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segunda-feira, 5 de março de 2018

Livros de dança - parte 6

Olá, bellynerds!

Quanto tempo que não escrevo um artigo sobre livros de dança! O motivo é simples; eu estava sem livros de dança para ler! 

Bom, o primeiro que li foi o livro "Círculo Mulher" da Shalimar Mattar (SP), que comprei pessoalmente com ela em um evento no RJ e que ela autografou. Ele me pareceu um livro introdutório à Dança do Ventre pois, através de uma linguagem bem leve, fala sobre aspectos diversos que a Dança possui e pode proporcionar às suas praticantes, passando por um pouco de história até espiritualidade. No fim do livro, existem diversos relatos positivos de pessoas envolvidas com arte, em especial, com a Dança do Ventre. Eu acho que esse livro é um instrumento bastante interessante, pois pode ser lido tranquilamente por não-praticantes da Dança do Ventre e, com isso, talvez, atrair possíveis novos interessados.

O segundo livro é "Música Árabe" da Marcia Dib (SP). Ao contrário do livro da Shalimar, esse é extremamente técnico e denso e não é sobre dança em si. É um livro para interessados em música árabe, mas as praticantes de Dança do Ventre também podem lê-lo e aproveitá-lo de alguma maneira. A temática me interessava bastante, mas teve trechos que eu simplesmente não entendi porque não tenho nenhuma formação nem experiência com música de nenhuma cultura (só sei tocar um pouco de snujs!). Ele é um grande repositório de informações que você pode consultar sempre que tiver uma dúvida pois é extremamente organizado e cheio de referências (aspecto que toda pessoa que fez pós-graduação carrega em si). Porém, apesar de ser de difícil entendimento, eu não deixo de recomendá-lo, pois contém informações preciosas que me ajudou a ligar os pontos com relação ao tema e à própria dança.

Espero que tenha ajudado vocês com seus estudos!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dança com Snujs

Snujs são címbalos de metal, muito presentes nas músicas orientais. É um acessório comumente tocado pelas bailarinas e item quase obrigatório na dança das ghawazee.

Eu, particularmente, super curto dançar com os snujs, mas confesso que ele tem estado de lado um pouquinho por estar mais focada em outras coisas na dança.

Tenho dois pares: um menor, para restaurantes e outro maior, para palco. As sonoridades são bem diferentes e sim, existem qualidades diferentes de snujs. Logo, se você quer comprar um de boa qualidade para sair um som legal, informe-se com quem comprar! Para treinar, você pode ter um menor e mais barato.

Existem duas maneiras de tocá-los:
1) Batendo no DUM com sua mão mais firme (costuma ser a que você escreve)
2) Batendo no DUM com as duas mãos

Os TAKA são marcados na sua mão menos firme.

A melhor maneira de aprender a tocar snujs é acompanhando um ritmo puro, ou seja, somente um ou dois derbackes, com, no máximo, um snujs ou rif para acompanhar. Assim, fica mais claro para você entender e fixar a estrutura do ritmo. Já viu meu post sobre ritmos?

Após você conseguir a segurança de tocar, durante um bom tempo, o ritmo puro, você começa a associar os movimentos junto dele. Depois disso, você começa a estudar uma música completa mesmo. No blog Cadernos de Dança, tem muitos ritmos para você estudar.

Aqui, um vídeo da Carlla Sillveira, com uns exercícios bem legais para você acostumar com o toque, antes de você pegar nos ritmos em si:


Você não precisa dançar a música toda tocando os snujs! Você pode tocá-lo eventualmente durante a música. Agora, o tchan da coisa não é ficar fazendo TAKA o tempo todo e sim, tocar no ritmo da música, preenchendo ou não o ritmo e com floreios. Aí sim, você vai demonstrar habilidade!

Não é exatamente simples, requer um treino longo e contínuo. Mas vale a pena porque você ainda consegue aprender diversos ritmos e, com isso, você nunca mais ouvirá as músicas árabes da mesma maneira! Olha que trabalho de snujs interessante:


Aqui nesse vídeo, eu fiz uma dupla com o super bailarino de sapateado, Alexei Henriques, onde criamos a música com base no seu sapato e nos meus snujs. O resultado ficou ótimo!


Bom treino!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 29 de agosto de 2015

Música Árabe e Brasileira - algumas relações e semelhanças

O presente e breve artigo partiu de algumas conjecturas e pensamentos que vim tecendo ao longo desses anos junto à minha vivência da música oriental como um todo e, mais especificamente, da musica árabe.

A partir de um dado momento passei a tentar estabelecer conexões entre os pólos de matriz musical brasileira e suas cargas hereditárias.

A música brasileira possui, para além de sua diversidade de expressões, uma matriz multifacetada que gira em torno de várias origens. Poderíamos citar algumas delas como a portuguesa e africana – as mais conhecidas e mais popularmente debatidas.

Porém, outras fontes foram importantes para a construção do que hoje entendemos, escutamos e executamos como música brasileira. Poderíamos citar, rapidamente, a influência europeia de origem italiana, alemã que, no sul, trouxe importantes contribuições criando, ao longo dos anos, tradições e festividades típicas na região.

Além delas, outras como as indígenas nativas, os holandeses, os franceses, os judeus e ciganos... todos, de certa forma, têm sua parcela no que diz respeito à musica em território nacional.

Um importante grupo são os povos árabes que, desde tempos remotos, para aqui vieram. Sua maior leva de imigração ocorreu de fato no século XIX e hoje existem, segundo fontes, mais de dois milhões de descendentes.

No Nordeste, foram responsáveis inclusive por fundações de cidades, afirmando uma posição mais incisiva do que em outras regiões. 

Principalmente, devido às conquistas árabes que levou a tradição islâmica e seus costumes aos países da África, consequentemente, muitos dos escravos aqui no Brasil possuíam essa origem, como os Males na Bahia, por sua vez vindos das regiões sudanesas da áfrica. Pelo ioruba, Imales – muçulmanos, geralmente eram um grupo letrado e bilíngue. Aqui, insatisfeitos pela pressão católica sobre sua fé, rebelaram-se. Após a revolta dos Males, os que não foram deportados para o Benin, permaneceram em Salvador ou migraram para o Rio de Janeiro.

A influência cultural e, portanto, a música nesse sentido, de origem africana-árabe, já entrava dando seus primeiros passos antes mesmo da grande leva de imigração árabe do século XIX. Vale mencionar também que, em Portugal, antes da colonização brasileira em 1500, os árabes lá estiveram até 1249, totalizando oito séculos de presença com sua música, arquitetura, ciência, artes, língua e culinária, onde vemos registros até os dias atuais. Obra literária capital nesse sentido e o do autor português Adalberto Alves que em seu livro "Arabesco da música árabe e da música portuguesa" (Lisboa, Assírio & Alvim), remonta a gênese e as influências de toda ordem sobre grande parte da musica folclórica e popular lusitana. Em seu ponto de vista, hoje o que se entende por música portuguesa, desde há muito tempo, deita suas raízes, e não somente, bem como suas expressões estéticas, melódicas e rítmicas na tradição árabe.

O Brasil, obviamente, recebeu de forma direta essa influência como já mencionado, desde os primórdios de sua existência enquanto colônia.

Muitos instrumentos típicos árabes como o Rabab, o Tabl, o Oud, o Daf, aqui foram evoluídos para outros fins que não a musica árabe somente.

O Rabab, uma espécie de violino primitivo árabe, aqui se tornou a Rabeca. O Tabl, um tambor de dimensões em torno de 20 ou 22 polegadas utilizando-se baquetas, tornou-se a zabumba, muito utilizado no nordeste, para a execução de baião, xote, forro, quadrilha etc. O Daf, ou Tar, ou mesmo Bendir, nomes diferentes para um mesmo tipo de pandeiro, que pode ser encontrado em diferentes padrões de tamanho, espalhados por todo o oriente médio e norte da África, tem sua expressão artística musical nos pandeirões de São Luiz do Maranhão. Sobre essa linha de instrumentos específicos, em Portugal, o adufe seria um intermediário evolutivo dos pandeiros orientais. De formato ora Hexagonal ora quadrada, ainda hoje desempenha sua função em festividades e músicas regionais e folclóricas portuguesas e romarias.

Nesse sentido, a rítmica árabe também entra no jogo de miscigenações, de criações e fusões que encerram a música nacional. Ritmos árabes como Malfuf, Saudi podem, em suas estruturas rítmicas, serem facilmente identificáveis num típico Baião. Possuem a mesma fórmula de compasso e os mesmos tempos, fortes e fracos. O Ijexa, ritmo de dois tempos, possui muita semelhança com o Karatchi tocado, principalmente, no norte da África em toda extensão do Marrocos ao Egito. 

São muitas as nuances de riqueza em detalhes quem fazem dessa tradição musical no Brasil, uma das mais influentes em nosso repertório.

Espero que, com esse breve artigo, possamos criar cada vez mais curiosidade sobre nossa cultura em termos de atribuí-la seu valor exato e que a música oriental árabe, ao invés de um objeto longínquo e permeado de mitos alegóricos, possa ser visto em sua relação real com a nossa arte, cultura e vida.

Arthur Kauffmann
a.kauffmann@yahoo.com.br

Arthur Kauffmann é especializado pelo Rimon School of Jazz and Contemporary Music (Israel). Atua como Free lance/professor de Bateria e Percussão oriental. Alguns dos nomes com que já tocou e gravou incluem: Big Gilson, Guto Goffi (Barão Vermelho), Yair Dalal (Israel) e Gwyn Ashton (Australia/Reino Unido). Já lecionou e deu diversos workshops em escolas de música como Espaço de Música Gifoni Dantas, Bateras Beat e Maracatu Brasil.

sábado, 15 de setembro de 2012

Instrumentos mais comuns na DV para taqsim - parte 5

Como eu disse, esse será o último post sobre Instrumentos e Taqsim. Ufa.

Teclado
Imita qualquer instrumento e é muuuuuuuuuuuito utilizado hoje em dia, tanto ao vivo quanto em CD. Aqui a Saida lê o teclado (muito presente nas músicas do Mario Kirlis) em 2:12-2:24 e 3:22-3:56 (valeu Verinha!):


Voz
Você não achou que voz poderia ser um instrumento? Cai dentro dos sinuosos e da expressão! SIM, principalmente em músicas baladi e tarab.


Conclusão desses posts sobre instrumentos

De maneira ALGUMA, eu estudei e preparei esses posts querendo determinar regras. NÃOOOOO! A intenção foi de dividir impressões que não são só minhas com relação a esse tema, sobre as leituras corporais que caem melhor durante os taqsims. As bailarinas são livres para criar e como sempre digo para quem estuda comigo, fazendo bonito e de forma harmoniosa, tá valendo!

Para fechar essa compilação sobre taqsim, uma performance do grupo da Elis Pinheiro, com um taqsim lindo, em que vários instrumentos que estudamos aparecem. Enjoy:


Bauce kabira,
Hanna Aisha

terça-feira, 17 de julho de 2012

Instrumentos mais comuns na DV para taqsim - parte 4

Ainda falando sobre taqsim... cansadas? heheheeh Eu não!

Ainda sobraram vários instrumentos para a gente ver que se encontra na categoria "Outros": violino, acordeon, saxofone, órgão, voz, teclado, mizmar, rabab... e será dividido em duas partes.

Violino
Assim como a nay, você pode dançar o som do violino com movimentos fluidos por todo corpo, sempre marcando os acentos e velocidade. O rabab exige um pouco mais de intensidade. Nesse video, Aida lê o violino de uma forma um pouco diferente, com inserção de shimmie também, mas não achei ruim (em 2:35-3:47):


Acordeon
Os movimentos podem ser parecidos com os do violino, porém com um pouco menos de elegância e com um jeito mais "baladi". Na minha opinião, pode-se ler o acordeon de muitas maneiras. Aqui, eu fiz um solo de acordeon:


Saxofone
Essa dança não é um taqsim, conceitualmente, mas o coloquei para ilustrar um solo de saxofone. É mais moderno, mas sua leitura é tão flexível quando a do acordeon:


Órgão
Seu som me dá a impressão de ser uma mistura de piano com teclado mais antigo (me perdoem os músicos!). Eu diria que os movimentos serão ditados principalmente pela intensidade que a melodia está sendo tocada pelo órgão. Um pequeno taqsim de órgão com Munira Magharib (1:45-2:05):


O próximo post sobre esse tema será o último!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Instrumentos mais comuns na DV para taqsim - parte 2

Continuando o post anterior sobre instrumentos, vamos falar sobre a Família do Qanoun e Alaúde, instrumentos de corda muito importantes na música árabe!

O qanun é o mais sensível de todos os instrumentos e acredita-se que tenha sido inventado por um muçulmano chamado Al Farabi.

Movimentos sugeridos: shimmie à vontade, aliado aos acentos e variações de velocidade.

Aqui, o bailarino colocou uns elementos modernos que muita gente pode não gostar, mas quando ele foca no taqsim de qanun, ele faz bem, utilizando também os braços e pequenos deslocamentos, o que torna o shimmie menos monótono:


O alaúde ("al-ud") possui origem muito antiga e desconhecida e é o único capaz de seguir todas as melodias, pois foi construído inspirando-se nos quatro elementos da natureza.

Movimentos sugeridos: Os mesmos para qanun, mas acho que ele ainda é um pouco mais flexível, permitindo mais movimentações. E diria que a expressão pode ser outra pois a intensidade dos dois instrumentos são diferentes.


Mais sobre qanun e alaúde.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 26 de novembro de 2011

Instrumentos mais comuns na DV para taqsim - parte 1

Inspirada pelo curso de Taqsim que ministrei na Escola Kelimaski em outubro, resolvi fazer um post mais detalhado sobre os instrumentos mais comuns encontrados em momentos de taqsim.

O momento de taqsim, como eu já disse, é o momento que um instrumento sola. Você, como bailarina, deve procurar traduzir o melhor que puder, o que aquele instrumento está te sugerindo, porém sem grandes deslocamentos (isso fica para a parte orquestrada da música, o lazmah).

Para começar, que tal lermos o que o tio Hossam diz para a gente (sorry, está em inglês)?

Resumindo um pouco a história, vamos dividir em 4 partes:

Família da Nay
Família do Qanoun e Alaúde
Família das Percussões
E Outros

Família da Nay

Instrumento egípcio fabricado a partir de talos de cana, está presente em todos os países árabes, comum para acompanhamento no recitar de poesias.

Movimentos fluidos, oitos, ondulações e expressão mais suave ou profunda combinam bem com os variados tipos de flauta nay. É um instrumento flexível. Geralmente, o som da nay é longo mas ele pode ser rápido, permitindo seu deslocamento, por exemplo. Shimmies podem ser bem-vindos, mas devem ser muito bem colocados na música.

Vamos ver a Aysha Almeé, que consegue traduzir de forma hipnótica a nay:


Mais sobre nay, aqui.

Bauce kabira,
Hanna Aisha