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domingo, 14 de janeiro de 2024

A dança não me salvou

Vou começar pelo fim e quero tentar ser o mais sucinta possível (até porque não quero dar muito detalhe da minha vida pessoal).

Depois de um ano e meio de terapia, resolvi perguntar para minha psicóloga se eu tive depressão pós-parto e ela disse que sim. Esse diagnóstico me tirou um certo peso das costas e acabou esclarecendo algumas coisas que aconteceram ao longo desse tempo. E uma dessas coisas foi o papel da dança nesse momento.

Meu filho nasceu em abril de 2022 e saí do hospital já com "baby blues", pois meu leite não desceu e meu filho passou fome por um dia por conta disso (o que me gerou um grande estresse). Nunca amamentei meu filho plenamente, ele tomava fórmula para complementar.

Fiquei 30 quilos acima do peso; fiquei meses sem conseguir me ver no espelho.

Tive 2 meses de licença maternidade. Nos dois últimos dias da minha licença, nos mudamos para outro estado e começamos a trabalhar em outra universidade.

No meu segundo dia de trabalho, meu filho completou 2 meses de vida e uma das minhas gatas (a qual eu tinha uma relação emocional muito grande) morreu.

A partir daí, a bola de neve já estava caindo e a velocidade só aumentou, pois, nos próximos meses, passei por alguns lutos de diferentes naturezas.

Eu procurei minha psicóloga quando meu filho tinha uns 3 meses, mais ou menos, pois percebi que ia cair doente (foi o que eu disse para ela). Hoje, eu acho que já estava doente e, na verdade, piorei depois. Mas, não cheguei a ficar de cama ou com a sensação de "estar parada no lugar". Eu não tinha (tenho) o privilégio de parar para tirar licença médica ou alguém para ajudar. Eu tinha um recém-nascido, um trabalho para tocar, uma casa pra cuidar. Eu queria poder dormir, em primeiro lugar. Chorei, literalmente, de abril a outubro todos os dias, com mais ou menos intensidade. Os choros foram escasseando com o tempo até voltarem em frequência quando meu pai faleceu em maio de 2023.

Eu acho que tive lucidez durante todo esse tempo porque eu sabia que eu não estava bem, tanto que eu discutia com minha psicóloga formas de me fazer voltar no meu eixo. O que era meu eixo? Reconhecer a minha individualidade, reconhecer meu corpo, relembrar do que eu gostava de fazer e quais eram meus objetivos de vida. Eu tinha perdido tudo isso. Eu vivia no automático. Exausta. Hoje, eu entendo o significado de "exaustão". Dentre as formas discutidas: dançar, ler livro, fazer exercícios. Falhei em todos por mais de um ano, tentando de variadas maneiras.

Onde eu queria chegar com esse post: a dança não me salvou (omiti muitas coisas mesmo, simplifiquei para tentar ir ao ponto, mas precisava dar um contexto mínimo).

Colocar uma música e deixar o corpo me levar. Tentar dançar organizado. Tentar minha própria aula estruturada. Aplicar meu próprio método. Fazer aula online. Ouvir música árabe.

Nada me motivou. E isso só piorava meu estado generalizado. Achava que eu não servia mais para isso; que, talvez, eu nunca tenha servido e eu que forçava a barra. Que eu já tava velha e muito gorda mesmo, "quem iria querer fazer aula comigo"? Que eu tava desatualizada, "quem iria querer saber do que eu sei"? Tantas mulheres com corpos incríveis no Instagram, dançando e dando aula ativamente. Lindas e eu, um trapo.

Eu ouvia tantas histórias de pessoas dizendo que a dança as salvou de algo e, óbvio que acredito nisso. Mas não serviu para mim, nesse contexto e momento. Quando ouvi o diagnóstico da minha psicóloga, entendi que a dança não era o problema. Eu só não tive espaço emocional nem energia física para recebe-la. Estava fora do meu controle. Não era questão de querer.

Hoje, eu consigo enxergar as coisas que foram, aos poucos, me retirando do buraco (que ainda me encontro, mas que já estou de pé dentro dele): a existência do meu próprio filho; a terapia semanal (que foi de 2 sessões por semana por 2 ou 3 meses); o livro "meu corpo minha casa" da Rupi Kaur.

Claro que outras coisas contribuíram: o amor e paciência do meu marido e das amigas que me acolheram; eu voltei a dormir quando meu filho se acertou; fiz uma dieta extrema que me fez perder 15 quilos e me fez olhar pra mim mesma melhor (essa história de imagem corporal não é nada simples); tive visitas do Brasil ao longo desses meses. Uma virada importante foi dançar no Festival Hórus, durante minhas férias do Brasil, em outubro de 2023. Estar no palco depois de anos sem estar em um, foi o que me retirou do lugar de vez (a dança aqui ajudou num momento em que eu já estava começando a me recuperar - durante o processo inteiro, não encontrei na dança algum tipo de alívio ou direcionamento, infelizmente, apenas frustração).

Até o dia que recebi uma mensagem de alguém querendo aula particular. Estamos trabalhando juntas há alguns meses e consegui, graças à ela, a voltar a ver algum valor em mim, no que tenho pra oferecer e no que a dança pode me oferecer.

Eu e a dança voltamos. Estamos na fase do namoro. Se olhando, se (re)conhecendo, com o pé atrás porque ela vai receber outra pessoa agora.

A dança não me salvou da depressão pós-parto. Mas, pode ser que ela volte a fazer parte de mim, algum dia.

Bauce kabira,

Hanna Aisha

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Descontruindo leituras - Especial (3)

As Mayyas são um grupo de 36 bailarinas libanesas que ganharam a temporada 17 do programa estadunidense "America's got talent" com essa avassaladora performance, coreografada por Nadim Cherfan.


Bauce kabira,
Hanna Aisha

sexta-feira, 18 de março de 2022

2 anos depois: a dança e a pandemia

Olá, vacinadinhos do blog!

Ano passado, eu fiz um post refletindo sobre o primeiro ano de isolamento por conta da pandemia.

Felizmente, graças a um esforço coletivo internacional, um ano após a declaração da pandemia, já tínhamos vacinas sendo distribuídas globalmente - tomei minhas duas doses em abril/maio de 2021 e o reforço em novembro de 2021 (o qual eu tomei grávida de 5 meses!).

Infelizmente, completamos dois anos nesse pesadelo. Porém, diferente de 2020, minha relação com a dança mudou por questões de prioridade pessoal em 2021. Eu produzi muito menos com a dança:

- Segui com meu projeto de lives mensais com convidados no Instagram e o terminei em outubro de 2021. Entendi que ninguém aguentava mais as lives e já estavam voltando com suas vidas "normais"

- Dancei em um festival online apenas, onde produzi o vídeo abaixo:


- Fiz muito menos aulas online.

- Ainda assisti lives e fui convidada de outras.

Eu não sei o que você fez, provavelmente mais que 2020. Porém, reforço que, caso você não tenha feito metade do que planejou, está tudo bem ainda.

Claro que quem depende da dança para pagar as contas, a dinâmica é outra. Mas, se você a pratica como uma atividade paralela, ela deveria ser um suporte, um escape da realidade. Mesmo para você, que está profissionalizando, espere um pouquinho para você começar num cenário melhor.

Eu entendi que o cenário estava bem desfavorável (galera sem dinheiro, desanimada, tentando sobreviver de alguma maneira) para eu trabalhar como bailarina aqui e decidi focar em outras coisas e ficar um pouco em stand by. Continuei entendendo que não podia manter a lógica e a coerência de produção se a lógica e a coerência do consumo AINDA estavam alterados.

Repito que a dança não vai desaparecer de você ou da sua vida.

Respeitem o isolamento social quando positivos, usem máscara apropriadamente, se vacinem e não façam tratamento precoce (porque não existe, até então).

Bauce kabira,

Hanna Aisha


domingo, 16 de janeiro de 2022

Antiguidade é posto (?)

Fazer/trabalhar com DV parece ter validade; pelo menos, no Brasil. A não ser que eu esteja vendo esse quadro de um ponto de vista muito estreito.

Desde que acompanho a DV no Brasil desde 2000, acho que identifiquei um padrão; depois de certa idade (40?), você começa a ser deixada de lado pelo próprio mercado, principalmente pelas próprias bailarinas-alunas.

Como toda profissão, leva-se anos e anos de estudo e experiência para se atingir um estágio em que sua opinião é solicitada, sua experiência consultada. Mas, é nesse ponto do texto em que o título entra: antiguidade é posto?

Pessoalmente, eu detesto essa frase e não a reproduzo nunca porque não é verdade. Receber esse posto (que na dança costuma ser de "mestra", "madame", etc) deveria vir acompanhado de sabedoria, lucidez, experiência, conexão com a realidade, certa humildade em reconhecer que seus pupilos podem te superar. E sabemos que não é óbvio. Infelizmente, muitas bailarinas pararam no tempo em termos de estudo e reproduzem o mesmo discurso de 20, 30 anos atrás. Ao mesmo tempo, quantas bailarinas com uma bagagem incrível (mesmo que ainda não tenham atingido a categoria de mestra) são colocadas precocemente de lado em prol de bailarinas mais jovens, bonitas e acrobáticas, claramente sem experiência e estudo suficientes para estarem lado a lado dessas bailarinas "velhas"?

Tenho dificuldade em aceitar que bailarinas tão jovens ocupem o mesmo posto de bailarinas incríveis que ainda têm muito a oferecer (óbvio que existem exceções). Número de seguidores, títulos, estéticas grandiosas (corpo, roupa, fotos, vídeos) e virtuosidade técnica são mais valorizadas que conteúdo e experiência. Não estou falando do que você acha: estou falando do que vemos que traz público ou não.

Esse fenômeno não é exclusivo da DV, claro: essas mesmas discussões acontecem dentro das danças urbanas, por exemplo, que também são danças de origem popular (sugestão: Podcast Pé na Orelha). E é exatamente isso que me intriga: a DV, uma dança de origem popular, riquíssima em cultura (musical, geográfica, social, política) não ter esses aspectos mais explorados pelos praticantes.

Não sou cientista social para dar uma avaliação precisa sobre o quadro atual da nossa sociedade imediatista e consumista de superficialidades. E sei que soo meio rabugenta; alguns, dirão com dor de cotovelo. Porém, é só um desabafo no meu blog mesmo.

Eu parei para pensar muito mais nisso quando percebi que, aqui nos EUA, as pessoas ainda consomem o que bailarinas de 50-60 anos ainda oferecem. Por que deveria ser diferente? Você não costuma confiar mais em profissionais dessa idade do que os de 20 anos ou recém formados? Por que na DV você faz o contrário?

No fim, quase toda discussão que eu tenho/trago chega à mesma pergunta: por que você faz DV? Pra quê? Por que você consome o que você consome dentro dela?

Gostaria da opinião de vocês, mesmo baseado nesse texto reducionista - porque sei que a realidade não é tão simplista como coloquei.

Bauce kabira,

Hanna Aisha

domingo, 22 de agosto de 2021

Meu blog não é referência bibliográfica

Queridos leitores,

Não quero passar por ingrata, depois de tantos anos sendo lida por vocês, mas acho que vale a pena esclarecer uma coisa, que pode ser do desconhecimento de muitos. Começando pelo título/fim, meu blog não é referência bibliográfica! Isso não significa que blogs não podem ser referências e é sobre isso que vou explicar nesse post.

Ao longo desses anos todos, desde 2009, tenho recebido mensagens de como meu blog ajudou as pessoas, sendo na preparação dos seus TCCs ou das suas aulas. Ou mesmo ajudou a esclarecer ou introduzir temas sobre a dança que fazemos. E eu sempre fiquei muito lisonjeada e o público sempre foi um combustível para eu continuar esse trabalho (a partir do momento que esse retorno diminuiu, os posts também diminuíram).

Porém, por que ele não pode ser usado como referência bibliográfica? Porque os artigos produzidos aqui não são resultado de pesquisa acadêmica; são compilados de informações que fui juntando ao longo dos anos, com a intenção de serem compartilhadas.

É muito importante entender o contexto do surgimento e manutenção desse blog: por mais estranho que pareça, em 2009, apesar de já termos tido acesso à internet e YouTube, as informações sobre Danças Árabes ainda eram compartilhadas no boca-a-boca, ou seja, através de workshops, aulas, blogs, sites. E o problema disso é que, sem referências baseadas em pesquisa e revisão por pares, tudo acabava sendo anedotico, ou seja, "foi o que a fulana disse", "foi o que a fulana disse que viu", "foi o que a fulana ouviu falar"... e isso, foi (e ainda é) um problema, pois muita desinformação é espalhada por conta disso.

Produzir conhecimento através da pesquisa é um processo longo, trabalhoso e que demanda interação entre pares para troca de informações. É muito bom ouvirmos o que queremos ouvir, junto de um "comprovado cientificamente". Na verdade, quando se trata de assuntos das ciências humanas, nem existe muito essa ideia de "comprovado cientificamente". Porém, o resultado de pesquisa nessa área, como, por exemplo, a história da dança ou qualquer outra análise sociológica, antropológica, pedagógica, etc surge a partir de uma hipótese, demanda coleta de dados para testar essa hipótese, muita leitura e estudo para analisar os dados, busca de fontes confiáveis e conclusão a partir de toda essa vivência, sob a orientação de alguém mais experiente na área.

E meu blog não cabe nisso. Não que eu não tenha estudado, filtrado informações, buscado fontes de confiança e não tenha pensado por mim mesma. Eu sempre fiz isso. Mas eu nunca tive a orientação  de alguém, não tive formação básica em determinadas disciplinas que poderiam me ajudar a pensar sobre os assuntos estudados, nunca parti de nenhum lugar. O que sempre fiz foi recolher as informações que eu coletava sobre o tema (as fontes estão no final de cada post), pensava por mim mesma, ou seja, filtrava o que eu recebia e postava. Ainda me pego revisando um post ou outro porque aquilo ali não faz mais sentido.

Mas, existem blogs que eu usaria como fonte bibliográfica por abarcarem muitas fontes primárias de informação ou por publicarem artigos resultantes de pesquisas acadêmicas:

Shira.net, Gilded Serpent, Hunna Coletivo

E livros. Os que eu leio, eu faço um post comentado aqui (nem todos, exatamente, seriam fontes bibliográficas também, dependendo do assunto de interesse).

Mas se você ainda busca blogs no meu estilo, vê os que eu sigo no fim da página - alguns que eu seguia, infelizmente, fecharam. Talvez o meu blog ainda caiba como referência dependendo do tema - mas escreva seu TCC procurando fontes mais sólidas; o meu virá como fonte complementar!

Bauce kabira,

Hanna Aisha

terça-feira, 1 de junho de 2021

Por que você produz conteúdos de dança?

Oi.

Olha a loucura; no meu último post, eu digo que acabei produzindo à beça, apesar da pandemia. Ontem, publico no meu Instagram que tenho tentado "passar alguma normalidade constante diante do genocídio no Brasil e de ver meu país sendo destruído, diariamente, por dentro, desde 2016". E estou numa posição privilegiada, pois estou vacinada e com a vida voltando "ao normal" (não deveríamos, mas vou deixar as questões políticas estadunidenses de lado, nesse momento).

Como eu escrevi lá, o que me renova as energias são boas notícias eventuais, bons momentos, consumo de boa arte. Mas, tenho tropeçado na produção de conteúdo de dança, seja escrever no blog, gravar vídeos, postar textos, etc. Mas esse post é para trazer a pergunta: por que você produz conteúdos de dança? Para quem? O que você ganha com isso?

Quando eu comecei meu blog em 2009, eu criei com o intuito de juntar as informações que eu conseguia e disponibiliza-las porque o acesso a conteúdo de DV era esparso, mais difícil, sem fontes, baseado em muito achismo. Com o tempo, as coisas foram se organizando cada vez mais e hoje, vejo o quanto tudo na DV brasileira melhorou. Hoje, temos diversas profissionais qualificadas, especializadas, fontes acadêmicas ou organizadas em artigos e livros, maior clareza e crítica por parte das praticantes, maior consciência social. Apesar de ainda vermos mitos e preconceitos sendo proliferados, também vejo que existe um movimento constante, prezando por conteúdo de qualidade e desmistificação.

A produção de conteúdo é uma preocupação constante para quem quer "estar presente" na internet, só que criar conteúdo de qualidade e com uma frequência alta não é nada fácil, pois é preciso planejamento, estratégia, metodologias. Não importa se é foto, texto, vídeo, live, podcast. O ideal é que esse conteúdo esteja alinhado com seus propósitos e também com as expectativas e necessidades do seu público-alvo. Esse papo todo aí é de marketing digital, existe um número infinito de "coaches" oferecendo orientação para isso e o post não é sobre isso.

O post é para trazer a reflexão sobre a pressão que profissionais autônomos, como os profissionais de dança, sofrem para isso. Temos que postar todas as aulas particulares que damos, ensaios que fazemos, trabalhos que participamos, roupas que compramos, livros que lemos, aliados a frases de impacto, ditas por personalidades importantes, fora a lacração com as hashtags do momento. E a ideia de que só porque você não está vendo, não significa que não esteja acontecendo não cabe mais nesse mundo colorido, feliz, produtivo, imediato, de delivery de conhecimento.

Não é nova a discussão de que nós mesmos somos produtos que geram lucros bilionários para essas empresas que gerenciam redes sociais como Facebook e Google, incluindo esse blog que vocês estão visitando (Blogspot é do Google). E não estou propondo que todos nós abandonemos essas redes de contato, que oferecem muitas vantagens. Minha preocupação aparece quando nós começamos a ficar extremamente preocupados em produzir sem parar porque desse jeito, "meu-número-de-seguidoras-vai-aumentar-e-com-isso-vou-conseguir-mais-alunas".

Essa mentalidade "empreendedora" e de positividade tóxica que o sistema atual nos vende diariamente nos faz acreditar em meritocracia, no american dream de que o estagiário vira o presidente da empresa, de que é só esforçar que você vai conseguir, de que é só manter o pensamento positivo que as coisas irão acontecer, ignorando que machismo, racismo, gordofobia, desigualdade social existem e continuam firmes, obrigada.

Não compreender o conceito de orientalismo; o que significa ser árabe no mundo; a origem da dança do ventre e suas implicações; o neoliberalismo; o quanto seu país é machista, racista, gordofobico e elitista; o que significa ser profissional de danças árabes no mundo e no país que você mora vai dificultar sua compreensão do seu papel nas redes sociais e o que ele irá te trazer de retorno real, apesar de TODO SEU ESFORÇO EM AUMENTAR SEU NÚMERO DE SEGUIDORES E, COM ISSO, AUMENTAR SUA RENDA, de alguma forma.

Não basta pagar rios de dinheiro com coach que promete que vai te trazer dinheiro, curso de marketing digital ou até mesmo, coaching artístico. Ferramenta só funciona se usada da forma correta.

A maioria de nós está no meio do oceano em um barco com remos apenas e, não num transatlântico, como 0.25% da população mundial.

Diminua. Reflita. Por sua saúde física e mental.
Essa reportagem está em inglês, mas vale ler, coloca no tradutor.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Um ano depois: A dança e a pandemia

Dia 18 de março de 2020, eu iniciei o isolamento social porque meu trabalho mandou fazer home office. A pandemia tinha acabado de ser declarada pela OMS.

Dia 8 de abril de 2021 tomei minha segunda dose de vacina contra SARS-COV 2 da Pfizer.

Como todo mundo, achei que o pesadelo duraria pouquíssimos meses. E confesso que gostei de ter ficado em casa por dois meses, pois coloquei em dia diversos compromissos pessoais. Um deles era a dança.

Criei uma rotina incrível de exercícios físicos e aulas de dança. Enquanto algumas pessoas engordavam, eu estava emagrecendo. Mas, junho chegou e voltei a trabalhar presencialmente e minha cabeça parou de seguir uma ordem coerente, lógica. Ficou tudo bagunçado porque o combo ""pressão para recuperar o "tempo perdido" em casa + preocupação com a família e amigos no Brasil + falta de perspectiva disso acabar"" veio com tudo. Foram muitos meses para retomar as rédeas, mas acho que consegui produzir coisas, mesmo que atrapalhada:

- No Instagram, fiz uma live com aula para iniciantes e iniciei um projeto de lives mensais com convidados, em maio de 2020 (e que segue, vamos ver até quando).

- Dancei em algumas haflas e festivais online. Nesse meu primeiro vídeo produzido para ser passado online durante um evento, eu resolvi fazer algo diferente e dancei uma música pop libanesa:

Continuei dando aulas online.

- Fiz aulas online.

- Assisti diversas lives e fui convidadas de algumas.

- Li 2 livros sobre dança.

- Criei um serviço de orientação em dança.

- Até consegui vender dois figurinos através do Facebook!

Eu não sei o que você fez. Mas, queria te dizer que, caso você não tenha feito metade do que fiz, está tudo bem. Acho esse papo de coach de "no pain no gain" muito tóxico e humilhante. Especialmente, se você é uma chefe de família e com dependentes e encontra na dança uma maneira de estar sozinha, pensando em você.

A dança não deveria ser vista como um peso, nem pelas profissionais. Ela existe para nos fazer bem, como qualquer atividade extra ou mesmo como profissão. Se passamos a estar infelizes com ela, está na hora de dar um tempo dela ou, até, abandona-la. A pergunta que te faço é como você a enxerga na sua vida, qual o papel que ela tem. Uma vez isso esclarecido, você se cobrará menos (ou mais) e passará a ter uma relação mais saudável com ela.

Nessa confusão, eu não só deixei de emagrecer, como engordei muito mesmo, nunca estive tão acima do peso na minha vida. Perdi minha rotina de exercícios e dança e, ainda estou tentando reorganizar minha rotina. Me via no espelho e me odiava. Mesmo. Me achava feia, desinteressante e achei que minha carreira na dança não só tinha acabado porque engordei mas, também porque diminuí bastante a produção de conteúdos de dança, seja no YouTube, no Instagram, na FanPage, aqui no blog.

Decidi me perdoar porque os tempos são extraordinários (apesar desse ranço ainda existir em mim). Entendi que não posso manter a lógica e a coerência de produção se a lógica e a coerência do consumo estão alterados. Que diferença vai fazer se você postava todo dia nas redes sociais e passou a postar uma vez por semana? Para quem você faz isso? Para quem você trabalha?

Essas respostas são individuais porque as realidades são individuais. Logo, não se sinta mal se você não está fazendo o que os outros estão. E se você acha que deveria fazer o que estão fazendo, tudo bem também. Nos dois casos, só gostaria que você se preservasse porque a dança não vai desaparecer de você. Ela estará lá, linda e complexa, esperando por todas nós.

Respeitem o isolamento social, usem máscara apropriadamente, se vacinem quando puderem e não façam tratamento precoce (porque não existe, até então).

Bauce kabira,

Hanna Aisha

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Livros sobre dança - parte 8

O livro da Heather Ward (2015) deveria ser leitura obrigatória para toda profissional de danças árabes; ela foca a pesquisa dela nos acontecimentos que influenciaram toda a transição das danças ghawazee até a dança do ventre que estava surgindo nos cabarés do Cairo. Ela desenvolve bastante os temas como figurinos, cabarés e entretenimento egípcio em geral. Até poucos anos atrás, eu acreditava no mito de que a DV egípcia da Era de Ouro foi uma adaptação, basicamente passiva, feita pelos egípcios para agradar os europeus que frequentavam os cabarés no Cairo. Uma coisa que me marcou bastante foi ter lido que as mudanças que ocorreram desde o final do século 19 até o início da Era de Ouro foram feitas a partir de influências externas, mas muitas mudanças internas, mobilizadas, inclusive, por motivações políticas. E o que dá legitimidade ao seu livro é que essa pesquisa foi baseada em documentos e não em mitos ou achismos. Ela é antropóloga, o que justifica parte da qualidade do trabalho dela. A pesquisa é bem referenciada e aberta a possibilidades de novas interpretações, baseadas em novos dados, que possam vir a surgir. Infelizmente, só existe a versão em inglês.

A segunda indicação não é um livro, mas a tese de doutorado da Roberta Salgueiro (2012), outra referência que deveria ser leitura obrigatória. Foi a primeira tese de doutorado sobre DV no Brasil e muito do que a Roberta discute, cruza com muitos assuntos abordados pela Heather, como orientalismo e origem da DV no Egito. Mas a novidade é a proposta de entender a DV como transnacionalizada, passando, brevemente, pela história da DV no Brasil e sobre o conceito de feminino.

Boa leitura!
Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

"Seu Método" - onde ciência e arte se encontram

"As ciências fornecem uma compreensão de uma experiência universal, as artes são uma compreensão universal de uma experiência pessoal... elas são uma parte de nós e uma manifestação da mesma coisa ... as artes e as ciências são avatares da criatividade humana" - Mae Jemison 

Ciência e arte são frequentemente vistas como disciplinas com pouco em comum. Porém, muitas pessoas, se dedicaram tanto à arte quanto à ciência. De Leonardo da Vinci no século 16 a Susan Aldworth no século 21, usaram a ciência como inspiração para seus produtos artísticos. Temos matemática na música, química na pintura, física na fotografia, biologia na dança.

Então, o que é ser cientista? O que é ser artista? Arte e ciência estão intimamente relacionadas. A partir da observação da natureza, seja externa ou interna, elas procuram demonstrá-la através de diversos processos ou técnicas, com tentativa e erro, a busca por algo novo e inovador, para, no fim, receber o reconhecimento por alguma descoberta.


Através do "Seu Método", eu posso te orientar nesse caminho onde ciência e arte se encontram. Sou uma cientista ativa (possuo Licenciatura em Biologia, com Mestrado e Doutorado em Bioquímica pela UFRJ) e estou no mundo acadêmico desde 1997. Anos estes, entremeados com Danças Orientais Árabes, quando iniciei meus estudos em 2000. Baseado no método científico e na experiência com Danças Orientais Árabes, eu guiarei seu aprimoramento ou algum aspecto dos seus estudos.

Você aprenderá a elaborar perguntas, identificar padrões e fontes de confiança, enfrentar dúvidas, encarar críticas, valorizar seu trabalho e, mais importante: ganhar autonomia.


Caso você tenha interesse, escreva para hannaaisha00@gmail.com para receber mais detalhes sobre este serviço!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Blog em revisão!

Oi!

Não, o blog não voltou, infelizmente. Porém, ele sofreu uma rápida revisão de todos os seus posts.

Agora, quero entrar numa revisão profunda dele. Repensar o que vale a pena ser mantido e quais posts devem ser profundamente reescritos. Porque aprendi mais coisas, amadureci outras e não acho que essas informações equivocadas devam ficar disponíveis porque elas não são reais/adequadas.

Na verdade mesmo, nem sei se eu devia manter o blog disponível porque, felizmente, a busca por conhecimento está muito mais séria e profissional no nosso mercado. Eu sempre fiquei muito feliz de ser mencionada em TCCs ou ser referência de informação. Muita gente me conheceu através dele, o qual cuidei por 10 anos consecutivos. E isso fazia sentido quando essas informações não eram fáceis de se acessar. Hoje, está muito mais fácil e tem gente muito mais qualificada que eu oferecendo essas informações.


Vamos ver o quanto de energia ainda me resta para cuidar desse cantinho tão querido por mim. Obrigada a todos que ainda o visitam!

Bauce kabira,

Hanna Aisha

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Vou parar com o blog?

Olá, queridos velhos e novos leitores!

- Foram mais de 10 ANOS sem parar de escrever aqui.
- Mais de 250 artigos publicados.
- Mais de 278.000 visualizações, com 60% só no Brasil.
- Quase 600 comentários.
- E um número desconhecido em que ele foi referência de TCC, trabalhos, workshops e textos, de amizades feitas virtualmente que duram até hoje e um aprendizado desmedido.

Muito do que sou hoje como bailarina e professora, eu devo a este blog.

Mas, o tempo dos blogs passou. Estudar e se informar, atualmente, é através do YouTube, do Facebook e do WhatsApp. E não é exatamente uma crítica, apenas observação e aceitação que as coisas mudaram.

Estou insistindo em manter meu blog ativo há alguns anos (mesmo após vários blogs terem parado há muito tempo mesmo) e só vejo o número de leituras decrescer ao longo desse tempo nele. Muita energia é colocada nesse blog para que ele ainda seja usado como referência de estudo. Porém, o retorno não tem valido mais a pena, principalmente, porque as informações que estão aqui estão sendo DADAS, são GRATUITAS.

Logo, queridos, preciso dar um tempo. É possível que eu escreva algo que eu sinta que vale a pena dividir. O blog ainda estará aberto para o Espaço da Pupila, guest posts e recebimento de sugestões de temas. E é óbvio, que podem continuar comentando nele! Ainda vou terminar de revisar os posts, como está anunciado no canto superior esquerdo da página.

O que tenho feito mais é dar aulas online. Posso te enviar informações completas por email, sem nenhum compromisso:


E, claro, continuarei conectada através da minha FanPage, do meu canal no YouTube, do meu Instagram e do meu email hannaaisha00@gmail.com, me busca lá!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Fakkarouni

"Eles me lembraram"

Intérprete: Oum Khoulsoum (1898/1904?-1975)
Letra: Abdel Wahab Mohamed
Música: Mohamed Abdel Wahab (1902-1991)

Essa música foi lançada em 1966 e não consegui encontrar a história por trás dela. Aqui, tem a letra e tradução (em inglês) para acompanhar a música:


"Para variar", costumamos dançar as introduções das músicas da Oum Khoulsoum. Hoje, corrigiria diversas questões técnicas nesse meu vídeo, mas curto muito a leitura musical que fiz dessa versão:


Aqui, minha rainha Souhair Zaki dançou outro pedaço dessa música, a qual somos pouco familiarizadas:


E aqui, uma outra leitura dessa música, feita pela Elis Pinheiro:



Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

É possível separar arte de política?

Olá! Primeiro, veja o video abaixo:



Em uma entrevista para o jornal "Nexo", Paola Carosella, que é chef de cozinha, disse que toda escolha é um ato político. De quem e o que compramos são discursos mudos e que o verdadeiro valor da escolha é quando você sabe o que você tá escolhendo e quando você tem a possibilidade de escolha.

Cada vez mais se fala e se discute o reaparecimento de autocracias e da extrema direita no mundo e a fragilidade e falhas da democracia moderna. E a história já nos mostrou que uma das classes mais rapidamente afetadas em um quadro desse, é a artística porque é uma classe que costuma tratar de qualquer tema e da forma que lhe achar mais interessante - e é aí que quero criar o link com a Dança do Ventre.

Quando as bailarinas falam sobre identidade e estilo em DV, elas se referem à identidade que você quer construir e ao produto que você quer vender junto disso. Ou seja, você precisa definir que público você quer atender, que imagem você quer passar e o que você pode oferecer. A bailarina que construímos não necessariamente somos nós mesmas, aquelas do CPF. As qualidades e defeitos que temos enquanto pessoas físicas não precisam ser repassadas para a pessoa jurídica (artística).

Quando vamos para o palco ou para a sala de aula, sempre assumimos uma posição política - mesmo que você ache que não. Neutralidade é uma posição política e as pessoas tendem a achar que política diz respeito só ao que se passa no âmbito legislativo, executivo e judiciário. Nós fazemos política o tempo inteiro. Existe uma palavra em inglês - policy, a qual podemos traduzir para diretriz: diretrizes do prédio em que moramos, da empresa que trabalhamos, da faculdade que estudamos são decisões políticas também. Política diz respeito a como as sociedades humanas de organizam.

Nessa construção da definição da bailarina, uma das ideias é definir e construir uma mensagem que iremos passar. Pouca gente discute isso, mas o maior exemplo disso é a bailarina egípcia Dina, que com sua roupas ousadas, revolucionou os figurinos na Dança do Ventre como uma forma de protesto à moralidade religiosa do povo egípcio e da sua profissão como bailarina de Dança do Ventre - que não é levada a sério até hoje no Egito.

Fica aqui a dica desse episódio do podcast "Trabalho de Mesa" que acho que será um ótimo exemplo para complementar essa reflexão e essa live que realizei na minha conta no Instagram.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Livros sobre dança - parte 7

Olá, bellynerds!

Resultado de imagem para livro folclore arabe melinda
Infelizmente, temos poucos livros sobre Dança do Ventre/Folclore Árabe em português. Um dos mais recentes lançamentos foi o "Livro Folclore Árabe - Cultura, Arte e Dança - Volume 1" das cariocas Luciana Midlej e Melinda James. Além disso, contém alguns relatos pessoais das autoras (que viajam frequentemente para lá, em busca de informação in loco). O que mais me chamou a atenção foram os desenhos dos figurinos, feitos por Adriana Almeida. Eles foram bastante ilustrativos e inspiradores, também baseados em suas pesquisas locais, já que também viaja frequentemente com as autoras. Se você não sabe nada ou quase nada sobre folclore árabe, sugiro esse livro como ótimo material introdutório - focado no Egito e em regiões próximas. Pode funcionar como uma fonte de consulta, caso tenha esquecido de alguma informação. Mas, se você quer se aprofundar em algum deles, é preciso buscar um pouco mais de informação para complementar, principalmente, em outras fontes/professores confiáveis. Também sugiro a busca de vídeos para ajudar a entender o que elas explicam no livro.

Resultado de imagem para Stories of a Traveling BellydancerComprei o livro "Stories of a Traveling Bellydancer", seguindo a dica da Laura, mas confesso que curti menos que ela. Laura descreveu bem o livro: é uma adaptação dos emails que ela escreveu para os amigos sobre as viagens que a autora Zaina Brown, uma bailarina finlandesa, fez pelo Oriente Médio e África. Talvez porque eu não curta tanto narrativas de blog pessoal ou por causa de alguns comentários que ela, como europeia/moradora dos EUA, fez sobre a vida ou as pessoas. Ela se surpreendia com algumas questões básicas sobre países em desenvolvimento, como se vivesse em uma bolha. Bom, ela vivia em uma bolha (hoje, ela mora na Tailândia). Então, eu me irritava, de vez em quando. Ok, eu preciso ter um pouco de solidariedade para entender que ela vivia em uma bolha, mas ela não se deixava "vencer" por conta disso e, realmente, encarou aventuras que eu não encararia. Ela narrou a vida de cidades e situações que eu nunca visitarei/passarei. Eu daria nota 6 (Laura deu 8), mas porque seja uma questão de gosto mesmo. O preço na Amazon é realmente bom, então, se sua curiosidade é maior para esse tipo de leitura, vá em frente!

Boa leitura!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Quem foi Tufic Nabak

O bailarino libanês Tufic Nabak, de 45 anos, faleceu no dia 28 de abril de 2019, vítima de um câncer de boca reincidente. Resolvi fazer esse post para deixar minha homenagem a ele e contar, brevemente, como foi nossa amizade de 11 anos.

Vida no Líbano 

Tufic Kamel Nabak nasceu em Ras Baalbek, norte do Líbano, terra do dabke, na divisa com a Síria. Por conta do frio excessivo, sua família se mudou para a capital Beirute, onde ele passou sua infância. Mas, a família Nabak acabou se mudando para Juiz de Fora - MG em 1990, quando ele tinha 17 anos, onde já tinham família instalada desde o século 19, por conta da guerra civil. 

Início na dança 
Ele fez teatro e dança durante sua infância em Beirute e a dança árabe, aprendeu com a própria família, nos casamentos e nas festas tradicionais. 


Dança como profissão 
Ele acabou iniciando sua carreira artística em 1998, quando ele foi selecionado em um teste de elenco para o filme “Lavoura Arcaica”, de Luiz Fernando Carvalho. Como o diretor o colocou para dar aulas, além de compor o elenco de apoio, acabou envolvendo-se de vez com os estudos sobre o folclore árabe. A partir daí, resolveu fazer teatro profissional e fundou, em 2001, um grupo de dança - o grupo Baladi - que deu origem, posteriormente, ao Grupo Nabak - no Clube Sírio e Libanês. O grupo teve, como objetivo, representar e divulgar a arte da dança e da cultura árabes e acabou recebendo, do Consulado Geral do Líbano no Rio de Janeiro, o reconhecimento pelo trabalho de divulgação e preservação da cultura libanesa no Brasil.


Pontos importantes da sua carreira 
Em 2002, Tufic Nabak participou da novela "O Clone", da Rede Globo. 
Em 2006, ganhou o primeiro lugar na Categoria Dupla Nacional, no Mercado Persa. 
Em 2009, foi entrevistado pelo jornalista Jô Soares.


Em 2012, Tufic Nabak foi convidado pela famosa bailarina libanesa Amani para ser um dos ministrantes de workshop, júri e bailarino do show de gala do seu evento.


Em 2013, Tufic publicou um livro chamado "Um Líbano inesquecível". Ele disse que a vontade de escrever o livro srurgiu com a conclusão do seu trabalho final na Faculdade de Turismo.
Em 2016, Tufic também fundou o Studio Tablado Árabe Nabak (STAN), com sua parceira, sócia e amiga há mais de 20 anos, Cíntia Prado, ainda em funcionamento.
Em 2017, ministrou um curso de cultura árabe para os atores da série “Dois irmãos”, também dirigida por Luiz Fernando Carvalho, na TV Globo.
Em 2019, em seu mais recente trabalho, foi preparador e coreógrafo do elenco da novela "Órfãos da Terra", também da TV Globo. Após seu falecimento, Shaira Sayaad passou a substitui-lo nessa tarefa, por sua indicação ainda durante seu tratamento. 

Em 20 anos de carreira, Tufic viajou pelo Brasil dando palestras, dançando com diversas bailarinas e ministrando cursos de dança e cultura árabes. Tufic deixou sua mãe Hassnate e dois irmãos, Claude e Tony.

Eu e Tufic
Vi o Tufic, pela primeira vez, no Mercado Persa de 2006, dançando com a Bárbara na categoria dupla. Mas, só em 2008, que fomos apresentados pessoalmente. Eu comentei com um namorado meu da época que tinha visto no Orkut, um cartaz falando sobre um show internacional em Juiz de Fora, com o Tufic e a Fabiana Tolomelli, recém-chegada dos países árabes. Por conta do meu interesse, ele me incentivou a ir ver o show e, a partir daí, minha relação com a rodoviária passou a ser bem intensa. Nessa noite do show, Tufic comentou que ele daria, no mesmo ano de 2008, junto da Fabiana, um curso profissionalizante, com foco no estilo libanês - e eu, que sempre adorei as bailarinas libanesas - disse: "Tô dentro!".

Fiz todo o curso por vários meses (dormi duas vezes na sua casa, quando perdi os ônibus de volta), aprendi horrores (tinha acabado de tirar meu DRT), passei a dançar de sapato e fiquei próxima dele.

Participei, pela primeira vez, em 2009, da Feira Cultural Árabe - evento organizado por ele por muitos anos em Juiz de Fora - e, no mesmo ano, nos encontramos em um evento em Petrópolis - RJ, onde ganhei o primeiro lugar do concurso profissional. Ele foi um dos jurados e, no fim do evento, me confidenciou que ele iria criar o Selo Nabak no ano seguinte e me convidou para tentar. Então, em 2010, junto da Nanci Rocha, fomos as primeiras a ganhar seu selo de qualidade, após seleção por vídeo, prova teórica e prática (DV e folclore libaneses) presenciais.

Por conta do Selo e da nossa proximidade cada vez maior, acabei participando todos os anos (menos em 2012, por conta de uma viagem minha a trabalho) da FCA, ele foi meu consultor de diversos temas relacionados à dança, dançamos juntos, trocamos conselhos profissionais (e pessoais), ele fez tradução de graça de músicas para mim... e sim, viramos amigos.

Em janeiro de 2018, às vésperas da minha vinda aos EUA, eu liguei para ele para me despedir. Ele me disse que eu faria falta no Brasil, mas que era para eu ir atrás dos meus sonhos. Não esperava nada diferente dele.

Obrigada, Tufic. Sentirei sua falta também.

Fontes: Acessa, Central DV, Tribuna de Minas, meus relatos pessoais. 

Bauce kabira, 
Hanna Aisha

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Minha experiência com bellydance nos EUA - parte 2

Olá, povo que continua curioso!

Na parte 1, eu dividi minha experiência como bailarina aqui nos EUA. Vocês já foram lá ver?

Nessa segunda parte, vou dividir as impressões que eu tenho da  prática da Dança do Ventre aqui na região de Baltimore/DC, onde moro, atualmente. Logo, não sei se posso estender isso para outras regiões dos EUA.

1) É impressionante o quanto o Estilo Tribal Fusion e o ATS estão presentes na dança delas. Vi muitas apresentações só de Tribal Fusion e muitas bellydancers (as bailarinas que dançam Dança do Ventre) dão um "tempero" em suas danças com as posturas e/ou trejeitos ATS. Aliás, fusão com Dança do Ventre é bem comum. Vi fusões com cigana, tribal, japonesa, flamenco, burlesco, música ocidental...

2) Elas também fazem muita edição nas músicas, misturando-as. Por exemplo, começar com uma zaffe e terminar numa percussão ou começar com "Aziza" editada e fechar com percussão. Aliás, elas adoram percussão (e a influência da Sadie sobre a forma como elas dançam percussão é bastante forte) e músicas para Tribal Fusion (música New Age também). Elas não costumam dançar músicas que chamaríamos aqui de "tradicionais".

3) Os figurinos me soam um pouco anos 2000. Não lembro de ter visto figurino egípcio atual ou um vestido ou com strass. Isso significa que vejo muitas franjas, faixas de cabelo, braceletes, moedas, flores. Eu diria que também é influência do ATS.

4) Enquanto gastamos muito tempo nos maquiando, eu não vejo investimento delas em maquiagens elaboradas; elas fazem maquiagens beeeeeeeeem básicas, comparadas às nossas.

5) O público costuma ser muito receptivo e simpático, quando não, generoso, dando gorjeta.

6) A leitura musical é muito diferente; tenho a sensação de que elas se preocupam muito em ler a música de uma forma geral, com pouca ênfase nos instrumentos solistas e com mais atenção à melodia como um todo.

7) Elas AMAM acessórios! Véu de seda, wings, fanveil, espada, bastão, snujs, candelabro ou bandeja com velas são os mais usados.

8) Não é incomum uma bailarina profissional também realizar outras danças como indiana, ATS, Tribal, danças latinas ou persa.

9) Já disse que elas adoram fazer fusões temáticas? Então, adoram: Halloween, unicórnio, gótico, terror, sereia, burlesco. Elas não parecem se preocupar muito com o que dirão sobre a criação delas...

10) Eu diria que aqui, onde estou, a Dança do Ventre é mais democrática: vejo mais mulheres mais velhas, bem acima do peso e/ou negras dançando em eventos e haflas ou profissionalmente. Pode ter a ver com a região, apenas, eu não sei [sabemos que, no fundo, os contratantes e as pessoas querem ver bailarinas jovens, brancas e com corpo bonito, não importando sua qualidade técnica e/ou experiência].

11) Elas oferecem workshops com nomes divertidos para temas já conhecidos: "Saucy said" (said atrevido), "Badass baladi" (baladi foda), "Liquid Silver" (líquido prateado). Eu fiz dois workshops sobre Teoria musical e posso dizer que, elas arrasam! Imagino que seja por conta da escola, que oferece artes em geral, muitas delas têm base musical forte e os dois cursos foram excelentes, como nunca vi nada próximo no Brasil.

12) Sobre aulas regulares: elas vendem as aulas em combos temáticos, ou seja, você comprar 2 ou 3 meses de aula, em que você estudará uma coreografia de alguma modalidade. Não é comum ter turmas regulares, com as mesmas alunas e tal... ainda não sei como ocorre o processo de profissionalização de uma bailarina, mas eu chutaria que ela ocorre de forma totalmente autônoma e sem fiscalização (ou seja, não rola sindicato - apesar de já ter ouvido mais de uma vez que existem as bailarinas "polícia").

13) Aqui, esse lance de você tirar foto ou filmar alguém para publicar nas redes sociais, principalmente, pode dar problema se você não tiver o consentimento da pessoa. O uso da imagem sem licença é sério e aqui é o país dos processos judiciais, se processa por qualquer coisa. Logo, sugiro que, antes de filmar e colocar no Instagram, pergunte às bailarinas filmadas se pode fazer isso.

Aqui, outro vídeo meu, dançando na hafla "All Seasons", organizada pela bailarina da região Mariza Matel:



Você já dançou nos EUA? Ou outro país? Não quer dividir sua experiência conosco aqui no blog?
Espero que tenham gostado!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 4 de março de 2019

Minha experiência com bellydance nos EUA - parte 1

Olá, pessoas curiosas!

Algumas pessoas me pediram para falar sobre como é a Dança do Ventre aqui nos EUA. Mas, é importante ter na cabeça que só posso falar da área na qual estou morando, que é Baltimore/DC. Logo, não dá para generalizar para todos os EUA.

Nessa primeira parte, vou dividir minha experiência como bailarina. No próximo post, vou dividir as impressões que tenho, por enquanto, das bailarinas e da dança, no geral, porque estou aqui há um pouco mais de um ano, apenas.

Eu comecei a contactar as bailarinas da região antes de vir pra cá e continuei nesse networking depois que cheguei. E nessa busca por contatos, conheci a Mariza Matel, bailarina da cidade, que tem uma trupe chamada Lazuli e ela promove eventos regularmente, como haflas, shows e workshops. Ela me recebeu muito bem imediatamente e já dancei duas vezes em sua hafla chamada "All Seasons". Abaixo, é o vídeo da primeira vez que dancei aqui:



Através da Mariza, nesse mesmo dia da hafla, em março, acabei sendo apresentada à sua amiga Aliceanna (também bailarina e professora em Baltimore), que foi headliner da hafla (ou seja, ela foi a convidada especial). Hoje em dia, eu e Aliceanna acabamos virando amigas pessoais [eu achei que não faria amigas aqui tão rápido porque somos culturalmente diferentes - mas a dança tem essa mágica, né?]. Nesse dia, também dançou a Kaela, bailarina da região e fotógrafa (minha foto inicial do post é dela). Na foto ao lado, temos a Kaela, Mariza, eu e Aliceanna num pub, comemorando o aniversário da Kaela.

Por conta do contato que mantivemos ao longo do ano, Mariza me convidou para dançar em grupo em um evento particular para uma empresa. Tivemos uns 6-7 ensaios para treinarmos a música que abriria e outra que fecharia o set de uma hora de show, intercalando com solos e duos. As músicas foram todas no estilo Bellydance SuperStars ou turcas. Foi uma experiência incrível para mim: a leitura delas é diferente da nossa (como as músicas utilizadas) e entender a lógica dos passos delas, assim como aplicar as emendas no meu corpo, foi um grande desafio. Fora decorar duas coreografias em menos de 2 meses e treinar dois solos. Foi um mês bem intenso! Não tivemos como filmar, mas aqui tem uma foto da gente, que tentou combinar as roupas para ficar mais bonito.


Eu dancei uma vez só no melhor restaurante "árabe" da cidade e foi ótimo. Consegui dançar lá por intermédio da bailarina Samira Shuruk, uma das profissionais mais antigas e conceituadas da área. Como tem dois andares, eu e mais uma bailarina dançamos naquela noite de sábado, trocando de andar no meio do set de 5 músicas. O público foi muito simpático e é bem comum ele dar gorjeta para as bailarinas no meio da sua dança. Porém, a escolha das nossas performances depende do gosto do dono, que é turco: ele não curte música egípcia, não pode usar bastão, tem usar acessórios como véu, bandeja, espada e snujs (aqui elas só chamam de zills). Como eu só trouxe véu e snujs, comprei taças e dancei com velas (a outra bailarina dançou com espada), coisa que não vi ainda aqui. Não tirei foto e filmei alguns segundos nos stories do Instagram. Quem sabe, numa próxima?

Também participei de um festival, o Dangerous Curves Bellydance Convention. Foram 3 dias de show, workshops e palestras, com uma headliner e convidadas especiais (em 2019, a headliner será a Cassandra Fox!). Fiz vários stories no meu Instagram nesse dia (me segue lá! @hanna_aisha), onde mostrei algumas danças e o espaço em que ocorreu o festival. Fiz 3 workshops e dancei em um dos shows:



O festival mais famoso da área (The Art of the Belly) rola sempre em março e eu estava recém-chegada e sem dinheiro. A Jillina foi uma das headliners e esse ano será a Zoe Jakes e Aziza. Mas, perdi completamente a inscrição para 2019 e já tem lista de espera. Fica para 2020...

Na mesma hafla de março, também conheci a Carolina Hernandez, colombiana e bailarina da área. Ela me convidou para dançar em um festival cultural em Silver Spring, cidade próxima a Baltimore, ainda em Maryland. Ventava muito e fazia muito calor: foi um desafio lidar com cabelo voando e maquiagem derretendo, mas o público foi muito caloroso e o fotógrafo tirou fotos incríveis!

2018 não foi um ano super produtivo na dança, comparado ao que tenho no Brasil: não dei workshop nem aula presencial (só dei aulas online), dancei em um festival de dança e outro cutlural, em duas haflas, em um restaurante e em um evento particular, além de ter feito 5 workshops. Mas, olhando assim, até que não foi tão ruim para um primeiro ano morando fora do Brasil. Poderia ter sido mais agitado? Sem dúvida, mas a prioridade não era (e ainda não é) essa. Agora é esperar ver como 2019 vai se apresentar!

Espero que tenham gostado! E se você já morou nos EUA (ou em outro país) e quer dividir sua experiência, comenta aqui!

Bauce kabira,
Hanna Aisha