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domingo, 11 de setembro de 2011

A diferença entre interpretação e expressão - por Cássia Pires

Quando estávamos perto de um concurso que minha aluna participaria, ela me enviou o link desse artigo maravilhoso por email... porque eu dizia a ela que deveria relaxar mais a expressão e "sentir mais a música", se preocupando um pouco menos com a técnica, até porque estava boa. Ela estava com dificuldade em entender o tal "sentir".

"É comum ouvirmos que determinada bailarina interpretou muito bem tal personagem. Na verdade, ela simplesmente soube expressar as características de tal protagonista. São coisas bem diferentes, nem sempre perceptíveis para quem desconhece como cada arte funciona.

Não existe o “entrar no personagem”. Isso é bonito, romântico e poético, mas interpretação é técnica. Estuda-se muito para isso. “Ah, então, por que nem todos que estudam teatro são bons atores?” Pelo mesmo motivo que nem todos que estudam ballet são bons bailarinos.

Há diversos teóricos sobre o assunto (por exemplo, Brecht, Artaud, Grotowski, Boal), mas um dos mais importantes e estudados é Stanislavski. A base do seu método consta em três livros: A preparação do ator, A construção da personagem e A criação de um papel.

Bailarinos precisam conhecê-lo? Não. Mas precisam saber que não são atores. Não vou me aprofundar no assunto, porque os livros existem para isso. Passarei brevemente por uma parte do processo de composição de personagem, para vocês entenderem a diferença citada no título.

Quando um ator recebe um personagem, a primeira parte de seu trabalho é compô-lo. Ele terá de transformar uma ideia em praticamente uma pessoa, para que os espectadores assistam e acreditem que aquele ser existe. Sim, sabemos que é tudo ficção, mas se não nos envolvêssemos, ninguém se emocionaria em uma peça, filme ou novela.

Como construir alguém que não existe? O ator tem apenas o básico: a história do personagem inserida em uma história maior. Pensemos em Marguerite, personagem de A dama das camélias, romance de Alexandre Dumas Filho, que virou peça, vários filmes, a ópera La Traviata e o ballet de John Neumeier. Prostituta de luxo, sustentada por seus amantes, ela se apaixona por um rapaz mais jovem, Armand. O pai do rapaz faz de tudo para separá-los, chegando praticamente a chantageá-la. Além disso, ela está morrendo por conta da tuberculose. O que ela faz? Renuncia esse amor, sem dizer a ele o verdadeiro motivo do abandono. O final? Não vou estragar a graça de ninguém.

Com isso em mãos, uma atriz só sabe coisas básicas: Marguerite é prostituta, sustentada pela burguesia, é refinada, está doente, é mais velha que seu amante, conhece bem os meandros da sociedade da época, guarda o real motivo de sua separação. Ou seja, não é ingênua, é sagaz, experiente e sabe onde está pisando.

Agora, é hora de dar vida a essa mulher. Há várias maneiras, mas uma delas é se abastecer de referências. A atriz lerá romances de mulheres que tiveram de renunciar ao amor, assistirá a filmes de cortesãs do século XIX, pesquisará sobre os sintomas que caracterizam uma tuberculose, lerá poemas sobre amores trágicos, ouvirá canções que remeterão à renúncia e infortúnio, estudará sobre os modos burgueses da época em que se passa a história, pesquisará imagens de mulheres refinadas daquele período, enfim, ela mergulhará nesse mundo. Além disso, poderá reconstruir as lacunas dessa personagem: Ela se apaixonou antes? Por que começou a se prostituir? Ela tem família? O que aconteceu em sua vida até o momento em que conhece Armand?

O espectador precisa saber disso? Não. Isso é importante para a atriz em questão. Antes que os outros acreditem, ela precisa enxergar essa personagem como um ser verossímil.

O próximo passo do trabalho é o processo de montagem, específico demais para quem não é da área.

Uma bailarina não precisa fazer a mesma coisa, não precisa construir a Marguerite. Mesmo assim, ela tem de entender essa mulher. Entender o que está acontecendo: uma mulher apaixonada que terá de renunciar ao seu amor por conta das pressões sociais da época.

No momento do espetáculo que corresponde à separação dos dois, a bailarina não poderá entrar sorridente no palco, mas nem por isso deverá fazer caras e bocas para demonstrar o sofrimento de Marguerite. Aliás, erro básico que, por favor, jamais cometam. Nada de retorcer seu rosto para demonstrar sentimento; ele começa do lado de dentro. Simplesmente, sinta. Emocione-se com a dança, com a história, com a música. Dance com o corpo e com o coração. No pas de deux negro, entre Marguerite e Armand, sinta a angústia desse casal que se ama e não poderá ficar junto. Naturalmente, o rosto e o corpo expressarão tristeza e resignação.

Expressar tristeza e resignação. Só isso que a bailarina precisa. Entendendo essa questão, fica fácil perceber a vivacidade de Kitri, a angústia de Odette, a ingenuidade de Giselle, a doçura de Lise… O próprio ballet traz a emoção à tona. Esse é o limite. Quem quer ir além, exagera e fica falso, e ninguém é tocado pela falsidade.

Deu para entender? Por isso, se expressem da melhor maneira possível e deixem a interpretação para o teatro. Cada coisa lindamente no seu lugar".

Para ler o artigo completo, ir aqui.
Quer saber mais sobre expressão? Vá aqui e aqui!

Bauce kabira,
Hanna Aisha

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Marrocos e Dança do Ventre

Texto revisto e reescrito em 20/11/12.

Olá, bellynerds!

Quando a gente aprende ou ouve falar sobre shaabi, a gente vai no YouTube procurar por videos e pode acabar se confundindo. O shaabi egípcio já foi explicado aqui, mas também existe o chaabi marroquino, que é completamente diferente.

Infelizmente, nunca fui no Marrocos, mas ao longo desses anos lidando com Dança do Ventre, algumas vezes me deparei com uma música "diferente" da que eu costumava ouvir e aprendi, sem querer, que era música marroquina!


Existem muitos tipos de música marroquina e costumam ser tocados em diversos momentos de celebração. Esse ritmo chamado chaabi também tem a conotação de "popular" e nada mais é que música popular com diversas influências da música árabe, africana e berbére com elementos ocidentais como pop, reggae e rap. Chalf Hassan é o que eu mais encontrava por aí... mas existem diversos outros artistas!


Essa música teve sua origem nas ruas, nos anos 70, para competir com o shaabi egípcio e a música libanesa. Também pode possuir letras politizadas e os pioneiros foram Lemchaheb, Nass El Ghiwane e Jil Jilala. O surgimento desse estilo fortaleceu a estima do próprio país, que sempre ficou à margem dos países vizinhos. E a dança do ventre, ela existe no Marrocos?



Como o país é um dos mais conservadores "do lado de lá", bailarinas profissionais são consideradas prostitutas (e o são, na maioria, shikhat) e eu achava que basicamente não havia dança do ventre por lá, do jeito que a gente gosta que seja, como profissão. Mas, conversando recentemente com a bailarina carioca Luciana Midlej, ela disse que existe sim, inclusive acontecem lá, importantes festivais. Gente, alguém sabe dizer mais sobre isso???

Esse site aqui é legal... mas quer ver mulher marroquina dançando?


Vamos treinar nossos ouvidos mais um pouco? Tem mais aqui!
Fonte principal: Travel to Morocco
Bauce kabira,
Hanna Aisha

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sobre Zahra Sharq 2011

Olá!

Os agradecimentos começam com público do show e do workshop. Obrigada pela confiança em acreditar no meu evento que esteve em sua terceira edição!

Em seguida, agradeço imensamente às bailarinas participantes a disponibilidade e interesse. Mais o que apenas dançar, eu espero que todas recebam o retorno merecido por cada trabalho apresentado. E eu sei que existe um retorno.

Obrigada Jannah El Havanery, pelo contato inicial e a posterior confiança em vir para o Rio dançar e agradeça suas meninas por mim. Todas são muito simpáticas e educadas.

Obrigada à minhas alunas Vanessa, Jeanne, Liliane e Cecília que por meio de CDs, flores, presentes, olhares, abraços e paciência me ofereceram seu carinho e apoio.







No workshop...



Não vi quase nenhuma apresentação, mas o pouco que ouvi das pessoas foi de que esse foi meu melhor e de mais alto nível. Isso é resultado do trabalho de vocês mesmas. Espero ver logo os vídeos! E a todos, desculpem qualquer falta de atenção e espero que eu tenha oferecido conforto suficiente para que se sentissem bem.

Infelizmente, a Hadara Nur não pôde estar presente no evento por problemas de saúde. O que tinha de ser resolvido já foi resolvido entre as partes interessadas e o que fica é um pouco de vazio pela expectativa criada por todos. De qualquer maneira, agradeço também à Hadara pelo interesse em vir para terras cariocas.

Sobre o DVD, eu ainda estou pensando se farei a edição. Para isso, preciso saber quem são as reais interessadas em comprá-lo, sairá por R$ 20,00 cada um. Por favor, enviem um email para hannaaisha00@gmail.com. A programação foi a seguinte:

Jannah El Havanery – Clássica
Adrielli Brites – Salsa Árabe
Hanna Aisha – Zaar moderno 
Jaqueline Campos - Tribal Fusion
Grupo Osíris – Fitas
Natália Trigo - Clássica
Hanna Aisha - Taqsim Balady
Luciana Midlej – Oum Khoulsoum
Jannah El Havanery - Derbacke
Cia Zahra Sharq – Said com bengala
Nadja El Balady – Tribal Brasil
Shaira Sayaad – Dança com Espada
Jannah El Havanery - Wings
Hanna Aisha – Tarab 

Entrarei de férias dia 31 de agosto e emendarei em um congresso, voltando ao Brasil dia 08 de outubro. Certamente, minha presença na net diminuirá bastante, mas tentarei manter os posts atualizados.

Bauce kabira, 
Hanna Aisha