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terça-feira, 1 de junho de 2021

Por que você produz conteúdos de dança?

Oi.

Olha a loucura; no meu último post, eu digo que acabei produzindo à beça, apesar da pandemia. Ontem, publico no meu Instagram que tenho tentado "passar alguma normalidade constante diante do genocídio no Brasil e de ver meu país sendo destruído, diariamente, por dentro, desde 2016". E estou numa posição privilegiada, pois estou vacinada e com a vida voltando "ao normal" (não deveríamos, mas vou deixar as questões políticas estadunidenses de lado, nesse momento).

Como eu escrevi lá, o que me renova as energias são boas notícias eventuais, bons momentos, consumo de boa arte. Mas, tenho tropeçado na produção de conteúdo de dança, seja escrever no blog, gravar vídeos, postar textos, etc. Mas esse post é para trazer a pergunta: por que você produz conteúdos de dança? Para quem? O que você ganha com isso?

Quando eu comecei meu blog em 2009, eu criei com o intuito de juntar as informações que eu conseguia e disponibiliza-las porque o acesso a conteúdo de DV era esparso, mais difícil, sem fontes, baseado em muito achismo. Com o tempo, as coisas foram se organizando cada vez mais e hoje, vejo o quanto tudo na DV brasileira melhorou. Hoje, temos diversas profissionais qualificadas, especializadas, fontes acadêmicas ou organizadas em artigos e livros, maior clareza e crítica por parte das praticantes, maior consciência social. Apesar de ainda vermos mitos e preconceitos sendo proliferados, também vejo que existe um movimento constante, prezando por conteúdo de qualidade e desmistificação.

A produção de conteúdo é uma preocupação constante para quem quer "estar presente" na internet, só que criar conteúdo de qualidade e com uma frequência alta não é nada fácil, pois é preciso planejamento, estratégia, metodologias. Não importa se é foto, texto, vídeo, live, podcast. O ideal é que esse conteúdo esteja alinhado com seus propósitos e também com as expectativas e necessidades do seu público-alvo. Esse papo todo aí é de marketing digital, existe um número infinito de "coaches" oferecendo orientação para isso e o post não é sobre isso.

O post é para trazer a reflexão sobre a pressão que profissionais autônomos, como os profissionais de dança, sofrem para isso. Temos que postar todas as aulas particulares que damos, ensaios que fazemos, trabalhos que participamos, roupas que compramos, livros que lemos, aliados a frases de impacto, ditas por personalidades importantes, fora a lacração com as hashtags do momento. E a ideia de que só porque você não está vendo, não significa que não esteja acontecendo não cabe mais nesse mundo colorido, feliz, produtivo, imediato, de delivery de conhecimento.

Não é nova a discussão de que nós mesmos somos produtos que geram lucros bilionários para essas empresas que gerenciam redes sociais como Facebook e Google, incluindo esse blog que vocês estão visitando (Blogspot é do Google). E não estou propondo que todos nós abandonemos essas redes de contato, que oferecem muitas vantagens. Minha preocupação aparece quando nós começamos a ficar extremamente preocupados em produzir sem parar porque desse jeito, "meu-número-de-seguidoras-vai-aumentar-e-com-isso-vou-conseguir-mais-alunas".

Essa mentalidade "empreendedora" e de positividade tóxica que o sistema atual nos vende diariamente nos faz acreditar em meritocracia, no american dream de que o estagiário vira o presidente da empresa, de que é só esforçar que você vai conseguir, de que é só manter o pensamento positivo que as coisas irão acontecer, ignorando que machismo, racismo, gordofobia, desigualdade social existem e continuam firmes, obrigada.

Não compreender o conceito de orientalismo; o que significa ser árabe no mundo; a origem da dança do ventre e suas implicações; o neoliberalismo; o quanto seu país é machista, racista, gordofobico e elitista; o que significa ser profissional de danças árabes no mundo e no país que você mora vai dificultar sua compreensão do seu papel nas redes sociais e o que ele irá te trazer de retorno real, apesar de TODO SEU ESFORÇO EM AUMENTAR SEU NÚMERO DE SEGUIDORES E, COM ISSO, AUMENTAR SUA RENDA, de alguma forma.

Não basta pagar rios de dinheiro com coach que promete que vai te trazer dinheiro, curso de marketing digital ou até mesmo, coaching artístico. Ferramenta só funciona se usada da forma correta.

A maioria de nós está no meio do oceano em um barco com remos apenas e, não num transatlântico, como 0.25% da população mundial.

Diminua. Reflita. Por sua saúde física e mental.
Essa reportagem está em inglês, mas vale ler, coloca no tradutor.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quem disse que não posso ensinar folclore?

"Se alguém lê um livro sobre leões ferozes e encontra um leão feroz, o leitor passará a ler mais livros do autor. E se o autor ainda ensina como domar o leão feroz e o leitor consegue, o autor passará a ser digno de confiança. Daí, os autores passam a escrever sobre temas um tanto definidos com o sucesso do seu primeiro livro e será impelido a começar a escrever sobre temas que circundam "leão feroz". Estudar um objeto isolado não traz conhecimento amplo. Estudá-lo no seu próprio contexto permite entendê-lo melhor".

Esse trecho é do livro "Orientalismo" do Edward Said, o qual já comentei aqui no blog, e ele resume bem o que é o Orientalismo. 

Também dizem que você só aprende uma língua de verdade quando você passa um tempo no país de origem.

Sabe o que é pior? Concordo com tudo isso. Mas, então, por que eu defendo que o folclore árabe pode ser ensinado por pessoas que nunca foram nos países de origem?

Porque acho que o conhecimento deve ser partilhado e as pessoas podem, pelo menos, serem apresentadas ao assunto.

Eu sou um pessoa muito estudiosa e se eu decido começar a estudar um tema por quaisquer motivos, em algum momento, eu vou parar para me aprofundar, seja lendo ou fazendo aula com alguém que me pareça referência no assunto. E com conteúdo, experimentação e crítica, eu crio e desenvolvo minha percepção sobre o mesmo. Ainda que eu não tenha ido, infelizmente, a nenhum país árabe, me sinto apta a falar sobre o assunto por conta do processo que eu acabei de descrever acima.

Quem já fez aula de folclore comigo sabe que eu não vendo nada como verdade, mas que repasso algumas visões de pessoas que já vivenciaram a dança de mais perto e minha conclusão do momento (do momento sim, porque eventualmente, a visão sobre determinado folclore muda). Sempre digo que aquela aula que estou dando é uma introdução/apresentação do assunto e que, se elas desenvolveram empatia por ele, eu as estimulo a procurarem saber mais, indicando, inclusive, minhas referências no assunto.

Se a gente usar o mesmo raciocínio, quase ninguém poderia dar aula de Dança do Ventre, pois a dança veio "de lá", não é?

Aliás, outra questão para reflexão: só porque você foi para Alexandria e fez aula com o próprio Mohamed El Hosseny, não te torna boa professora ou boa bailarina em Mambouty, certo?

Fiz uma live falando sobre isso:


Logo, quem disse que não posso ensinar folclore?

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dança do Ventre na mídia

Olá, gente!

Iremos tratar aqui de um post, mais ou menos, polêmico: DV na mídia.

Qual bailarina profissional de DV não quer uma chance, que seja de segundos, de aparecer na telinha, em uma novela ou programa famoso? Uma legião de bailarinas tiveram a oportunidade de dançar na novela "O Clone", da Rede Globo, no ano de 2001. Aliás, é INEGÁVEL que a DV tem o nível e o mercado que tem hoje por conta dessa novela. Eu era aluna há um ano e fiquei impressionada com o furor que a novela causou na profissão, de forma irreversível.

Depois disso, outras inúmeras aparições de bailarinas profissionais foram realizadas, em diversos canais diferentes de TV, com ou sem entrevista (aqui nesse link do Central da DV, tem uma série de programas em que a DV foi destaque em programas de TV no Brasil. Vale dar uma olhada!). Eu mesma, tive a oportunidade de aparecer em dois programas: o primeiro em 2008, no "Fantástico" da Rede Globo, onde falamos sobre barriga em DV (!):


A outra aparição foi em 2012, na Rede Record, com a nadadora Daynara de Paula, classificada para as Olimpíadas de Londres e que já tinha feito DV:


Há alguns anos atrás, rolou uma polêmica sobre a aparição de bailarinas de DV em uma despedida de solteiro na novela "Avenida Brasil" da Rede Globo e foi fofoca no Facebook por alguns dias, gerando posts em blogs:



Eu tenho que concordar com esse trecho que a Amar El Binnaz escreveu no post dela:

"O fato é que o estereótipo vende. O jogador de futebol ingênuo e burro, a personal trainer que sobe a calcinha até o cérebro antes de dar aulas, a mulher que pratica dança do ventre pra "pegar homem", a enfermeira particular que mata o patrão pra ficar com o dinheiro, o policial corrupto, o professor pegador, enfim... o estoque de atrocidades que a TV pode praticar com as mais diversas profissões é infinito"

Infelizmente, todas nós já nos submetemos em situações ruins, justamente por conta desse estereótipo. A recém-extinta "Sala de Dança" fez um podcast sobre isso chamado "Micos na Dança".

Então, onde ficamos nessa história? Apesar de, ainda, os contratantes/produtores insistirem em nos colocar em papéis um pouco fora da realidade, hoje em dia, ainda existe uma parcela deles que procura olhar nosso trabalho com valor. O ideal é, tentarmos saber, por antecipação, qual será a situação exata de trabalho, para decidir se você aceitará participar ou não.

Em 2012, fui contactada pela Rede Globo, para coordenar a Dança do Ventre na novela "Salve Jorge" por conta do meu post "Dança do Ventre Turca", mas a carioca Clara Sussekind, que dança na Turquia há muitos anos, acabou coordenando-a com maestria.

Recentemente, duas aparições na TV foram interessantes: a coordenação da cultura árabe da minissérie "Dois Irmãos" da Rede Globo por Cristina Antoniadis (SP) e Tufic Nabak (MG), com ajuda da Elaine Rollemberg (RJ) e a participação, com prêmio, das bailarinas cariocas Zahra Li e Priscila Samah no programa "Legendários" da Rede Record:


Parabéns a todas nós, profissionais da DV no Brasil, que ganhamos com a popularização dessa dança que tanto amamos! Vamos ajudar a construir uma imagem dela cada vez melhor!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Etiqueta com bailarinos convidados

Feliz 2016, que chegou cheio de novidades!

Começo a dar aulas em um espaço que respeito e frequento há tempos aqui na cidade, o Espaço Mosaico. Terei uma turma de DV intermedário e de Dabke regular! Além disso, ministrarei lá um curso de verão de Dabke no final de janeiro e vou dançar no Al Khayam novamente, a convite da Aisha Hadarah! 2016 começou bem!

Bom, mas como o título do post sugere, o assunto principal será outro e já pensei em um post com um tema bem direcionado, para ser refletido com calma por todos nós.

Há anos atrás, falei aqui no blog sobre a responsabilidade de organizar evento, assunto recorrente no nosso meio. Depois, voltei a falar sobre isso com um pouco mais de detalhes, sendo mais direta mesmo. Por fim, pensei e escrevi sobre o que pode estar acontecendo para que algum evento não tenha dado muito certo.

Dessa vez, o post se dirige a todos aqueles que desejam organizar ou já organizam eventos, porém chamarei atenção sobre o tópico: convidados especiais!

... aí você vê as fotos das bailarinas da sua cidade trazendo alguém famoso e se pergunta: "Por quê não eu?"

Até aí, tudo bem, pessoas têm que dar a cara a tapa para fazer o mercado movimentar. Mas o desejo de realizar quase nunca conversa bem com a realidade. Qual a realidade? A sua mesmo, por motivos variados.

Como já organizo eventos desde 2008 e sempre com bailarinos de fora do RJ, acabei trocando muita, muita informação de como outras pessoas no Brasil realizam seus eventos. E gente, o meu pensamento, com exceções (felizmente), sempre é o mesmo: "Nossa, vergonha alheia!"

Não somos "globais" e, na boa, nunca seremos. Nunca ganharemos, como classe trabalhadora, o que atores "globais" ganham. Então, vamos falar de coisas realmente palpáveis e perfeitamente realizáveis, que irão garantir um mínimo de profissionalismo e qualidade ao seu evento:

- Faça um contrato real entre ambas as partes. Isso torna o mercado cada vez mais profissional porque vai exigir uma postura profissional de ambas as partes; um contrato com assinatura reconhecida no cartório pode gerar processo. O contratado NÃO é seu amigo.
- Compre a passagem assim que os contratos estiverem em mãos. Não deixe para cima da hora e o consulte sobre o dia que ele prefere ir e voltar. Não se esqueça que ele não está à sua disposição, pois possui outros compromissos em sua própria cidade. Ah sim, VOCÊ é quem paga a passagem dele, afinal, o convite foi seu.
- Ofereça um hotel para a estadia do contratado. Ele não tem obrigação de ficar na sua casa e não, não é frescura da parte dele. O contratado NÃO é seu amigo.
- Você é obrigado a cuidar do transporte e da alimentação do seu convidado em todos os momentos. Ele não é obrigado a conhecer e a andar sozinho na sua cidade, mesmo que ele já tenha ido uma ou mais vezes. O contratado NÃO é seu amigo.
- Ofereça um camarim decente e, se puder, reservado. Ok, nem sempre é possível, mas limpo, arejado e bem iluminado é importante. E não o coloque com quaisquer pessoas para trocar de figurino e para esperar sua vez de entrar. Nem todas as bailarinas, alunas ou profissionais, sabem se comportar nos bastidores (infelizmente).
- Não há problema em fazer uma contra-proposta, caso tenha achado o cachê alto. Mas, uma vez combinado, honre o compromisso! Assim como o contratado deve honrar com o dele! Daí a importância do contrato!
- Considerando que você vai utilizar cartazes com um design decente, peça ao seu contratado lhe enviar as imagens ele quer divulgar de si mesmo. Não escolha a foto que você quer para colocar no cartaz. Comumente, elas ficam em baixa resolução ou são antigas. Ah sim, contratados: exijam o mesmo do contratante.

Não quer ter um bailarino famoso falando mal do seu evento para outra pessoa, contratante ou não (caso, ele seja um bom contratante)? Então, vamos a outras dicas:

- Você não é obrigado a fazer turismo nem dar presentes para o contratado; é uma escolha sua que, no geral, cai bem. Mas, se não vai rolar ou não tem chance de acontecer por algum motivo, ok; não faça. Sem neura.
- Dê atenção ao seu convidado, ou seja, procure saber se ele está bem, se precisa de água ou qualquer outra coisa. Alguém do staff pode fazer isso por você, não precisa ser você fazendo tudo. Mas não o abandone. Nunca. Em nenhum lugar e em nenhuma situação.
- Não conseguiu o número mínimo de alunos ou do valor de cachê combinado? Problema seu. Todo negócio tem seu risco. Gente, POR FAVOR: NÃO TENTE RENEGOCIAR O VALOR APÓS O EVENTO! Daí a importância do contrato!
- Não existe um compromisso moral, de ambas as partes, de se tornarem amigos. Amizades podem ser iniciadas sim, a partir de uma contratação despretensiosa, mas não é obrigatório. Logo, não force a barra, nem antes nem depois.

Já ouvi e continuo ouvindo coisas horríveis sobre como convidadas especiais são tratadas, em diversos lugares do Brasil. Repetindo: ser bem tratada não significa ter luxo "global". A gente está falando do mínimo de respeito profissional mesmo.

Você não pode organizar um evento de qualquer maneira para, apenas, exibir a bailarina no seu Facebook, como se fosse um troféu. É só se colocar no lugar do outro.

"Mas, Hanna, você nunca errou organizando eventos?"
Claro que sim, principalmente, no início. Mas, o erro, uma vez cometido, não se repete.

Se você quer começar a organizar evento de qualidade, pergunte a alguém que já fez um e você gostou, faça parceria com alguém com experiência ou contrate alguém para produzi-lo em seu lugar. Daí, as chances de cometer gafes diminuem.

Não preciso dizer que existe exceção para tudo na vida, né?

Para pensar: Como você gostaria de ser tratado, caso você fosse o bailarino contratado?

Por um mercado mais forte e profissional.
Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sobre shows de Dança do Ventre

Já me perguntei várias vezes por quê eventos que oferecem apenas o show não enchem tanto o quanto se espera e concluí que: primeiro, quase tudo vai pro YouTube e segundo, as pessoas estão mais interessadas em dançar na mostra ou no concurso do que assistir a bailarinas e grupos profissionais.

Felizmente, há exceções, ou seja, existe gente interessada em ver somente esse tipo de show, mas, como disse, são exceções. Mesmo que exista um convidado especial, muitas vezes, não é o suficiente para atrair muito público. Dessas minhas reflexões, eis algumas hipóteses que se aplicam à maioria (repetindo, há exceções), depois de ouvir e conversar com várias pessoas sobre o assunto:

- Alunas só vão em shows se forem dançar; nem sempre a presença da professora as mobilizam
- As professoras não divulgam os shows das colegas de profissão entre as alunas
- Existem shows muito mal feitos e desorganizados
- Não há dinheiro pra fazer tudo
- Tudo vai para o YouTube

Claro, surgem perguntas que nunca consegui achar resposta:

- Se você é uma aluna, sem intenções de profissionalização, por que não participar dos eventos, por puro prazer de assistir? Os ingressos são tão caros assim? [Acho que não, particularmente]
- Se você é uma aluna que quer profissionalizar, deveria participar mais dos eventos não apenas dançando, mas assistindo produções e danças diferentes. Inclusive, já soube que tem faculdade de dança, onde exige-se um número mínimo de presença em espetáculos de dança, pois faz parte da formação do bailarino.
- Se você é uma profissional de dança, por que não prestigiar o trabalho de outras profissionais e contribuir para fortalecer o próprio mercado? Depois, você fica ouvindo que o meio é desunido. Desunido, por quê e por quem?

AMO YouTube pois, através dele, conheço o trabalho de pessoas que estão longe de mim e divulgo o meu, além de rever danças que eu assisti ao vivo. Mas ele NÃO substitui e NUNCA substituirá uma dança realizada ao vivo.

Dá uma olhada nesse post aqui.

Por uma dança mais unida e forte.
Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 2 de novembro de 2013

Quanto vale nosso trabalho? Sobre cachês

Nesse restaurante em SP, aceitei um cachê
baixíssimo porque na minha cabeça na época,
era interessante pra eu me divulgar e ganhar
experiência. Hoje, não só não faria isso como
não recomendo fazer isso nem para quem está
começando.
A valorização deve ocorrer desde
o início da carreira
.
Depois de ler o post da Nilza Leão sobre cachê e de passar o Festival Shimmie, fiquei pensando sobre isso. Nunca quis escrever sobre esse assunto aqui no blog e muito já se falou sobre valorização do profissional de Dança do Ventre. Me parece até um assunto razoavelmente esgotado, porque ninguém discorda de que não é ético cobrar preços muito baixos, pois desvaloriza o trabalho das bailarinas que cobram um valor justo (ou um valor alto, dependendo do que ela representa pro mercado). Vim nesse post para discutir o pagamento ou não de cachê.

Em qual situação você abriria mão do seu cachê, sem contar com eventos beneficentes? Nenhum? Você já pensou o quão comumente isso acontece? Vou explicar melhor:

Vemos muitos "shows de gala" por aí e as bailarinas profissionais que são convidadas, normalmente, não recebem cachê (você não sabia?). Os motivos são variados, razoáveis ou não: a produção não consegue incluir isso no orçamento sem ter prejuízo, pois sabe o quão difícil é pagar toda a produção de um show; não tem interesse em pagar, pois acha que o convite por si só já é uma honra; nunca pensaram sobre o assunto por ser simplesmente, cultural. Entre outros.

A questão é: todo mundo acha que o certo é pagar cachê e um cachê justo. Ou não? Vamos considerar que sim: todo mundo quer ganhar um cachê que considera justo. Fazemos esse discurso por acharmos que isso é o certo (e não vou discutir aqui se é ou não certo) e negamos convites para shows, caso o valor seja baixo ou não exista cachê. Maaaaaaaaaaas... se recebemos convite para dançarmos:

- num grande festival de Dança, em que sabemos que vamos aparecer, mesmo que seja fora da sua cidade e ninguém vai pagar sua estadia e passagem
- num lugar famoso
- numa feira da providência qualquer
- no Big Brother Brasil
- no Copacabana Palace
- no Faustão

sim, aceitamos dançar de graça. E ponto final.

E aí, onde entra o discurso do cachê, pois, afinal, "dançar faz parte do nosso trabalho, existem inúmeros custos e eu vivo só disso"?

O que eu quero dizer com esse post? Que eu estou defendendo que devemos sempre aceitar dançar de graça nos eventos, senão estaremos sendo arrogantes? NÃO! Mil vezes não! O que eu quero sugerir é que devemos ter mais cuidado com as opiniões que divulgamos por aí e lembrar que todas nós agimos de acordo com nossos interesses SIM e se achamos que não vale a pena dançar de graça num evento X, mas vale dançar de graça no evento Y, NÓS FAREMOS SIM. Isso é desvalorizar nosso trabalho? Não acho. Existem outras coisas muito mais fáceis de serem resolvidas para melhorar substancialmente o mercado da Dança do Ventre como, por exemplo, retirar do circuito professoras despreparadas dando aula e não valorizar bailarinas de qualidade duvidosa.

Cachê é importante? Sim, mas pagar um cachê justo às bailarinas, dentro de um evento de dança de QUALIDADE, é bem difícil. Não impossível. Todas as produtoras de evento devem tentar incluir o cachê nos seus orçamentos, mesmo que isso diminua seu lucro (heim? lucro?) ou criar maneiras alternativas de pagamento. Assim, iniciaremos uma nova "cultura". Mas, por favor, sem hipocrisia nos discursos!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

[Off-topic] Meu blog é neutro em carbono

Queridos e preocupados leitores,


Minha formação como bióloga e cidadã consciente, me faz, por exemplo, juntar papel para reciclagem. Podia fazer mais, claro, todos nós! Mas a vida impede a gente de fazer tanta coisa... cheguei a fazer um post sobre como poderíamos implementar alguma coisa para contribuir para destruirmos menos o nosso ambiente, usando a Dança do Ventre como exemplo (acredito em ações individuais para problemas locais, mas tenho noção de que para problemas globais, não somos nós quem resolveremos isso).

Esse mês, recebi o convite da Camila Araújo, que faz parte da equipe Gesto Verde, para participar de uma campanha sem fins lucrativos promovida pela Guiato, uma startup que visa promover a sustentabilidade através do meio digital. O Gesto Verde lançou o desafio inicial de plantar 500 árvores em prol da diminuição do impacto ambiental gerado pela sociedade. Após conquistar a parceria de 500 sites/blogs, o Gesto Verde resolveu aumentar o desafio: plantar 1.000 árvores nativas no Brasil e para isso, eles precisam da participação de 1.000 sites/blogs, sendo que cada post sobre a campanha é revertido em uma árvore plantada pelo IBF.

Fica a pergunta: por que um blog produz quase 3,6 kg de dióxido de carbono por ano? 

Segundo a equipe do Gesto Verde, "De acordo com um estudo realizado pelo ambientalista e físico da Harvard University, Dr. Alexander Wissner-Gross, um internauta produz, em média, cerca de 0,02 gramas de COpor exibição de página. 

Considerando que um blog geralmente recebe em torno de 15.000 visitas por mês, isso resulta em 3,6 kg de CO2 emitidos por ano. Este total é gerado principalmente pelo grande consumo de energia, devido à refrigeração necessária para o funcionamento de computadores e servidores. 

Infelizmente, não é possível saber quanto de CO2 uma árvore absorve exatamente. Pois isso vai depender da sua espécie, da sua exposição à luz, do tempo necessário para o seu crescimento e de características locais, tais como o solo, recursos hídricos disponíveis e a latitude onde a árvore se encontra. 

O que se pode dizer, com certeza, é que o plantio de uma árvore absorve uma média de 5 kg de CO2 lançados na atmosfera por ano. Um blog normal emite, anualmente, cerca de 3,6 kg de CO2 ma árvore é, então, capaz de neutralizar as emissões de CO2 e um blog. Já que uma árvore vive cerca de 50 anos, as emissões de CO2 do seu blog são totalmente neutralizadas durante este período". 

Queridas blogueiras, vamos participar? 

Meu Blog é neutro em CO2, neutralize o seu também. Saiba como. 


Bauce kabira, 
Hanna Aisha

domingo, 14 de abril de 2013

Idealização na DV

Povo, gostei muito do artigo da Juliana Camilo, psicóloga, que saiu na edição no. 14 da Revista Shimmie e resolvi postar para a gente refletir um pouquinho (os grifos são meus):

"Falamos muito sobre os benefícios da prática da dança do ventre: condicionamento físico, trabalho em equipe, autoestima, etc. No entanto, em alguns momentos, esta prática parece ocupar lugares perigosos no psiquismo das praticantes, desenvolvendo sofrimentos psicológicos que podem ser muito constrangedores, dolorosos e desorganizadores.
A psicanálise nos auxilia a pensar nestes sofrimentos, partindo de alguns conceitos básicos, como o desejo. Para Freud, o objeto de desejo nunca é real. Isso porque, nunca desejamos o objeto real, mas aquilo que esperávamos que fosse, o ideal. Na prática da dança do ventre, isso significa que para muitas, a busca da perfeição na dança, na coreografia e postura são, na realidade, reflexos do seu imaginário e da sua fantasia.
O que nos leva a esta linha de pensamento é o fato de que, na maioria do tempo, somos impulsionados por paixões, ou seja, idealizamos o "Outro" (a professora, a bailarina X ou Y, a dança em si), e passamos a percebê-la somente com características positivas. Deste modo, a idealização é uma forma de perceber e quem se admira de forma parcial, incompleta, irreal e (talvez) imatura. Forma perigosa de se conduzir, já que a pessoa apaixonada, prisioneira da idealização, supervaloriza o seu objeto de desejo, e se desvaloriza.
Quantas e quantas alunas e professoras não gastam mais do que podem em roupas, acessórios, concursos, festivais, workshops, CDs, DVDs, viagens, etc. Tudo para perseguir o seu ideal. Um dos grandes problemas neste percurso, depois de investir estes sacrifícios, é olhar para todo o caminho percorrido e se perguntar: "será que valeu a pena?"; "qual foi o sentido disso?": e sentir a tão dolorosa sensação de vazio.
Assim como numa relação amorosa, na medida em que conhecemos mais o "Outro", e a nós mesmos na sua companhia, descobrimos aspectos que não são tão perfeitos como esperávamos. Daí, o que se vê é uma série de alunas "pulando" de escola em escola, buscando algo que não se sabe bem o que é, como é e por que é. Então, o grande desafio é conseguirmos manter nosso amor (e não paixão) pelo outro em contato com suas contradições e falhas. Só podendo vivenciar sentimentos contraditórios pela mesma pessoa é que conseguiremos evoluir nossa capacidade de sentir. Portanto, quanto maior for a capacidade para tolerar as frustrações e aceitar que as outras alunas, outras professoras, outros estilos de dança, outras metodologias, são constituídos de elementos positivos e negativos, de aspectos bons e maus, mais madura a pessoa estará e, consequentemente, necessitará de menos idealizações".

Estou dividindo um momento muito particular meu na dança (talvez na vida): admitir e buscar por objetivos reais, concretos. Não falo aqui exatamente de sonhos, mas de objetivos mais breves e palpáveis e acredito que a idealização atrapalha, inclusive, esses planejamentos de curto prazo. Porque sonhar, a gente pode sonhar o que quiser. A questão é se você consegue se enxergar dando os primeiros passos. Enxergou, realizou os primeiros passos? Agora, você deve enxergar como se manter caminhando sem cair. Caiu? Agora, você deve enxergar como levantar. E assim vai...

É muito clichê o que vou dizer agora, mas direi porque é realidade: o tempo é o melhor remédio, sempre, para aqueles que batalham todos os dias por seus objetivos. Claro, que uma dose de "simancol" é necessária para algumas pessoas que não conseguem enxergar que aquele trabalho ou pessoa não lhes servem. Mas, no geral, ser afoito não é a melhor solução. E acredito que a confiança em si mesmo e no próprio potencial e princípios ajudam esses caminhos a ficarem claros mais rapidamente. Além da presença de pessoas que sabem nos orientar.

Considerando que você sabe o que quer da dança do ventre, ainda não chegou aonde você gostaria de estar? Então, faça a si mesma algumas perguntas antes:

- Eu estudo, treino, invisto o suficiente para atingir o objetivo que eu determinei?
- Sou aberta sinceramente a críticas?
- Me relaciono com as pessoas certas?
- Minha postura é considerada adequada ao meio?

Se sim, amiga, RELAXA. Seu momento vai chegar!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 7 de abril de 2013

Encontre sua arte!

Olá, gente!

Recebi o vídeo abaixo para apreciação e fiquei abismada com tamanha criatividade (nem estou me referindo à qualidade da dança em si). Acho que foi um dos melhores que já vi na vida:


Daí, dias depois, eu leio o texto da Jacqueline Braga na edição no. 15 da Revista Shimmie e um trecho meu chamou a atenção (grifo meu): "Vivemos num mundo em que é mais fácil criticar do que aplaudir! Eu gosto de acreditar que aplausos trazem aplausos e, quanto mais aplaudimos o outro, mais seremos aplaudidos, porque cada pessoa tem seu brilho próprio, como uma estrela que não pode ser copiada, e que não vai tirar o lugar de nenhuma outra estrela".

Não me importo muito com a definição de Dança do Ventre: se é Raks Sharq, Bellydance, Dança Oriental... assim como o nome dos movimentos. Hoje, depois de considerar meu olhar mais maduro, me importa a expressão artística em si. Logo, vem a pergunta para vocês: isso é ou não é Dança do Ventre?


Não tenha medo de tentar fazer aquela aula que você tanto gostaria ou de colocar suas ideias em ação; sempre haverá alguém para criticar negativamente. Não estamos aqui discutindo bom gosto ou qualidade técnica mas sim, ousadia.

Dança é vida! Arte é vida! Encontre a sua!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 16 de dezembro de 2012

Gafes durante sua performance

Nós, frequentadoras de milhares de eventos de DV, com certa frequência nos deparamos com gafes. Principalmente com tanto evento de fim de ano acontecendo, não? Mas, o que são elas? São aqueles momentos que tiram um pouco do brilho da performance, seja ela qual for. Todos nós já cometemos alguma, pode ter certeza. Então, qual a questão aqui? Que elas são inevitáveis? Não, elas não são, podemos tentar evitar muitos constrangimentos. Mas é, claro, existem aqueles que estão fora do nosso alcance... Gente, quer coisa mais desagradável que palmas e gritos de caravana fora de hora?



Ajeitando a roupa durante sua dança.... Qual a solução? Comprar roupas adequadas ao seu corpo. Caso você tenha ficado maravilhosa nela e não tenha pensado nisso, ok, acontece... Ensaiar com ela antes e verificar quais músicas e movimentos ela se adequa melhor é outra opção. Aqui, eu fiz isso:


Cuidado com a calcinha! Nossa, essa eu já vi aos montes e eu também já "fui vítima" (mas esse vídeo eu não mostro! eheheheeh). Aff, que vergonha. Voltamos à história da roupa adequada. Não só no corpo, mas você deve escolher a roupa adequada ao local também. Tem aquela fenda grande que você não abre mão? Use-a no restaurante e não no palco. Ou use um short que fique quase invisível (short preto com roupa branca não rola também) ou dessas calças bordadas. Adoro a Jamilah, mas nessa ela ficou devendo:



Sim, podemos ter problema de espaço sim, mas assim como a roupa, devemos adequar nossos movimentos ao espaço que temos. Às vezes, precisamos segurar nossos giros, cabelos e arabesques... Evite mostrar seu bumbum pra plateia ou passar seu véu por cima da cabeça dos clientes, por exemplo.

Alfinetes também são grandes amigos das bailarinas. SEMPRE os tenha na bolsa! Por que não guardá-los na sua bolsa de maquiagem? Assim, você nunca vai esquecer. E mesmo assim, os alfinetes podem nos trair... até Lulu caiu nessa:


E quantas vezes você não viu alguma performance que teve a música "pulando", muito baixa ou parou no meio? Mas, nesse caso, felizmente (ou não), nós somos apenas vítimas! Fora acessórios que não fazem parte do seu figurino, como eu já vi relógio e sandália! Eu fui "vítima" do relógio uma vez (foto ao lado, o relógio tava no punho esquerdo, mas não aparece nessa foto), mas eu confesso que me perdoo nesse dia por todas as gafes que eu cometi... minha cabeça não tava nem um pouco boa.

Lição de hoje: esteja preparada para os imprevistos, mas se algum aparecer, resolva com bom humor, pois a vida sem surpresas não tem graça!

Cometeu alguma gafe esse ano? Conta pra gente aqui! Mais conselhos?

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

DV e meio-ambiente

Tivemos a ECO-92 (eu lembro bem, tava na escola...), esse ano tivemos a Rio+20... e o que temos com isso, bailocas? Aparentemente, nada, a não ser refletirmos como cidadãos e se tivermos energia, participar de ONGs, projetos acadêmicos, etc. Ou não?


Dia 03 de setembro - Dia do Biólogo!

Como muitos aqui já leram no blog, sou bióloga de formação, mas nem por isso sou ecochata (nunca fui), mas coincidência ou não, sempre me incomodei com a questão do meio-ambiente. Não vou abrir mão de usar celular, desodorante, absorvente, papel, entre outras coisas. Mas percebi, há, pelo menos, uns 10 anos que talvez eu pudesse fazer alguma coisa. E comecei a juntar papéis usados de todos os tipos e levar para um posto de reciclagem da Comlurb (empresa que realiza a limpeza urbana na cidade do Rio de Janeiro). Hoje, não levo mais para lá, mas continuo juntando e dou para minha mãe, que dá para uma catadora de papel no bairro dela.

Não tenho ideia se os papéis que juntei nesses 10 anos resolveram alguma coisa. O que sei é que me faz perceber que realmente, juntos podemos fazer alguma coisa pelo planeta, mesmo que seja individualmente. Com certeza, é necessário que existam governos e empresas envolvidos nisso para fornecer dinheiro, pessoal e planejamento.

E a Dança do Ventre, que tem ela?

- Já pensou em quantos copos de plástico da sua escola de dança você já usou para beber água e jogou fora?
- Você usa lenço umedecido para limpar os pés após dançar?
- O quanto você realmente precisa de véus, maquiagem, bijuterias e roupas?

Soluções legais:

- Carregar uma garrafinha para colocar água ou o que você achar melhor, quando for para a escola ou para eventos
- Lavar seus pés com uma toalhinha ou dançar de sapato
- Reformar, emprestar, trocar, alugar ou comprar roupas usadas de DV
- Comprar menos de tudo!

Atualmente, tenho visto um aumento na busca por roupas usadas e/ou trocas na DV (até porque os preços das novas não ajudam a consumir muito) e quem mais percebe que repetimos as roupas somos nós mesmas (caso você esteja preocupada).

Eu faço isso que eu citei como soluções. E vocês? Mais soluções "ecológicas" para sugestão?

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 25 de agosto de 2012

Bailarinas x Eventos

Enquanto aguardo as fotos e os vídeos do Zahra Sharq 2012 para poder fazer um post só sobre isso, uma semana após passar o evento e pensar sobre algumas coisas, resolvi escrever sobre o perfil das bailarinas de Dança do Ventre em geral, com relação a eventos (obviamente, o que escreverei vai se referir à minha experiência na cidade do Rio de Janeiro).

Essa foi a 4a. edição do Flores do Oriente e o quinto evento que organizo. Mas já acompanhei e participei dos bastidores de muitos outros aqui na cidade e sei o quanto custa, cansa, demora para organizar um evento, não importa qual o tamanho. Mas, no geral, quase todos possuem uma coisa negativa em comum: a não-apreciação por outras colegas de profissão.

Lógico que todos nós possuímos nossos compromissos e vida social que não possuem relação com a dança! Claro, ainda bem! Faz parte do viver do ser humano! Mas será que é apenas coincidência na maioria dos eventos não se ver outras bailarinas APENAS indo apreciar o trabalho da outra? Eu, particularmente, não vou em todos até porque já conheci alguns que não me agradaram e eu decidi não ir mais, mas sendo bom e eu podendo ir, eu vou! Ver o trabalho de outras bailarinas da cidade, ver o trabalho de bailarina de fora (caso haja)... são raras as bailarinas que encontro pelos eventos. Imagina encontrar alunas de outras bailarinas! São sempre os familiares e amigos dos envolvidos.

Quando a Orit Maftsir veio aqui no Rio em 2010, fui no show e em um dos workshops e fiquei CHOCADA com a falta de bailarinas nos dois. Como pode? E olha, quem nem de dança eu vivo!

Eu acho esse posicionamento lamentável. É como se um músico não fosse a outros shows e atores não fossem a peças de teatro. Por que participar só se você for convidada? Os eventos nem costumam ser tão caros... certamente, o cinema lhe custa o mesmo.

Se for falar em workshops então... nossa, uma vergonha. A disputa pelos restaurantes é muito mais importante! São raras as que conseguem organizar um workshop que seja um sucesso ou isso lhe custa muita preocupação, encheção de saco ou eventualmente, prejuízo.

Enfim, eu fico muito triste no final do meu show olhar para a plateia e imaginar que sim, muito mais gente poderia ter assistido, não por minha causa, mas pelas bailarinas que estão lá, compondo todo o espetáculo!

Mas a realidade é outra e após 5 anos organizando evento e ralando para trazer gente de qualidade e mudar um pouco as bailarinas de estudo, repenso muito se continuarei me desgastando para tal, já que o retorno não é me nada claro.

Mas e o show, então, foi ruim? Não, não foi. Foi o mais lindo e organizado que já produzi. A Nur é linda e as bailarinas todas foram um primor. Olha que orgulho:


Divulgando o evento que está chegando e que irei como plateia. Darah Hamad conseguiu reunir em um show várias bailarinas importantes na formação de outras aqui na cidade, vale a pena prestigiar. E ela ainda está trazendo a Linda Hátor:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Exposição na internet

Qual é o limite para se expor na internet?

Nem vou discutir aqui sobre redes sociais em geral, mas sim sobre nosso mundo bellydance, claro.

Quando a gente está com tempo e começa a passear pela internet em busca de informação, estudo, vídeos, etc, constantemente nos deparamos com excesso de fotos, vídeos e cartazes.

Eu sou totalmente adepta da utilização de emails, redes sociais, blogs e qualquer coisa para divulgar a minha pessoa, mas eu procuro medir bastante a quantidade de tudo isso porque sei o quão enfadonho é receber milhares de emails sobre a mesma coisa. Por partes:

- Fotos: Por que colocar TODAS as fotos que você tirou em TODOS os eventos? A partir de certo momento, as pessoas deixam de visitar seu perfil porque não vê mais novidade. Bom, falo por mim mesma. Eu deixo de visitar gente assim.

- Eventos: Importantíssimo divulgar os eventos em que você estará presente, mas TODO dia, não. Quem quer te ver mesmo, vai agendar e quem não quer, vai ficar de saco cheio da divulgação e começa a achar que você está desesperada. Logo, não precisa relembrar sempre. Relembre quando estiver mais perto.

- Vídeos: Por que colocar TODO e QUALQUER vídeo que você filma? Você realmente acha que dançou bem em todos eles? Se sim, que bom para você! Caso não, os vídeos podem mais te atrapalhar que ajudar na sua própria divulgação. Selecione melhor o que você quer vender. Aliás, mostrar sempre o que faz tira um pouco do encanto e as pessoas não ficam tão curiosas em te ver ao vivo, pois existe um mundo de vídeos seus no youtube...

Pontos positivos (claro que existem!), eu mesma tenho vários exemplos da internet:

- Conhecer gente e aumentar contatos: foi assim que conheci a Maira Magno e a trouxe para o Rio em 2009
- Ganhar adeptos e alunas
- Divulgar seus eventos: sou grata à internet por ter público no meu show "Zahra Sharq"

Pequena homenagem à Jessica que ficou feliz em me conhecer pessoalmente em Juiz de Fora - MG e disse ser "muito minha fã" (estranho esse negócio de fã, hehehehe) no evento do Tufic esse ano e à Vanessa, que se tornou minha aluna (aliás, superpremiada por aí!) após assistir meu show "A nujum al araabia" em 2008.

Quem quiser saber mais, pode procurar algumas dicas no blog da Vanessa. Aproveitando a exposição... estarei lá!


Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dançando ao vivo

Quem já foi em algum show de Dança do Ventre com música ao vivo já reparou que quem faz as músicas são justamente aqueles caras atrás no palco? Pois é, tem bailarina que, quando dança ao vivo, parece que não enxerga isso. Uma banda ao vivo custa muito caro para serem utilizados como enfeites, em substituição ao CD.

Para quem nunca dançou ao vivo, pense nisso. Deixe seu repertório de mil sequências e mil arabesques um pouco de lado, dance "mais simples" e interaja não só com o cantor, mas com os músicos ali presentes (mesmo que a música seja apenas instrumental). Ah sim, e o público faz parte de um show ao vivo, não se esqueça dele.

Deixo aqui alguns vídeos como exemplo de como fica mais bonito de ver quando a bailarina faz esse tipo de interação. A Hadara Nur (SP) já tem intimidade com o Tony, por trabalharem juntos há muito tempo, o que facilita bastante para que você fique à vontade:


As bailarinas que dançam lá nos Emirados Árabes dançam, basicamente, só ao vivo. Os músicos do lugar e a bailarina ensaiam durante o dia, passam a conhecer um ao outro (o que facilita também)... Aqui, temos a Jacqueline Braga (SP) dançando em Dubai e ela mostra que sabe fazer isso bem:


Sobre isso de afinidade com os músicos; quem dera todas termos músicos próprios, como as grandes bailarinas egípcias que estudamos têm ou tiveram... Aqui, um exemplo do nosso orgulho, Soraia Zaied:


Quando falo de respeito a quem está no palco, o video abaixo mostra isso. Nadja El Balady (RJ) sai do chão e sobe ao palco para ficar perto dos músicos do Laieli al Sharq:


Eu já tinha dançado algumas vezes com o Tony, mas essa foi a que mais gostei:


- Mas quem não interage com o músico tá errada?
Não disse isso! Só estou dando minha opinião de que sim, para mim, fica mais bonito. Todas nós podemos e devemos ter nosso "momento estrela" na música, nenhum problema...

- Mas eu só danço coreografada, como faço?
Se você der a sorte da música ser tocada de forma bem parecida que o CD, beleza! Geralmente quem só dança coreografada, costuma estudar bastante e criar sequências. Logo, tem movimentos que saem automatizados, so... no problem!

- Mas os músicos estão tocando muito estranho, não consigo acompanhar!
Pode ser que você esteja dançando com músicos ruins, só isso.

E quem não tem a oportunidade de dançar sempre ao vivo? Ou quem nunca dançou com aquele cara  específico lá do palco? Bom, é importante que você tenha um treinamento já avançado em improviso, mesmo que você saiba qual será a música a ser tocada e estudá-la bastante! Estar alerta ao que está acontecendo no palco também faz parte, pois sempre existe uma chance grande de surpresas acontecerem, como um intervalo maior, uma aceleração, uma pausa, uma interação direta com o cantor/músico... Uma outra dica é, com internet, é mais fácil procurar saber como o músico em questão toca para as bailarinas. Aqui, deixo o vídeo da Natalia Trigo (RJ) dançando com banda ao vivo no Egito, com quem não nunca havia dançado:


Dançar com música ao vivo é bom demais! Só quem já experimentou e sentiu essa emoção, sabe o quanto é bom. Portanto, tendo a oportunidade de dançar ao vivo, não a deixe passar!

Bauce kabira,
Hanna Aisha