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domingo, 16 de janeiro de 2022

Antiguidade é posto (?)

Fazer/trabalhar com DV parece ter validade; pelo menos, no Brasil. A não ser que eu esteja vendo esse quadro de um ponto de vista muito estreito.

Desde que acompanho a DV no Brasil desde 2000, acho que identifiquei um padrão; depois de certa idade (40?), você começa a ser deixada de lado pelo próprio mercado, principalmente pelas próprias bailarinas-alunas.

Como toda profissão, leva-se anos e anos de estudo e experiência para se atingir um estágio em que sua opinião é solicitada, sua experiência consultada. Mas, é nesse ponto do texto em que o título entra: antiguidade é posto?

Pessoalmente, eu detesto essa frase e não a reproduzo nunca porque não é verdade. Receber esse posto (que na dança costuma ser de "mestra", "madame", etc) deveria vir acompanhado de sabedoria, lucidez, experiência, conexão com a realidade, certa humildade em reconhecer que seus pupilos podem te superar. E sabemos que não é óbvio. Infelizmente, muitas bailarinas pararam no tempo em termos de estudo e reproduzem o mesmo discurso de 20, 30 anos atrás. Ao mesmo tempo, quantas bailarinas com uma bagagem incrível (mesmo que ainda não tenham atingido a categoria de mestra) são colocadas precocemente de lado em prol de bailarinas mais jovens, bonitas e acrobáticas, claramente sem experiência e estudo suficientes para estarem lado a lado dessas bailarinas "velhas"?

Tenho dificuldade em aceitar que bailarinas tão jovens ocupem o mesmo posto de bailarinas incríveis que ainda têm muito a oferecer (óbvio que existem exceções). Número de seguidores, títulos, estéticas grandiosas (corpo, roupa, fotos, vídeos) e virtuosidade técnica são mais valorizadas que conteúdo e experiência. Não estou falando do que você acha: estou falando do que vemos que traz público ou não.

Esse fenômeno não é exclusivo da DV, claro: essas mesmas discussões acontecem dentro das danças urbanas, por exemplo, que também são danças de origem popular (sugestão: Podcast Pé na Orelha). E é exatamente isso que me intriga: a DV, uma dança de origem popular, riquíssima em cultura (musical, geográfica, social, política) não ter esses aspectos mais explorados pelos praticantes.

Não sou cientista social para dar uma avaliação precisa sobre o quadro atual da nossa sociedade imediatista e consumista de superficialidades. E sei que soo meio rabugenta; alguns, dirão com dor de cotovelo. Porém, é só um desabafo no meu blog mesmo.

Eu parei para pensar muito mais nisso quando percebi que, aqui nos EUA, as pessoas ainda consomem o que bailarinas de 50-60 anos ainda oferecem. Por que deveria ser diferente? Você não costuma confiar mais em profissionais dessa idade do que os de 20 anos ou recém formados? Por que na DV você faz o contrário?

No fim, quase toda discussão que eu tenho/trago chega à mesma pergunta: por que você faz DV? Pra quê? Por que você consome o que você consome dentro dela?

Gostaria da opinião de vocês, mesmo baseado nesse texto reducionista - porque sei que a realidade não é tão simplista como coloquei.

Bauce kabira,

Hanna Aisha

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

É possível separar arte de política?

Olá! Primeiro, veja o video abaixo:



Em uma entrevista para o jornal "Nexo", Paola Carosella, que é chef de cozinha, disse que toda escolha é um ato político. De quem e o que compramos são discursos mudos e que o verdadeiro valor da escolha é quando você sabe o que você tá escolhendo e quando você tem a possibilidade de escolha.

Cada vez mais se fala e se discute o reaparecimento de autocracias e da extrema direita no mundo e a fragilidade e falhas da democracia moderna. E a história já nos mostrou que uma das classes mais rapidamente afetadas em um quadro desse, é a artística porque é uma classe que costuma tratar de qualquer tema e da forma que lhe achar mais interessante - e é aí que quero criar o link com a Dança do Ventre.

Quando as bailarinas falam sobre identidade e estilo em DV, elas se referem à identidade que você quer construir e ao produto que você quer vender junto disso. Ou seja, você precisa definir que público você quer atender, que imagem você quer passar e o que você pode oferecer. A bailarina que construímos não necessariamente somos nós mesmas, aquelas do CPF. As qualidades e defeitos que temos enquanto pessoas físicas não precisam ser repassadas para a pessoa jurídica (artística).

Quando vamos para o palco ou para a sala de aula, sempre assumimos uma posição política - mesmo que você ache que não. Neutralidade é uma posição política e as pessoas tendem a achar que política diz respeito só ao que se passa no âmbito legislativo, executivo e judiciário. Nós fazemos política o tempo inteiro. Existe uma palavra em inglês - policy, a qual podemos traduzir para diretriz: diretrizes do prédio em que moramos, da empresa que trabalhamos, da faculdade que estudamos são decisões políticas também. Política diz respeito a como as sociedades humanas de organizam.

Nessa construção da definição da bailarina, uma das ideias é definir e construir uma mensagem que iremos passar. Pouca gente discute isso, mas o maior exemplo disso é a bailarina egípcia Dina, que com sua roupas ousadas, revolucionou os figurinos na Dança do Ventre como uma forma de protesto à moralidade religiosa do povo egípcio e da sua profissão como bailarina de Dança do Ventre - que não é levada a sério até hoje no Egito.

Fica aqui a dica desse episódio do podcast "Trabalho de Mesa" que acho que será um ótimo exemplo para complementar essa reflexão e essa live que realizei na minha conta no Instagram.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Tahia Karioca: pra estudar

Rushdy Said Bughdady Abaza nasceu dia 22 de fevereiro de 1919 em Ismaília, no Egito e morreu de ataque cardíaco no dia 20 de setembro de 1999, aos 80 anos.

Sua história não é muito diferente das bailarinas da época: foi desencorajada por sua família para trabalhar como bailarina e mudou-se para o Cairo. Lá, estudou dança na Ivanova Belly Dancing School e conheceu sua vizinha Badia Masabni, que lhe ofereceu a chance de trabalhar em sua trupe, após começar a trabalhar em seu cabaré vendendo frutas. Taheyya Mohamed, seu nome artístico inicial, ganhou popularidade rapidamente e foi no cassino onde ela conheceu o Samba (que era chamado de Carioca pelos egípcios) e pelo qual se apaixonou, sendo inserido em suas apresentações, posteriormente. Taheyya Karioka (ela trocou seu nome por conta disso) estrelou, em torno de, 120 filmes, além de ter trabalhado na televisão e no teatro. Samia Gamal era sua rival no cassino, mesmo que seus estilos de dançar fossem muito diferentes.

Tahia Carioca era muito meiga, delicada e graciosa, onde utilizava passos pequenos, com muitos oitos, redondos, camelos e sem marcações fortes. Ela fazia muito o redondo grande de quadril, deixando-o um pouco lento na frente. Os braços ficavam em, basicamente, 3 posições: meio alongados acima da cabeça ou do quadril ou posicionados na altura do rosto e busto:


Possuía uma técnica bastante sofisticada e fluida, cheia de emendas e explorando muito variações de altura, com o recurso de flexão dos joelhos. Mais tarde, ela incorporaria passos de danças latinas em suas performances. Tahia foi uma das bailarinas que ficaram conhecidas por elevar o nível técnico da dança oriental no Egito. Tanto que foi chamada pela revista "New York Times" como uma "pioneira da dança oriental moderna", isto é, como ela é dançada hoje.

Uma curiosidade: ela chegou a ser chamada para trabalhar em Hollywood, mas como seus braços eram considerados pouco elaborados, exigiu-se que ela fizesse aulas de ballet. Ela recusou, pois ela se considerava uma bailarina profissional e que não precisava de ajuda para dançar. Adivinha que foi trabalhar em seu lugar? Samia Gamal.


Tahia teve uma vida política ativa e era famosa por conseguir ser "sedutora sem ser vulgar", como o famoso autor Edward Said citou em um dos seus livros. Ela se aposentou da dança em 1963, mas continuou a carreira de atriz. Mais velha, converteu-se ao Islã, fez a peregrinação à Meca e passou a usar véu. Apesar de ela ter se casado 14 vezes, Tahia foi incapaz de conceber filhos.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Para dar uma estudada... literalmente (12)

O que você está precisando estudar? Braços e mãos? Leitura de lentos? Expressão? Produção? Leitura musical no geral? É só ver o vídeo abaixo da dança da Paula Trigueiro (SP):


Que trabalho primoroso, de imenso bom gosto, impecável. Nota 10.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Qual a importância de se fazer outro tipo de atividade física, paralela à dança?

Costumo escutar de muitas bailarinas profissionais as seguintes frases: “Caramba, eu dançava 5 minutos de said tranquilamente, agora danço 2 minutos e morro!” ou “Girar sem ficar tonta ou sem me desequilibrar nunca foi tão difícil” ou “Quando acabo de dançar sinto dor nas costas, joelho...” ou "Não tenho mas folego para dançar em restaurante”.

Se a dança do ventre já é uma atividade física, por que é importante fazer mais uma atividade?

Se formos pensar pelo lado de que precisamos fazer uma atividade física por conta da nossa saúde, fazer aula de dança duas vezes na semana seria suficiente para manutenção e qualidade de vida, certo?!

Minha resposta é não!

O nosso maior público de alunos são mulheres, que, ao longo dos anos vão perdendo cálcio, massa óssea, massa muscular, assim como, vamos perdendo, gradualmente, alongamento. Nosso metabolismo também desacelera, facilitando o aumento de peso. Será que só a dança do ventre ajudaria na perda de peso, na manutenção ou no ganho de massa muscular? E o alongamento? E o cálcio e colágeno que perdemos? A dança do ventre consegue repor o que estamos perdendo?

Pergunto a vocês, uma atividade física paralela à dança não ajudaria?

Vou começar a falar da academia que eu sei que a maioria não suportaaaaa! Sinto informar que ela faz bem e seu corpo agradece (rs)! Se fortalecermos nossas pernas (todos os músculos do MMII), estabilizamos os joelhos e isso nos ajudaria no equilíbrio, nos agachamentos que fazemos nos folclores árabes, sem contar (agora é a fisioterapeuta falando - rs) que, fortalecendo as pernas, diminui o atrito articular, ou seja, diminui o desgaste articular que acontece normalmente ao longo da vida. Se a dor no joelho era algo frequente na sua vida, tenha certeza que a dor vai diminuir ou acabar. O treinamento de força máxima na musculação pode melhorar a densidade mineral óssea e desempenho neuromuscular, além de prevenir osteoporose.

Pilates... Ah o pilates! Quem faz se apaixona (sou suspeita pra falar). No pilates, trabalhamos alongamento e força e possui os mesmos benefícios da academia, porém não hipertrofia e essa é a grande diferença entre pilates e academia. Se seu objetivo é ganhar volume, ficar com aquela coxa bem grossinha não é o pilates que você deve fazer. Porém, se seu objetivo é ficar com aquela perna fortinha e definida, vem pro pilates que você vai se dar bem!

Só estou falando de perna né?! Quem não suporta ver o braço mexendo naquele momento master do solo de percussão, levanta a mão! Então, bora fortalecer os braços também, minha gente! 

“Ah, mas eu não tenho força no braço, não consigo levantar 3 kg no halter”. Querida, força se ganha praticando, você não teve que treinar seu shimmie pra consegui soltá-lo? Com o seu braço, vai ser a mesma coisa, tem que treinar.

E o alongamento, Adrielli? Já se perguntaram o por quê de não conseguirem fazer aquele redondo grandão, descendo o tronco, quase encostando a cabeça no chão? Você pode estar com os seus músculos posteriores da perna encurtados e um bom alongamento ajudaria e muito nas suas performances. E o cambrê? Aaaaah, o cambrê! Pra se executar um bom cambrê, é importantíssimo fortalecer os músculos paravertebrais, porque se não estiverem fortalecidos, além da dificuldade de executar o cambrê, tenha certeza que você vai sentir dor nas costas.

Acreditem, fazer uma atividade física em paralelo à dança do ventre só irá trazer benefício a você, além de melhorar ainda mais sua qualidade de vida. A dança do ventre é uma dança incrível, pois nela trabalhamos nossa frequência cardíaca por ser uma dança aeróbica e fortalecemos muito nosso assoalho pélvico, porém ela não é uma atividade “completa”.

Então essa é minha dica para vocês meninas: pratiquem outro tipo de atividade física paralela à dança do ventre e torne a sua dança ainda mais linda!

Adrielli Brites
adriellibrites@gmail.com

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Comecei minha vida na dança aos 9 anos de idade. Aos 16 anos, me sindicalizei e comecei a dar aulas. Tenho formação de jazz, ballet clássico e dança do ventre. Minha paixão pela dança fez com que eu sempre tivesse vontade de aprender mais e, em 2012, comecei minha graduação em dança na Univercidade da Cidade. Só a graduação em dança não foi o suficiente e descobri o quanto sou apaixonada pelo corpo humano e suas inúmeras formas de se movimentar. Hoje estou cursando fisioterapia na Universidade Unisuam.
Atualmente, dou aula de pilates, Neo pilates, Bellyflex e Dança do Ventre.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dança do Ventre na mídia

Olá, gente!

Iremos tratar aqui de um post, mais ou menos, polêmico: DV na mídia.

Qual bailarina profissional de DV não quer uma chance, que seja de segundos, de aparecer na telinha, em uma novela ou programa famoso? Uma legião de bailarinas tiveram a oportunidade de dançar na novela "O Clone", da Rede Globo, no ano de 2001. Aliás, é INEGÁVEL que a DV tem o nível e o mercado que tem hoje por conta dessa novela. Eu era aluna há um ano e fiquei impressionada com o furor que a novela causou na profissão, de forma irreversível.

Depois disso, outras inúmeras aparições de bailarinas profissionais foram realizadas, em diversos canais diferentes de TV, com ou sem entrevista (aqui nesse link do Central da DV, tem uma série de programas em que a DV foi destaque em programas de TV no Brasil. Vale dar uma olhada!). Eu mesma, tive a oportunidade de aparecer em dois programas: o primeiro em 2008, no "Fantástico" da Rede Globo, onde falamos sobre barriga em DV (!):


A outra aparição foi em 2012, na Rede Record, com a nadadora Daynara de Paula, classificada para as Olimpíadas de Londres e que já tinha feito DV:


Há alguns anos atrás, rolou uma polêmica sobre a aparição de bailarinas de DV em uma despedida de solteiro na novela "Avenida Brasil" da Rede Globo e foi fofoca no Facebook por alguns dias, gerando posts em blogs:



Eu tenho que concordar com esse trecho que a Amar El Binnaz escreveu no post dela:

"O fato é que o estereótipo vende. O jogador de futebol ingênuo e burro, a personal trainer que sobe a calcinha até o cérebro antes de dar aulas, a mulher que pratica dança do ventre pra "pegar homem", a enfermeira particular que mata o patrão pra ficar com o dinheiro, o policial corrupto, o professor pegador, enfim... o estoque de atrocidades que a TV pode praticar com as mais diversas profissões é infinito"

Infelizmente, todas nós já nos submetemos em situações ruins, justamente por conta desse estereótipo. A recém-extinta "Sala de Dança" fez um podcast sobre isso chamado "Micos na Dança".

Então, onde ficamos nessa história? Apesar de, ainda, os contratantes/produtores insistirem em nos colocar em papéis um pouco fora da realidade, hoje em dia, ainda existe uma parcela deles que procura olhar nosso trabalho com valor. O ideal é, tentarmos saber, por antecipação, qual será a situação exata de trabalho, para decidir se você aceitará participar ou não.

Em 2012, fui contactada pela Rede Globo, para coordenar a Dança do Ventre na novela "Salve Jorge" por conta do meu post "Dança do Ventre Turca", mas a carioca Clara Sussekind, que dança na Turquia há muitos anos, acabou coordenando-a com maestria.

Recentemente, duas aparições na TV foram interessantes: a coordenação da cultura árabe da minissérie "Dois Irmãos" da Rede Globo por Cristina Antoniadis (SP) e Tufic Nabak (MG), com ajuda da Elaine Rollemberg (RJ) e a participação, com prêmio, das bailarinas cariocas Zahra Li e Priscila Samah no programa "Legendários" da Rede Record:


Parabéns a todas nós, profissionais da DV no Brasil, que ganhamos com a popularização dessa dança que tanto amamos! Vamos ajudar a construir uma imagem dela cada vez melhor!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Quem foi a primeira bailarina profissional de Dança do Ventre?

Vocês já pensaram nisso? Eu já, mas, infelizmente, os registros são muito raros e a maioria dos relatos são orientalistas, ou seja, pouco confiáveis. Além disso, é muito difícil definir quando a DV contemporânea começou de fato (talvez dentro dos cabarés cairotas?). Essa dança sofreu muitas transformações entre as Ghawazee e a Golden Era, juntamente com a organização das Feiras Mundiais e a importância das Ouled Nail.

Talvez, nunca saberemos quem foi a primeira bailarina de Dança do Ventre, mas sabemos sim, quem foram bailarinas muito famosas no século 19. Importante lembrar que "La danse du ventre" foi um nome cunhado pelos franceses após sua ocupação no Egito e que os americanos traduziram para "bellydance", ganhando o mundo.

Shafiqah El Copta nasceu em 1851, no subúrbio de Shobra, no Cairo. Sua família era respeitável, conservadora e modesta e ficou escandalizada quando ela começou a pensar em dançar. Aos 19 anos de idade, foi descoberta por Shooq e fugiu para aprender a dançar, enquanto sua família pensava que ela estava na igreja. Depois que se casou, ela viveu sob circunstâncias pobres e tentando melhorar, dançando nos clubes. Com a morte de Shooq, Shafiqa tornou-se a maior bailarina do Egito.

Kuchuk Hanem (1850-1870) já foi mencionada em dois relatos não relacionados de dois orientalistas, Gustave Flambert e George Curtis.

Extremamente importante mencionar que as bailarinas argelinas Ouled Nail foram as principais bailarinas que trabalharam nas Feiras Mundiais européias. Elas possuem uma dança muito diferente da que estamos acostumadas, apesar de reconhecermos nelas alguns movimentos. Elas foram grandes inspirações para a imagem que os norte-americanos criaram em cima da bailarina árabe:



Fatima Djemille ou Little Lady (1890-1921) dançou na famosa Feira Mundial de Chicago em 1893. Dizem que ela é a bailarina de dois filmes do século 19:



Na verdade, existiram diversas "Little Egypts" nos EUA, não sendo, inclusive, necessariamente, árabes. Ashea Wabe foi mais uma dessas bailarinas que viajaram no mundo através das Feiras Mundiais, assim como a Maria Chiquita:


Claro, Badia Masabni foi absolutamente crucial para determinar a Dança do Ventre como a conhecemos e trabalhamos:


Fontes: Gilded Serpent, Street Wing, aulas com Márcia Dib.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Para dar uma estudada... literalmente (11)

A Aysha Almeé é fonte de estudos sim, mas junto disso, vem a inspiração. Ela exala feminilidade, sensualidade, delicadeza. Quer trabalhar sua leitura para taqsim? Preste atenção nesse vídeo:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 28 de março de 2016

Samia Gamal: pra estudar

Samia Gamal é uma das grandes referências da Dança do Ventre. Ela fez parte da Golden Era, época que tanta bailarina admira e considera a "essência" da DV. Não importa se você concorda com isso ou não; o fato é que ela foi muito importante para o que hoje chamamos de Dança do Ventre.

Zeinab Ali Khalil Ibrahim Mahfouz nasceu no Egito, em 1924 e, ao mudar-se para o Cairo, teve a oportunidade de conhecer Badia Masabni, a qual lhe deu seu nome artístico, Samia Gamal.

Ela teve um caso, nunca oficializado, por 11 anos, com Farid El Atrache, famoso cantor e ator, que também trabalho no Casino da Badia:


Uma coisa interessante que ela declarou, por introduzir elementos ocidentais em sua dança é de que "Não há mais mudança na dança oriental. Ela se repete em todo filme". Ela redesenhou os figurinos de Dança do Ventre e trouxe energia às performances.


Em 1949, o rei egípcio Farouk proclamou Samia Gamal “A Bailarina Nacional do Egito”, que trouxe atenção dos EUA para a bailarina. Possui um estilo charmoso, gracioso e sedutor ao dançar, além de ser muito expressiva e simpática.


Samia Gamal deixou a dança mais expressiva, introduzindo o balé clássico e danças latinas em suas performances. Sua professora de balé sugeriu o uso do véu, para melhorar seu trabalho de braços, o que tornou seu uso muito popular. Difundiu-se por aí que ela foi a primeira bailarina a usar salto alto , mas isso não é verdade. Shafiqah El Copta já usava sapatos durante a dança no início do século 20. Ela também participou de dezenas de filmes.


Ela utiliza muitos giros (de braços abertos ou segurando a saia, inclusive) e deslocamentos, com arabesques ou camelos pequenos. Ela usa os oitos em quase toda a dança, além de abusar dos braços na frente e ombros, os quais ela utiliza muito para fazer acentos. Ela, porém, faz poucos shimmies.


Ela é uma ótima referência de estudo, caso você queira mais dinamismo e "desfocar" um pouco do quadril. Ela não é minha preferida mas, sem dúvida, tenho um profundo respeito.

Aqui, uma maravilhosa estrevista com ela.


Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Etiqueta com bailarinos convidados

Feliz 2016, que chegou cheio de novidades!

Começo a dar aulas em um espaço que respeito e frequento há tempos aqui na cidade, o Espaço Mosaico. Terei uma turma de DV intermedário e de Dabke regular! Além disso, ministrarei lá um curso de verão de Dabke no final de janeiro e vou dançar no Al Khayam novamente, a convite da Aisha Hadarah! 2016 começou bem!

Bom, mas como o título do post sugere, o assunto principal será outro e já pensei em um post com um tema bem direcionado, para ser refletido com calma por todos nós.

Há anos atrás, falei aqui no blog sobre a responsabilidade de organizar evento, assunto recorrente no nosso meio. Depois, voltei a falar sobre isso com um pouco mais de detalhes, sendo mais direta mesmo. Por fim, pensei e escrevi sobre o que pode estar acontecendo para que algum evento não tenha dado muito certo.

Dessa vez, o post se dirige a todos aqueles que desejam organizar ou já organizam eventos, porém chamarei atenção sobre o tópico: convidados especiais!

... aí você vê as fotos das bailarinas da sua cidade trazendo alguém famoso e se pergunta: "Por quê não eu?"

Até aí, tudo bem, pessoas têm que dar a cara a tapa para fazer o mercado movimentar. Mas o desejo de realizar quase nunca conversa bem com a realidade. Qual a realidade? A sua mesmo, por motivos variados.

Como já organizo eventos desde 2008 e sempre com bailarinos de fora do RJ, acabei trocando muita, muita informação de como outras pessoas no Brasil realizam seus eventos. E gente, o meu pensamento, com exceções (felizmente), sempre é o mesmo: "Nossa, vergonha alheia!"

Não somos "globais" e, na boa, nunca seremos. Nunca ganharemos, como classe trabalhadora, o que atores "globais" ganham. Então, vamos falar de coisas realmente palpáveis e perfeitamente realizáveis, que irão garantir um mínimo de profissionalismo e qualidade ao seu evento:

- Faça um contrato real entre ambas as partes. Isso torna o mercado cada vez mais profissional porque vai exigir uma postura profissional de ambas as partes; um contrato com assinatura reconhecida no cartório pode gerar processo. O contratado NÃO é seu amigo.
- Compre a passagem assim que os contratos estiverem em mãos. Não deixe para cima da hora e o consulte sobre o dia que ele prefere ir e voltar. Não se esqueça que ele não está à sua disposição, pois possui outros compromissos em sua própria cidade. Ah sim, VOCÊ é quem paga a passagem dele, afinal, o convite foi seu.
- Ofereça um hotel para a estadia do contratado. Ele não tem obrigação de ficar na sua casa e não, não é frescura da parte dele. O contratado NÃO é seu amigo.
- Você é obrigado a cuidar do transporte e da alimentação do seu convidado em todos os momentos. Ele não é obrigado a conhecer e a andar sozinho na sua cidade, mesmo que ele já tenha ido uma ou mais vezes. O contratado NÃO é seu amigo.
- Ofereça um camarim decente e, se puder, reservado. Ok, nem sempre é possível, mas limpo, arejado e bem iluminado é importante. E não o coloque com quaisquer pessoas para trocar de figurino e para esperar sua vez de entrar. Nem todas as bailarinas, alunas ou profissionais, sabem se comportar nos bastidores (infelizmente).
- Não há problema em fazer uma contra-proposta, caso tenha achado o cachê alto. Mas, uma vez combinado, honre o compromisso! Assim como o contratado deve honrar com o dele! Daí a importância do contrato!
- Considerando que você vai utilizar cartazes com um design decente, peça ao seu contratado lhe enviar as imagens ele quer divulgar de si mesmo. Não escolha a foto que você quer para colocar no cartaz. Comumente, elas ficam em baixa resolução ou são antigas. Ah sim, contratados: exijam o mesmo do contratante.

Não quer ter um bailarino famoso falando mal do seu evento para outra pessoa, contratante ou não (caso, ele seja um bom contratante)? Então, vamos a outras dicas:

- Você não é obrigado a fazer turismo nem dar presentes para o contratado; é uma escolha sua que, no geral, cai bem. Mas, se não vai rolar ou não tem chance de acontecer por algum motivo, ok; não faça. Sem neura.
- Dê atenção ao seu convidado, ou seja, procure saber se ele está bem, se precisa de água ou qualquer outra coisa. Alguém do staff pode fazer isso por você, não precisa ser você fazendo tudo. Mas não o abandone. Nunca. Em nenhum lugar e em nenhuma situação.
- Não conseguiu o número mínimo de alunos ou do valor de cachê combinado? Problema seu. Todo negócio tem seu risco. Gente, POR FAVOR: NÃO TENTE RENEGOCIAR O VALOR APÓS O EVENTO! Daí a importância do contrato!
- Não existe um compromisso moral, de ambas as partes, de se tornarem amigos. Amizades podem ser iniciadas sim, a partir de uma contratação despretensiosa, mas não é obrigatório. Logo, não force a barra, nem antes nem depois.

Já ouvi e continuo ouvindo coisas horríveis sobre como convidadas especiais são tratadas, em diversos lugares do Brasil. Repetindo: ser bem tratada não significa ter luxo "global". A gente está falando do mínimo de respeito profissional mesmo.

Você não pode organizar um evento de qualquer maneira para, apenas, exibir a bailarina no seu Facebook, como se fosse um troféu. É só se colocar no lugar do outro.

"Mas, Hanna, você nunca errou organizando eventos?"
Claro que sim, principalmente, no início. Mas, o erro, uma vez cometido, não se repete.

Se você quer começar a organizar evento de qualidade, pergunte a alguém que já fez um e você gostou, faça parceria com alguém com experiência ou contrate alguém para produzi-lo em seu lugar. Daí, as chances de cometer gafes diminuem.

Não preciso dizer que existe exceção para tudo na vida, né?

Para pensar: Como você gostaria de ser tratado, caso você fosse o bailarino contratado?

Por um mercado mais forte e profissional.
Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Para dar uma estudada... literalmente (10)

O que dizer dessa leitura, energia, beleza e simpatia? Nada. Primeiro a gente admira; depois a gente para e estuda cada momento.


Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Charles Darwin e a Dança

Olá!

Livros sobre ciência estão sempre sendo lidos por mim, dentro do esperado. Mas minha mente não conseguiu se desvincular da dança ao ler "A expressão das emoções no homem e nos animais", de Charles Darwin (1872).

Não entendo de psicologia nem de neurobiologia, mas imagino que o conteúdo do livro deve estar bastante defasado. De qualquer maneira, consegui extrair dele algumas coisas interessantes para discutirmos aqui, em um blog de dança.

Uma das coisas que ele aborda é que "algumas ações, normalmente, associadas pelo hábito com certos estados de espírito, podem ser parcialmente reprimidas pela vontade, e nesses casos, os músculos que estão menos submetidos ao controle separado da vontade são os que mais tendem a agir, causando movimentos que reconhecemos como expressivos".

O que eu traduzi desse trecho, a partir do entendimento do livro como um todo, é de que as nossas expressões atuais resultam de muitas gerações associando um estado de espírito e uma forma de expressá-la. Por exemplo: se sentimos alegria, os músculos ao redor da boca se arqueiam para cima.

Não vim aqui discutir o certo ou o errado dessa afirmação, mas definitivamente, essa ideia me fez pensar no que acredito muito e sempre ensino às minhas alunas: para executarmos um movimento novo dentro da dança, precisamos raciocinar em cima dele, gerar uma intenção, entender a técnica e não simplesmente, copiarmos sem saber o que se está fazendo. Já tentou de, em vez de só copiar sua professora, pensar sobre o que está fazendo? Ter essa intenção ajuda a gerar memória muscular e treinando, pensando sobre ele, em breve, ele sairá de forma automática; você só dará o comando e não mais pensará durante o movimento, preocupada em como executá-lo.

"De todos os fatos que apresentei, resulta que os sentidos, a imaginação e mesmo o pensamento, por mais elevado e abstrato que o consideremos, não podem ser exercidos sem despertar um sentimento correlativo; esse sentimento se traduz diretamente, simpaticamente, simbolicamente ou metaforicamente em todas as esferas dos órgãos exteriores, que o exprimem segundo seus modos próprios de ação, como se cada um deles tivesse sido diretamente afetado". Pierre Gratiolet

Concordo com ele, mas acho que essa ideia pode ficar restrita apenas à sua vida pessoal. O mesmo raciocínio do Darwin pode ser utilizado para o treinamento da expressão no geral. Expressão também se treina e fica menos à mercê do seu sentimento no momento.

O que eu entendo de "dançar com a alma" é dançar por prazer e por escolha. Não precisamos dançar e deixar o sentimento do momento transparecer durante sua dança pois nem sempre ele será de alegria ou satisfação. Ou todo mundo aqui nunca dançou triste, nervosa ou preocupada? Se sim, conseguiu disfarçar isso? Como?

Sugestão de leitura:

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 30 de maio de 2015

Para dar uma estudada... literalmente (9)

Como a própria Aysha Almeé diz, "o dia que deixarmos de estudar o quadril, deixaremos de estudar Dança do Ventre". Delícia de quadril, de vídeo, de tudo.


Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 8 de março de 2015

Para dar uma estudada... literalmente (8)

Delicadeza, um lindo trabalho de quadril e expressão harmonizada com essa versão maravilhosa de "Lissa Faker". Não consegui tirar os olhos:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 17 de janeiro de 2015

DVDs de Dança - parte 6


Lindonas,

Recomendo o DVD de Véus da bailarina Ana Claudia Borges (SP), produzido pela Ventreoteca da Revista Shimmie! A Ana Claudia é uma grande bailarina no quesito véu aqui no Brasil, tanto pelo manejo quanto pela criatividade do seu uso.

Ela começa apresentando movimentos super básicos e vai até movimentos  mais avançados, incluindo véu duplo e sete véus.

Vale a pena ter o DVD como um consultor, caso você se sinta um pouco repetitiva no seu manejo com o véu e queira relembrar ou dar uma inovada mesmo.



Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Estilo brasileiro de Dança do Ventre?

Eu ouvi de uma bailarina, que o estilo brasileiro de DV estava surgindo mas nunca havia parado para pensar como e por quê, acho que não prestei muita atenção na época. Alguns anos depois, Hossam Ramzy diz que, atualmente, as melhores bailarinas de DV são brasileiras [nossos egos inflam]. Por quê será que ele disse isso? [não perguntei porque não cabia na hora, apesar de ter ouvido isso ao vivo]

Coloquei aqui uns vídeos tentando representar cada uma das cinco partes do nosso país continental para pensarmos juntas nessa história. Gente, não preciso dizer que é difícil escolher vídeos muito representativos. Nós sabemos que existem diferentes trabalhos dentro de uma mesma região, mas vou colocar vídeos que eu gostei. Sem estresse.

Representando o sudeste, escolhi a Kiania (SP) para representar a DV que a galera tem tendenciado a fazer:


Para representar o sul, coloquei um vídeo da Vanessa Castro (PR), trabalho que eu costumo gostar de ver porque sua leitura me agrada:


Para representar a região norte, escolhi a Adriana Amazonas (AM):


Para o centro-oeste, escolhi a Dunia (DF)! Adoro!


E, finalmente, para o Nordeste, escolhi a Nuriel el Nur (RN):


O que será que há em comum entre todas nós, brasileiras: beleza, carisma, quadril solto, desenvoltura? 

Como a Daiane Ribeiro escreveu em seu blog, se "a dança do ventre não é um patrimônio nosso, devemos ser realmente uma cópia fidelizada das egípcias? Há necessidade de mantermos um bom senso, de nos esforçarmos para manter essa identidade original?" Acho que podemos (não sei se devemos) criar uma identidade própria, pois nosso maior público está aqui e inevitavelmente, como a Vivi comentou lá, a DV ganha elementos culturais de acordo com o lugar onde se estabelece (você já leu a tese de doutorado da Roberta Salgueiro?). De quê adianta apresentar algo tão genuíno se o público para o qual você trabalha pode não se identificar (e, provavelmente, com isso, não ficar atraído)?

Porém, a necessidade de entendimento da cultura árabe deve se mantida, pois é nela que nos inspiramos para passar um trabalho sólido, tanto na sala de aula quanto no palco, já que o conhecimento bem estruturado nos dá segurança e liberdade de modificarmos o que nos interessa, a fim de criarmos nosso próprio estilo.

Você acha que existe um estilo brasileiro? Fique à vontade para opinar!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Para dar uma estudada... literalmente (7)

Como não se apaixonar pela leitura limpa e elegante, além da beleza de Marta Korzun? Para ver e rever, além de, claro, estudar!


Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 23 de março de 2014

"Ter ou não ter DRT"

Post a pedido de Izza
Revisado em 04/01/2018

"O nome dela é Flatulah Khadufa.
Faz aulas de Dança do Ventre desde tempos imemoriais, então se auto-intitula bailarina.
...
Assim, penso: será que os leigos serão enganados para sempre?
Não, a moça não pode correr esse risco! Ela vai, com certeza, buscar algum tipo de certificação - no caso, o DRT (que para quem não sabe, é um documento que "capacita" artistas a exercerem sua profissão).
Sim, ela vai conseguir.
...
Afinal, se uma atriz global é capacitada como bailarina profissional, por que não ela, pobre Flatulah?
Ela, no fundo, sabe que o DRT não atesta sua capacidade como Belly Dancer.
...
E que, no fim, a única pessoa quem ela vai enganar com um título qualquer é ela mesma".

Para a história completa, ir no Blah do Fallahi.

Em qualquer emprego decente que eu arranjar,
meu CRBio será exigido para trabalhar como
bióloga.
"Ter um DRT" significa ter um registro perante ao Ministério do Trabalho como artista/bailarina e uma filiação em um sindicato de Dança. Como qualquer outra profissão reconhecida pelo MT, o registro é sua permissão para exercer a profissão, como todos os "CRs" que conhecemos. Como não existe nenhum Conselho da Dança, não temos "CRD - Conselho Regional de Dança" como os médicos possuem CRM e sim, o DRT, emitido pelos Sindicatos.

Lá no site do Sindicato de Dança do Profissionais do RJ (SPDRJ) eles dizem que o papel dele como instituição é (resumido por mim): "representar e defender os seus interesses junto à sociedade, portanto, concretiza a união dos trabalhadores de uma categoria profissional. Nós somos uma categoria diferenciada, especial e precisamos estar sempre atentos ao cumprimento das leis e normas que conseguimos, após longos anos de luta, conquistar. Você adquire o poder de voz e voto em Assembléias para definir os novos rumos do nosso Sindicato. A sua entidade de classe discute e busca soluções para a situação do seu emprego, o desenvolvimento do setor, as perspectivas da profissão. Incentiva e cria cursos que visam o seu desenvolvimento profissional e crescimento pessoal. Sem luta não haverá conquistas e nada nos será concedido".

Logo, dependendo do Estado brasileiro que você mora e do sindicato que tem (caso ele tenha um), se você quer fazer parte desta luta pela classe ou requerer financiamento público para seus espetáculos, você obrigatoriamente precisa do DRT. Mas, se você não se encaixa em nenhum desses requisitos, o DRT não serve para nada, pois não conheço nenhuma academia de dança (tomara que exista) que exija de suas professoras, o DRT.

Se eu entendi, o DRT é uma licença para trabalhar como bailarina?
Sim.

Então, eu não preciso de DRT para dar aulas?
Não.

Conclusão da história: do jeito que trabalhamos com a dança no momento, o DRT é absolutamente inútil, apesar de culturalmente, isso representar o "profissionalismo" de alguém [não farei aqui a discussão do que é profissionalismo, pois o tema é longo]. Mas se você quer fazer parte do crescimento dessa classe artística perante a sociedade, sim, você precisa ter o DRT para "entrar na roda" de alguma maneira oficial.

Essa história foi discutida na live que fiz com a Samra Sanches na minha conta no IG. O que você acha dessa história toda? Qual sua experiência?

Bom trabalho!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

Dicas:

- Lá no blog da Lu Arruda, ela fala sobre ética e profissionalismo e ela diz que ser profissional na dança engloba ao menos três fatores: Conduta ética, Nível técnico e Tempo de carreira e/ou shows realizados.
- O SPDRJ sugerem uma tabela de cachês mínimos, dê uma olhada.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Para dar uma estudada... literalmente (6)

Talentos "desconhecidos" pela maioria do público de DV no Brasil é muito mais comum que a gente pensa. E o Rio de Janeiro, tem provado isso para mim, cada vez mais. Natalia Trigo já é uma "velha" conhecida nossa e sempre, sempre arranca suspiros da gente. Mas, dessa vez, ela deu uma verdadeira aula de entrega e técnica. E de esperança (sim, esperança!) pois provou que sim, é possível ter estilo próprio!


Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 9 de março de 2014

Nacionalidade na Dança do Ventre

Post revisado e reescrito em 19/09/2020

Nessa semana que passou, algumas pessoas compartilharam esse texto, em que a autora diz que "não aguentar bellydancers brancas" (não no sentido racista de cor, mas de país) porque, resumindo, a Dança do Ventre é do Egito e bailarinas não egípcias não sabem o que dançam ou como devem se vestir, são estereotipadas. Isso causou bastante desconforto entre as profissionais não egípcias, tanto que escreveram um outro texto contestando bastante o original. Vale dar uma olhada!

Apesar de parecer um consenso de que a origem da Dança do Ventre é na África (O Egito fica no norte), ela alcançou o mundo inteiro e hoje, é basicamente impossível engolirmos esse movimento "possessivo", que tenta mantê-la como propriedade única do Egito.

"Não há nacionalidade para a arte". Tratando-se de danças étnicas, como a Dança do Ventre, essa frase pode não caber, dependendo do contexto. Mas, foi inevitável; temos muitas bailarinas não-egípcias que são conhecidas mundialmente porque elas têm talento e uma história de busca e determinação. Quem imaginou uma latina (no caso abaixo, argentina) fazendo sucesso no Egito?



Temos a Jillina, também americana, trabalhando muito pelo mundo:



Alguns documentários já relataram a dificuldade de se formar novas bailarinas egípcias por conta desse novo conservadorismo religioso. Então, como manter a tradição da Dança do Ventre no Egito, que é um importante movimentador de dinheiro no país? Uma das soluções encontradas foi importando bailarinas! A Nour, bailarina citada no podcast, é asiática (russa), casada com um sírio e morando no Cairo, há muitos anos. E eles percorrem o mundo dando show. Alguém tem dúvidas de que ela merece estar onde está?



Os brasileiros costumam considerar os europeus como um povo frio e introspectivo. E o sentimento, por que não podemos compartilhá-lo? Afinal, todos nós somos seres humanos! Amor, alegria, satisfação, tristeza, são universais! Se não fosse, por que uma holandesa como a Anusch, consegue dançar tão bonito?



A Dança do Ventre atravessou muitas águas e agora divide espaço com cangurus e surf na Austrália! Por que não?



Não poderíamos deixar de citar nosso orgulho brasileiro: Soraia Zaied, que arrasa lá no Egito!



Nós, não-egípcias, criamos, adaptamos, reinventamos a DV, tudo baseado na nossa cultura e história pessoal. Tem problema isso? Sim, pode ser perigoso, por conta da apropriação cultural (que merece um post só dele). Reconhecer as egípcias como a fonte primária dessa dança é o primeiro passo para diminuirmos esse problema. Além disso, precisamos dessas referências para nos colocar "de volta no chão" e nos fazer refletir sobre o que é Dança do Ventre e por que a escolhemos.

Tem mais gente falando sobre isso, dá uma olhada: Amar El Binnaz, Dança do Ventre Brasil, Dunya. Também sugiro esse post da Nadja el Balady.

Bauce kabira,
Hanna Aisha