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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dança do Ventre na mídia

Olá, gente!

Iremos tratar aqui de um post, mais ou menos, polêmico: DV na mídia.

Qual bailarina profissional de DV não quer uma chance, que seja de segundos, de aparecer na telinha, em uma novela ou programa famoso? Uma legião de bailarinas tiveram a oportunidade de dançar na novela "O Clone", da Rede Globo, no ano de 2001. Aliás, é INEGÁVEL que a DV tem o nível e o mercado que tem hoje por conta dessa novela. Eu era aluna há um ano e fiquei impressionada com o furor que a novela causou na profissão, de forma irreversível.

Depois disso, outras inúmeras aparições de bailarinas profissionais foram realizadas, em diversos canais diferentes de TV, com ou sem entrevista (aqui nesse link do Central da DV, tem uma série de programas em que a DV foi destaque em programas de TV no Brasil. Vale dar uma olhada!). Eu mesma, tive a oportunidade de aparecer em dois programas: o primeiro em 2008, no "Fantástico" da Rede Globo, onde falamos sobre barriga em DV (!):


A outra aparição foi em 2012, na Rede Record, com a nadadora Daynara de Paula, classificada para as Olimpíadas de Londres e que já tinha feito DV:


Há alguns anos atrás, rolou uma polêmica sobre a aparição de bailarinas de DV em uma despedida de solteiro na novela "Avenida Brasil" da Rede Globo e foi fofoca no Facebook por alguns dias, gerando posts em blogs:



Eu tenho que concordar com esse trecho que a Amar El Binnaz escreveu no post dela:

"O fato é que o estereótipo vende. O jogador de futebol ingênuo e burro, a personal trainer que sobe a calcinha até o cérebro antes de dar aulas, a mulher que pratica dança do ventre pra "pegar homem", a enfermeira particular que mata o patrão pra ficar com o dinheiro, o policial corrupto, o professor pegador, enfim... o estoque de atrocidades que a TV pode praticar com as mais diversas profissões é infinito"

Infelizmente, todas nós já nos submetemos em situações ruins, justamente por conta desse estereótipo. A recém-extinta "Sala de Dança" fez um podcast sobre isso chamado "Micos na Dança".

Então, onde ficamos nessa história? Apesar de, ainda, os contratantes/produtores insistirem em nos colocar em papéis um pouco fora da realidade, hoje em dia, ainda existe uma parcela deles que procura olhar nosso trabalho com valor. O ideal é, tentarmos saber, por antecipação, qual será a situação exata de trabalho, para decidir se você aceitará participar ou não.

Em 2012, fui contactada pela Rede Globo, para coordenar a Dança do Ventre na novela "Salve Jorge" por conta do meu post "Dança do Ventre Turca", mas a carioca Clara Sussekind, que dança na Turquia há muitos anos, acabou coordenando-a com maestria.

Recentemente, duas aparições na TV foram interessantes: a coordenação da cultura árabe da minissérie "Dois Irmãos" da Rede Globo por Cristina Antoniadis (SP) e Tufic Nabak (MG), com ajuda da Elaine Rollemberg (RJ) e a participação, com prêmio, das bailarinas cariocas Zahra Li e Priscila Samah no programa "Legendários" da Rede Record:


Parabéns a todas nós, profissionais da DV no Brasil, que ganhamos com a popularização dessa dança que tanto amamos! Vamos ajudar a construir uma imagem dela cada vez melhor!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 12 de janeiro de 2014

Por que Dança do Ventre?

Feliz 2014!

Particularmente, para mim, o Ano Novo não me representa renovação. Minha vida é renovada dentro dos capítulos que eu inicio e consigo fechar, por exemplo: escola, graduação, mestrado, doutorado, emprego... Mas, de qualquer maneira, desejo que esse ano seja mais enriquecedor e mais leve que 2013! E retomo o blog com a seguinte pergunta: Por que você resolveu fazer Dança do Ventre? 

Cada um dos praticantes dessa dança (que dizem ser milenar) tem seus próprios motivos: se encantou com alguma música, livro, pintura, vídeo, dança; a família é árabe... uns mais clichês, outros mais específicos. Não importa: não há quase ninguém no mundo que não se sensibilize com a música árabe pela primeira vez e não imagine um mundo exótico de sonhos (vamos discutir o orientalismo depois em outro post?).

Quem aprendeu DV pelos anos 90, vivenciou outro mundo de "regras", figurinos, música e movimentos. Algumas bailarinas ainda mantêm algo desse "momento", são conhecidas por "old school", como a Yasmin Nammu:



E é justamente esse momento old school que algumas bailarinas que, hoje têm por volta de 15-20 anos de dança, contam que se apaixonaram por ela, dessa forma que era dançada. Suave, sensual, etérea, quase mágica. Hoje, essas mesmas bailarinas, reclamam, dizendo que "falta essência" na dança das bailarinas mais novas, que o excesso de técnica e de "strass" tirou.



E quem está certo nessa história? Hum... ninguém a meu ver. É questão de gosto mesmo. Tem público que gosta de performances mais do que "dança com sentimento". E vice-versa. Eu acredito que toda forma de expressão artística (também não discutiremos isso aqui hoje) tem seu espaço, mas garantir a popularização e o "sucesso" de todas é tarefa realmente difícil.

A questão desse post é fazer você refletir no que você quer dançar. Onde você se sente mais confortável? Você já tentou experimentar esse "retorno à essência"? Já tentou se desamarrar do que é moda e procurou sentir em você o que te dá satisfação? Já percebeu o que em você mais agrada ao público?

Convido a todos vocês a fazerem essa reflexão, não importa se você é aluna, profissional, professora, produtora. Saber o que lhe faz bem e que seus objetivos, em cima desse bem-estar, estão sendo atingidos, é o que pode tornar o seu 2014 mais enriquecedor e mais leve, como eu desejo. Sem frustrações e excesso de cobrança.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estereótipo x Aprofundamento

No ano de 2012, refleti muito sobre meu papel como professora e bailarina e na verdade, ainda não cheguei em uma conclusão muito clara sobre que quero para mim na Dança do Ventre. É muito evidente para mim mesma que trabalho muito e busco aprimorar minha técnica no geral (expressão, figurino, etc estão incluídos) e que passo isso para quem tem aula comigo. Assim, como procuro saber muito sobre a cultura, acompanho o trabalho de várias bailarinas, enquanto outras são fontes minhas de estudo... mas, e daí? Quem realmente se importa se said é balady, se o ritmo é masmoudi ou se Dança Tribal não é Dança do Ventre?

Nós mesmas! Porque o povo, quer mesmo é ver isso aqui:



Daí, me veio a pergunta: para quem eu quero trabalhar e realmente ganhar dinheiro e ficar satisfeita emocionalmente? Pro povão ou pra bailarinada? Essa pergunta faz parte do seu autoconhecimento e dos seus objetivos dentro da dança que toda bailarina deve manter para permanecer no mercado.

Não sei. Talvez eu prefira o meio do caminho e por mais que em todos os meus shows, eu dê uma programação explicando as danças, sempre que existe uma abertura, eu falo sobre o assunto, porém não sei até onde o povo quer aprender sobre cultura e danças árabes. Daí minhas dúvidas até hoje.

A coisa mais estereotipada que fiz foi uma coreografia para a filha da minha amiga e acho que para criança, combina bem:


Mas, afinal, quem está ganhando mais dinheiro, não é mesmo? Porque para ganhar dinheiro com o povo você não precisa de um figurino da Simone Galassi nem fazer workshop com Gamal Seif. Mesmo.

Pra pensar.
Bauce kabira,
Hanna Aisha

quarta-feira, 16 de março de 2011

Shaabi ou Neo Mawwal e Mahagaranat

Revisto e reescrito dia 19/04/18

Shaabi, assim como o tarab, são expressões egípcias muito características e que, só recentemente, a gente, no Brasil, está começando a entender o que realmente são. Já comentei sobre o shaabi em outro post, mas aqui eu quis falar mais e mostrar mais vídeos pra gente focar no tema.

Já escreveu Roberta Salgueiro que o mesmo nasceu dentro das classes D e E e junto da influência da música ocidental, o shaabi tornou-se a versão mais urbana e popular da música baladi, com a ajuda da difusão das fitas cassete nos anos 60 e 70. É sempre cantada e as músicas falam sobre o cotidiano dessas classes, com sátiras, duplo sentido, letras debochadas ou com conotação sexual:


Os maiores cantores no Egito são Hakim, Amina e Saad el Soghayer, mas é importante saber que Ahmed Adaweya foi um dos pioneiros e quem criou várias músicas conhecidas nossas. Aliás, acho que ele merece um post só dele!


O shaabi chegou às classes altas com letras mais suaves, podendo agora ser dançado por mulheres e nos palcos. Você não deve estar preocupada em seguir a música, dançar espontaneamente, não se preocupar tanto com complexidade de passos, permitir-se; inclusive, cantar pode!


Pensando em um shaabi para palco, nesse vídeo eu danço uma música que trata do casamento e da "alegria de se casar". Por isso entro com um buquezinho... ah sim, mega importante vocês saberem as letras justamente para poderem expressar na dança o assunto tratado e também saberem se não estão sendo chamadas de "mulher-melão", se a letra tem conotação religiosa ou mesmo é de baixo calão.


Sobre a roupa, vai depender: você pode se apresentar com a roupa típica do baladi, a galabya e, assim reforçar seu caráter "tradicional" ou dançar com uma roupa de DV. Vai ficar bem harmoniosa se você escolher uma música mais moderna, no último caso. Mas, claro, não é regra. Aliás, é importante entender que não há regras no shaabi, apenas entendimento de que ele é uma dança espontânea e atual.

This is real shaabi, baby!


O shaabi ainda é executado em áreas pobres, principalmente, em casamentos em que todo mundo dança junto e, segundo a Raqia, ele só existe no Cairo e em Alexandria. Aliás, ela recomenda que não se use snujs ou qualquer acessório... mas, eu não vejo por que usar snujs não combina.


Mas e o tal Maharaganat?

Não se espantem caso vejam uma apresentação do chamado street shaabi. Ele surgiu depois da revolução de 2011 no Egito. Algumas bailarinas já fazem isso há um certo tempo, mas chegou no Brasil muito recentemente. Nessa expressão  do shaabi, a dança é mais masculina (menos purista, digamos assim) e bem mais ocidentalizada por conta da influência do hip hop americano. Tá valendo! O mundo é globalizado! Soraia Zaeid tem sido uma das grandes popularizadoras do estilo:


Fontes: Anotações pessoais de aulas com Jade El Jabel, Luciana Midlej, Maira Magno, Nour, Orit Maftsir, Raqia Hasan, Blog Yallah!.

Bauce kabira,
Hanna Aisha