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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dança Hagalla

Aprendi Dança Hagalla recentemente num workshop com a bailarina argentina Yesica Carmona, aqui no Rio e pedi para ela me escrever um texto sobre isso. Fiz a tradução, que segue abaixo (os vídeos são por minha conta):

“Faz um tempo que estudo sobre a Dança Hagalla, sua origem e seu significado. No caminho, tive várias dúvidas referentes à dança e à música que devia utilizar e graças a elas, pude chegar a algumas conclusões.

Quando alguém se refere à Hagalla, não está somente se referindo à dança, porém também à música, à bailarina, a um movimento e a todo um contexto social. Hagalla vem do árabe “hagl” que significa “saltar”. É uma dança de celebração que acontece em diferentes ocasiões cotidianas nas colônias de beduínos de Marsa Matruh, que está localizado no noroeste do Egito e nos arredores da Líbia. Também está relacionada com as danças Kaf (aplausos). Comumente se utiliza a dança em casamentos, noivados ou colheitas nessas áreas. A bailarina ou “hagaleira” é a figura principal. Ela dança mostrando toda sua graça, riqueza e beleza para uma fila ou um semi-círculo de homens e familiares que participam da festa, acompanhando a bailarina com cantos e aplausos.

Excelente coreografia representando a Dança Hagalla, por Aris Medrei (DF):


Costuma estar coberta ou semi-coberta e, às vezes, utiliza um lenço ou vara para dançar. Pode ser uma familiar da noiva, já que é usual que outras mulheres da família tornem-se o centro dela ou pode ser uma bailarina profissional. Nesse caso, ela dança ao redor do homem eleito, tirando suas joias e braceletes em troca de novos braceletes dados por ele.

Não é uma dança em que a mulher tem como ambição se casar, até porque isto não acontece na vida atual pois os noivados já estão arranjados desde cedo, porém é uma representação. Na Líbia, por exemplo, essa dança representa uma celebração ao início da vida adulta de uma jovem que dança cobrindo seu rosto com um chador. Trata-se de um ritual social e regional, um folclore, como tantos outros, que não nos pertence, a não ser que tenhamos viajado ou vivenciado alguma experiência mais próxima. Por isso, é difícil falar de alguma música ou dança específica, mas é possível compreender sua essência, sua simplicidade dos movimentos e suas características para diferenciá-la de outro tipo folclórico.

A maioria das representações da Dança Hagalla são baseadas ou inspiradas na versão teatral da Troupe Reda, dirigida pelo mestre egípcio Mahmoud Reda. Em um artigo muito interesante escrito pela sua esposa e famosa bailarina Farida Fahmy, em um estudo de campo dos estilos folclóricos do Egito, ela conta que em 1965 teve a sorte de acompanhar seu esposo à província de Marsa Matruh e ter sido testemunha de uma evento de dança regional. Segundo Farida, este evento inspirou Mahmoud Reda em realizar e encenar a Haggala em 1966, utilizando um movimento tradicional de quadril, que ela aprendeu copiando e logo foi incorporado ao vocabulário da companhia Reda como Hagalla; este movimento de quadril pode ser combinado e seguido com os demais passos básicos da dança egípcia. O próprio Reda reconhece que sua versão está um pouco longe da versão tradicional e que ele introduziu em sua representação movimentos originais misturados com outros.

Hagalla por Mahmoud Reda:


Algo semelhante acontece com o vestuário; um vestido típico de mangas grandes, que pode ser usado com um grande “cachecol” ao redor dos quadris ou com uma “sobre-saia” ao estilo libanês. A faixa com grandes canutilhos e franjas é uma moda mais atual.

Mais uma linda coreografia:


Com respeito à música, geralmente se usa o ritmo laff ou malfuf, por sua estrutura de dois tempos com um corte, que se assemelha ao ritmo 2/4 utilizado nas músicas e celebrações regionais".

Aqui, minhas alunas da Cia Zahra Sharq, dançando Hagalla:


Artículo escrito por Yesica Carmona
Tradução livre do espanhol por Hanna Aisha

Bauce kabira,
Hanna Aisha

domingo, 7 de novembro de 2010

Quem é que está trazendo mesmo?

Essa semana, em uma noite de quinta-feira maravilhosa, em frente à praia de Copacabana, fumando narguile no restaurante em que minha querida amiga Elaine Rolllemberg dança, estávamos nós falando, obviamente de dança, enquanto ela esperava para entrar. Dentre fofocas, revelações, opiniões, troca de ideias, etc, etc, etc surgiu o assunto organização de eventos e workshops.

Eu, como uma iniciante na organização de eventos de Dança do Ventre, falei sobre minha experiência e novas ideias para melhorar, sempre. E nos questionamos sobre as escolas vazias, o quanto está difícil manter as alunas (pensando numa cidade como o Rio de Janeiro e as inúmeras opções de qualidade e preço) por conta de dinheiro... e o desinteresse pelos workshops.

Será que o desinteresse pelos workshops têm realmente a ver...

... só com dinheiro? Talvez, alguns são bem caros.
... com a fama das ministrantes? Talvez, algumas "desconhecidas" (nem por isso, ruins) não atraem a atenção das alunas quando comparadas com as "famosas"
... com a oferta de temas repetitivos? Hum, eu diria que talvez também. Mas esse é meio controverso porque workshop bom mesmo é aquele que ensina rotina oriental clássica, não é mesmo?
... com a localização? Muitas vezes, sim.

Ou será que tem a ver com quem está trazendo a ministrante do workshop?

Situação hipotética:

- "A Souhair Zaki vem pro Rio! Não é máximo?"
- "Jura? Nossa, não acredito! Maravilha!"
- "Não perco por nada. Ela vai ensinar Taqsim".
- "Show. Quem é que está trazendo ela?"
- "Fulana de tal".
- "Ah, sei..."

Galera, eu repito: a internet tá aí para todos. Quer conhecer o trabalho de alguém que está indo pra sua cidade ministrar algum workshop e você nunca ouviu falar? Procura saber!
Aliás, também existe gente boa na sua própria cidade, que não só sua professora. Procura saber também! Tem tanta gente maravilhosa, com muito mais a oferecer que apenas arabesques ou "as últimas sequências coreográficas do Egito"...

Bauce kabira,
Hanna Aisha

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Naima Akef: para estudar

Texto revisto e reescrito em 30/12/12.

Debulês, giros simples, arabesques, giros "borboleta", oitos, cambrês, trabalho de braços, expressão e grande utilização de espaços com marcações simples, porém bonitas de quadril. Esta é a bailarina egípcia Naima Akef.

Criada dentro do circo, foi uma das bailarinas do Casino Opera, tinha boa musicalidade e participou de inúmeros filmes também como atriz. Ela morreu de câncer mas ninguém sabe direito com que idade (com 37 ou 64 anos?). O ballet influenciou muito sua dança; não é à toa que vemos uma leveza e uma postura sempre presentes, além de vários movimentos típicos. Não era uma bailarina de representar folclores, porém os snujs eram bem comuns em suas performances:


Aqui, Naima em uma performance "balética":


Com o clássico "Aziza":


Aqui, alguns blogs que exploraram sua biografia e/ou vídeos:


Aqui, a bailarina Dunia, faz a leitura dela com muitos detalhes...

Bauce kabira,
Hanna Aisha