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segunda-feira, 17 de março de 2014

Para dar uma estudada... literalmente (6)

Talentos "desconhecidos" pela maioria do público de DV no Brasil é muito mais comum que a gente pensa. E o Rio de Janeiro, tem provado isso para mim, cada vez mais. Natalia Trigo já é uma "velha" conhecida nossa e sempre, sempre arranca suspiros da gente. Mas, dessa vez, ela deu uma verdadeira aula de entrega e técnica. E de esperança (sim, esperança!) pois provou que sim, é possível ter estilo próprio!


Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 9 de março de 2014

Nacionalidade na Dança do Ventre

Post revisado e reescrito em 19/09/2020

Nessa semana que passou, algumas pessoas compartilharam esse texto, em que a autora diz que "não aguentar bellydancers brancas" (não no sentido racista de cor, mas de país) porque, resumindo, a Dança do Ventre é do Egito e bailarinas não egípcias não sabem o que dançam ou como devem se vestir, são estereotipadas. Isso causou bastante desconforto entre as profissionais não egípcias, tanto que escreveram um outro texto contestando bastante o original. Vale dar uma olhada!

Apesar de parecer um consenso de que a origem da Dança do Ventre é na África (O Egito fica no norte), ela alcançou o mundo inteiro e hoje, é basicamente impossível engolirmos esse movimento "possessivo", que tenta mantê-la como propriedade única do Egito.

"Não há nacionalidade para a arte". Tratando-se de danças étnicas, como a Dança do Ventre, essa frase pode não caber, dependendo do contexto. Mas, foi inevitável; temos muitas bailarinas não-egípcias que são conhecidas mundialmente porque elas têm talento e uma história de busca e determinação. Quem imaginou uma latina (no caso abaixo, argentina) fazendo sucesso no Egito?



Temos a Jillina, também americana, trabalhando muito pelo mundo:



Alguns documentários já relataram a dificuldade de se formar novas bailarinas egípcias por conta desse novo conservadorismo religioso. Então, como manter a tradição da Dança do Ventre no Egito, que é um importante movimentador de dinheiro no país? Uma das soluções encontradas foi importando bailarinas! A Nour, bailarina citada no podcast, é asiática (russa), casada com um sírio e morando no Cairo, há muitos anos. E eles percorrem o mundo dando show. Alguém tem dúvidas de que ela merece estar onde está?



Os brasileiros costumam considerar os europeus como um povo frio e introspectivo. E o sentimento, por que não podemos compartilhá-lo? Afinal, todos nós somos seres humanos! Amor, alegria, satisfação, tristeza, são universais! Se não fosse, por que uma holandesa como a Anusch, consegue dançar tão bonito?



A Dança do Ventre atravessou muitas águas e agora divide espaço com cangurus e surf na Austrália! Por que não?



Não poderíamos deixar de citar nosso orgulho brasileiro: Soraia Zaied, que arrasa lá no Egito!



Nós, não-egípcias, criamos, adaptamos, reinventamos a DV, tudo baseado na nossa cultura e história pessoal. Tem problema isso? Sim, pode ser perigoso, por conta da apropriação cultural (que merece um post só dele). Reconhecer as egípcias como a fonte primária dessa dança é o primeiro passo para diminuirmos esse problema. Além disso, precisamos dessas referências para nos colocar "de volta no chão" e nos fazer refletir sobre o que é Dança do Ventre e por que a escolhemos.

Tem mais gente falando sobre isso, dá uma olhada: Amar El Binnaz, Dança do Ventre Brasil, Dunya. Também sugiro esse post da Nadja el Balady.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Espaço da Pupila (2) - por Berna Fayed

Como a dança mudou minha vida

A dança me ajudou a sair de um momento crítico da qual eu me encontrava antes de conhecer a dança.

Quando procuramos algum tipo de atividade pra poder passar o nosso tempo, não temos ideia do quanto de bem essa atividade possa fazer em nossa vida.

Passamos a maioria do tempo, mais ainda nas horas ociosas, preocupados com nossos problemas e dando importância demais a elas.

Eu estava passando por uma dificuldade familiar que muito me fez mal física e mentalmente, onde procurei ajuda de um profissional que então me deu a ideia de procurar algo para que eu pudesse distrair e ter mais foco.

Foi aí que veio a dança do ventre. A dança me ajudou a entender e ver que muitas dessas dificuldades em que passei foi por conta da tamanha importância que dei aos meus problemas. 

Também identifiquei algo que ainda não era explorado no mundo bellydance, a maquiagem propriamente feita dentro dos eventos de dança. E essa descoberta veio pra me completar.

Com o passar do tempo tive um olhar totalmente diferente pra tudo e todos que me rodeavam, hoje olho o próximo com mais calma, complacência, amor, bondade e mais respeito. 

Mas a minha principal conquista foi bem pessoal, aprendi a respeitar mais o próximo e ter mais amor próprio.

Meus problemas não são tão maiores que os dos outros. Então tomei como lema pra minha vida que tudo passa. Até uva, é passa!

Eu iniciei os estudos com uma professora que era mais voltada para dança cigana, então depois de um tempo senti a necessidade de mudar, e procurei alguém mais capacitada pra poder suprir algo que eu ainda via que estava faltando em mim.

Fiquei por uns três anos totalmente dedicados ao grupo da minha segunda professora onde tive a oportunidade de aprender com uma profissional mais qualificada, com quem aprendi muita coisa. 
Com isso consegui a lidar mais com o palco e o público, a desenvolver mais minhas expressões e enfrentar meus medos. 

Ainda tenho muito pra crescer e aprender e por isso tenho investido nos estudos em dança e conhecimento corporal com novas profissionais também muito capacitadas no mercado.



Hoje busco aprender ou aprimorar coisas que antes não tinha domínio entre outras coisas que são novas pra mim.  Não imaginava que pudesse sentir a necessidade em aprender muito mais depois que eu comecei as apresentações solo. Senti que deveria sim me dar ao direito de aprender mais e mais. Mas o desafio foi lançado, estudar é meu foco e pôr em prática tudo que eu aprender de aqui pra frente é a minha meta. Sem medo e sem passar por cima de ninguém.

O caminho é longo e a minha dedicação e vontade são muito maiores neste momento. Quero seguir na dança do ventre não por puro ego ou satisfação, mas sim pelo desafio que tenho em querer superar as minhas dificuldades e limitações e ser ainda mais feliz.

Hoje sou mesmo muito feliz sim, porque eu amo a dança do ventre, vivo a dança intensamente, admiro e amo ver as colegas dançarem superando seus medos e seus conceitos, respiro a dança apesar de ser Turismóloga e trabalhar numa agência de viagens e amar viajar e conhecer novas culturas.

Agora é seguir em frente sempre e agradecer a todos os que contribuem para meu crescimento e aprendizagem. Sou muito grata!!

Berna Fayed, que encontrou na dança a felicidade e reencontrou aquela menina alegre, sorridente e realizada de antes. Está em constante transição. Uma eterna aprendiz. Iniciou os estudos com Hadjza Kalif e vai fazer quatro anos de dança e hoje é aluna de nível iniciante de Zarah Li e que vai participar a partir de Março de um curso de aprimoramento com Samara Nyla e pratica Bellyflex com Adrielle Brites.