Profissionalizar para quê? Para dar um workshop com os movimentos da Randa Kamel e os giros da Lulu? Até onde isso é contribuição original?
Levei 7 anos para ter coragem e assumir a responsabilidade de ter um DRT e me responsabilizar por mim mesma, sem ninguém me apoiando e coordenando diretamente por trás (como existe né, a gente sabe). Eu fico impressionada com a pressa que as meninas têm de se profissionalizarem em DV.
Não que eu não ache isso importante; é sim e nem acho que sejam necessários 7 anos, depende de cada uma. Fazer uma faculdade de dança, sindicalizar, fazer cursos sérios de profissionalização, aula regular... deve ser buscado!
Reforço o tema do post: por quê a pressa? Para ganhar R$ 50,00 em um restaurante e colocar suas fotos no Facebook?
Só porque sua mãe, amigas e amigos, parentes ou qualquer pessoa diz que você está dançando muito bem (o que pode muito bem ser verdade, não estou questionando isso) NÃO QUER DIZER que você esteja preparada para nosso tão amigável mercado de dança do ventre.
Aulas; quando dar aulas?
De preferência, após a supervisão de uma profissional e um estágio razoável na presença da mesma. Por que não estágio? Se médico leva dois anos de residência para ganhar a especialização por que você não pode se preparar melhor? Ou você acha que é só ensinar as mãos, oitos e montar coreografia? A responsabilidade de ter corpos em suas mãos é tão grande quanto sua atenção ao psicológico das alunas. Fooooora, a questão do que chamo enrolation society. Sem enrolação, please, dê aulas com "sustância".
Apresentações
Geralmente, se começa por elas e costuma ser um bom indicativo: festivais, concursos, festa da escola... até se chegar nos restaurantes, shows e apresentações particulares. Essa é a parte que nosso ego é mais massageado, pois quase todas as pessoas irão te elogiar. O que não quer dizer muuuuita coisa assim, principalmente de onde vierem os elogios.
Workshops
É bem diferente de aula, pois você tem um tempo limitado para explorar assuntos pontuais. Ninguém te prepara para isso, apenas a experiência de participar de workshops/cursos e de prepará-los. Eu, particularmente, me sinto novata nesse aspecto mas não tem por onde ir a não ser fazendo com bastante cautela, carinho, atenção e ESTUDO.
Relações sociais com suas colegas de profissão
A pior parte; é a que dá mais trabalho em cultivar. Por quê?
Porque nem todas querem receber críticas.
Porque algumas têm medo de perder alunas para você.
Porque algumas se acham mesmo, é da personalidade.
Porque só chamo para dançar quem me chama para dançar, independente da qualidade técnica.
Porque ela tem selo e você não.
Porque seu figurino não é de uma grife legal.
Porque se fofoca demais sem necessidade.
Porque as escolas não se misturam.
Porque sua aluna falou mal da outra professora.
Porque nunca sou chamada para nada.
Quantos "bafos" você escuta regularmente?
Boas professoras nem sempre são boas bailarinas ou coreógrafas e essa relação é um grande vice-versa.
Quando decidir se profissionalizar, pense em todas essas responsabilidades que você automaticamente irá receber com ou sem DRT, mesmo não sendo minimamente qualificada em alguma delas (temporariamente, se espera).
Eu já errei como aluna e continuo errando, mesmo sendo hoje profissional. Como quase todas nós. Todas cometem deslizes. Até para quem escolhe uma posição mais reservada, existem consequências. Mas, repetir erros, não dá.
A questão aqui é procurar refletir sobre que objetivos você tem ao ser bailarina profissional ou ao se projetar como uma. Pois, a partir do momento que escolher a profissionalização, a cômoda posição de aluna deixa de existir e você passa a se responsabilizar por tudo que fala e faz. Até por ouvir e decidir esquecer ou não.
Quer ler mais sobre isso?
Bauce kabira,
Hanna Aisha
