e clareza.

Hoje, eu adoro dançar Fallahi e Mambouty porque me permiti estudar e EXPERIMENTAR NO MEU CORPO esses temas, que, a princípio, eu não estudaria. E o contrário também acontece! Você pode querer estudar determinada coisa e sair DETESTANDO dançá-la.

Outro ponto de vista que podemos tirar da palestra dele é sobre a história da sua profissão. De onde veio, quem foram as pioneiras, como se dão as modas de roupa, qual é a estrutura da música, como a dança evoluiu?

Por fim, quais são suas referências de professoras, bailarinas e músicos? Quem te inspira artisticamente e quem é sua referência técnica? Qual seu objetivo como professora ou bailarina, amadora ou profissional? A gente não consegue ter isso claro se não temos senso crítico embasado em muito estudo, observação e disciplina, incluindo aprender a ouvir a pessoas de confiança.

Enfim. É uma dança que nasceu em um contexto de entretenimento no Oriente Médio e hoje, continua movimentando muito dinheiro, sustentando muitas famílias mundo afora.

Poderíamos falar horas e horas sobre isso. Mas, antes, sugiro que você veja a palestra e, depois, procure uma boa profissional para te orientar, não fazendo você perder seu tempo (e dinheiro), que são preciosos!

Bauce kabira,
Hanna Aisha 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Qual a importância de se fazer outro tipo de atividade física, paralela à dança?

Costumo escutar de muitas bailarinas profissionais as seguintes frases: “Caramba, eu dançava 5 minutos de said tranquilamente, agora danço 2 minutos e morro!” ou “Girar sem ficar tonta ou sem me desequilibrar nunca foi tão difícil” ou “Quando acabo de dançar sinto dor nas costas, joelho...” ou "Não tenho mas folego para dançar em restaurante”.

Se a dança do ventre já é uma atividade física, por que é importante fazer mais uma atividade?

Se formos pensar pelo lado de que precisamos fazer uma atividade física por conta da nossa saúde, fazer aula de dança duas vezes na semana seria suficiente para manutenção e qualidade de vida, certo?!

Minha resposta é não!

O nosso maior público de alunos são mulheres, que, ao longo dos anos vão perdendo cálcio, massa óssea, massa muscular, assim como, vamos perdendo, gradualmente, alongamento. Nosso metabolismo também desacelera, facilitando o aumento de peso. Será que só a dança do ventre ajudaria na perda de peso, na manutenção ou no ganho de massa muscular? E o alongamento? E o cálcio e colágeno que perdemos? A dança do ventre consegue repor o que estamos perdendo?

Pergunto a vocês, uma atividade física paralela à dança não ajudaria?

Vou começar a falar da academia que eu sei que a maioria não suportaaaaa! Sinto informar que ela faz bem e seu corpo agradece (rs)! Se fortalecermos nossas pernas (todos os músculos do MMII), estabilizamos os joelhos e isso nos ajudaria no equilíbrio, nos agachamentos que fazemos nos folclores árabes, sem contar (agora é a fisioterapeuta falando - rs) que, fortalecendo as pernas, diminui o atrito articular, ou seja, diminui o desgaste articular que acontece normalmente ao longo da vida. Se a dor no joelho era algo frequente na sua vida, tenha certeza que a dor vai diminuir ou acabar. O treinamento de força máxima na musculação pode melhorar a densidade mineral óssea e desempenho neuromuscular, além de prevenir osteoporose.

Pilates... Ah o pilates! Quem faz se apaixona (sou suspeita pra falar). No pilates, trabalhamos alongamento e força e possui os mesmos benefícios da academia, porém não hipertrofia e essa é a grande diferença entre pilates e academia. Se seu objetivo é ganhar volume, ficar com aquela coxa bem grossinha não é o pilates que você deve fazer. Porém, se seu objetivo é ficar com aquela perna fortinha e definida, vem pro pilates que você vai se dar bem!

Só estou falando de perna né?! Quem não suporta ver o braço mexendo naquele momento master do solo de percussão, levanta a mão! Então, bora fortalecer os braços também, minha gente! 

“Ah, mas eu não tenho força no braço, não consigo levantar 3 kg no halter”. Querida, força se ganha praticando, você não teve que treinar seu shimmie pra consegui soltá-lo? Com o seu braço, vai ser a mesma coisa, tem que treinar.

E o alongamento, Adrielli? Já se perguntaram o por quê de não conseguirem fazer aquele redondo grandão, descendo o tronco, quase encostando a cabeça no chão? Você pode estar com os seus músculos posteriores da perna encurtados e um bom alongamento ajudaria e muito nas suas performances. E o cambrê? Aaaaah, o cambrê! Pra se executar um bom cambrê, é importantíssimo fortalecer os músculos paravertebrais, porque se não estiverem fortalecidos, além da dificuldade de executar o cambrê, tenha certeza que você vai sentir dor nas costas.

Acreditem, fazer uma atividade física em paralelo à dança do ventre só irá trazer benefício a você, além de melhorar ainda mais sua qualidade de vida. A dança do ventre é uma dança incrível, pois nela trabalhamos nossa frequência cardíaca por ser uma dança aeróbica e fortalecemos muito nosso assoalho pélvico, porém ela não é uma atividade “completa”.

Então essa é minha dica para vocês meninas: pratiquem outro tipo de atividade física paralela à dança do ventre e torne a sua dança ainda mais linda!

Adrielli Brites
adriellibrites@gmail.com

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Comecei minha vida na dança aos 9 anos de idade. Aos 16 anos, me sindicalizei e comecei a dar aulas. Tenho formação de jazz, ballet clássico e dança do ventre. Minha paixão pela dança fez com que eu sempre tivesse vontade de aprender mais e, em 2012, comecei minha graduação em dança na Univercidade da Cidade. Só a graduação em dança não foi o suficiente e descobri o quanto sou apaixonada pelo corpo humano e suas inúmeras formas de se movimentar. Hoje estou cursando fisioterapia na Universidade Unisuam.
Atualmente, dou aula de pilates, Neo pilates, Bellyflex e Dança do Ventre.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quem disse que não posso ensinar folclore?

"Se alguém lê um livro sobre leões ferozes e encontra um leão feroz, o leitor passará a ler mais livros do autor. E se o autor ainda ensina como domar o leão feroz e o leitor consegue, o autor passará a ser digno de confiança. Daí, os autores passam a escrever sobre temas um tanto definidos com o sucesso do seu primeiro livro e será impelido a começar a escrever sobre temas que circundam "leão feroz". Estudar um objeto isolado não traz conhecimento amplo. Estudá-lo no seu próprio contexto permite entendê-lo melhor".

Esse trecho é do livro "Orientalismo" do Edward Said, o qual já comentei aqui no blog, e ele resume bem o que é o Orientalismo. 

Também dizem que você só aprende uma língua de verdade quando você passa um tempo no país de origem.

Sabe o que é pior? Concordo com tudo isso. Mas, então, por que eu defendo que o folclore árabe pode ser ensinado por pessoas que nunca foram nos países de origem?

Porque acho que o conhecimento deve ser partilhado e as pessoas podem, pelo menos, serem apresentadas ao assunto.

Eu sou um pessoa muito estudiosa e se eu decido começar a estudar um tema por quaisquer motivos, em algum momento, eu vou parar para me aprofundar, seja lendo ou fazendo aula com alguém que me pareça referência no assunto. E com conteúdo, experimentação e crítica, eu crio e desenvolvo minha percepção sobre o mesmo. Ainda que eu não tenha ido, infelizmente, a nenhum país árabe, me sinto apta a falar sobre o assunto por conta do processo que eu acabei de descrever acima.

Quem já fez aula de folclore comigo sabe que eu não vendo nada como verdade, mas que repasso algumas visões de pessoas que já vivenciaram a dança de mais perto e minha conclusão do momento (do momento sim, porque eventualmente, a visão sobre determinado folclore muda). Sempre digo que aquela aula que estou dando é uma introdução/apresentação do assunto e que, se elas desenvolveram empatia por ele, eu as estimulo a procurarem saber mais, indicando, inclusive, minhas referências no assunto.

Se a gente usar o mesmo raciocínio, quase ninguém poderia dar aula de Dança do Ventre, pois a dança veio "de lá", não é?

Aliás, outra questão para reflexão: só porque você foi para Alexandria e fez aula com o próprio Mohamed El Hosseny, não te torna boa professora ou boa bailarina em Mambouty, certo?

Fiz uma live falando sobre isso:


Logo, quem disse que não posso ensinar folclore?

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ensaio Fotográfico ao ar livre: Dicas úteis

Bailarinas profissionais ou amadoras têm tido a experiência de realizar um ensaio fotográfico (também conhecido como “Book”) e recentemente, percebo que há um aumento dos cenários ao ar livre para tal.

Para o primeiro grupo, o ensaio é obrigatório, pois é utilizado em qualquer tipo de material gráfico, como a divulgação de shows ou o cartão de visitas, podendo atrair um público em potencial. Mais do que uma simples imagem, o ensaio fotográfico ajuda a compor um conceito em torno do trabalho da bailarina, agregando valor à primeira vista.

O segundo grupo pode ter vários motivos para fazê-lo: registrar o momento (sozinha ou com as amigas), aumentar a auto-estima, se divertir com a experiência, dentre outros.

Existem prós e contras de realizar o ensaio ao ar livre:

Prós
Contras
Mais barato, por exigir apenas uma câmera boa e um tapa-sol (e um profissional que saiba usá-los!)
Pode dificultar a edição de cartazes, por causa do fundo detalhado
Possibilidade de cenários lindos
Inconvenientes relacionados à natureza: insetos indesejados, tempo não favorável, etc.
Sentir uma prévia da repercussão de suas fotos, pela reação das pessoas que passam
Você divide o espaço com outros desconhecidos e pode ficar (mais) tímida

Você pensou bem e optou por fazer no meio da Natureza? Algumas dicas importantes, que eu aprendi na prática:

- Acompanhe a previsão do tempo: se fizer muito sol ou chover, as fotos não ficarão boas.
- Cada parque tem regras específicas, procure verificá-las antes de ir. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro não deixa entrar com nossas bengalas de bambu ou nenhum outro tipo de material de origem vegetal. Animais também não são permitidos, muito menos fogo! Haha
- Procure o mapa do local assim que possível. Localize a entrada e, principalmente, os banheiros disponíveis, pois você os utilizará para a troca de figurino.
- Chegue cedo: a luz favorece mais e você tem tempo de fotografar com calma. Sobretudo em finais de semana, muita gente está no parque para fazer o mesmo que você.
- Evite fotos clichês: é claro que existem cenários "clássicos", mas procure fazer uma pose diferente ou peça para o fotógrafo aproveitar um outro ângulo.

 Todos que vão ao Jardim Botânico/RJ tiram foto aqui!

- Cuidado com a maquiagem: você provavelmente terá trocas de figurino, faça algo que seja forte o suficiente para aparecer nas fotos, mas também seja neutro, favorecendo apenas a troca do batom, por exemplo. Dica pra vida: esfuma a sombra, senão vai sair um bloco no seu olho. A roupa também é importante: planeje com antecedência quais cores combinam com o cenário pretendido. E claro, não esqueça de variar os acessórios!


O cenário é basicamente o mesmo (bambus), mas repare como cada traje conversa com o fundo. A roupa azul-petróleo foi a menos versátil, eu só pude usar em 2 cenários.

Está na dúvida se vai combinar ou não? Leia aqui sobre o círculo cromático.

- Separe lanches leves (frutas) e água. Não parece, mas você vai andar muito (por isso, cuidado com o sapato escolhido) e se cansar. Dormir bem no dia anterior ajuda!

- Se puder, conte com uma amiga para transportar a sua mala e ajudar na troca de figurino. Se for de rodinhas, melhor, ainda que depois você tenha que limpá-la por fora, por causa da poeira.

- Selecione fotos que te inspiram e mostre ao seu fotógrafo. Isso vai ajudar a direção dele, principalmente se for leigo na dança. Você pode encontrá-las pesquisando no Google, Pinterest ou aqui.

- Se a grana está curta e você vai fazer um ensaio mais "caseiro", leve algo para fazer sombra (como aqueles protetores pro carro). Uma pessoa pode posicioná-lo próximo a você, para que a luz não fique muito forte e atrapalhe a foto. Lembre-se que, nesse caso, o fotógrafo tem que enquadrar direitinho, para não aparecer o truque no cenário. Aliás, cuidado para não aparecer ninguém transitando no fundo da fotografia.

Tapa-sol: ele vai ser o seu melhor amigo!

Aproveite o momento, pois é muito gostoso ver a prévia na câmera e o resultado final posteriormente. Valorize o trabalho do fotógrafo: assim como a gente não chega em um lugar e simplesmente dança, ele também faz muito nos bastidores - além da qualidade técnica, uma boa foto precisa ser editada. (E não precisa pesar a mão no Photoshop: você já estará toda produzida!)

Dica Extra! O Jardim Botânico/RJ tem um cactário lindo demais! É legal para utilizar trajes folclóricos. Infelizmente só chegamos nele quando o Sol estava muito forte, então não conseguimos tirar fotos boas. Ele fica bem na entrada, próximo à lanchonete e ao Centro de Visitantes.

Isso porque nós usamos o tapa-sol... a luminosidade estava absurda (e o calor também)!

Checklist para o dia
- Trajes
- Alfinetes
- Acessórios (brincos, pulseiras, cordão, anéis)
- Objetos de dança (sapatilha, véu, bastão, espada – checar regra do local)
- Kit de maquiagem completo, incluindo demaquilante e algodão
- Lenços de papel 
- Folhas para absorver a oleosidade
- Lanches saudáveis (frutas, barrinhas...cuidado com o sorriso depois!)
- Água
- Seleção de fotos inspiradoras (pode colocar no celular)
- Cara de pau (no início você pode ficar tímida, mas depois, vai se soltar!)
- Bom humor (no final, vai estar suuuper cansada, mas muito feliz!)

Ayla Mansur
aylamansur@gmail.com

Ayla Mansur é dançarina profissional de danças árabes (DRT 50.656) e as estuda desde 2008. A maior parte de sua formação ocorreu sob orientação de Hanna Aisha (RJ), complementada com diversos workshops ministrados por profissionais reconhecidas no meio, além de aulas regulares com Hannan (RJ) e Mahira Safie (RJ).  Sua interpretação musical é focada no estilo libanês. Apaixonada por danças, vem estudando outras modalidades como pole dance, ballet clássico e contemporâneo.



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Etiqueta com bailarinos convidados

Feliz 2016, que chegou cheio de novidades!

Começo a dar aulas em um espaço que respeito e frequento há tempos aqui na cidade, o Espaço Mosaico. Terei uma turma de DV intermedário e de Dabke regular! Além disso, ministrarei lá um curso de verão de Dabke no final de janeiro e vou dançar no Al Khayam novamente, a convite da Aisha Hadarah! 2016 começou bem!

Bom, mas como o título do post sugere, o assunto principal será outro e já pensei em um post com um tema bem direcionado, para ser refletido com calma por todos nós.

Há anos atrás, falei aqui no blog sobre a responsabilidade de organizar evento, assunto recorrente no nosso meio. Depois, voltei a falar sobre isso com um pouco mais de detalhes, sendo mais direta mesmo. Por fim, pensei e escrevi sobre o que pode estar acontecendo para que algum evento não tenha dado muito certo.

Dessa vez, o post se dirige a todos aqueles que desejam organizar ou já organizam eventos, porém chamarei atenção sobre o tópico: convidados especiais!

... aí você vê as fotos das bailarinas da sua cidade trazendo alguém famoso e se pergunta: "Por quê não eu?"

Até aí, tudo bem, pessoas têm que dar a cara a tapa para fazer o mercado movimentar. Mas o desejo de realizar quase nunca conversa bem com a realidade. Qual a realidade? A sua mesmo, por motivos variados.

Como já organizo eventos desde 2008 e sempre com bailarinos de fora do RJ, acabei trocando muita, muita informação de como outras pessoas no Brasil realizam seus eventos. E gente, o meu pensamento, com exceções (felizmente), sempre é o mesmo: "Nossa, vergonha alheia!"

Não somos "globais" e, na boa, nunca seremos. Nunca ganharemos, como classe trabalhadora, o que atores "globais" ganham. Então, vamos falar de coisas realmente palpáveis e perfeitamente realizáveis, que irão garantir um mínimo de profissionalismo e qualidade ao seu evento:

- Faça um contrato real entre ambas as partes. Isso torna o mercado cada vez mais profissional porque vai exigir uma postura profissional de ambas as partes; um contrato com assinatura reconhecida no cartório pode gerar processo. O contratado NÃO é seu amigo.
- Compre a passagem assim que os contratos estiverem em mãos. Não deixe para cima da hora e o consulte sobre o dia que ele prefere ir e voltar. Não se esqueça que ele não está à sua disposição, pois possui outros compromissos em sua própria cidade. Ah sim, VOCÊ é quem paga a passagem dele, afinal, o convite foi seu.
- Ofereça um hotel para a estadia do contratado. Ele não tem obrigação de ficar na sua casa e não, não é frescura da parte dele. O contratado NÃO é seu amigo.
- Você é obrigado a cuidar do transporte e da alimentação do seu convidado em todos os momentos. Ele não é obrigado a conhecer e a andar sozinho na sua cidade, mesmo que ele já tenha ido uma ou mais vezes. O contratado NÃO é seu amigo.
- Ofereça um camarim decente e, se puder, reservado. Ok, nem sempre é possível, mas limpo, arejado e bem iluminado é importante. E não o coloque com quaisquer pessoas para trocar de figurino e para esperar sua vez de entrar. Nem todas as bailarinas, alunas ou profissionais, sabem se comportar nos bastidores (infelizmente).
- Não há problema em fazer uma contra-proposta, caso tenha achado o cachê alto. Mas, uma vez combinado, honre o compromisso! Assim como o contratado deve honrar com o dele! Daí a importância do contrato!
- Considerando que você vai utilizar cartazes com um design decente, peça ao seu contratado lhe enviar as imagens ele quer divulgar de si mesmo. Não escolha a foto que você quer para colocar no cartaz. Comumente, elas ficam em baixa resolução ou são antigas. Ah sim, contratados: exijam o mesmo do contratante.

Não quer ter um bailarino famoso falando mal do seu evento para outra pessoa, contratante ou não (caso, ele seja um bom contratante)? Então, vamos a outras dicas:

- Você não é obrigado a fazer turismo nem dar presentes para o contratado; é uma escolha sua que, no geral, cai bem. Mas, se não vai rolar ou não tem chance de acontecer por algum motivo, ok; não faça. Sem neura.
- Dê atenção ao seu convidado, ou seja, procure saber se ele está bem, se precisa de água ou qualquer outra coisa. Alguém do staff pode fazer isso por você, não precisa ser você fazendo tudo. Mas não o abandone. Nunca. Em nenhum lugar e em nenhuma situação.
- Não conseguiu o número mínimo de alunos ou do valor de cachê combinado? Problema seu. Todo negócio tem seu risco. Gente, POR FAVOR: NÃO TENTE RENEGOCIAR O VALOR APÓS O EVENTO! Daí a importância do contrato!
- Não existe um compromisso moral, de ambas as partes, de se tornarem amigos. Amizades podem ser iniciadas sim, a partir de uma contratação despretensiosa, mas não é obrigatório. Logo, não force a barra, nem antes nem depois.

Já ouvi e continuo ouvindo coisas horríveis sobre como convidadas especiais são tratadas, em diversos lugares do Brasil. Repetindo: ser bem tratada não significa ter luxo "global". A gente está falando do mínimo de respeito profissional mesmo.

Você não pode organizar um evento de qualquer maneira para, apenas, exibir a bailarina no seu Facebook, como se fosse um troféu. É só se colocar no lugar do outro.

"Mas, Hanna, você nunca errou organizando eventos?"
Claro que sim, principalmente, no início. Mas, o erro, uma vez cometido, não se repete.

Se você quer começar a organizar evento de qualidade, pergunte a alguém que já fez um e você gostou, faça parceria com alguém com experiência ou contrate alguém para produzi-lo em seu lugar. Daí, as chances de cometer gafes diminuem.

Não preciso dizer que existe exceção para tudo na vida, né?

Para pensar: Como você gostaria de ser tratado, caso você fosse o bailarino contratado?

Por um mercado mais forte e profissional.
Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sobre shows de Dança do Ventre

Já me perguntei várias vezes por quê eventos que oferecem apenas o show não enchem tanto o quanto se espera e concluí que: primeiro, quase tudo vai pro YouTube e segundo, as pessoas estão mais interessadas em dançar na mostra ou no concurso do que assistir a bailarinas e grupos profissionais.

Felizmente, há exceções, ou seja, existe gente interessada em ver somente esse tipo de show, mas, como disse, são exceções. Mesmo que exista um convidado especial, muitas vezes, não é o suficiente para atrair muito público. Dessas minhas reflexões, eis algumas hipóteses que se aplicam à maioria (repetindo, há exceções), depois de ouvir e conversar com várias pessoas sobre o assunto:

- Alunas só vão em shows se forem dançar; nem sempre a presença da professora as mobilizam
- As professoras não divulgam os shows das colegas de profissão entre as alunas
- Existem shows muito mal feitos e desorganizados
- Não há dinheiro pra fazer tudo
- Tudo vai para o YouTube

Claro, surgem perguntas que nunca consegui achar resposta:

- Se você é uma aluna, sem intenções de profissionalização, por que não participar dos eventos, por puro prazer de assistir? Os ingressos são tão caros assim? [Acho que não, particularmente]
- Se você é uma aluna que quer profissionalizar, deveria participar mais dos eventos não apenas dançando, mas assistindo produções e danças diferentes. Inclusive, já soube que tem faculdade de dança, onde exige-se um número mínimo de presença em espetáculos de dança, pois faz parte da formação do bailarino.
- Se você é uma profissional de dança, por que não prestigiar o trabalho de outras profissionais e contribuir para fortalecer o próprio mercado? Depois, você fica ouvindo que o meio é desunido. Desunido, por quê e por quem?

AMO YouTube pois, através dele, conheço o trabalho de pessoas que estão longe de mim e divulgo o meu, além de rever danças que eu assisti ao vivo. Mas ele NÃO substitui e NUNCA substituirá uma dança realizada ao vivo.

Dá uma olhada nesse post aqui.

Por uma dança mais unida e forte.
Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 1 de maio de 2015

(De novo) Sobre profissionalismo em Dança

Oi, pessoas!

Quem me conhece ou acompanha meu blog, sabe o quanto falo sobre a necessidade de melhorarmos nosso querido mercado em Dança do Ventre e Folclore Árabe.

Não consigo entender por quê tanta dificuldade de enxergar a Dança do Ventre/Folclore Árabe como uma profissão. Veja bem, profissão. Só porque é um hobby para você, não significa que os envolvidos estão também em um hobby. E não importa se a Dança é uma segunda profissão, como é meu caso; levo tão a sério quanto à minha primeira profissão, só que divido o meu tempo de dedicação de forma desigual porque eu escolhi não viver de dança. Tudo que produzo, realizo, oriento é feito de forma profissional e cuidadosa, o qual eu tento aperfeiçoar o tempo todo, principalmente, quando me vejo frente a desafios ou críticas novos. Pensei em escrever um post grande e mais detalhado, mas decidi ser objetiva. Vamos lá.

O post não é sobre mim, mas sobre a necessidade URGENTE de diminuirmos o amadorismo que cerca (talvez, inunda) nosso mercado. Logo, vou fazer perguntas básicas e tentar dar respostas a elas em forma de outras perguntas:

- Por que você acha que deve pagar a mensalidade da aula regular que você frequenta o dia que você quiser?
- Por que você acha que não devia pagar multa se você atrasar o pagamento da mensalidade?
- Por que você acha que deve pagar workshops em quantas vezes você achar conveniente para você e/ou quando você quiser?
- Por que você acha que deve haver desconto em tudo relacionado à dança?
- Por que você acha que não deve pagar a mensalidade de janeiro da escola que você frequenta?
- Por que você acha que determinada roupa/aula está cara em relação ao da outra grife/bailarina?

Respostas em forma de pergunta:

- Por que você não pergunta pro curso de inglês que você tá fazendo se você pode pagar depois?
- Por que você não pergunta ao fornecedor de luz da sua cidade se eles podem te abater a multa, já que você preferiu viajar à pagar sua conta com eles?
- Por que você não pergunta pra aviação que uma produtora vai usar para trazer sua bailarina preferida à sua cidade se eles podem dar um desconto?
- Por que você não pergunta pro teatro que você vai dançar no fim de ano se sua professora pode pagar quando ela receber dinheiro suficiente para pagar tudo, inclusive a blusinha que você ganhou?
- Por que você não pergunta ao síndico do seu prédio por que você deve pagar condomínio se você vai ficar o mês todo fora do país?
- Por que você não pergunta para a MAC por que sua maquiagem é tão mais cara que a marca que vende na farmácia?

Ah, Hanna Aisha, você está culpando as praticantes de alguma coisa? Não. A culpa do mercado estar assim é de todos os envolvidos.

- Por que quase tudo que é produzido em Dança do Ventre é feito no boca a boca?
- Por que contratantes e contratados têm medo do contrato propriamente dito?
- Por que as bailarinas ainda se submetem a condições precárias para dançar ou dar aula?
- Por que não realizar eventos de real qualidade para público e bailarinos?
- Por que "lançar" para o mercado meninas imaturas e despreparadas emocionalmente só por que elas dançam bem?
- Por que a aluna pode pagar quando puder ou quiser?

Todos os envolvidos em Dança já cometeram erros semelhantes, inclusive eu. E, com certeza, existem vários outros que não citei aqui. Por isso, tanta gente continua reclamando que nossa profissão é amadora e a consequência mais grave que eu vejo disso é o público leigo (ou outros profissionais de dança) não respeitar a profissão. Ou vocês acham que um conjunto de erros como esse não é percebido de alguma forma?

Como de praxe, não vim aqui colocar o dedo na cara de ninguém e nem dizer que nossa profissão é lixo. Pelo contrário. Sou super otimista com relação à melhora dessa profissão porque em apenas em 15 anos praticando-a, vi melhoras substanciais. Queria tentar ajudar a sacudir as pessoas de algum jeito, até porque eu fui sacudida em momentos importantes e foi fundamental para o aperfeiçoamento do meu trabalho como bailarina, professora, aluna ou produtora. Deixo aqui duas perguntas para reflexão:

- Por que é tão difícil se colocar no lugar um do outro?
- Por que o profissionalismo não se desenvolve na mesma velocidade que a técnica/conhecimento?

Vou deixar aqui embaixo os links de alguns posts que escrevi aqui no blog sobre o mesmo assunto:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Estágio em Dança do Ventre

Shaira Sayaad, minha única professora regular
eu, como aluna em 2006
Você é médica, bióloga, administradora, enfermeira, professora de português? Não importa; se você tem ou teve outra profissão, provavelmente, teve de fazer um estágio supervisionado antes de se formar. Seria estranho se não fizesse isso, certo? Por quê, então, o mesmo não pode ocorrer dentro da profissão de bailarina de Dança do Ventre? Por quê a pressa em profissionalizar?

Eu tive a oportunidade de acompanhar por dois anos as aulas de iniciantes da minha professora antes de ir dar aulas e tenho certeza que foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha preparação como profissional. Porque não cheguei tão crua ou intimidada na sala de aula. Comecei dando apenas alongamento, eventualmente, dando um ou outro passinho, até substitui-la em sua ausência.

Hoje não dou aulas da maneira que comecei (que bom evoluir!) e a cada ano, me sinto mais madura na hora de programar desde a matéria anual até aulas particulares. Nada como a experiência própria! Mas, isso não me impede, até hoje, de tirar dúvidas com minha antiga professora com relação à comportamento e tomada de decisão envolvendo minhas alunas.

Ayla Mansur: semente e futura professora
Se você é aluna e quer tirar o DRT, sonda sua professora com relação à disponibilidade de estagiar sob sua supervisão. O tempo que você vai precisar estagiar, vai depender bastante de você, mas diria que acompanhar um ano, pelo menos, é legal, pois você pode participar, por exemplo, na elaboração de coreografia para a festa de final de ano. Lembre-se que técnica, noções estéticas e didática são os elementos básicos que uma aspirante a professora em Dança do Ventre deve ter. Você tem os 3?

Se você é professora e tem alguma aluna que está querendo profissionalizar, por que não pensar em um estágio supervisionado por você? Assim, você terá a oportunidade de dividir experiência, tirar dúvidas e ficar mais segura com seu fruto, afinal, ela provavelmente, te terá como exemplo de professora e aula durante os primeiros anos como profissional.

Não existe nenhum tipo de "perda de tempo" nisso tudo, para ambos os lados. A aluna vai testar se tem jeito/paciência para dar aulas e a professora ganha experiência, revendo seu próprio jeito de dar aulas. A não ser que ocorra algum tipo de briga de ego... mas aí é um pouco de azar, não?

Aqui, o vídeo da Ayla Mansur, como meu primeiro convite à ela para dançar profissionalmente no Zahra Sharq, depois de tantos anos como minha aluna:


Boa sorte!
E me conta suas experiências aqui, seja como traineé ou professora!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Estilo brasileiro de Dança do Ventre?

Eu ouvi de uma bailarina, que o estilo brasileiro de DV estava surgindo mas nunca havia parado para pensar como e por quê, acho que não prestei muita atenção na época. Alguns anos depois, Hossam Ramzy diz que, atualmente, as melhores bailarinas de DV são brasileiras [nossos egos inflam]. Por quê será que ele disse isso? [não perguntei porque não cabia na hora, apesar de ter ouvido isso ao vivo]

Coloquei aqui uns vídeos tentando representar cada uma das cinco partes do nosso país continental para pensarmos juntas nessa história. Gente, não preciso dizer que é difícil escolher vídeos muito representativos. Nós sabemos que existem diferentes trabalhos dentro de uma mesma região, mas vou colocar vídeos que eu gostei. Sem estresse.

Representando o sudeste, escolhi a Kiania (SP) para representar a DV que a galera tem tendenciado a fazer:


Para representar o sul, coloquei um vídeo da Vanessa Castro (PR), trabalho que eu costumo gostar de ver porque sua leitura me agrada:


Para representar a região norte, escolhi a Adriana Amazonas (AM):


Para o centro-oeste, escolhi a Dunia (DF)! Adoro!


E, finalmente, para o Nordeste, escolhi a Nuriel el Nur (RN):


O que será que há em comum entre todas nós, brasileiras: beleza, carisma, quadril solto, desenvoltura? 

Como a Daiane Ribeiro escreveu em seu blog, se "a dança do ventre não é um patrimônio nosso, devemos ser realmente uma cópia fidelizada das egípcias? Há necessidade de mantermos um bom senso, de nos esforçarmos para manter essa identidade original?" Acho que podemos (não sei se devemos) criar uma identidade própria, pois nosso maior público está aqui e inevitavelmente, como a Vivi comentou lá, a DV ganha elementos culturais de acordo com o lugar onde se estabelece (você já leu a tese de doutorado da Roberta Salgueiro?). De quê adianta apresentar algo tão genuíno se o público para o qual você trabalha pode não se identificar (e, provavelmente, com isso, não ficar atraído)?

Porém, a necessidade de entendimento da cultura árabe deve se mantida, pois é nela que nos inspiramos para passar um trabalho sólido, tanto na sala de aula quanto no palco, já que o conhecimento bem estruturado nos dá segurança e liberdade de modificarmos o que nos interessa, a fim de criarmos nosso próprio estilo.

Você acha que existe um estilo brasileiro? Fique à vontade para opinar!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 16 de agosto de 2014

Importância do Folclore na DV

Já divulguei publicamente minha opinião de que para saber dançar Dança do Ventre (não estou falando de ensinar), não era exatamente necessário saber Folclore Árabe. Hoje, depois de mais experiência e observação, mudei de opinião. Sim, é preciso saber Folclore para saber dançar e, claro, dar aulas de Dança do Ventre.

- Mas eu não quero dançar folclore!
Mas quem disse que você precisa dançar folclore? Você pode dançar somente o bellydance! Bellydance não inclui o baladi, tá? Agora, voltando à questão do folclore. Como você quer representar uma dança que tem como maior origem os países do Oriente Médio sem estudar minimamente seus folclores e sua expressão popular? Como você vai reconhecer ritmos e representá-los de uma forma harmoniosa se você não sabe o que é khaliji ou zaar? Você, pelo menos, sabe que turco não é árabe e que, talvez, seu amigo libanês não entenda bem a música egípcia que você entregou pra ele traduzir?

- Mas eu só quero dar aulas de Dança do Ventre!
E quem disse que o folclore não será importante? Ou você acha que suas alunas não irão às aulas com perguntas sobre folclore para você? Claro, você pode ser sincera e encaminhá-las para outras profissionais, mas a questão aqui é outra: você está satisfeita com o que sabe? Se sim, ótimo! Encaminha suas alunas pra gente! ;-)

- Mas só quero dançar e não dar aulas!
Releia a primeira pergunta e respectiva resposta.

- Mas só quero trabalhar dançando em restaurantes!
Bom, aí vai depender de que restaurante você quer dançar... caso você vá dançar em um restaurante cujo dono é árabe, eu sugiro fortemente que você vá correndo estudar, pelo menos, said, dabke e khaliji porque existe a chance de você passar vergonha.

- Mas quero dançar igual a Shakira!
Ok, então vai aprender Stilleto e não Dança do Ventre.

- Mas quero apenas dançar pro meu marido!
Ah sim... beleza, você não precisa do folclore.

Queria colocar um vídeo meu como exemplo do que quero dizer com esse post. Eu não costumo representar os folclores dentro das músicas bellydance de forma muito forte, mas representá-los de forma mais sutil. E foi o que fiz na parte que entra o mizmar (1:04) e eu não fiz imediatamente os movimentos de said. O que poderia acontecer se eu não soubesse que quando o mizmar entra, a música passa a ter um tom mais folclórico? Na verdade, nada. Mas eu perderia uma grande chance de mostrar para o público (que nesse caso, sabia o que era um said) que percebo essas mudanças de tom e que sei representá-las de forma mais adequada.


- Mas, então, eu preciso conhecer TODOS os folclores árabes?
Olha, nem eles devem conhecer... assim como não conhecemos os nossos. Mas existem folclores fundamentais para você se garantir minimamente nas suas performances. Hoje em dia, felizmente, existem muitas profissionais de qualidade oferecendo aulas que poderão te orientar com mais embasamento téorico e prático. E se algo te soa estranho na música que você quer dançar, simplesmente não a utilize agora e escolha outra!

Fiz uma live sobre isso, dá uma olhada!
Abre a cabeça, pessoa! E vai estudar!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Estética na dança (e na vida)

Ficou muito claro para mim, com o vlog polêmico da Esmeralda, que as mulheres (também os homens, claro, mas vou me focar nas mulheres) têm uma preocupação com o corpo muito maior do que a gente dimensiona. Eu entendi os dois lados: o dela e de quem a defendeu, dizendo que imagem/estética é importante para se trabalhar com dança e o outro lado, de quem foi contra, afirmando que isso é um grande preconceito e que existem muitas bailarinas acima do peso trabalhando muito por aí.

O objetivo desse post não é defender ou ser contra, mas adicionar elementos para essa questão, coisa que a Lalitah já fez há um tempinho atrás (aliás, vai lá ler!). Mas quis escrever sobre isso também, porque outro dia, voltando da academia, tive um insight sobre esse assunto e achei que valeria a pena dividi-lo com os leitores.

Na verdade, não tive exatamente um insight, mas me senti mal por estar tão desesperada em emagrecer (ano passado, eu passei de 42 para 44. Sim, 42 é meu normal!). "Por que eu demoro a emagrecer? Por que estou tão desesperada? Por que, às vezes, eu me irrito quando vejo as capas de revista?"

Daí, pensei em muitas coisas que talvez respondam os meus próprios questionamentos. Vamos considerar uma mulher de 30 a 35 anos, que não mora com os pais e que trabalha 40 horas por semana:

- O que a Angélica, 40 anos, 3 filhos e com um corpo invejável tem e ela não tem? (...) Não precisamos pensar muito: dinheiro. E dinheiro, baby, compra muita coisa: faxineira, babá, cozinheira, nutricionista, dermatologista, comida boa, personal, tratamento estético... E você ainda quer dinheiro para comprar figurino de R$ 1.000,00 e fazer todos os workshops?
- Como dentro da rotina de trabalho dessa mulher (bom, não sei exatamente como é a rotina das bailarinas), ela pode desenvolver um programa saudável? Claro que é possível, mas sabemos que é bem mais difícil do que imaginamos, pois precisamos encaixar exercício físico aeróbico regular, dieta (isso implica em tempo para cozinhar e ir ao mercado com mais frequência, muitas vezes) e boa noite de sono em um só dia. E nem vamos tentar encaixar o seu tratamento estético. Fora todos os nossos afazeres do lar e do dia-a-dia.
- Uma coisa é ter um corpo de 20 anos, outra é ter um corpo de 30 e outra é ter um corpo de 40. Metabolismos completamente diferentes.
- Ela não tem filhos. Imagina quando tiver.

"Ai, que post pessimista!" Não, não é pessimista, é realista! É CLARO que é possível ter uma vida atribulada e ter um corpão, mas não é qualquer uma meeeeeesmo que consegue tudo isso junto e sempre desconfio de que existe alguma coisa que a facilite, tipo fatores genéticos "da porra". Quanto mais branquinha você é, mais difícil é para ficar "durinha".

E percebendo que eu (e eu apenas) estava sofrendo com isso, resolvi acalmar meus nervos e dar uma relaxada nessa cobrança minha. Se eu perdi trabalho porque eu estava acima do meu peso e eu não sei, sorry. Uma pena para quem não me quis, pois ainda acho que posso fazer um bom trabalho, mesmo um pouco acima do peso.

Mas sei o quanto as pessoas (isso significa todos nós) valorizam o corpo e, às vezes (quase sempre) se esquecem de que o preço que se paga para manter um corpão em dia é alto, financeira e emocionalmente. Nem vou comentar sobre o Photoshop, pois é meio óbvio. Tem esse vídeo aqui também.

Vou sugerir de coração, que vocês assistam esse bate-papo, que inclusive ganhou um post aqui no blog.

Acho que para ser feliz é preciso ser, ao mesmo tempo, sincero consigo mesma. Porque só a gente (e só a gente mesmo, viu?) sabe o que realmente importa para a gente, não interessa o que os outros dizem.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 23 de março de 2014

"Ter ou não ter DRT"

Post a pedido de Izza
Revisado em 04/01/2018

"O nome dela é Flatulah Khadufa.
Faz aulas de Dança do Ventre desde tempos imemoriais, então se auto-intitula bailarina.
...
Assim, penso: será que os leigos serão enganados para sempre?
Não, a moça não pode correr esse risco! Ela vai, com certeza, buscar algum tipo de certificação - no caso, o DRT (que para quem não sabe, é um documento que "capacita" artistas a exercerem sua profissão).
Sim, ela vai conseguir.
...
Afinal, se uma atriz global é capacitada como bailarina profissional, por que não ela, pobre Flatulah?
Ela, no fundo, sabe que o DRT não atesta sua capacidade como Belly Dancer.
...
E que, no fim, a única pessoa quem ela vai enganar com um título qualquer é ela mesma".

Para a história completa, ir no Blah do Fallahi.

Em qualquer emprego decente que eu arranjar,
meu CRBio será exigido para trabalhar como
bióloga.
"Ter um DRT" significa ter um registro perante ao Ministério do Trabalho como artista/bailarina e uma filiação em um sindicato de Dança. Como qualquer outra profissão reconhecida pelo MT, o registro é sua permissão para exercer a profissão, como todos os "CRs" que conhecemos. Como não existe nenhum Conselho da Dança, não temos "CRD - Conselho Regional de Dança" como os médicos possuem CRM e sim, o DRT, emitido pelos Sindicatos.

Lá no site do Sindicato de Dança do Profissionais do RJ (SPDRJ) eles dizem que o papel dele como instituição é (resumido por mim): "representar e defender os seus interesses junto à sociedade, portanto, concretiza a união dos trabalhadores de uma categoria profissional. Nós somos uma categoria diferenciada, especial e precisamos estar sempre atentos ao cumprimento das leis e normas que conseguimos, após longos anos de luta, conquistar. Você adquire o poder de voz e voto em Assembléias para definir os novos rumos do nosso Sindicato. A sua entidade de classe discute e busca soluções para a situação do seu emprego, o desenvolvimento do setor, as perspectivas da profissão. Incentiva e cria cursos que visam o seu desenvolvimento profissional e crescimento pessoal. Sem luta não haverá conquistas e nada nos será concedido".

Logo, dependendo do Estado brasileiro que você mora e do sindicato que tem (caso ele tenha um), se você quer fazer parte desta luta pela classe ou requerer financiamento público para seus espetáculos, você obrigatoriamente precisa do DRT. Mas, se você não se encaixa em nenhum desses requisitos, o DRT não serve para nada, pois não conheço nenhuma academia de dança (tomara que exista) que exija de suas professoras, o DRT.

Se eu entendi, o DRT é uma licença para trabalhar como bailarina?
Sim.

Então, eu não preciso de DRT para dar aulas?
Não.

Conclusão da história: do jeito que trabalhamos com a dança no momento, o DRT é absolutamente inútil, apesar de culturalmente, isso representar o "profissionalismo" de alguém [não farei aqui a discussão do que é profissionalismo, pois o tema é longo]. Mas se você quer fazer parte do crescimento dessa classe artística perante a sociedade, sim, você precisa ter o DRT para "entrar na roda" de alguma maneira oficial.

Essa história foi discutida na live que fiz com a Samra Sanches na minha conta no IG. O que você acha dessa história toda? Qual sua experiência?

Bom trabalho!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

Dicas:

- Lá no blog da Lu Arruda, ela fala sobre ética e profissionalismo e ela diz que ser profissional na dança engloba ao menos três fatores: Conduta ética, Nível técnico e Tempo de carreira e/ou shows realizados.
- O SPDRJ sugerem uma tabela de cachês mínimos, dê uma olhada.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Segurança no palco

Vamos combinar que enfrentar um palco não é para qualquer um? O palco engole a gente mesmo e é preciso coragem para enfrentá-lo sem perder a cara linda e ainda dançar bem! Se você está aprendendo alguma dança, a chance de enfrentá-lo algum dia é enorme! E como fazer isso sem muito traumas?

Segurança é um dos quesitos que irão garantir uma boa performance. A bailarina pode nem estar dançando grandes coisas, mas se ela passa segurança e passa a sensação de que sabe o que está fazendo, isso faz com que ela ganhe atenção e até, respeito do público. Segurança inclui muitas coisas como experiência, calma, clima do lugar, um pouco de cara de pau e, principalmente, treino! Treinar significa coreografar? NÃO! Você pode treinar sim sua coreografia e mesmo que você esqueça na hora, o treino te ajuda a improvisar. Ou treinar limpeza de movimentos te garante movimentos mais automáticos e limpos, fazendo com que você se preocupe com outra coisa na hora de dançar. Nesse vídeo, a bailarina está em um concurso e realiza movimentos com muita rapidez e leveza e notoriamente, a segurança impera:



A velha experiência: essa daí, você tem que ter paciência pois vem com o tempo e com as oportunidades. A experiência de palco, de público, de som, de luz... essa sempre te faz crescer! Improvisar bem também é resultado de sua segurança e experiência! Dica: não deixe de improvisar em sala de aula e não negue dançar porque você acha que é muito iniciante! Se a professora disse para você dançar, DANCE! Aqui, Lulu resolve tirar os braceletes (6:53) e o véu fica no rosto (2:05):



Música ao vivo? É, uma dose a mais de nervoso entra em ação porque nunca sabemos como os músicos irão tocar a música que você escolheu. Mas ok, você, pelo menos, conhece a música e provavelmente, você perderá uma parte ou outra... não será motivo para perder a segurança! Dica: está ficando nervosa durante sua performance ao vivo? Interaja com o cantor/músico e respira. Aqui, Michele Trentin fez tudo de dificil: dançar com banda ao vivo, cantor e snujs ao mesmo tempo:



"Ai, a música falhou!" Ok, se ela não voltar ou ficar muito ruim, agradeça e saia do palco. Não é motivo para ficar nervosa, pois todo mundo está vendo que a falha é do som e não sua! E se ela falhar um pouquinho? Daí, entra um pouco da sua cara de pau: interaja com o público!



Bons treinos e boa sorte!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 12 de janeiro de 2014

Por que Dança do Ventre?

Feliz 2014!

Particularmente, para mim, o Ano Novo não me representa renovação. Minha vida é renovada dentro dos capítulos que eu inicio e consigo fechar, por exemplo: escola, graduação, mestrado, doutorado, emprego... Mas, de qualquer maneira, desejo que esse ano seja mais enriquecedor e mais leve que 2013! E retomo o blog com a seguinte pergunta: Por que você resolveu fazer Dança do Ventre? 

Cada um dos praticantes dessa dança (que dizem ser milenar) tem seus próprios motivos: se encantou com alguma música, livro, pintura, vídeo, dança; a família é árabe... uns mais clichês, outros mais específicos. Não importa: não há quase ninguém no mundo que não se sensibilize com a música árabe pela primeira vez e não imagine um mundo exótico de sonhos (vamos discutir o orientalismo depois em outro post?).

Quem aprendeu DV pelos anos 90, vivenciou outro mundo de "regras", figurinos, música e movimentos. Algumas bailarinas ainda mantêm algo desse "momento", são conhecidas por "old school", como a Yasmin Nammu:



E é justamente esse momento old school que algumas bailarinas que, hoje têm por volta de 15-20 anos de dança, contam que se apaixonaram por ela, dessa forma que era dançada. Suave, sensual, etérea, quase mágica. Hoje, essas mesmas bailarinas, reclamam, dizendo que "falta essência" na dança das bailarinas mais novas, que o excesso de técnica e de "strass" tirou.



E quem está certo nessa história? Hum... ninguém a meu ver. É questão de gosto mesmo. Tem público que gosta de performances mais do que "dança com sentimento". E vice-versa. Eu acredito que toda forma de expressão artística (também não discutiremos isso aqui hoje) tem seu espaço, mas garantir a popularização e o "sucesso" de todas é tarefa realmente difícil.

A questão desse post é fazer você refletir no que você quer dançar. Onde você se sente mais confortável? Você já tentou experimentar esse "retorno à essência"? Já tentou se desamarrar do que é moda e procurou sentir em você o que te dá satisfação? Já percebeu o que em você mais agrada ao público?

Convido a todos vocês a fazerem essa reflexão, não importa se você é aluna, profissional, professora, produtora. Saber o que lhe faz bem e que seus objetivos, em cima desse bem-estar, estão sendo atingidos, é o que pode tornar o seu 2014 mais enriquecedor e mais leve, como eu desejo. Sem frustrações e excesso de cobrança.

Bauce kabira,
Hanna Aisha