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segunda-feira, 4 de março de 2019

Minha experiência com bellydance nos EUA - parte 1

Olá, pessoas curiosas!

Algumas pessoas me pediram para falar sobre como é a Dança do Ventre aqui nos EUA. Mas, é importante ter na cabeça que só posso falar da área na qual estou morando, que é Baltimore/DC. Logo, não dá para generalizar para todos os EUA.

Nessa primeira parte, vou dividir minha experiência como bailarina. No próximo post, vou dividir as impressões que tenho, por enquanto, das bailarinas e da dança, no geral, porque estou aqui há um pouco mais de um ano, apenas.

Eu comecei a contactar as bailarinas da região antes de vir pra cá e continuei nesse networking depois que cheguei. E nessa busca por contatos, conheci a Mariza Matel, bailarina da cidade, que tem uma trupe chamada Lazuli e ela promove eventos regularmente, como haflas, shows e workshops. Ela me recebeu muito bem imediatamente e já dancei duas vezes em sua hafla chamada "All Seasons". Abaixo, é o vídeo da primeira vez que dancei aqui:



Através da Mariza, nesse mesmo dia da hafla, em março, acabei sendo apresentada à sua amiga Aliceanna (também bailarina e professora em Baltimore), que foi headliner da hafla (ou seja, ela foi a convidada especial). Hoje em dia, eu e Aliceanna acabamos virando amigas pessoais [eu achei que não faria amigas aqui tão rápido porque somos culturalmente diferentes - mas a dança tem essa mágica, né?]. Nesse dia, também dançou a Kaela, bailarina da região e fotógrafa (minha foto inicial do post é dela). Na foto ao lado, temos a Kaela, Mariza, eu e Aliceanna num pub, comemorando o aniversário da Kaela.

Por conta do contato que mantivemos ao longo do ano, Mariza me convidou para dançar em grupo em um evento particular para uma empresa. Tivemos uns 6-7 ensaios para treinarmos a música que abriria e outra que fecharia o set de uma hora de show, intercalando com solos e duos. As músicas foram todas no estilo Bellydance SuperStars ou turcas. Foi uma experiência incrível para mim: a leitura delas é diferente da nossa (como as músicas utilizadas) e entender a lógica dos passos delas, assim como aplicar as emendas no meu corpo, foi um grande desafio. Fora decorar duas coreografias em menos de 2 meses e treinar dois solos. Foi um mês bem intenso! Não tivemos como filmar, mas aqui tem uma foto da gente, que tentou combinar as roupas para ficar mais bonito.


Eu dancei uma vez só no melhor restaurante "árabe" da cidade e foi ótimo. Consegui dançar lá por intermédio da bailarina Samira Shuruk, uma das profissionais mais antigas e conceituadas da área. Como tem dois andares, eu e mais uma bailarina dançamos naquela noite de sábado, trocando de andar no meio do set de 5 músicas. O público foi muito simpático e é bem comum ele dar gorjeta para as bailarinas no meio da sua dança. Porém, a escolha das nossas performances depende do gosto do dono, que é turco: ele não curte música egípcia, não pode usar bastão, tem usar acessórios como véu, bandeja, espada e snujs (aqui elas só chamam de zills). Como eu só trouxe véu e snujs, comprei taças e dancei com velas (a outra bailarina dançou com espada), coisa que não vi ainda aqui. Não tirei foto e filmei alguns segundos nos stories do Instagram. Quem sabe, numa próxima?

Também participei de um festival, o Dangerous Curves Bellydance Convention. Foram 3 dias de show, workshops e palestras, com uma headliner e convidadas especiais (em 2019, a headliner será a Cassandra Fox!). Fiz vários stories no meu Instagram nesse dia (me segue lá! @hanna_aisha), onde mostrei algumas danças e o espaço em que ocorreu o festival. Fiz 3 workshops e dancei em um dos shows:



O festival mais famoso da área (The Art of the Belly) rola sempre em março e eu estava recém-chegada e sem dinheiro. A Jillina foi uma das headliners e esse ano será a Zoe Jakes e Aziza. Mas, perdi completamente a inscrição para 2019 e já tem lista de espera. Fica para 2020...

Na mesma hafla de março, também conheci a Carolina Hernandez, colombiana e bailarina da área. Ela me convidou para dançar em um festival cultural em Silver Spring, cidade próxima a Baltimore, ainda em Maryland. Ventava muito e fazia muito calor: foi um desafio lidar com cabelo voando e maquiagem derretendo, mas o público foi muito caloroso e o fotógrafo tirou fotos incríveis!

2018 não foi um ano super produtivo na dança, comparado ao que tenho no Brasil: não dei workshop nem aula presencial (só dei aulas online), dancei em um festival de dança e outro cutlural, em duas haflas, em um restaurante e em um evento particular, além de ter feito 5 workshops. Mas, olhando assim, até que não foi tão ruim para um primeiro ano morando fora do Brasil. Poderia ter sido mais agitado? Sem dúvida, mas a prioridade não era (e ainda não é) essa. Agora é esperar ver como 2019 vai se apresentar!

Espero que tenham gostado! E se você já morou nos EUA (ou em outro país) e quer dividir sua experiência, comenta aqui!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Tahia Karioca: pra estudar

Rushdy Said Bughdady Abaza nasceu dia 22 de fevereiro de 1919 em Ismaília, no Egito e morreu de ataque cardíaco no dia 20 de setembro de 1999, aos 80 anos.

Sua história não é muito diferente das bailarinas da época: foi desencorajada por sua família para trabalhar como bailarina e mudou-se para o Cairo. Lá, estudou dança na Ivanova Belly Dancing School e conheceu sua vizinha Badia Masabni, que lhe ofereceu a chance de trabalhar em sua trupe, após começar a trabalhar em seu cabaré vendendo frutas. Taheyya Mohamed, seu nome artístico inicial, ganhou popularidade rapidamente e foi no cassino onde ela conheceu o Samba (que era chamado de Carioca pelos egípcios) e pelo qual se apaixonou, sendo inserido em suas apresentações, posteriormente. Taheyya Karioka (ela trocou seu nome por conta disso) estrelou, em torno de, 120 filmes, além de ter trabalhado na televisão e no teatro. Samia Gamal era sua rival no cassino, mesmo que seus estilos de dançar fossem muito diferentes.

Tahia Carioca era muito meiga, delicada e graciosa, onde utilizava passos pequenos, com muitos oitos, redondos, camelos e sem marcações fortes. Ela fazia muito o redondo grande de quadril, deixando-o um pouco lento na frente. Os braços ficavam em, basicamente, 3 posições: meio alongados acima da cabeça ou do quadril ou posicionados na altura do rosto e busto:


Possuía uma técnica bastante sofisticada e fluida, cheia de emendas e explorando muito variações de altura, com o recurso de flexão dos joelhos. Mais tarde, ela incorporaria passos de danças latinas em suas performances. Tahia foi uma das bailarinas que ficaram conhecidas por elevar o nível técnico da dança oriental no Egito. Tanto que foi chamada pela revista "New York Times" como uma "pioneira da dança oriental moderna", isto é, como ela é dançada hoje.

Uma curiosidade: ela chegou a ser chamada para trabalhar em Hollywood, mas como seus braços eram considerados pouco elaborados, exigiu-se que ela fizesse aulas de ballet. Ela recusou, pois ela se considerava uma bailarina profissional e que não precisava de ajuda para dançar. Adivinha que foi trabalhar em seu lugar? Samia Gamal.


Tahia teve uma vida política ativa e era famosa por conseguir ser "sedutora sem ser vulgar", como o famoso autor Edward Said citou em um dos seus livros. Ela se aposentou da dança em 1963, mas continuou a carreira de atriz. Mais velha, converteu-se ao Islã, fez a peregrinação à Meca e passou a usar véu. Apesar de ela ter se casado 14 vezes, Tahia foi incapaz de conceber filhos.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

George Abdo

Olá, povo curioso como eu!

Vamos falar hoje de um cantor e músico libanês, filho de pais egípcio e norte-americano, chamado George Abdo (1937-2002). Acredito que eu, por ter estudado Dança do Ventre um pouco antes das BellyDance SuperStars estourarem no Brasil, pude ter mais contato com as músicas desse cara incrível. A geração anos 90 pode dizer, muito mais do que eu, como suas músicas foram importantes para sua formação.

Eu, desde aluna, sempre AMEI AMEI AMEI as músicas dele. Sempre me soaram muito mágicas, mas sempre tive dificuldade de "classificá-las". Hoje eu entendo o porquê.

Na verdade, um dos motivos dele ter sido um sucesso foi ter criado um repertório para performances bellydance, misturando sonoridades orientais com ocidentais (pop e jazz). O resultado final é uma sonoridade mediterrânea, ou seja, é uma influência de músicas turcas, gregas, armênias, sírio-libanesas e egípcias. Na maioria das músicas, ele canta em árabe, mas ele tem algumas músicas cantadas em grego. Um dos exemplos mais famosos dessa sonoridade misturada é a música grega "Misirlou" que ele gravou em maqam árabe:


Ele fez muito sucesso nos anos 70, gravou cinco álbuns e tocou muito na cidade de Boston, MA, EUA. Ele ficou conhecido como "Rei da música bellydance" e seu álbum "Flames of Araby Orchestra" apresenta uma rotina bellydance completa. Por ter vivido nos EUA, ele trouxe para a platéia norte americana, um pouco da música oriental, em que misturou violino, oboé, alaúde, qanun, derbacke, bouzoki, guitarra, piano, baixo e bateria.

Algumas pessoas acreditam que ele estabeleceu um trabalho de base para os artistas de música oriental nos EUA. Ele também acabou ajudando a "elevar" a profissão de bellydancer (até, então, marginalizada) pois, criou músicas que deixavam as bailarinas como um peça importante dentro do quadro completo do show e, não deixando-as, apenas, como meros ornamentos decorativos. A música se comunicava e se movia com a bailarina como uma parceira.

Hoje, eu diria que muita gente acharia sua música brega, mas eu não consigo achar isso, de verdade. Ela possui essa magia orientalista, que consegue manter a plateia envolvida, talvez hipnotizada, dependendo da bailarina que estiver dançando. Sua música pode ser considerada uma fusão (e não tradicional como, normalmente, se considera), mas que não está muito longe das raízes musicais, rítmicas e estruturas nativas. Por isso, minha dificuldade em classificá-la por tanto tempo.

Tive dificuldade de achar vídeos interessantes de profissionais dançando George Abdo; creio que por ele estar fora de moda há um bom tempo. Mas, ficam aqui, para apreciação, um vídeo da Cristina Antoniadis (de origem grega) e um meu:



Fontes: Geocities, informações trocadas com Cristina Antoniadis, Marcia Dib e Pedro Rebello.

Bauce kabira,
Hanna Aisha